{"id":555,"date":"2007-05-06T20:31:05","date_gmt":"2007-05-06T23:31:05","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/na-estrada"},"modified":"2007-05-06T20:31:05","modified_gmt":"2007-05-06T23:31:05","slug":"na-estrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/na-estrada\/","title":{"rendered":"Na estrada"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/estrada0605.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/ilustrado.gif\" align=\"right\" \/>Divagava esses dias sobre a semelhan\u00e7a entre alguns aspectos da vida e o ato de dirigir. Em linhas gerais: \u00e9 preciso disciplina e responsabilidade constante, al\u00e9m da pr\u00e1tica para diminuir os erros. Mas tem mais.<\/p>\n<p>Lembro perfeitamente da primeira vez que sentei no banco do motorista, para dar os &#8220;primeiros passos&#8221;. Estava em uma estrada de ch\u00e3o batido deserta, em algum ponto entre Cap\u00e3o do Le\u00e3o e Pedro Os\u00f3rio. Ningu\u00e9m por perto, era a minha chance de errar sem ser notado.<\/p>\n<p>Levou tempo at\u00e9 o medo sumir completamente. Quando dei por mim, o carro j\u00e1 era uma extens\u00e3o do meu corpo &#8211; era como se ele sempre fizesse parte da minha vida. O que contribui muito para aumentar minha indigna\u00e7\u00e3o diante de alguns man\u00e9s, que n\u00e3o demonstram qualquer amor pr\u00f3prio. No volante ou fora dele.<\/p>\n<p>Tamanha autoconfian\u00e7a, \u00e9 claro, costuma se chocar com a nossa ignor\u00e2ncia em momentos dif\u00edceis, quando o &#8220;pois\u00e9&#8221; te deixa na m\u00e3o sem qualquer explica\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 bastante comum. Nesses casos, a paci\u00eancia \u00e9 primordial. Se a situa\u00e7\u00e3o for in\u00e9dita, admitir a inexperi\u00eancia tamb\u00e9m ajuda. J\u00e1 dizia o velho deitado: a perfei\u00e7\u00e3o s\u00f3 aparece depois de muitos erros.<\/p>\n<p>Agora experimente separar os fatos das sensa\u00e7\u00f5es. Guarde para si apenas os medos, o frio na barriga, as lamban\u00e7as iniciais, as oportunidades bem aproveitadas (ou n\u00e3o), a sensa\u00e7\u00e3o de liberdade, o constante aprendizado, as decep\u00e7\u00f5es, a irresponsabilidade alheia, as barbeiragens, as grandes realiza\u00e7\u00f5es, a vontade de trocar essa porcaria&#8230;<\/p>\n<p>Pronto. J\u00e1 estamos falando da nossa vida. Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>Bom, dia desses estava com algu\u00e9m que n\u00e3o gostou muito da compara\u00e7\u00e3o &#8211; ainda mais quando disse que &#8220;tive que aprender a guiar por pura obriga\u00e7\u00e3o&#8221;&#8230; Concordo. Viver n\u00e3o \u00e9 uma tarefa, mas sim uma d\u00e1diva.<\/p>\n<p>Pois \u00e9. Se admitirmos que viver \u00e9 como dirigir, sinto que a velocidade com que as coisas acontecem aumenta na mesma propor\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o dos motores. E seguindo a mesma analogia, imaginando cada ano de vida como um quil\u00f4metro percorrido&#8230; Opa, em instantes chego ao km 27. Preciso urgente de um mapa decente no porta-luvas&#8230;<\/p>\n<p><i>(Postado em 06\/05\/2004. E j\u00e1 estou a poucos metros do quil\u00f4metro 30.)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Divagava esses dias sobre a semelhan\u00e7a entre alguns aspectos da vida e o ato de dirigir. Em linhas gerais: \u00e9 preciso disciplina e responsabilidade constante, al\u00e9m da pr\u00e1tica para diminuir os erros. Mas tem mais. Lembro perfeitamente da primeira vez que sentei no banco do motorista, para dar os &#8220;primeiros passos&#8221;. Estava em uma estrada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-555","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-marmota-ilustrado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/555","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=555"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/555\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=555"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=555"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=555"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}