{"id":503,"date":"2008-02-18T23:56:16","date_gmt":"2008-02-19T02:56:16","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/se-nao-e-internauta-entao-o-que-e"},"modified":"2008-02-18T23:56:16","modified_gmt":"2008-02-19T02:56:16","slug":"se-nao-e-internauta-entao-o-que-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/se-nao-e-internauta-entao-o-que-e\/","title":{"rendered":"Se n\u00e3o \u00e9 internauta, ent\u00e3o o que \u00e9?"},"content":{"rendered":"<p><s>Era pra eu escrever algumas linhas sobre <a href=\"http:\/\/webinsider.uol.com.br\/index.php\/2006\/06\/24\/vamos-combinar-internauta-nunca-mais-esta-bem\" target=\"_blank\"><b>esse texto aqui<\/b><\/a>, mas acabei fazendo coisa melhor nesse domingo \u00e0 noite.<\/p>\n<p>Fa\u00e7am assim: leiam e digam o que acham. Depois atualizo aqui.<\/s><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\" \/><b>Atualizado<\/b>: Agora sim, segue o texto que eu tinha pensado.<\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.caiocesar.cc\" target=\"_blank\"><b>Caio Cesar<\/b><\/a> levantou no <a href=\"http:\/\/webinsider.uol.com.br\" target=\"_blank\"><b>Webinsider<\/b><\/a> um assunto que, por mais incr\u00edvel que possa parecer, n\u00e3o \u00e9 de hoje. Uma discuss\u00e3o que j\u00e1 ou\u00e7o h\u00e1 pelo menos cinco anos, especialmente no meio acad\u00eamico. Trata basicamente da rela\u00e7\u00e3o entre a grande rede mundial de computadores e o homem, que descobre a cada dia os prazeres e as vantagens de estar conectado \u00e0 ela.<\/p>\n<p>Enfim, como voc\u00ea denomina esse cidad\u00e3o online? Internauta? (A prop\u00f3sito, \u00e9 online, on line ou on-line?)<\/p>\n<p>Voltando. Resumidamente: o Caio Cesar defende <a href=\"http:\/\/webinsider.uol.com.br\/vernoticia.php\/id\/2844\" target=\"_blank\"><b>o fim do uso abomin\u00e1vel da palavra internauta<\/b><\/a>. Vamos a sua origem. O sufixo &#8220;nauta&#8221;, tem origem do grego, &#8220;na\u00fat\u00e9s&#8221;, se refere a marinheiro, marujo, e que virou &#8220;nauta&#8221; em latim. Na l\u00edngua portuguesa, \u00e9 comum em termos como aeronauta, astronauta, cosmonauta, argonauta&#8230; Provavelmente, baseado na tradu\u00e7\u00e3o feita do ingl\u00eas &#8220;browser&#8221; (que na verdade quer dizer &#8220;explorador&#8221;), algu\u00e9m associou navegador com marujo e criou o mote da celeuma &#8211; associa\u00e7\u00e3o que convenhamos, n\u00e3o era t\u00e3o estranho nos prim\u00f3rdios da web no Brasil, em 1995.<\/p>\n<p>Os neologismos &#8220;cibernauta&#8221;, existente em Portugal, e &#8220;internauta&#8221;, que est\u00e1 no nosso Aur\u00e9lio (usu\u00e1rio da Internet, rede mundial de computadores ou usu\u00e1rio intensivo de rede Internet, que ocupa grande parte de seu tempo explorando os recursos por ela oferecidos) j\u00e1 encerraria a quest\u00e3o a favor da palavra (e quem n\u00e3o v\u00ea raz\u00e3o pra perder tempo nessa discuss\u00e3o pode parar aqui).<\/p>\n<p>Mas apesar de discordar, o <a href=\"http:\/\/www.caiocesar.cc\/?p=8193872\" target=\"_blank\"><b>argumento do Caio Cesar<\/b><\/a> faz sentido, e tem muita gente que o defende. A web, literalmente, n\u00e3o \u00e9 um rio, nem um oceano. O browser procura, vasculha, explora. Por essa raz\u00e3o, &#8220;internauta&#8221; \u00e9 uma palavra fraca, que n\u00e3o transmite uma vis\u00e3o profissional e soa pejorativa. N\u00e3o traz em sua ess\u00eancia o verdadeiro significado de &#8220;usar Internet&#8221;. Para ele, n\u00e3o precisamos de &#8220;met\u00e1foras deslumbradas como esta para nos referirmos aos usu\u00e1rios da rede&#8221;. Usu\u00e1rio \u00e9, segundo a maioria dos &#8220;anti-internauta&#8221;, a palavra mais adequada.<\/p>\n<p>Para quem trabalha diretamente com texto, o problema na verdade \u00e9 outro. Quantos sin\u00f4nimos voc\u00ea conhece para internauta al\u00e9m de usu\u00e1rio? Por uma quest\u00e3o de estilo, n\u00e3o conv\u00e9m repetir palavras no texto. Da\u00ed temos visitante, &#8220;surfista&#8221;, &#8220;navegante&#8221;&#8230; Leitor, consumidor&#8230; Tudo depende do contexto e do p\u00fablico-alvo. Talvez tenha sido essa a discuss\u00e3o mais profunda na <a href=\"http:\/\/www.jornalistasdaweb.com.br\" target=\"_blank\"><b>lista de discuss\u00e3o Jornalistas de Web<\/b><\/a>. Outros realmente n\u00e3o v\u00eaem nenhum sentido em discutir o assunto.<\/p>\n<p>Antes de ler os primeiros coment\u00e1ros registrados aqui, pensei num exemplo (entre muitos) de uma palavra que n\u00e3o transmitia seu exato significado nos prim\u00f3rdios, mas no fim, se estabeleceu no idioma. Lembrei do tripaliu, que era um instrumento de tortura formado por tr\u00eas estacas. Quem era torturado no tripaliu ia, segundo o latim vulgar, &#8220;tripaliare&#8221;. Que virou &#8220;sofrer, padecer, sacrificar-se, martirizar-se&#8230;&#8221;. Que virou &#8220;trabalhar&#8221;, aquilo que em tese &#8220;enobrece o homem&#8221;.<\/p>\n<p>Tr\u00eas conclus\u00f5es, portanto. A primeira: Seu Madruga \u00e9 que est\u00e1 com a raz\u00e3o. O trabalho n\u00e3o \u00e9 ruim. Ruim \u00e9 ter que trabalhar. A segunda: a melhor coisa a fazer \u00e9 deixar a nossa l\u00edngua cada vez mais viva seguir seu caminho sozinha.<\/p>\n<p>E a terceira: como eu n\u00e3o consigo ser s\u00f3 consumidor, s\u00f3 leitor ou s\u00f3 blogueiro, n\u00e3o vejo mal nenhum em ser chamado de internauta.<\/p>\n<p><i>(Postado em 28\/05\/2006)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era pra eu escrever algumas linhas sobre esse texto aqui, mas acabei fazendo coisa melhor nesse domingo \u00e0 noite. Fa\u00e7am assim: leiam e digam o que acham. Depois atualizo aqui. Atualizado: Agora sim, segue o texto que eu tinha pensado. 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