{"id":408,"date":"2009-02-14T13:24:02","date_gmt":"2009-02-14T16:24:02","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/um-dia-perfeito-na-assis-chateaubriand"},"modified":"2009-02-14T13:24:02","modified_gmt":"2009-02-14T16:24:02","slug":"um-dia-perfeito-na-assis-chateaubriand","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/um-dia-perfeito-na-assis-chateaubriand\/","title":{"rendered":"Um dia perfeito na Assis Chateaubriand"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/ferias.gif\" align=\"right\" \/><font size=\"3\">Por <a href=\"http:\/\/www.lacucaracha.blogger.com.br\" target=\"_blank\"><b>Emanuel Colombari<\/b><\/a><\/font><\/p>\n<p>Muitos momentos na vida de um menino servem como marcos para transform\u00e1-lo em um homem: a primeira namorada, a primeira rela\u00e7\u00e3o sexual, a sa\u00edda da casa dos pais, a entrada na faculdade, o primeiro emprego, o primeiro carro, entre outras. Pela lista, eu praticamente posso me considerar um homem feito (falta comprar um carro e arrumar o <u>segundo<\/u> emprego), mas eu sentia que faltava alguma coisa. E sabia exatamente o que era.<\/p>\n<p>Esta \u201ccoisa\u201d era uma viagem de carro sozinho. Pegar o carro e enfrentar o desconhecido das estradas, algo que exige coragem e confian\u00e7a. E algo que eu jamais havia feito \u2013 no m\u00e1ximo, havia ido com meu pai at\u00e9 o s\u00edtio. Isso, at\u00e9 o dia 24 de janeiro de 2009.<\/p>\n<p>Foi quando eu resolvi aceitar o convite de <a href=\"http:\/\/despojo.blogspot.com\/\">Julio<\/a> e ir para Promiss\u00e3o para assistir a Copa Promiss\u00e3o de futebol sub-17. Os dois somos f\u00e3s desse lado alternativo do futebol, e sabemos que assistir a um Goi\u00e1s e Internacional em um est\u00e1dio ladeado por um barranco sem pagar por isso pode ser uma experi\u00eancia proveitosa. Por isso, com o carro (e a autoriza\u00e7\u00e3o) da minha m\u00e3e, resolvi encarar a estrada.<\/p>\n<p>A jornada n\u00e3o come\u00e7ou bem, porque eu dormi muito pouco na madrugada anterior \u00e0 viagem \u2013 m\u00edseras duas horas. Pela manh\u00e3, o meu corpo sentia um leve enj\u00f4o (ali\u00e1s, com ou sem acento agora?) que quase me fez desistir da empreitada. S\u00f3 que, al\u00e9m do carro, de parte da verba e da autoriza\u00e7\u00e3o, mam\u00e3e me deu tamb\u00e9m coragem. Foi assim que, com a mochila pronta, eu peguei os documentos do carro, o som, o mapa, o meu roteiro, as chaves e fui. Eram cerca de 9h30 da manh\u00e3.<\/p>\n<p>Sem sustos, com uma temperatura agrad\u00e1vel e ao som de Creedence Clearwater Revival, o roteiro era cumprido com tranq\u00fcilidade. Ao sair sozinho de Presidente Prudente, passei por Indiana e Martin\u00f3polis. Pelo roteiro, o carro deveria seguir pela rodovia Assis Chateaubriand rumo a Rin\u00f3polis, Oswaldo Cruz e Parapu\u00e3. E assim foi feito. De l\u00e1, para as pouco conhecidas Sant\u00f3polis do Agua\u00edpe e Bra\u00fana. E depois de olhar o mapa no acostamento umas quatro vezes e de passar pela n\u00e3o planejada Iacri, assim foi feito.<\/p>\n<p>Os problemas come\u00e7aram entra as vizinhas Bra\u00fana e Pen\u00e1polis. Apesar da dist\u00e2ncia razo\u00e1vel entre ambas, a capital nacional de Sabrina Sato \u00e9 rodeada por estradas confusas. Por falta de placas de indica\u00e7\u00e3o, resolvi tomar coragem e entrar \u00e0 direita em um trevo, ap\u00f3s a \u00fanica placa que indicava uma entrada \u00e0 cidade de Pen\u00e1polis (que, diga-se, \u00e9 surpreendentemente pequena e charmosa). Deu certo \u2013 ou quase.<\/p>\n<p>Quase, porque a inten\u00e7\u00e3o era passar por fora de Pen\u00e1polis. Quando eu vi, estava de frente para a placa que indicava a entrada no per\u00edmetro urbano penapolense. Como dei com os burros n&#8217;\u00e1gua, parei no primeiro posto de gasolina que avistei e, sem qualquer recalque (ainda que as mulheres achem que homens n\u00e3o perguntam dire\u00e7\u00f5es ao volante), perguntei \u00e0 frentista como faria para chegar \u00e0 minha pr\u00f3xima cidade no roteiro, Avanhandava. Resposta que parecia ser pouco animadora.<\/p>\n<p>\u201cHum&#8230; Olha&#8230; Daqui fica meio ruim, meio longe pra voc\u00ea\u201d, disse o frentista chamado pela frentista para me indicar o caminho. \u201cS\u00f3 se&#8230;\u201d, animou-me o rapaz. \u201cS\u00f3 se voc\u00ea for pelo centro da cidade. Vai por ali, vira a direita onde virou aquele Uno e segue reto. Voc\u00ea vai cair na avenida. A\u00ed, vai reto, passa uma cer\u00e2mica que vai estar \u00e0 sua direita, e vira a direita. Vai ter uma placa para Avanhandava ali.\u201d<\/p>\n<p>Certo. Ou o caminho anterior era muito f\u00e1cil <u>mesmo<\/u>, ou a chance de eu me embananar no centro de Pen\u00e1polis era grande. Pelo jeito, o caminho anterior era absurdamente f\u00e1cil mesmo, porque cortar a cidade de cabo a rabo n\u00e3o foi dif\u00edcil. Logo eu passei pela tal cer\u00e2mica e encontrei a placa para Avanhandava. Passei pela cidade (esta, definitivamente pequena) e finalmente cheguei em Promiss\u00e3o. Miss\u00e3o cumprida e vibra\u00e7\u00e3o no carro da minha m\u00e3e.<\/p>\n<p>Tr\u00eas horas depois de sair da casa dos meus pais, cheguei na cidade e liguei para que o Julio fosse me encontrar em frente a uma igreja (que eu pensei ser a catedral local), na esquina de rua tal com avenida tal. Em dez minutos, o anfitri\u00e3o apareceu, junto de seu pai e de Diego e Alan, ex-alunos da C\u00e1sper L\u00edbero como n\u00f3s. Fomos almo\u00e7ar e rumamos para o est\u00e1dio, onde assistimos o primeiro dos tr\u00eas jogos que vimos no s\u00e1bado.<\/p>\n<p>Quem quiser acompanhar o que rolou nas partidas, <a href=\"http:\/\/www.orkut.com.br\/Main#CommMsgs.aspx?cmm=49510&amp;tid=5295231021364907196\" title=\"Quem n\u00e3o tem Orkut, vai ter que pedir para algu\u00e9m contar o que rolou\">clique aqui<\/a>. Ainda no s\u00e1bado, eu precisava voltar para casa antes que escurecesse por ter compromissos na noite do mesmo dia. Por isso, \u00e0s 18h00, eu j\u00e1 deixava Promiss\u00e3o rumo a Prudente de novo. Pronto para novos problemas e para o cansa\u00e7o nas costas de dirigir por tanto tempo no mesmo dia.<\/p>\n<p>Sair de Promiss\u00e3o e passar por Avanhandava foi f\u00e1cil \u2013 especialmente quando a segunda cidade \u00e9, de fato, cortada por uma \u00fanica avenida. Os problemas voltaram, \u00e9 claro, quando eu voltei para Pen\u00e1polis, onde decidi telefonar para minha m\u00e3e e avisar que eu estaria em casa em, no m\u00e1ximo, tr\u00eas horas. Para isso, por\u00e9m, precisaria fazer o roteiro ao contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Cruzar Pen\u00e1polis mais uma vez n\u00e3o foi dif\u00edcil, ainda que eu n\u00e3o tenha feito o caminho da ida. Como a avenida principal \u00e9 de m\u00e3o \u00fanica (!!!), peguei uma rua paralela e fui seguindo o caminho que deveria levar \u00e0 origem dela. De fato, dez minutos depois, eu estava no posto onde havia pedido informa\u00e7\u00f5es pela manh\u00e3, e de frente para um trevo e para placas pouco elucidativas: de um lado, setas para Alto Alegre e Luizi\u00e2nia. Do outro, para Ara\u00e7atuba e, se n\u00e3o me engano, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>(Pausa para uma reclama\u00e7\u00e3o: um dia, se algum funcion\u00e1rio do DER de Pen\u00e1polis ler este blog, saiba que o trabalho da sua reparti\u00e7\u00e3o \u00e9 horr\u00edvel. \u00c9 inconceb\u00edvel que uma cidade n\u00e3o tenha placas na rodovia que indiquem como chegar \u00e0 cidade vizinha! S\u00e9rio, a sinaliza\u00e7\u00e3o de voc\u00eas \u00e9 muito ruim!)<\/p>\n<p>Diante da escolha mais dif\u00edcil da viagem, resolvi seguir a intui\u00e7\u00e3o e optei pela placa que indicava Alto Alegre e Luizi\u00e2nia \u2013 afinal, j\u00e1 havia lido o nome das duas cidades no caminho de ida, o que parecia um bom sinal. Seria mesmo, se eu n\u00e3o tivesse escolhido seguir religiosamente o caminho para Alto Alegre e perdido a prov\u00e1vel entrada no trevo para Bra\u00fana (que sequer havia sido indicada no caminho). Logo, eu estava arrependido no caminho para Alto Alegre, sem um m\u00edsero retorno na esburacada estrada. E xingando. Muito. Em voz alta.<\/p>\n<p>Enfim, parei no \u201cacostamento\u201d (que n\u00e3o era mais do que uma parte com a grama mais baixa na lateral da estrada) e olhei o mapa. Em tese, eu estava em um caminho diferente, e se eu passasse por Luzi\u00e2nia, sairia em Sant\u00f3polis. O \u00fanico problema \u00e9 que Alto Alegre sequer aparecia no mapa. Na d\u00favida, resolvi confiar no taco e fui reto. Por sorte, cheguei a Luzi\u00e2nia, que tamb\u00e9m precisei cortar por dentro. Ali\u00e1s, em Luzi\u00e2nia, fui recebido por uma agrad\u00e1vel surpresa: placas praticamente artesanais dentro da cidade, que indicavam o caminho para Sant\u00f3polis e para Presidente Prudente (chupa, DER de Pen\u00e1polis!). Realmente, 40 minutos depois, cheguei \u00e0 Sant\u00f3polis, a cidade vizinha.<\/p>\n<p>Estava eu de frente para o trevo de Sant\u00f3polis, e pensando que eu teria que passar mais uma vez por dentro da cidade \u2013 a quinta consecutiva, o que n\u00e3o aconteceu na ida. Por sorte, uma placa indicou o caminho para Prudente \u00e0 esquerda, e eu segui. Logo, estava passando por Parapu\u00e3, Oswaldo Cruz e Rin\u00f3polis, avan\u00e7ando rumo a Martin\u00f3polis. Enfim, eu estava perto de casa.<\/p>\n<p>J\u00e1 no escuro da noite e com os far\u00f3is do carro acesos (e ao som da r\u00e1dio), tive o grande susto da viagem. Um carro se aproximou da traseira do meu, que estava a uns 90 km\/h. Como o limite da estrada era de 100 km\/h, resolvi dar seta para a direita e diminuir a velocidade, talvez para uns 85 km\/h. O carro de tr\u00e1s n\u00e3o fez men\u00e7\u00e3o de ultrapassar, ent\u00e3o eu desliguei a seta e voltei a acelerar.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que o carro de tr\u00e1s acendeu a sirene assim que eu acelerei. No escuro, eu n\u00e3o havia visto que se tratava de um ve\u00edculo da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria. Mesmo estando com tudo em ordem (inclusive s\u00f3brio e com o comprovante do pagamento do IPVA na mochila), fiquei preocupado. Dei seta de novo para a direita, fui para o acostamento e freei, esperando a parada dos policiais \u00e0 minha frente. S\u00f3 que eles n\u00e3o estacionaram, e antes que o meu carro parasse completamente, resolvi retornar \u00e0 estrada.<\/p>\n<p>Ainda vi a viatura em quest\u00e3o por uns bons quil\u00f4metros l\u00e1 na frente, igualmente com a sirene ligada. Mesmo preocupado com o que poderia acontecer ou ter acontecido, passei por Martin\u00f3polis e por Indiana. Quando eram 20h40 da noite, finalmente entrei em Prudente, mais uma vez com a miss\u00e3o cumprida. Enfim, se algo aconteceu de errado no caminho, eu n\u00e3o percebi. Sei que cheguei em ordem em casa, bronzeado (muito sol nos jogos l\u00e1 em Promiss\u00e3o, n\u00e9?) e pronto para os compromissos da noite.<\/p>\n<p>E, agora, um pouco mais homem.<\/p>\n<p><i>Enquanto Marmota passa por dias perfeitos descansando e viajando, a s\u00e9rie <b>Col\u00f4nia de F\u00e9rias<\/b> apresenta textos gentilmente preparados por seus amigos.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Emanuel Colombari Muitos momentos na vida de um menino servem como marcos para transform\u00e1-lo em um homem: a primeira namorada, a primeira rela\u00e7\u00e3o sexual, a sa\u00edda da casa dos pais, a entrada na faculdade, o primeiro emprego, o primeiro carro, entre outras. 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