{"id":414,"date":"2007-12-07T23:49:53","date_gmt":"2007-12-08T02:49:53","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/sobre-como-consegui-meu-diploma"},"modified":"2007-12-07T23:49:53","modified_gmt":"2007-12-08T02:49:53","slug":"sobre-como-consegui-meu-diploma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/sobre-como-consegui-meu-diploma\/","title":{"rendered":"Sobre como consegui meu diploma"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/backfut.gif\" align=\"right\" \/>N\u00e3o, ainda n\u00e3o \u00e9 a discuss\u00e3o sobre a utilidade daquele papel com letras engra\u00e7adas entregue a todos os incautos que dedicem passar quatro anos na faculdade de jornalismo &#8211; como faremos aqui um dia, para deleite do <a href=\"http:\/\/www.galvao.org\/rafael\/blog\" target=\"_blank\"><b>Rafael<\/b><\/a>. A hist\u00f3ria a seguir comemora uma efem\u00e9ride especial, que remete ao dia seis de novembro de 1999.<\/p>\n<p>Naquele ano estava na reta final do curso. J\u00e1 havia enganado boa parte dos professores da C\u00e1sper L\u00edbero, que acreditavam estar diante de um sujeito dedicado: fazia apenas o que considerava absolutamente necess\u00e1rio, ou seja, praticamente n\u00e3o entreguei tarefas muito complexos. A bem da verdade \u00e9 que a grande maioria consegue se formar com os dois p\u00e9s amarrados nas costas&#8230; Depende do que voc\u00ea espera para a sua vida.<\/p>\n<p>Enfim. Era o ano em que os homens se diferenciavam dos meninos, gra\u00e7as aos seus projetos de conclus\u00e3o de curso. Alguns mostravam toda sua compet\u00eancia e elaboravam publica\u00e7\u00f5es ricas em detalhes minuciosamente apurados. Ao lado de tr\u00eas amigos, optamos pela alternativa mais divertida e menos trabalhosa: um programa esportivo de r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Assim, entre outras tarefas tratadas com o m\u00ednimo de compromisso, nasceu o <a href=\"http:\/\/marmota.org\/tormentos\" target=\"_blank\"><b>Grandes Tormentos do Esporte<\/b><\/a>, esp\u00e9cie de embri\u00e3o de todas as mesas redondas radiof\u00f4nicas em FM que hoje proliferam no dial. Sinal de que, ao menos, a id\u00e9ia era vi\u00e1vel.<\/p>\n<p>O primeiro &#8220;esbo\u00e7o&#8221; do que seria o trabalho j\u00e1 tinha sido executado, ainda que de forma incipiente, no final do ano anterior. Em meses de trabalho, a \u00fanica coisa que permaneceu inalterada foi o tema de abertura &#8211; Rock n\u00b4 Roll, Gary Glitter &#8211; e a nossa descontra\u00e7\u00e3o. Todo o resto foi fruto de planejamento, grava\u00e7\u00f5es, ajustes e afins para o dia da apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Era uma tarde de s\u00e1bado ensolarada e quente, que refletia dentro da min\u00fascula salinha de aula reservada pela coordenadoria &#8211; o audit\u00f3rio, onde normalmente ocorrem as apresenta\u00e7\u00f5es, estava ocupado com outro evento. Os quatro amigos combinaram o &#8220;uniforme&#8221; &#8211; cal\u00e7as brancas e camisas cinza &#8211; e trouxeram todas as camisas de futebol poss\u00edveis, para fazer a decora\u00e7\u00e3o. Horas antes (horas!) conclu\u00ed a apresenta\u00e7\u00e3o em power point. Tinha at\u00e9 uma foto seminua de uma modelo norte-americana, para quebrar o gelo.<\/p>\n<p>As quatro da tarde, a sala estava cheia. T\u00ednhamos apenas alguns minutos para apresentarmos o projeto &#8211; por conta disso, n\u00e3o foi poss\u00edvel ouvir os 40 minutos do programa piloto. Se pudesse voltar no tempo, talvez preparasse uma vers\u00e3o compacta, com os melhores (e piores) momentos, dando um tom diferente \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enfim. Entre os tr\u00eas professores que avaliaram o nosso projeto, um era o verdadeiro mestre do r\u00e1dio, conhecedor de toda sua hist\u00f3ria e autor de um livro muito conhecido sobre o tema. Foi o \u00faltimo a emitir seu parecer sobre o trabalho, e o fez com duras cr\u00edticas. Ignorou o &#8220;trocadalho&#8221; do t\u00edtulo e achou o nome &#8220;tormentos&#8221; um tormento. Sentiu-se mal com toda a &#8220;barulheira&#8221; e com falta de cultura dos comunicadores.<\/p>\n<p>Um de seus argumentos, ali\u00e1s, foi alvo de piada fraca. Ele fez refer\u00eancia ao ap\u00eandice de seu livro, &#8220;Regras para um bom comunicador&#8221;, lembrando que a imposta\u00e7\u00e3o da voz \u00e9 apenas o oitavo item mais importante dentre as dez regras estabelecidas por ele. Minutos depois, outro avaliador elogiou a voz do apresentador do programa, no caso eu. Mesmo sabendo que poderia ser retalhado, n\u00e3o pensei duas vezes: &#8220;muito obrigado, mas este \u00e9 apenas o oitavo item mais importante&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>Nada contra as cr\u00edticas &#8211; pertinentes, mesmo dirigidas a um projeto pensado para o FM. O que achei impr\u00f3prio, no entanto, foi a defesa ferrenha ao AM, alegando que &#8220;as ondas curtas n\u00e3o v\u00e3o acabar, como sugerimos nessa apresenta\u00e7\u00e3o. E que em breve, novas tecnologias v\u00e3o melhorar a qualidade de \u00e1udio. Mesmo sem elas, a humanidade deve muito ao AM&#8221;. Concordamos perfeitamente. S\u00f3 n\u00e3o acreditamos que tudo aquilo tinha a ver com a nossa proposta.<\/p>\n<p>Definitivamente, o professor em quest\u00e3o n\u00e3o gostou da gente. Nem do trabalho. Nem da piada. Nem do slide de mul\u00e9nua. Se minha vida profissional dependesse deste cidad\u00e3o, ficaria mais um ano em busca do tal diploma de jornalista. Ou quem sabe desistisse dessa vida injusta.<\/p>\n<p>O destino \u00e9 mesmo imprevis\u00edvel. Se o professor conseguisse dar a nota desejada, provavelmente agora estaria vendendo churros na praia &#8211; compre tr\u00eas e acesse a Internet por meia hora. No fim, acabei me formando. Mas olha, tem dias que a id\u00e9ia do churro online parece t\u00e3o melhor&#8230;<\/p>\n<p><i>(Postado em 10\/11\/2004)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o, ainda n\u00e3o \u00e9 a discuss\u00e3o sobre a utilidade daquele papel com letras engra\u00e7adas entregue a todos os incautos que dedicem passar quatro anos na faculdade de jornalismo &#8211; como faremos aqui um dia, para deleite do Rafael. A hist\u00f3ria a seguir comemora uma efem\u00e9ride especial, que remete ao dia seis de novembro de 1999. 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