{"id":43,"date":"2007-09-17T23:07:22","date_gmt":"2007-09-18T02:07:22","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/logo-ali-onde-voce-vai-estar"},"modified":"2007-09-17T23:07:22","modified_gmt":"2007-09-18T02:07:22","slug":"logo-ali-onde-voce-vai-estar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/logo-ali-onde-voce-vai-estar\/","title":{"rendered":"Logo ali, onde voc\u00ea vai estar"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/ferias.gif\" align=\"right\" \/><font size=\"3\">Por <b>Kandy Saraiva<\/b>, do blog <a href=\"http:\/\/ideiasnajanela.blogspot.com\" target=\"_blank\"><b>Id\u00e9ias na janela<\/b><\/a><\/font><\/p>\n<p>\u00c9 logo ali que o mundo acaba. Ou logo ali que ele come\u00e7a. E n\u00e3o \u00e9 porque \u00e9 redondo, mas porque o desconhecido \u00e9 sempre assim: fim-de-mundo disfar\u00e7ado de mapa.<\/p>\n<p>Muitos viajam assim, carregadinhos de informa\u00e7\u00e3o dobradas em origamis de geografia. Os mapas ajudam um bocado, mas \u00e9 preciso saber interpret\u00e1-los. \u00c0s vezes isso requer tanto tempo que \u00e9 melhor arriscar e encarar aquela rua esquisita logo ali, o caminho de areia que vai dar n\u00e3o-sei-onde, a estrada deserta pontilhada de interroga\u00e7\u00f5es, aquele nada enorme que cresce a cada hesita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A aventura de viajar \u00e9 justamente n\u00e3o ter medo de perder a dire\u00e7\u00e3o. Roteiros s\u00e3o sempre bem-vindos, mas, geralmente, os lugares e as pessoas mais interessantes se escondem deles, porque o anonimato \u00e9 discreto demais para aparecer em guias. Basta ser um tantinho ousado, um bocadinho curioso, ouvir os incessantes \u201co que tem l\u00e1?\u201d e \u201co que \u00e9 aquilo?\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9, voc\u00ea pode, sim, eventualmente, achar que perdeu a viagem, mas depende mesmo da maneira de andar, digo, de olhar. Mesmo num fim-de-mundo logo ali, sempre h\u00e1 o que observar, ainda que seja sil\u00eancio. Tudo diz muito sobre um lugar. Pode ser uma senhorinha estendendo roupas brancas num varal improvisado, uma banca de frutas ex\u00f3ticas se exibindo num colorido absurdo, janelas fechadas alinhadas de um modo estranho, um pedinte dando comida a p\u00e1ssaros imagin\u00e1rios, jardineiras floridas como que por encanto, cheiro de comida doce, ar salgado, \u00e1gua pura, fonte da juventude, cen\u00e1rio de filme, uma venda t\u00edmida com barba atr\u00e1s do balc\u00e3o, chocolate quente esquentando neve, chuva torrencial estragando passeio&#8230; logo ali sempre tem alguma coisa que merece ser descoberta.<\/p>\n<p>Na \u00e2nsia de guardar tudo, voc\u00ea pode sair anotando desvairadamente suas impress\u00f5es num caderninho, pode tentar gravar sua voz em algum meio eletr\u00f4nico sempre insuficiente para tanto deslumbre, ligar para a fam\u00edlia falando entusiasmo ou ficar quieto, bem quietinho, sorrindo por dentro de satisfa\u00e7\u00e3o. Pode escrever cart\u00f5es-postais tentando espremer encanto para mand\u00e1-lo pelo correio (ser\u00e1 que chega?), comprar algum pedacinho da visita e levar no bolso de recorda\u00e7\u00e3o ou ficar quieto, bem quietinho, chorando por dentro de frustra\u00e7\u00e3o, porque, por maior que seja o esfor\u00e7o, a realidade combinada \u00e0 observa\u00e7\u00e3o n\u00e3o cabe em bolsos, malas ou envelopes. S\u00f3 mesmo na imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/rochedo020907.jpg\" \/><\/div>\n<p>Mas, e a c\u00e2mera fotogr\u00e1fica com aquela resolu\u00e7\u00e3o bacana de retratar poros? \u00c9, geralmente \u00e9 bem \u00fatil em ocasi\u00f5es assim, t\u00e3o metaling\u00fc\u00edsticas, quando se deseja propagar ao mundo o pr\u00f3prio mundo: seu ou o que voc\u00ea v\u00ea, uma vontade formigueira de repartir o brilho dos olhos com quem n\u00e3o p\u00f4de ir junto e com quem nunca ir\u00e1, com aquele amor que ficou esperando ou que nem sabe onde voc\u00ea est\u00e1, com quem o ajudou a chegar l\u00e1 e que sempre vai estar logo ali, para o que voc\u00ea precisar.<\/p>\n<p>O \u00fanico detalhe importante que guia nenhum explica, mapa nenhum direciona, turismo nenhum ensina \u00e9 que, se voc\u00ea souber fotografar, seja de que jeito for, o sil\u00eancio, o an\u00f4nimo, o comum, o escondido, o n\u00e3o-sei-qu\u00ea, a aus\u00eancia de cor, o sabor, sensa\u00e7\u00f5es e lembran\u00e7as, ent\u00e3o, \u00e9 porque voc\u00ea aprendeu a viajar. E n\u00e3o precisa ir longe: logo ali vai bastar.<\/p>\n<p><i>Enquanto Marmota usa a maquininha do Lello para fotografar, a s\u00e9rie <b>Col\u00f4nia de F\u00e9rias<\/b> apresenta textos (e fotos) gentilmente preparados por seus amigos, torcendo para que voc\u00ea sinta cada minuto de sua vida. <\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Kandy Saraiva, do blog Id\u00e9ias na janela \u00c9 logo ali que o mundo acaba. Ou logo ali que ele come\u00e7a. E n\u00e3o \u00e9 porque \u00e9 redondo, mas porque o desconhecido \u00e9 sempre assim: fim-de-mundo disfar\u00e7ado de mapa. Muitos viajam assim, carregadinhos de informa\u00e7\u00e3o dobradas em origamis de geografia. 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