{"id":50,"date":"2007-09-24T23:40:32","date_gmt":"2007-09-25T02:40:32","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/sobre-as-atracoes-imperdiveis-em-25-dias"},"modified":"2007-09-24T23:40:32","modified_gmt":"2007-09-25T02:40:32","slug":"sobre-as-atracoes-imperdiveis-em-25-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/sobre-as-atracoes-imperdiveis-em-25-dias\/","title":{"rendered":"Sobre as atra\u00e7\u00f5es imperd\u00edveis em 25 dias"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-pne2.gif\" align=\"right\" \/><b>Paris (Fran\u00e7a)<\/b> &#8211; Imagine tudo que se pode fazer em sete cidades europ\u00e9ias e fa\u00e7a uma pequena lista de coisas imperd\u00edveis. Agora tente equacion\u00e1-la em 25 dias: perceba que sua \u201cpequena\u201d lista come\u00e7a a tomar propor\u00e7\u00f5es impratic\u00e1veis.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que cada um tem na cabe\u00e7a a sua Europa, os seus pontos preferidos. Em linhas gerais, podemos dizer: equilibrar cidades totalmente novas com aqueles velhos e conhecidos recantos de aventuras anteriores \u00e9 sensacional. Mas tirando o planejamento m\u00ednimo, com datas, passagens e hospedagens, o resto vem com o tempo.<\/p>\n<p>Fora isso, uma viagem desse naipe exige dois bons exerc\u00edcios. O primeiro deles \u00e9 a paci\u00eancia. N\u00e3o adianta correr feito um alucinado, \u00e9 imposs\u00edvel fazer tudo que se pretende. Se n\u00e3o deu pra conhecer aquele lugar dos sonhos desta vez, nada de desespero: ele n\u00e3o vai fugir dali, e estar\u00e1 esperando por voc\u00ea na pr\u00f3xima vez. Ainda melhor.<\/p>\n<p>\u00c9 o que acontece com Paris, certamente a cidade que exerce o maior fasc\u00ednio entre todos os viajantes do mundo. Quando estive aqui em 2004, ainda n\u00e3o conhecia Amelie Poulain. Claro que, se tivesse ouvido falar nela antes, n\u00e3o perderia Sacr\u00e9 Coeur por nada. Agora, tr\u00eas anos depois, certamente vou ficar longas horas registrando tudo com minha mini DV.<\/p>\n<p>O segundo exerc\u00edcio \u00e9 um pouco mais f\u00e1cil: levante todas as antenas poss\u00edveis e exer\u00e7a seus sentidos, aumente seu poder de percep\u00e7\u00e3o. Caminhe muito, perca-se, sinta o perfume de cada local, a tonalidade das cores e da luz. Quando cansar, compre uma baguete, past\u00e9is de nata e uma garrafa de vinho, e v\u00e1 fazer um piquenique na pra\u00e7a. Permane\u00e7a sentado e observe a integra\u00e7\u00e3o dos nativos com o seu espa\u00e7o.<\/p>\n<p>E sinta a vida que existe entre as igrejas, est\u00e1dios e museus, sem pressa.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-pne2barra.jpg\" \/><\/div>\n<p><b>Paciencia<\/b> &#8211; Eu ja devia saber, mas as vantagens de comprar bugigangas em qualquer canto pode render alguns efeitos colaterais. Logo no check-in para o trajeto entre Amsterda e Copenhague, fomos surpreendidos pela loirinha do guiche: &#8220;sinto muito, mas sua passagem permite uma franquia de apenas 15kg&#8221;. Claro que imaginava esse tipo de problema diante de companhias aereas baratissimas, mas a emocao aumentou quando tive que &#8220;encolher&#8221; minha malinha ali mesmo, sob os olhares atentos dos passageiros em Schiphol. &#8220;Paciencia&#8221;, resumiu <a href=\"http:\/\/majortom.zip.net\" target=\"_blank\"><b>Lello Lopes<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>Esse nao foi o unico tipo de &#8220;tropeco&#8221;. Perdemos alguns centavos valiosos em trocas estranhas nas casas de cambio; andamos como nunca em longos corredores em aeroportos; encontramos quartos sem banheiro &#8211; ao contrario do que indicava nossa reserva; fomos surpreendidos em lanchonetes e restaurantes lotados ou com atendimento complicado; isso quando o horario so nos permitia um lanchinho no 7-Eleven&#8230; Sem falar na sensacao de termos feito muito pouco em relacao as horas disponiveis em cada lugar. Em todos estes momentos, Lello Lopes sintetizava o episodio em uma unica palavra: &#8220;paciencia&#8221;. Nao demorou para que a palavrinha perdesse completamente sua forca dramatica e, de tao banalizada, virasse piada interna. Paciencia.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-pne2barra.jpg\" \/><\/div>\n<p><b>&#8220;Eu ouvi um boato ai&#8221;<\/b> &#8211; Alem de &#8220;paciencia&#8221;, outra expressao inserida em nosso vocabulario diario diz respeito a algum comentario, promessa ou qualquer evento do genero que, ao contrario do que se supunha, nao aconteceu. &#8220;Eu ouvi um boato de que a ponte do Charles era pra esse lado&#8221;. &#8220;Eu ouvi um boato de que Atenas era legal&#8221;. &#8220;Eu ouvi um boato de que deviamos descer na proxima estacao&#8221;. Coisinhas simples, a maioria diante de algumas pecas pregadas pelo destino.<\/p>\n<p>Pois um dos &#8220;boatos&#8221; seria o de que, em Praga, eu compraria uma camisa de Slavia ou Sparta. Nos dois casos, os precos mais altos que o costume fizeram com que eu segurasse mais essa compra perdularia. Ao mesmo tempo, a manha que reservamos para conhecer o Strahov (o maior estadio do mundo), alem da arena do Sparta, revelou-se como o pior passeio da viagem. Isso me deixou uma impressao negativa das duas equipes. &#8220;Eu ouvi um boato de que voce ia comprar a camisa de um clube de Praga&#8221;&#8230; Verdade. Fica pra proxima viagem, paciencia.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-pne2barra.jpg\" \/><\/div>\n<p><b>Sonho antigo<\/b> &#8211; Quando crianca, ouvia meu pai contar um grande sonho dele: acabar com todas as picunhas de familia e criar um lugar enorme, com casas grandes e confortaveis para todos seus irmaos e cunhados&#8230; Para que todos vivessem ao lado, como era em sua infancia. Mais velho, posso entender que o sonho dele nao passa de uma utopia tao (ou mais distante) do que a paz mundial. Mas quando passei pelo <a href=\"http:\/\/www.copenhagenpictures.dk\/kastel.html\" target=\"_blank\"><b>Kastellet<\/b><\/a>, uma das mais antigas fortificacoes militares da Dinamarca, gostaria que meu pai estivesse ali comigo.<\/p>\n<p>Se ignorarmos a conotacao belica dessa ilhota encrustada nas proximidades da zona portuaria, o lugar, acessivel gracas a pontes de madeira e porticos de pedra, possui algumas casas &#8220;oficiais&#8221; e um conjunto de pequenos predios, cada qual com sua utilidade. Uma enorme area gramada, intensificando o aspecto bucolico, certamente fariam brilhar os olhos do meu pai, como aconteceu comigo: &#8220;olha aqui como seria se aquele seu antigo sonho fosse real&#8221;. Enfim, ao menos meu pai vera em video. Paciencia.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-pne2barra.jpg\" \/><\/div>\n<p>E agora Faltam apenas cinco dias antes da volta para casa&#8230; Paciencia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paris (Fran\u00e7a) &#8211; Imagine tudo que se pode fazer em sete cidades europ\u00e9ias e fa\u00e7a uma pequena lista de coisas imperd\u00edveis. Agora tente equacion\u00e1-la em 25 dias: perceba que sua \u201cpequena\u201d lista come\u00e7a a tomar propor\u00e7\u00f5es impratic\u00e1veis. A verdade \u00e9 que cada um tem na cabe\u00e7a a sua Europa, os seus pontos preferidos. 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