{"id":441,"date":"2008-01-03T23:40:48","date_gmt":"2008-01-04T02:40:48","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/breve-historia-de-um-navegador-que-acabou"},"modified":"2008-01-03T23:40:48","modified_gmt":"2008-01-04T02:40:48","slug":"breve-historia-de-um-navegador-que-acabou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/breve-historia-de-um-navegador-que-acabou\/","title":{"rendered":"Breve hist\u00f3ria de um navegador que acabou"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/backfut.gif\" align=\"right\" \/>(Importante: boa parte do relato a seguir \u00e9 um daqueles que caiu em meus ouvidos certa vez, gra\u00e7as a um bom contador de hist\u00f3rias que certamente a ouviu de outro cidad\u00e3o, que por sua vez era apenas mais um elo deste intermin\u00e1vel telefone sem fio. Qualquer semelhan\u00e7a entre as pr\u00f3ximas linhas e a realidade corre o s\u00e9rio risco de ser mera coincid\u00eancia).<\/p>\n<p>Era uma vez um jovem muito sabido, nascido numa pacata cidade do estado norte-americano de Iowa. Sua intelig\u00eancia o levou para a Universidade de Illinois, onde ap\u00f3s alguns ver\u00f5es brincando no Centro Nacional de Aplica\u00e7\u00f5es de Supercomputa\u00e7\u00e3o (em ingl\u00eas, NCSA), apaixonou-se por uma novidade fabulosa. Tratava-se de um novo padr\u00e3o de c\u00f3digo, criado em 1989 por Tim Berners-Lee, utilizado para formatar e relacionar documentos dentro do ambiente de Internet.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/mosaic030108.gif\" align=\"right\" \/>O jovem rapaz mergulhou a fundo naquele tal HTML. E ao lado de um colega de turma, desenharam e programaram um software capaz de interpretar os arquivos codificados por esse novo formato. Isso foi em dezembro de 1992. Levou uns quatro meses para que a dupla apresentasse a primeira vers\u00e3o daquilo que hoje conhecemos como &#8220;navegador&#8221;: o <a href=\"http:\/\/archive.ncsa.uiuc.edu\/mosaic.html\" target=\"_blank\">NCSA Mosaic 1.0<\/a>. Era muito divertido abrir um arquivo texto escrito em HTML e v\u00ea-lo repleto de marca\u00e7\u00f5es em negrito, it\u00e1lico, al\u00e9m de pequenas ilustra\u00e7\u00f5es e estranhos trechos azuis, os tais hiperlinks.<\/p>\n<p>Nosso her\u00f3i tinha em m\u00e3os um produto muito bacana, por isso decidiu conversar com quem realmente interessava. Mudou-se para a Calif\u00f3rnia e foi atr\u00e1s de Bill Gates, que naquele ano estava prestes a se tornar pela primeira vez o n\u00famero um na lista da Forbes. Bateu na porta do escrit\u00f3rio, foi convidado para entrar e foi logo apresentando seu nov\u00edssimo produto.<\/p>\n<p>&#8211; Cara, \u00e9 sensacional! Voc\u00ea carrega uma p\u00e1gina aqui, ela aparece na tela do browser, voc\u00ea clica por aqui e continua navegando pela Internet! N\u00e3o \u00e9 espetacular?<\/p>\n<p>Gates meditou por alguns segundos, at\u00e9 responder ao colega.<\/p>\n<p>&#8211; Puxa, eu juro pra voc\u00ea que estou sem entender. N\u00e3o vi nada de espetacular nessa janelinha. E esse papo de Internet? Meu, que viagem. Ningu\u00e9m vai querer usar um computador pessoal para se conectar \u00e0 uma rede como essa: lenta e sem nenhuma atra\u00e7\u00e3o. Internet n\u00e3o faz parte do nosso plano de neg\u00f3cios. Nossos clientes querem \u00e9 aplicativos r\u00e1pidos em seus computadores pessoais. Mais do que isso: eles precisam ser bonitos, coloridos, janelas em tons degrad\u00ea&#8230; Chapa, agrade\u00e7o demais a sua visita, mas n\u00e3o estou interessado.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo bem&#8221;, pensou. &#8220;Vou convidar uns amigos de Illinois, fundar uma empresa e distribuir meu navegador por conta pr\u00f3pria&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/netscape030108.jpg\" align=\"right\" \/>Seu nome era <a href=\"http:\/\/blog.pmarca.com\" target=\"_blank\" title=\"E ele tem blog!\"><b>Marc Andreessen<\/b><\/a>. E n\u00e3o demorou para encontrar algu\u00e9m interessado em abrir uma nova firma: Jim Clark, fundador da Silicon Graphics, acreditava que o tal &#8220;navegador&#8221; tinha potencial. Criou, em 1994, a Mosaic Communications Corporation &#8211; empresa que, naquele mesmo ano, mudou seu nome para Netscape.<\/p>\n<p>Foi um tiro certeiro. Durante os anos seguintes, a nova empresa abriu seu capital na nova bolsa de valores eletr\u00f4nica, a Nasdaq, e cresceu rapidamente &#8211; n\u00e3o demorou para o rapaz sabido <a href=\"http:\/\/kara.allthingsd.com\/20071231\/netscape-navigator-the-king-is-dead-long-live-the\/\" target=\"_blank\"><b>virar capa da Time<\/b><\/a>. Para o azar de Bill Gates, Netscape passou a ser sin\u00f4nimo de Internet &#8211; eu mesmo s\u00f3 parei de usar l\u00e1 pelos idos de 1998, na vers\u00e3o Communicator 4.0 (que tinha um sensacional editor HTML).<\/p>\n<p>Nessa altura do campeonato, o homem mais rico do mundo j\u00e1 havia percebido o tamanho da lamban\u00e7a. Mas tratou de correr: em 1995, quando a Microsoft lan\u00e7ou sua nov\u00edssima vers\u00e3o do Windows, j\u00e1 existia um browser vagabundo, baseado no velho c\u00f3digo do Mosaic, adquirido diante da Spyglass &#8211; empresa detentora do &#8220;esp\u00f3lio&#8221; da NCSA.<\/p>\n<p>Era a primeira vers\u00e3o do horrendo Internet Explorer, que s\u00f3 confrontou o Netscape em p\u00e9 de igualdade na famosa &#8220;guerra dos browsers&#8221; justamente em 1998, quando lan\u00e7ou sua vers\u00e3o 5.0. embutida no Windows 98 &#8211; que, diga-se, rendeu um belo processo antitrust. No mesmo ano, a empresa de Marc Andreessen foi vendida para outra gigante, a America Online. Nascia ainda a funda\u00e7\u00e3o Mozilla, que passou a desenvolver um novo browser, baseado no c\u00f3digo do Netscape &#8211; hoje, o j\u00e1 popular Firefox. Nos \u00faltimos anos, praticamente ningu\u00e9m mais usava o bom e velho navegador de logomarca verde em forma de tim\u00e3o.<\/p>\n<p>O \u00faltimo cap\u00edtulo desta incr\u00edvel hist\u00f3ria veio na \u00faltima semana de 2007: a AOL <a href=\"http:\/\/blog.netscape.com\/2007\/12\/28\/end-of-support-for-netscape-web-browsers\" target=\"_blank\"><b>anunciou o fim do desenvolvimento<\/b><\/a> do Netscape Navigator, al\u00e9m dos servi\u00e7os de suporte, no pr\u00f3ximo dia 1\u00ba de fevereiro. Quem tem a \u00faltima vers\u00e3o instalado &#8211; a 9.0, lan\u00e7ada em dezembro de 2007 &#8211; percebe in\u00fameras semelhan\u00e7as ao Firefox, o que explica o futuro redirecioamento do site para a p\u00e1gina do Mozilla.<\/p>\n<p>Considerado o pai do navegador ao lado de Eric Bina, Marc Andreessen continua sua vida numa boa. Bill Gates tamb\u00e9m, ainda bastante rico. Ambos aprenderam por\u00e9m que, nesse mundo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever absolutamente nada.<\/p>\n<p><b>Para saber mais<\/b> &#8211; Al\u00e9m do post no <a href=\"http:\/\/www.meiobit.com\/netscape-navigator-aol-encerra-o-desenvolvimento-e-recomenda\" target=\"_blank\"><b>MeioBit<\/b><\/a>, repleto de coment\u00e1rios nost\u00e1lgicos, e do <a href=\"http:\/\/www.guiadopc.com.br\/2007\/12\/28\/e-o-netscape-morreu-de-novo\" target=\"_blank\"><b>Rodrigo Ghedin<\/b><\/a> (ali\u00e1s, valeu pela corre\u00e7\u00e3o do texto nos coment\u00e1rios!), encontrei um texto bem bacana do <a href=\"http:\/\/www.marcus.es\/2008\/01\/morre-netscape\/\" target=\"_blank\"><b>Marcus<\/b><\/a> &#8211; em galego, que \u00e9 bem parecido com o portugu\u00eas. Ali encontrei a vers\u00e3o em quadrinhos para a morte do navegador, pin\u00e7ada do <a href=\"http:\/\/www.geekculture.com\/joyoftech\/joyarchives\/1052.html\" target=\"_blank\"><b>the Joy of Tech<\/b><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Importante: boa parte do relato a seguir \u00e9 um daqueles que caiu em meus ouvidos certa vez, gra\u00e7as a um bom contador de hist\u00f3rias que certamente a ouviu de outro cidad\u00e3o, que por sua vez era apenas mais um elo deste intermin\u00e1vel telefone sem fio. 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