{"id":497,"date":"2008-02-12T23:59:08","date_gmt":"2008-02-13T02:59:08","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/eu-quero-uma-casa-igual-a-do-pablo-neruda"},"modified":"2008-02-12T23:59:08","modified_gmt":"2008-02-13T02:59:08","slug":"eu-quero-uma-casa-igual-a-do-pablo-neruda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/eu-quero-uma-casa-igual-a-do-pablo-neruda\/","title":{"rendered":"Eu quero uma casa igual a do Pablo Neruda"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/ilustrado.gif\" align=\"right\" \/><i>Ahora me dejen tranquilo.<br \/>\nAhora se acostumbren sin m\u00ed.<\/p>\n<p>Yo voy a cerrar los ojos<\/p>\n<p>Y s\u00f3lo quiero cinco cosas,<br \/>\ncinco raices preferidas.<\/p>\n<p>Una es el amor sin fin.<\/i><\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/marmota\/2245675606\/\" title=\"La Chascona\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.marmota.org\/blog\/images\/080212_lachascona1.jpg\" border=\"0\" alt=\"La Chascona\" \/><\/a><\/p>\n<p>Olha, eu nunca fui muito bom em poesia. Na verdade, minha prefer\u00eancia pela prosa nunca teve uma explica\u00e7\u00e3o muito convincente. Deve ser da \u00e9poca em que eu gostava de uma menininha que amava poesia. Eu inventei de escrever uns versinhos, mas que na pr\u00e1tica, viraram riminhas boboquinhas. Ela n\u00e3o gostou, \u00e9 claro. S\u00f3 faltou mandar ler poemas apaixonados de verdade.<\/p>\n<p>Bom, h\u00e1 um ano e meio, decidi aceitar aquele antigo desafio. Durante alguns meses, tratei de ler um poema por dia. Alguns deles, extra\u00eddos de um livro chamado &#8220;Os Versos do Capit\u00e3o&#8221;, falavam em uma mulher de &#8220;pequenos p\u00e9s duros de osso arqueado&#8221;, mas que usava &#8220;coroa de cristal, consagrada rainha&#8221;, e apesar dos &#8220;cem homens entre os teus cabelos&#8221;, eles sempre estariam s\u00f3s, como se tudo que houvesse no mundo fossem &#8220;pequenos barcos que navegam para essas tuas ilhas que me aguardam&#8221;.<\/p>\n<p><i>Lo segundo es ver el oto\u00f1o.<br \/>\nNo puedo ser sin que las hojas<br \/>\nvuelen y vuelvan a la tierra.<\/p>\n<p>Lo tercero es el grave invierno,<br \/>\nla lluvia que am\u00e9, la caricia<br \/>\ndel fuego en el fr\u00edo silvestre.<\/p>\n<p>En cuarto lugar el verano<br \/>\nredondo como una sand\u00eda.<\/i><\/p>\n<p>Aqueles versos carregados de paix\u00e3o, sensualidade e sensibilidade s\u00e3o de 1952, e ao contr\u00e1rio de seus cantos gerais, dos vinte poemas de amor e uma can\u00e7\u00e3o desesperada, permaneceram an\u00f4nimos durante muito tempo. Escondidos com o mesmo amor que seu autor, o chileno Pablo Neruda, sentia por Matilde Urrutia. Eles se conheceram na d\u00e9cada de 40, mas s\u00f3 durante o ex\u00edlio de Neruda, em 1949, eles se reencontram no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Daquele instante, Matilde ocupou um lugar que nenhuma outra mulher havia chegado. Apesar de oficializar sua uni\u00e3o apenas em 1967, aproveitou a dedicat\u00f3ria de &#8220;Os Versos do Capit\u00e3o&#8221; para casar-se de maneira informal: como a Terra e a lei dos homens n\u00e3o poderiam ajud\u00e1-los, pediu \u00e0 lua, eterna inspira\u00e7\u00e3o dos poetas, para celebrar o matrim\u00f4nio, que seria respeitado da mesma maneira. Um ano ap\u00f3s esta linda cerim\u00f4nia, decidiu construir uma casa em Santiago para viverem juntos.<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/marmota\/2245674394\/\" title=\"La Chascona\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.marmota.org\/blog\/images\/080212_lachascona2.jpg\" border=\"0\" alt=\"La Chascona\" \/><\/a><\/p>\n<p><i>La quinta cosa son tus ojos.<\/p>\n<p>Matilde m\u00eda, bienamada,<br \/>\nno quiero dormir sin tus ojos,<br \/>\nno quiero ser sin que me mires:<br \/>\nyo cambio la primavera<br \/>\npor que t\u00fa me sigas mirando.<\/p>\n<p>Amigos, eso es cuanto quiero.<br \/>\nEs casi nada y casi todo.<\/p>\n<p>Ahora si quieren se vayan.<\/i><\/p>\n<p>Assim nasceu &#8220;La Chascona&#8221; uma de suas tr\u00eas casas no Chile (as outras est\u00e3o em Isla Negra e Valpara\u00edso). Significa algo como &#8220;A desgrenhada&#8221;, &#8220;A descabelada&#8221;, homenagem do poeta aos cabelos ruivos e em eterno desalinho de Matilde. Como bom capit\u00e3o apaixonado, prestou aten\u00e7\u00e3o em todos os detalhes, transformando a casa no ancoradouro de um eterno navio. As salas e quartos da primeira casa s\u00e3o bem estreitos, e possuem um p\u00e9 direito baixo. Na copa, uma surpresa: o mesmo arm\u00e1rio que guarda a lou\u00e7a revela uma passagem secreta, uma escada em forma de caracol e um segundo piso especial para amigos como Vinicius de Moraes e Jorge Amado.<\/p>\n<p>A segunda casa, separada por corredores de concreto e corrim\u00f5es brancos, revela algo muito al\u00e9m de um simples bar para confraterniza\u00e7\u00f5es amplas. Uma sala circular com grandes janelas de vidro proporcionam vista similar a de um farol \u00e0 beira do mar, como queria Neruda. Um novo corredor separa a biblioteca, enquanto mais um lance de escadas nos leva a mais um quarto &#8211; onde Matilde viveu a partir de 1973, quando Neruda foi embora.<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/marmota\/2244879125\/\" title=\"La Chascona\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.marmota.org\/blog\/images\/080212_lachascona3.jpg\" width=\"450\" height=\"338\" border=\"0\" alt=\"La Chascona\" \/><\/a><\/p>\n<p><i>He vivido tanto que un d\u00eda<br \/>\ntendr\u00e1n que olvidarme por fuerza,<br \/>\nborr\u00e1ndome de la pizarra:<br \/>\nmi coraz\u00f3n fue interminable.<\/p>\n<p>Pero porque pido silencio<br \/>\nno crean que voy a morirme:<br \/>\nme pasa todo lo contrario:<br \/>\nsucede que voy a vivirme.<\/p>\n<p>Sucede que soy y que sigo.<\/i><\/p>\n<p>Passaram quase 55 anos, e &#8220;La Chascona&#8221; virou um museu dedicado \u00e0 obra de Pablo Neruda. A casa, impec\u00e1vel, aparece aos poucos durante a caminhada pela estreita Marquez de la Plata, a partir da rua Constituci\u00f3n, no bo\u00eamio bairro de Bellavista. Est\u00e1 tudo ali, como se o casal mais apaixonado do Chile fosse receber seus convidados. Bandeiras e placas com seu peixe-s\u00edmbolo; grades que revelam as ondas do mar, a lua, as montanhas e as iniciais P e M; m\u00f3veis e objetos pessoais em ordem e a mesa posta para o jantar; cartas, manuscritos, rascunhos; a maquete de sua casa sem escadarias, que jamais foi constru\u00edda; quadros de Matilde, mapas de navega\u00e7\u00e3o e carrancas&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o havia como deixar Santiago sem pagar os 2500 pesos (uns 13 reais) para sentir &#8220;La Chascona&#8221;. Certamente era o mesmo pensamento da \u00fanica visitante que, emocionada com aquele ambiente, levantou a m\u00e3o quando a guia perguntou &#8220;quantos de voc\u00eas j\u00e1 leram algum livro de Neruda&#8221;. Provavelmente os outros encararam aquela casa azul como mais um museu na lista, para depois contarem orgulhosos que &#8220;conseguiram tirar fotos clandestinas l\u00e1 dentro&#8221;&#8230;<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/marmota\/2244880773\/\" title=\"La Chascona\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.marmota.org\/blog\/images\/080212_lachascona4.jpg\" width=\"375\" height=\"500\" border=\"0\" alt=\"La Chascona\" \/><\/a><\/p>\n<p><i>Se trata de que tanto he vivido<br \/>\nque quiero vivir otro tanto.<\/p>\n<p>Nunca me sent\u00ed tan sonoro,<br \/>\nnunca he tenido tantos besos.<\/p>\n<p>Ahora, como siempre, es temprano.<br \/>\nVuela la luz con sus abejas.<\/p>\n<p>D\u00e9jenme solo con el d\u00eda.<br \/>\nPido permiso para nacer.<\/i><\/p>\n<p>No lado de fora, diante dos pilares que reproduzem o poema &#8220;Pido Silencio&#8221;, lamentei o tempo perdido sem entender o que a poesia \u00e9 capaz de provocar. Vislumbrei minha futura casa bem no alto, com uma sala ampla e iluminada com vista para uma cidade tranquila, repleta de bons amigos, impregnada com debates pol\u00edticos, hist\u00f3rias pitorescas de vida e um amor capaz de cruzar os mares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ahora me dejen tranquilo. Ahora se acostumbren sin m\u00ed. Yo voy a cerrar los ojos Y s\u00f3lo quiero cinco cosas, cinco raices preferidas. Una es el amor sin fin. Olha, eu nunca fui muito bom em poesia. Na verdade, minha prefer\u00eancia pela prosa nunca teve uma explica\u00e7\u00e3o muito convincente. 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