{"id":69,"date":"2007-10-13T23:06:32","date_gmt":"2007-10-14T02:06:32","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/viaje-leve-sempre"},"modified":"2007-10-13T23:06:32","modified_gmt":"2007-10-14T02:06:32","slug":"viaje-leve-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/viaje-leve-sempre\/","title":{"rendered":"Viaje leve, sempre"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-pne2.gif\" align=\"right\" \/>Qualquer sujeito com uma pequena quantidade de neur\u00f4nios em pleno funcionamento saberia: em uma viagem com sete deslocamentos a\u00e9reos e in\u00fameras pequenas viagens de trem, a primeira regra de ouro \u00e9 levar consigo a menor quantidade de coisas. N\u00e3o era a minha primeira experi\u00eancia do g\u00eanero, e evidentemente j\u00e1 sabia disso. Por alguma raz\u00e3o  qualquer, decidi bancar o imbecil. &#8220;Ah, vou me tornar ponto de refer\u00eancia em aeroportos e esta\u00e7\u00f5es pela Europa, atrapalhar uma por\u00e7\u00e3o de gente em \u00f4nibus e trens, sofrendo tudo que mere\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>S\u00f3 isso \u00e9 capaz de explicar o fato de ter levado um verdadeiro ba\u00fa. A maior mala que voc\u00ea puder imaginar. A inten\u00e7\u00e3o era bem razo\u00e1vel: embarcar com o trambolho vazio e voltar abarrotado de compras perdul\u00e1rias. Uma id\u00e9ia rid\u00edcula, especialmente diante dos v\u00f4os de baixo custo entre as cidades que visitamos. A primeira surpresa veio logo na primeira perna, entre Amsterd\u00e3 e Copenhague. &#8220;Sinto muito, mas sua passagem permite uma franquia de apenas 15kg&#8221;. Quinze? &#8220;Cara, s\u00f3 essa sua mala deve ter uns seis, sete quilos&#8221;, salientou <a href=\"http:\/\/bebediabo.nafoto.net\" target=\"_blank\"><b>Lello Lopes<\/b><\/a> ainda em Schiphol.<\/p>\n<p>O container estava com menos da metade da capacidade, por isso foi emocionante reduzi-la a quinze quilos. O mais est\u00fapido nesse tipo de limita\u00e7\u00e3o \u00e9 permitir levar ainda mais peso para a cabine&#8230; Mas enfim, o processo de &#8220;encolhimento&#8221; da mala tornou-se constante nos sagu\u00f5es. J\u00e1 deixava a malona devidamente preparada, com uma &#8220;sacolinha pesada&#8221; pronta para ser destacada e carregada at\u00e9 a poltrona. Tanto o esquema do embarque quanto as caminhadas na chegada e sa\u00edda &#8211; incluindo metr\u00f4 sem escadas rolantes, ladeiras e cal\u00e7adas esburacadas &#8211; se revelaram melhores que qualquer academia de gin\u00e1stica.<\/p>\n<p>Meu progn\u00f3stico inicial &#8211; o de entupir aquela porcaria com sacolas de compras &#8211; estava funcionando perfeitamente. Como era de se esperar, a mala foi se deteriorando&#8230; Rodinhas a cada dia mais tortas, ralando o fundo de pano. Para piorar, a al\u00e7a n\u00e3o suportou o peso e quebrou, pouco antes do embarque a Paris. Naquela tarde, conheci o significado literal da express\u00e3o &#8220;mala sem al\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 em Montmartre, tinha nas m\u00e3os a chance de corrigir este grande erro, tornando minha bagagem us\u00e1vel. Mas n\u00e3o. Queria continuar idiota at\u00e9 o fim. Por isso, optei pela &#8220;gambiarra&#8221;: uma corrente de prender bicicleta, que fez as vezes de al\u00e7a com perfei\u00e7\u00e3o. Quer dizer&#8230; N\u00e3o d\u00e1 para chamar de &#8220;perfei\u00e7\u00e3o&#8221; arrastar uns cinquenta quilos segurando em uma corrente, sem qualquer prote\u00e7\u00e3o. Exausto, tive que apelar para um t\u00e1xi, mesmo a poucos metros da Gare du Nord. Pena que o motorista n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de me deixar na porta do trem. Aquela maldita composi\u00e7\u00e3o para a Alemanha ficava na plataforma mais distante poss\u00edvel&#8230; &#8220;Cara, nem era t\u00e3o longe assim&#8221;, desmentiu Lello.<\/p>\n<p>Obviamente, a mala sem al\u00e7a seria um problema at\u00e9 o fim. De volta a Schiphol, a despeito de toda aquela gente repleta de malas gigantescas e bem mais complexas que a minha, fui lembrado de algo evidente: eu poderia despachar duas malas de 32kg, e isso n\u00e3o quer dizer uma de 64kg. &#8220;Voc\u00ea precisa dividi-la em duas&#8221;, disse a tiazinha do check-in. Dessa vez, al\u00e9m de abrir a mala no sagu\u00e3o (o que j\u00e1 tinha feito ali mesmo, dias antes), era preciso comprar uma segunda mala e dividir as sacolas ali mesmo, a poucos minutos do embarque. O horror, o horror.<\/p>\n<p>Quer mais? J\u00e1 em S\u00e3o Paulo, \u00e0 espera da bagagem na esteira, ou\u00e7o meu nome sendo anunciado pelo sistema de som. &#8220;Senhor Andr\u00e9, uma de suas malas n\u00e3o embarcou, por problemas no aeroporto de Amsterd\u00e3. Pedimos desculpas, e garantimos que ela ser\u00e1 entregue em sua casa amanh\u00e3 mesmo&#8221;, relatou o rapaz do balc\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. Mesmo um dia depois da viagem acabar, aquela li\u00e7\u00e3o simples, a do &#8220;viaje leve&#8221;, continuava sendo dada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pergunta.gif\" align=\"right\" \/><b>A prop\u00f3sito<\/b>, a trag\u00e9dia da bagagem foi meu \u00fanico percal\u00e7o a\u00e9reo durante um m\u00eas marcado por muitos pousos e decolagens. Certamente muitos brasileiros, diante de atrasos constantes, falta de informa\u00e7\u00e3o e, para completar, dois acidentes em dez meses, mudaram sua rela\u00e7\u00e3o com os avi\u00f5es. Esse foi o tema da nossa \u00faltima enquete.<\/p>\n<p>Entre os 189 visitantes que responderam a pergunta, 33,9% n\u00e3o tinham tanto medo de voar&#8230; Mas os \u00faltimos acontecimentos contribuiram para que o temor aumentasse. Outros 23,3% n\u00e3o enxergam problemas: apesar de tudo, o transporte a\u00e9reo continua sendo o mais seguro. J\u00e1 17,5% declararam que sempre tiveram pavor, e v\u00e3o continuar tendo. Por fim, 25,4% chutaram o pau da barraca: &#8220;tanto faz, com esse caos ningu\u00e9m vai voar mesmo&#8221;.<\/p>\n<p>Seja de avi\u00e3o ou n\u00e3o, prefira sempre uma mala pequena, uma bolsa, uma mochila&#8230; Enfim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qualquer sujeito com uma pequena quantidade de neur\u00f4nios em pleno funcionamento saberia: em uma viagem com sete deslocamentos a\u00e9reos e in\u00fameras pequenas viagens de trem, a primeira regra de ouro \u00e9 levar consigo a menor quantidade de coisas. N\u00e3o era a minha primeira experi\u00eancia do g\u00eanero, e evidentemente j\u00e1 sabia disso. 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