{"id":586,"date":"2010-06-19T23:49:36","date_gmt":"2010-06-20T02:49:36","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/parem-as-maquinas-salvem-o-passaro-galvao"},"modified":"2010-06-19T23:49:36","modified_gmt":"2010-06-20T02:49:36","slug":"parem-as-maquinas-salvem-o-passaro-galvao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/parem-as-maquinas-salvem-o-passaro-galvao\/","title":{"rendered":"Parem as m\u00e1quinas: salvem o p\u00e1ssaro Galv\u00e3o!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-copa.gif\" align=\"right\" \/>A semana teve muito assunto envolvendo Copa do Mundo. Jabulani, Vuvuzela, sele\u00e7\u00e3o brasileira, zebras. Teve ainda os corpos encontrados na represa em Nazar\u00e9 Paulista, o aumento dos aposentados, as conven\u00e7\u00f5es que decidiram candidaturas em todo o Brasil&#8230; Pense num assunto palpitante que mere\u00e7a figurar na Capa da <a href=\"http:\/\/www.veja.com\" target=\"_blank\"><b>revista Veja<\/b><\/a>.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/100619_capavejagalvao.jpg\" \/><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, temos&#8230; <a href=\"http:\/\/dialetica.org\/copa\/2010\/06\/14\/como-cala-boca-galvao-fez-barulho-mundo-afora\"><b>CALA BOCA GALV\u00c3O!<\/b><\/a> E mais: a f\u00faria do Twitter! F\u00daRIA!!! COMO ASSIM?!?!<\/p>\n<p>Posso imaginar a reda\u00e7\u00e3o da Revista Veja, final da tarde de uma quinta-feira, por exemplo. De repente, por raz\u00f5es enigm\u00e1ticas, o editor-chefe diz:<\/p>\n<p>&#8211; Nossa capa vai ser o Galv\u00e3o nos trending topics. Executem.<\/p>\n<p>A reda\u00e7\u00e3o fez tudo que d\u00e1 pra fazer at\u00e9 o fechamento. Explicar o que \u00e9 Twitter, t\u00f3picos mais populares, potenciais ondas formadas na superf\u00edcie da Internet, uma linha do tempo com a quantidade de men\u00e7\u00f5es, a repercuss\u00e3o na imprensa internacional, a estrat\u00e9gia (bem executada) da Globo em botar o Galv\u00e3o Bueno pra concordar com a id\u00e9ia e entrar na campanha (at\u00e9 porque, a maioria de seus &#8220;interlocutores&#8221; est\u00e3o na frente da TV, e n\u00e3o no Twitter)&#8230; Na carta ao leitor, um texto inflamado e, c\u00e1 pra n\u00f3s, bastante discut\u00edvel, inflando a proposta do adjetivo &#8220;f\u00faria das m\u00eddias sociais&#8221;.<\/p>\n<p>Diga algo, no entanto, que parece fundamental nessa pauta. E n\u00e3o tem na reportagem da Veja.<\/p>\n<p>Sim, senhores. Uma entrevista com o pr\u00f3prio narrador. Certamente algu\u00e9m tentou, mas desde que a revista publicou a bomb\u00e1stica declara\u00e7\u00e3o de Roberto Carlos &#8211; de que ele dificilmente jogaria na sele\u00e7\u00e3o s\u00f3 porque Galv\u00e3o implicou com a meia. Para compensar, tem um box com um belo hist\u00f3rico, incluindo logicamente alguns momentos que ele n\u00e3o gosta de lembrar, como a careta escandalosa ao lado de Pel\u00e9 e Arnaldo no momento &#8220;\u00e9 t\u00e9\u00e9\u00e9tr\u00e1\u00e1\u00e1&#8221;, ou um epis\u00f3dio no in\u00edcio de sua carreira, quando narrou um jogo do Mundial de 74 pensando que as duas sele\u00e7\u00f5es eram umas. No fim, eram outras.<\/p>\n<p>Enfim, j\u00e1 que o assunto vai seguir por mais uma semana, conv\u00e9m contextualizar essa capa com algumas perguntas feitas por Carol Knoploch em 2002, na \u00e9poca no Estado de S. Paulo, pin\u00e7adas desta reprodu\u00e7\u00e3o do <a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos\/asp1610200299.htm\" target=\"_blank\"><b>Observat\u00f3rio da Imprensa<\/b><\/a>. Talvez excluindo o &#8220;tem gente imbecil e idiota&#8221;, amenizado neste epis\u00f3dio, certamente n\u00e3o mudou muita coisa, n\u00e3o acham?<\/p>\n<blockquote><p>Estado &#8211; Como voc\u00ea se define?<\/p>\n<p>Galv\u00e3o &#8211; Sou um vendedor de emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Estado &#8211; Voc\u00ea se emocionou mais no tetra do que no pentacampeonato do futebol?<\/p>\n<p>Galv\u00e3o &#8211; Aquela cena \u00e9 rid\u00edcula porque \u00e9 hist\u00e9rica. Foi o Pel\u00e9 que me agarrou no pesco\u00e7o na comemora\u00e7\u00e3o do tetra. Morro de vergonha cada vez que revejo. Em 1994, foram 90 minutos 0 a 0. Mais 30 minutos 0 a 0. Os p\u00eanaltis&#8230; O cora\u00e7\u00e3o estava batendo no lugar da am\u00edgdala. A\u00ed aquele berro: \u2018acabou! \u00c9 tetra!\u2019 No Jap\u00e3o foi diferente. O time do Brasil era muito melhor que o da Alemanha. Foi ganhando o jogo \u00e0 medida que o tempo foi passando.<\/p>\n<p>Estado &#8211; O narrador tem de ser torcedor tamb\u00e9m?<\/p>\n<p>Galv\u00e3o &#8211; O esporte \u00e9 basicamente emo\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, meu papel \u00e9 falar sobre a t\u00e9cnica, a t\u00e1tica, o confronto de intelig\u00eancia mas tamb\u00e9m vender essa emo\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que o esporte mobiliza um pa\u00eds, p\u00e1ra um pa\u00eds. \u00c9 por isso que enlouquece as pessoas, que existe a rivalidade entre os torcedores.<\/p>\n<p>Estado &#8211; Qual \u00e9 o limite?<\/p>\n<p>Galv\u00e3o &#8211; \u00c9 completamente diferente transmitir Corinthians x Palmeiras e Brasil x Alemanha. Vou torcer para quem? \u00c9 evidente que tor\u00e7o para o Brasil. O telespectador tamb\u00e9m est\u00e1 angustiado, tamb\u00e9m torce para o Brasil, grita de forma t\u00e3o hist\u00e9rica como eu, mas tem uma vantagem: pode xingar. Eu tor\u00e7o mesmo, e da\u00ed? Claro que tenho limites, que \u00e9 o compromisso com a verdade. Existem pessoas que me d\u00e3o retorno durante as transmiss\u00f5es. N\u00e3o estou ali sozinho. Recebo alguns toques.<\/p>\n<p>Estado &#8211; Sente-se amado e odiado?<\/p>\n<p>Galv\u00e3o &#8211; Sou pol\u00eamico. Ou gostam muito ou detestam. Mas a propor\u00e7\u00e3o dos que gostam \u00e9 bem maior. Estou l\u00e1 h\u00e1 20 anos&#8230; imagina, sempre eu falando. \u00c9 normal.<\/p>\n<p>Estado &#8211; E as manifesta\u00e7\u00f5es ofensivas?<\/p>\n<p>Galv\u00e3o &#8211; S\u00e3o 2% das manifesta\u00e7\u00f5es. Nunca de crian\u00e7as e de idosos. Tenho uma \u00f3tima rela\u00e7\u00e3o com eles. <\/p>\n<p>Estado &#8211; Voc\u00ea se acha chato?<\/p>\n<p>Galv\u00e3o &#8211; Muitas vezes. Sou exigente e perfeccionista. \u00c0s vezes passo do ponto. Mas a maior cobran\u00e7a \u00e9 comigo mesmo. Se sou chato para mim mesmo, imagina para o torcedor.<\/p>\n<p>Estado &#8211; Como voc\u00ea lida com as cr\u00edticas?<\/p>\n<p>Galv\u00e3o &#8211; Eu me descabelava. Hoje, n\u00e3o ligo. Evidente que tem gente imbecil e idiota. Escreveram recentemente, quando meu filho Cac\u00e1 ganhou a corrida da Stock Car do Rio e que eu narrava, que tudo estava combinado porque era Dia dos Pais. A\u00ed \u00e9 maldade e me incomoda.<\/p>\n<p>Estado &#8211; O que aprendeu com as cr\u00edticas?<\/p>\n<p>Galv\u00e3o &#8211; Que n\u00e3o se deve criar desculpas para justificar erros. Sou um ser humano, tenho o direito de errar. Falo ao vivo, t\u00f4 na pilha e erro. Me corrijo na maior cara-de-pau. \u00c0s vezes, dou at\u00e9 risada. <\/p><\/blockquote>\n<p>Pois \u00e9, meus amigos. Capa da Veja. Que coisa, hein&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A semana teve muito assunto envolvendo Copa do Mundo. Jabulani, Vuvuzela, sele\u00e7\u00e3o brasileira, zebras. Teve ainda os corpos encontrados na represa em Nazar\u00e9 Paulista, o aumento dos aposentados, as conven\u00e7\u00f5es que decidiram candidaturas em todo o Brasil&#8230; Pense num assunto palpitante que mere\u00e7a figurar na Capa da revista Veja. Ent\u00e3o, temos&#8230; CALA BOCA GALV\u00c3O! 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