{"id":565,"date":"2007-05-15T16:07:04","date_gmt":"2007-05-15T19:07:04","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/a-arte-de-escrever-bem-na-internet"},"modified":"2007-05-15T16:07:04","modified_gmt":"2007-05-15T19:07:04","slug":"a-arte-de-escrever-bem-na-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/a-arte-de-escrever-bem-na-internet\/","title":{"rendered":"A arte de escrever bem na Internet"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/fazendo.gif\" align=\"right\" \/>Experimente a seguinte experi\u00eancia qualquer hora dessas, especialmente se o assunto for relevante para voc\u00ea: fa\u00e7a uma busca no Google por textos que tragam conselhos, f\u00f3rmulas, regras&#8230; Qualquer coisa para tornar seus textos adequados ao ambiente digital.<\/p>\n<p>O resultado? Muitos especialistas (ou ainda os famigerados &#8220;consultores&#8221;) apresentando listas do g\u00eanero &#8220;dez dicas infal\u00edveis para ter um blog de sucesso&#8221;, entre outras cascatas.<\/p>\n<p>Admito que n\u00e3o enxergava o quanto me enganava com essa conversinha mole de &#8220;conselhos para uma nova era da reda\u00e7\u00e3o&#8221;, at\u00e9 o professor <a href=\"http:\/\/e-periodistas.blogspot.com\" target=\"_blank\"><b>Ram\u00f3n Salaverr\u00eda<\/b><\/a> apresentar os itens descritos abaixo. Tenho absoluta certeza que voc\u00ea j\u00e1 os viu em algum momento da sua vida.<\/p>\n<p>&#8211; Escolha um leiaute adequado para o seu texto.<\/p>\n<p>&#8211; Cada par\u00e1grafo deve conter apenas uma id\u00e9ia.<\/p>\n<p>&#8211; Prefira a voz ativa.<\/p>\n<p>&#8211; Escreva de forma positiva (evite nega\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>&#8211; Prefira palavras espec\u00edficas, concretas.<\/p>\n<p>&#8211; Omita palavras desnecess\u00e1rias.<\/p>\n<p>&#8211; Evite frases longas, que podem confundir o texto.<\/p>\n<p>&#8211; Ao enumerar ou expressar id\u00e9ias semelhantes, mantenha a mesma forma.<\/p>\n<p>&#8211; Em uma frase, mantenha palavras e id\u00e9ias relacionadas juntas.<\/p>\n<p>&#8211; Aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o misturar tempos verbais.<\/p>\n<p>&#8211; Em rela\u00e7\u00e3o ao assunto tratado, coloque-se em segundo plano.<\/p>\n<p>&#8211; Escreva de uma forma que seja natural para voc\u00ea.<\/p>\n<p>&#8211; Prefira verbos e substantivos, n\u00e3o exagere nos adjetivos e adv\u00e9rbios.<\/p>\n<p>&#8211; Revise e reescreva seu texto.<\/p>\n<p>&#8211; Se n\u00e3o gostou do texto, comece do zero. N\u00e3o reescreva &#8220;por cima&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o exagere no estilo, seus leitores v\u00e3o suspeitar.<\/p>\n<p>&#8211; Evite qualifica\u00e7\u00f5es (muito, pouco, grande, pequeno).<\/p>\n<p>&#8211; Controle sua euforia e espontaneidade, normalmente elas n\u00e3o dizem nada.<\/p>\n<p>&#8211; Respeite a ortografia.<\/p>\n<p>&#8211; Cuidado com explica\u00e7\u00f5es demais (corte os &#8220;disse Fulano&#8221;, &#8220;respondeu Siclano&#8221;).<\/p>\n<p>&#8211; Aten\u00e7\u00e3o a neologismos ou constru\u00e7\u00f5es erradas, especialmente adv\u00e9rbios.<\/p>\n<p>&#8211; Tenha certeza que seu leitor entenda as palavras, sejam elas rebuscadas, abreviadas ou g\u00edrias. Na d\u00favida, seja claro sempre.<\/p>\n<p>&#8211; Evite demonstra\u00e7\u00f5es de exuber\u00e2ncia com palavras estrangeiras. Escreva em portugu\u00eas.<\/p>\n<p>&#8211; Chav\u00f5es, frases feitas e figuras de linguagem: use com modera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Cada um tem seu estilo, suas palavras preferidas. Mas em todos os casos, prefira o padr\u00e3o ao extravagante.<\/p>\n<p>Gostou? Anotou tudo? Pois saiba que as t\u00e9cnicas acima foram pin\u00e7adas do mais famoso livro sobre o assunto no mundo: <a href=\"http:\/\/orwell.ru\/library\/others\/style\/index.htm\" target=\"_blank\" title=\"D\u00e1 pra baixar o conte\u00fado todo\"><b>&#8220;The Elements of Style&#8221;<\/b><\/a>, escrito por William Strunk Jr e atualizado anos depois por E. B. White.<\/p>\n<p>Foi lan\u00e7ado pela primeira vez em 1918. MIL NOVESCENTOS E DEZOITO!!! Toda essa filosofia das palavras simples, frases curtas e compreens\u00edveis, sem ambiguidade e claras para o leitor, sem obst\u00e1culos ao entendimento de id\u00e9ias, j\u00e1 tem NOVENTA ANOS!!! A atualiza\u00e7\u00e3o mais relevante foi feita em 1935. Aaah, ent\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o noventa, mas sim SETENTA anos. Ent\u00e3o tudo bem.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, o papel ganhou a companhia do r\u00e1dio, da TV e da Internet. Claro que s\u00e3o estruturas diferentes, que pedem aproveitamentos distintos de seu potencial. Mas em qualquer dos casos, n\u00e3o existe uma forma certa ou errada de escrever: qualquer m\u00e9todo que seja capaz de transmitir exatamente o que desejamos \u00e9 bom.<\/p>\n<p>Ah, sim, uma das dicas de William Strunk Jr e E. B. White (al\u00e9m daquelas espec\u00edficas a l\u00edngua inglesa) \u00e9 totalmente furada, mesmo naquele tempo: &#8220;n\u00e3o use opini\u00e3o&#8221;. Ou voc\u00ea acredita que mesmo aquele textinho despretensioso, usando s\u00f3 alguns dados inofensivos, est\u00e3o ali por acaso?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Experimente a seguinte experi\u00eancia qualquer hora dessas, especialmente se o assunto for relevante para voc\u00ea: fa\u00e7a uma busca no Google por textos que tragam conselhos, f\u00f3rmulas, regras&#8230; Qualquer coisa para tornar seus textos adequados ao ambiente digital. O resultado? Muitos especialistas (ou ainda os famigerados &#8220;consultores&#8221;) apresentando listas do g\u00eanero &#8220;dez dicas infal\u00edveis para ter [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-565","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-faca-fazendo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/565","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=565"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/565\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=565"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=565"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=565"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}