{"id":417,"date":"2007-12-10T23:59:59","date_gmt":"2007-12-11T02:59:59","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/fe-que-nao-se-abala"},"modified":"2007-12-10T23:59:59","modified_gmt":"2007-12-11T02:59:59","slug":"fe-que-nao-se-abala","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/fe-que-nao-se-abala\/","title":{"rendered":"F\u00e9 que n\u00e3o se abala"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\" \/>Acordei apavorado nesta segunda-feira, ao saber do primeiro caso de uma brasileirinha morta <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/Brasil\/0,,MUL210582-5598,00-TREMOR+DE+TERRA+DERRUBA+CASAS+E+MATA+CRIANCA+EM+MG.html\" target=\"_blank\"><b>por causa de um terremoto<\/b><\/a>. Uma comunidade humilde em Cara\u00edbas, distrito de Itacarambi em Minas Gerais, praticamente desmentiu meus oito anos de estudos sociais no primeiro grau: &#8220;o pa\u00eds foi aben\u00e7oado, aqui n\u00e3o tem vulc\u00e3o nem terremoto&#8221;, diziam. Bl\u00e9. Deve ser a tal &#8220;febre global&#8221; popularizada pelo <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/ambiente\/ult10007u353393.shtml\"><b>Al Gore<\/b><\/a>&#8230;<\/p>\n<p>O que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o, no entanto, foi outra not\u00edcia: enquanto a terra tremia, uma por\u00e7\u00e3o de moradores participavam da <a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/estadaodehoje\/20071210\/not_imp93255,0.php\" target=\"_blank\"><b>festa de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o<\/b><\/a>, em uma cidade vizinha. E mesmo em uma \u00e9poca do ano prop\u00edcia a bondade e pensamentos positivos, admito que tive uma vis\u00e3o exageradamente negativa:<\/p>\n<p>&#8220;Vejam voc\u00eas que horr\u00edvel. Ent\u00e3o uma por\u00e7\u00e3o de gente carente, que passa o ano inteiro em estado de emerg\u00eancia por causa da seca naquela regi\u00e3o&#8230; Ainda assim junta o pouco que t\u00eam para promover uma comemora\u00e7\u00e3o em prol das comunidades ao redor. Mas ao inv\u00e9s de celebrar, descobrem um rastro de destrui\u00e7\u00e3o ao voltarem para o que restou de suas casas. Imagino que nem d\u00ea vontade de acreditar em qualquer entidade celestial em uma situa\u00e7\u00e3o dessas. Na verdade, vez ou outra eu at\u00e9 ignoro esse tipo de cren\u00e7a. Os necessitados aumentam na mesma propor\u00e7\u00e3o daqueles que os ignoram completamente. \u00c9 l\u00f3gico, hoje em dia as pessoas n\u00e3o se doam nem pra quem elas conhecem, pra quem est\u00e3o pr\u00f3ximos a elas&#8230; Mas que mundinho vagabundo esse nosso, hein?&#8221;<\/p>\n<p>De repente, ouvindo a mesma not\u00edcia no r\u00e1dio, consegui agitar a mente e ignorar a bobagem que havia pensado antes:<\/p>\n<p>&#8220;Vejam voc\u00eas que impressionante. Uma por\u00e7\u00e3o de gente se re\u00fane para trocar alegria e sorrisos em favor de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, como se a santa estivesse reunindo a todos, por alguma raz\u00e3o que s\u00f3 o destino pode explicar, para salv\u00e1-los. Se eles estivessem em casa, muitos morreriam. O preju\u00edzo s\u00f3 n\u00e3o foi maior por causa da festa, e isso s\u00f3 vai refor\u00e7ar a f\u00e9 e a cren\u00e7a dessas pessoas. E mais: o esp\u00edrito natalino vai fazer muita gente se envolver para dar apoio aos desabrigados de Cara\u00edbas. Nem importa muito se o ajudante quer s\u00f3 pegar carona, fazer uma auto-propaganda e ficar bonito na foto. Mas fica melhor fazer um agrado sem se preocupar em capitalizar ou receber algo em troca. Ao mesmo tempo, conhe\u00e7o muita gente que faz uma ou outra doa\u00e7\u00e3o com o mesmo carinho de quem est\u00e1 na linha de frente &#8211; e s\u00f3 n\u00e3o se envolve diretamente por falta de tempo&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 como dizem por a\u00ed. Quando as coisas n\u00e3o est\u00e3o bem, e isso reflete nos pensamentos mais elementares do cotidiano, uma boa chacoalhada j\u00e1 resolve.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acordei apavorado nesta segunda-feira, ao saber do primeiro caso de uma brasileirinha morta por causa de um terremoto. Uma comunidade humilde em Cara\u00edbas, distrito de Itacarambi em Minas Gerais, praticamente desmentiu meus oito anos de estudos sociais no primeiro grau: &#8220;o pa\u00eds foi aben\u00e7oado, aqui n\u00e3o tem vulc\u00e3o nem terremoto&#8221;, diziam. Bl\u00e9. 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