{"id":571,"date":"2009-03-06T03:05:08","date_gmt":"2009-03-06T06:05:08","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/tres-licoes-para-reaprender-a-blogar"},"modified":"2009-03-06T03:05:08","modified_gmt":"2009-03-06T06:05:08","slug":"tres-licoes-para-reaprender-a-blogar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/tres-licoes-para-reaprender-a-blogar\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas li\u00e7\u00f5es para reaprender a blogar"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/bloguiado.gif\" align=\"right\" \/>Sabe quando algu\u00e9m compra um s\u00edtio num lugarzinho buc\u00f3lico, mas a casa ainda precisa de intermin\u00e1veis finais de semana em intensa reforma e faxina? \u00c9 assim que sinto ao mudar o blog de lugar. Trazer para c\u00e1 alguns textos acumulados em mais de seis anos soa como carregar caixas de papel\u00e3o cheias de antigos cadernos, empilh\u00e1-las na caminhonete, viajar at\u00e9 a casa nova, descarregar e organizar tudo na estante &#8211; sem esquecer de arrumar o port\u00e3o, cortar a grama, essas coisas.<\/p>\n<p>Nessa altura, algu\u00e9m pode dizer: &#8220;jogue essa papelada imprest\u00e1vel fora!&#8221;. Ao menos uma boa raz\u00e3o eu teria para isso: meu passado me condena, com muita for\u00e7a. Tamb\u00e9m pudera: minhas experimenta\u00e7\u00f5es textuais no blog em 2002 reuniam plant\u00f5es de not\u00edcias absurdas, declara\u00e7\u00f5es elogiosas aos autores de blogs favoritos (algu\u00e9m se lembra dos &#8220;fansigns&#8221;?) e comemora\u00e7\u00f5es est\u00fapidas diante de uma mensagem do tipo &#8220;seu blog recebeu este award megafuckingpower!&#8221;.<\/p>\n<p>Mas eu sou amante apaixonado pela nostalgia. Olhar para tr\u00e1s e apontar o que funcionou (e o que virou chacota) \u00e9 exatamente o que farei daqui uns anos, quando vou lembrar dessa fase onde compromissos profissionais consumiram tempo e f\u00f4lego suficiente para deixar o blog em ritmo lento. E quando esse dia chegar, ser\u00e1 hora de reavaliar o que estou prestes a desenvolver. Basicamente, um trip\u00e9 de id\u00e9ias capaz de &#8220;ressuscitar&#8221; um espa\u00e7o inerte.<\/p>\n<p><b>Disciplina.<\/b> Uso o Google Docs como reposit\u00f3rio de id\u00e9ias que, um dia, podem virar post. J\u00e1 tem mais de cem. Todos com algum link e duas ou tr\u00eas palavrinhas, que garantem a perpetua\u00e7\u00e3o (melhor seria dizer &#8220;clausura&#8221;) da proposta. Esse enrosco reflete na frequ\u00eancia desordenada de publica\u00e7\u00f5es, presumindo desinteresse de quem o escreve &#8211; despertando, consequentemente, o mesmo des\u00e2nimo em quem l\u00ea.<\/p>\n<p>\u00c9 horr\u00edvel ficar mais de uma semana, pelo menos, sem novidades. Mas tem algo pior do que simplesmente n\u00e3o escrever nada. \u00c9 fazer algo parecido com o que fiz acima: &#8220;oh, vida ingrata, como ando ocupado e infeliz, desculpas por n\u00e3o conseguir escrever mais aqui mas prometo melhorar!&#8221;. Deve existir alguma estat\u00edstica indicando esse discurso como sendo o mais comum encontrado nos \u00faltimos posts de blogs abandonados&#8230;<\/p>\n<p>Mas enfim. Disciplina \u00e9 uma dessas palavras-chave que funcionam em qualquer meta de vida, como juntar dinheiro para comprar uma geladeira, perder vinte quilos em seis meses, disputar a S\u00e3o Silvestre ou escrever uma vez por semana.<\/p>\n<p><b>Agilidade.<\/b> Ficar tempo demais pensando na morte da bezerra, nos compromissos agendados ou em como o dia poderia ser diferente&#8230; Bom, isso faz mal \u00e0 conex\u00e3o entre c\u00e9rebro e a ponta dos dedos no teclado. Substituir boas leituras por atividades burocr\u00e1ticas e horas de sono tamb\u00e9m atrapalham: fico parecendo um retardado diante do monitor, processando neur\u00f4nios em busca da palavra que melhor se encaixa. N\u00e3o devia, mas fico tempo demais diante de par\u00e1grafos que n\u00e3o acabam nunca!<\/p>\n<p>Pois bem. Aqui n\u00e3o entra apenas disciplina, mas sim alguma t\u00e9cnica, macete, segredinho profissional para redigir par\u00e1grafos consistentes no menor intervalo de tempo. Como qualquer redator de website, que leva meia hora (estourando) para redigir o relato completo de um jogo de futebol. Com um pouco mais de tempo, d\u00e1 at\u00e9 para abrir uns tr\u00eas ou quatro arquivos-texto por vez e ir lapidando-os aos poucos, acumulando gordura.<\/p>\n<p>Um pouco de pr\u00e1tica &#8211; oriunda da disciplina &#8211; tamb\u00e9m ajuda. Se um dia esse h\u00e1bito realmente pegar, \u00e9 poss\u00edvel que meus textos continuem compridos, mas preparados em pouco tempo. Em alguns anos, quem sabe, conseguirei redigir dezenas de par\u00e1grafos simultaneamente, como o <a href=\"http:\/\/interney.net\/blogs\/inagaki\"><b>Inagaki<\/b><\/a>.<\/p>\n<p><b>Tes\u00e3o.<\/b> Parece \u00f3bvio, n\u00e3o? Se \u00e9 preciso motor (disciplina) e aerodin\u00e2mica (agilidade), ainda falta o combust\u00edvel: o que te leva a escrever? E ultimamente est\u00e1 dif\u00edcil perceber qual dos tr\u00eas itens parece falhar mais. Temos uma id\u00e9ia brilhante, mas falta tempo. Sobram dez minutos, mas faltam as palavras. Finalmente conseguimos tempo e disposi\u00e7\u00e3o, e eis que surge um vazio criativo. Falta vontade.<\/p>\n<p>Sobre isso, a <a href=\"http:\/\/giseleh.com\/2009\/03\/04\/pra-quem-voce-bloga\/\" target=\"_blank\"><b>Gisele<\/b><\/a> escreveu: &#8220;inicialmente eu postava pra mim. Depois para os amigos pr\u00f3ximos, mas ainda utilizava o blog para armazenar coisas bacanas que achava por a\u00ed. De uns tempos para c\u00e1 andei postando por trabalho, por vaidade, por possibilidades. Mas isso cansa, viu?&#8221;. Imagino que sim.<\/p>\n<p>J\u00e1 ouvi mais de uma vez algo que talvez contribua com uma reflex\u00e3o. Pode ser que esse cansa\u00e7o apare\u00e7a ap\u00f3s um processo de &#8220;motiva\u00e7\u00e3o&#8221;, e a\u00ed mora um perigo: o efeito da motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 o mesmo de um energ\u00e9tico, acaba logo. Tome como exemplo qualquer desafio profissional: atingir resultados depende muito mais de esfor\u00e7o, trabalho duro, determina\u00e7\u00e3o, supera\u00e7\u00e3o dos limites, independente do estado de esp\u00edrito. Imagine se eu tivesse que contar apenas com motiva\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 pra ser um texto de auto-ajuda, mas sim uma li\u00e7\u00e3o simples. Voc\u00ea pode usar seu blog para o que desejar: div\u00e3, mesa-redonda, palanque, an\u00fancio&#8230; Desde que sinta tes\u00e3o ao faz\u00ea-lo. Seja qual for o seu desafio &#8211; fazer amigos, faturar milh\u00f5es ou liberar a mente, o esp\u00edrito deve ser o mesmo de um atleta. Ele pode correr para ser o melhor, para manter a forma ou relaxar: em qualquer circunst\u00e2ncia, \u00e9 fundamental sentir prazer.<\/p>\n<p>Como dizem que o ano s\u00f3 recome\u00e7a ap\u00f3s o Carnaval, ainda d\u00e1 tempo de estabelecer as resolu\u00e7\u00f5es de 2009 para este blog. H\u00e1bito, t\u00e9cnica e alegria: \u00e9 tudo o que preciso para seguir em frente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabe quando algu\u00e9m compra um s\u00edtio num lugarzinho buc\u00f3lico, mas a casa ainda precisa de intermin\u00e1veis finais de semana em intensa reforma e faxina? \u00c9 assim que sinto ao mudar o blog de lugar. 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