{"id":465,"date":"2008-01-22T23:25:43","date_gmt":"2008-01-23T02:25:43","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/como-uma-ideia-viral-se-transformou-numa-empresa"},"modified":"2008-01-22T23:25:43","modified_gmt":"2008-01-23T02:25:43","slug":"como-uma-ideia-viral-se-transformou-numa-empresa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/como-uma-ideia-viral-se-transformou-numa-empresa\/","title":{"rendered":"Como uma id\u00e9ia viral se transformou numa empresa"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\" \/>O que faz voc\u00ea aplaudir algu\u00e9m que, em algum momento de sua carreira, recebeu um pr\u00eamio? Algumas respostas poss\u00edveis passam pela tradi\u00e7\u00e3o, pela transpar\u00eancia no processo de indica\u00e7\u00e3o dos eleitos, pela credibilidade de quem est\u00e1 por tr\u00e1s do neg\u00f3cio&#8230; Dependendo da situa\u00e7\u00e3o, uma destas vari\u00e1veis toma corpo maior: algu\u00e9m poderia dizer que &#8220;O Ano em Que Meus Pais Sa\u00edram de F\u00e9rias&#8221; n\u00e3o vai concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro por causa &#8220;daquela m\u00e1fia que s\u00f3 leva em conta o lobby das produtoras e distribuidoras&#8221;. Ou simplesmente &#8220;respeita os crit\u00e9rios da academia&#8221;, afinal de contas trata-se de uma institui\u00e7\u00e3o muito bem resolvida.<\/p>\n<p>Exitem casos onde o pr\u00eamio em si n\u00e3o \u00e9 m\u00e9rito algum. N\u00e3o faltam exemplos tupiniquins: j\u00e1 vi e ouvi diversos coment\u00e1rios questionando a validade de premia\u00e7\u00f5es como o Jabuti, que deveria ser uma festa da literatura nacional. Claro que todo autor merece ser lido e, se poss\u00edvel, alavancar vendas. Mas o que dizer da escolha do &#8220;livro do ano&#8221; feita pelo voto dos membros da C\u00e2mara Brasileira do Livro, formado por donos de editoras e livrarias? Experimente rever calend\u00e1rios de eventos antigos e surpreenda-se com associa\u00e7\u00f5es, universidades e afins tamb\u00e9m aproveitam a luminosidade ao redor de um &#8220;pr\u00eamio&#8221; para indicar anualmente profissionais e empresas, mas sempre com algum interesse oculto por tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o chegamos \u00e0 web, onde \u00e9 muito mais f\u00e1cil aparecer um &#8220;Malaco Awards&#8221; gen\u00e9rico envolvendo sites e blogs. Esp\u00e9cies de <a href=\"http:\/\/www.thebobs.com\"><b>&#8220;The Bobs Wannabe&#8221;<\/b><\/a> espalhados rede afora. L\u00f3gico que voc\u00ea conhece gente muito boa por tr\u00e1s da cria\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos mais variados concursos, mas a maioria n\u00e3o esconde o desejo de replicar o mais famoso e bem sucedido modelo do g\u00eanero do pa\u00eds. Aquele que, mesmo ap\u00f3s mais de ano sem ningu\u00e9m citar, \u00e9 capaz de espalhar uma bolinha dourada em seus templates em busca de votos e muito sucesso.<\/p>\n<p>Em 1995, a Internet ainda era privil\u00e9gio de poucos brasileiros. A Embratel convidou alguns poucos para testar a brincadeira, enquanto outros mais abastados descobriam a Compuserve, em liga\u00e7\u00f5es internacionais. Nesse meio tempo, uma empresa especializada em promo\u00e7\u00e3o de eventos, com sede no bairro do Botafogo, Rio de Janeiro, come\u00e7ava a observar o crescimento dessa rede com aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/revistaiw1105.jpg\" align=\"left\" \/>Assim, a Mantel Marketing criou a Mantelmedia, editora que trouxe para o Brasil a vers\u00e3o brasileira da revista Internet World. O primeiro n\u00famero saiu em setembro de 1995. Meses depois, surgiram os primeiros provedores de acesso, fazendo com que os BBS e o videotexto come\u00e7assem a perder espa\u00e7o para essa nova forma de interliga\u00e7\u00e3o entre os computadores. Rapidamente, a World Wide Web e suas p\u00e1ginas em HTML viraram coqueluche. A empresa carioca percebeu que isso realmente poderia render \u00f3timos neg\u00f3cios. S\u00f3 n\u00e3o sabia direito como. Ainda.<\/p>\n<p>Pouco depois do lan\u00e7amento da revista, foi criado o Internet World Best, um concurso que premiou a melhor home page corporativa e pessoal daquele ano. Conv\u00e9m ressaltar que, naquela \u00e9poca, n\u00e3o havia muito al\u00e9m da home-page (por isso n\u00e3o era site), e o Cad\u00ea ainda era absolutamente nada perto do Ya\u00edh, cat\u00e1logo oficial da Internet brazuca naquele ano, com apenas algumas centenas de p\u00e1ginas nacionais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/categoria1105.jpg\" align=\"right\" \/>Em um ano, a Internet decolou no pa\u00eds. Pipocaram centenas de provedores de acesso. Todo mundo descobria o prazer do e-mail (praticamente sem spam) e muitos bolavam suas p\u00e1ginas pessoais no Geocities. Terra ainda era Zaz, e Submarino ainda era Booknet &#8211; que ali\u00e1s, concorreu em uma das 12 categorias do segundo pr\u00eamio Internet World Best, em 1996, definida desde aquela \u00e9poca como &#8220;a premia\u00e7\u00e3o mais importante da Internet brasileira&#8221;.<\/p>\n<p>Enfim, como dizia, a Mantel ampliou o concurso para 12 categorias em 1996. A Booknet, por exemplo, concorreu em Servi\u00e7o e Com\u00e9rcio, ao lado do Cad\u00ea, Universo Online e Zaz. A melhor p\u00e1gina pessoal era a Gun&#8217;s Hot Page, repleto de downloads, fotos e piadas, que consagrou o jovem Murilo Gun Ara\u00fajo, atualmente na deliciosa carreira do <a href=\"http:\/\/www.gun.com.br\"><b>stand-up comedy<\/b><\/a>. A procura pelo pr\u00eamio aumentou e, a cada ano, a Mantel corrigia os erros do anterior e inclu\u00eda novos elementos.<\/p>\n<p>Em 1997, o Internet World Best virou IW Best, e pela primeira vez, ganhou a imagem da &#8220;bolinha&#8221; que o caracterizaria para todo sempre. Nessa altura, j\u00e1 eram 16 categorias, voltadas para os mais diversos ramos de atua\u00e7\u00e3o e neg\u00f3cios, ati\u00e7ando empres\u00e1rios de todos os setores. O crescimento foi impressionante: foram cinco mil inscritos e 180 mil votos computados. Aos poucos, a coisa foi tomando corpo: quem cuidava o seu site percebeu que, se fizesse um bom trabalho, poderia conquistar o tal pr\u00eamio e, com isso, algum prest\u00edgio. Em contrapartida, os concorrentes divulgavam a marquinha do pr\u00eamio em lugar de destaque, popularizando-o ainda mais. Bingo!<\/p>\n<p>Em 1998, o pr\u00eamio passou a receber o nome iBest. Foi o primeiro ano com a figura da &#8220;iBest ball&#8221; contaminou a web, fazendo com que as primeiras vozes contr\u00e1rias a essa estrat\u00e9gia de &#8220;marketing viral&#8221; aparecessem. Foram poucas, incapazes de impedir a consolida\u00e7\u00e3o desta propaganda gratuita bem feita. Em 1999, a revista Internet World deixou de circular, e uma nova empresa, com o nome do pr\u00eamio, ocupou o lugar da Mantel. O iBest cresceu tanto que, no segundo semestre de 2001, a empresa fechou um acordo com a Brasil Telecom, que seguiu o caminho de transformar o pr\u00eamio numa lucrativa e diversificada empresa, incluindo provedor de acesso e portal de not\u00edcias. Em junho de 2003, a empresa de telefonia assumiu totalmente o controle da empresa, o que culminou com a fus\u00e3o de suas empresas similares em 2006: iG e BrTurbo.<\/p>\n<p>Curiosamente, o ano da fus\u00e3o havia sido a \u00faltima grande premia\u00e7\u00e3o do iBest, comemorando onze edi\u00e7\u00f5es, quatro milh\u00f5es de votos em toda sua hist\u00f3ria (um milh\u00e3o s\u00f3 naquele ano), 30 mil sites inscritos em 40 categorias. Um sucesso indiscut\u00edvel e merecido, mas que esbarrava em algo notoriamente inc\u00f4modo: a tal &#8220;academia&#8221;. Instrumento \u00fatil para valorizar n\u00e3o apenas o site que consegue muitos votos a todo custo, mas relegando a vota\u00e7\u00e3o popular a um plano secund\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para um pr\u00eamio que s\u00f3 cresce \u00e0 medida em que o povo divulga espontaneamente, \u00e9 perigoso criar, por exemplo, um pr\u00eamio especial para blogs e entreg\u00e1-lo ao &#8220;Eu, Hein&#8221; todos os anos. Mesmo os maiores divulgadores do iBest n\u00e3o devem ter raz\u00e3o para questionar a idoneidade da escolha, mas pergunte a um desses insistentes, que jamais foram premiados, o que acham sinceramente da imagem do pr\u00eamio. Enfim, novamente uma por\u00e7\u00e3o de sites e blogs v\u00e3o tentar convenc\u00ea-lo a votar no <a href=\"http:\/\/www.premioibest.com.br\" target=\"_blank\"><b>Pr\u00eamio Ibest<\/b><\/a>, que voltou em 2008 com uma primeira fase baseada numa &#8220;grande enquete&#8221;. Fico feliz em rever o turbilh\u00e3o provocado pelo &#8220;Oscar da Internet brasileira&#8221; outra vez, e desde j\u00e1 espero realmente que os mais competentes e esfor\u00e7ados comemorem a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Admito que n\u00e3o perderia a boca-livre (inclusive j\u00e1 estive nela, gra\u00e7as ao <a href=\"http:\/\/www.pensarenlouquece.com\" target=\"_blank\"><b>Inagaki<\/b><\/a>), mas nunca vi com bons olhos este pr\u00eamio. N\u00e3o por ter chegado aonde est\u00e1 gra\u00e7as a uma forma gratuita de anunciar em milhares de sites (tanto bons quanto ruins), nem por ter parado durante quase dois anos, como um v\u00edrus que fugiu do controle. A quest\u00e3o \u00e9: se pudermos realmente comparar o pr\u00eamio ao Oscar, o mesmo deve valer para os crit\u00e9rios de escolha. Apesar da comunidade que circula ao seu redor, nem sempre melhores filmes aparecem na festa, simplesmente porque o lobby n\u00e3o foi suficiente. E quando um \u00e9 escolhido o melhor, outros muito bons s\u00e3o fatalmente exclu\u00eddos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que faz voc\u00ea aplaudir algu\u00e9m que, em algum momento de sua carreira, recebeu um pr\u00eamio? 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