{"id":385,"date":"2008-11-14T15:49:40","date_gmt":"2008-11-14T18:49:40","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/ranquinite-ou-fim-da-blogosfera-e-porque-voce-quer-aparecer"},"modified":"2008-11-14T15:49:40","modified_gmt":"2008-11-14T18:49:40","slug":"ranquinite-ou-fim-da-blogosfera-e-porque-voce-quer-aparecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/ranquinite-ou-fim-da-blogosfera-e-porque-voce-quer-aparecer\/","title":{"rendered":"Ranquinite (ou: fim da blogosfera? \u00c9 porque voc\u00ea quer aparecer&#8230;)"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/bloguiado.gif\" align=\"right\" \/>Segure-se na cadeira, salve tudo no pen-drive e n\u00e3o esque\u00e7a de colocar o smartphone no bolso: j\u00e1 ecoam com for\u00e7a as trombetas do apocalipse. Tudo porque os profetas deixaram suas cavernas para proclamar. &#8220;A blogosfera vai acabar! \u00c9 uma <a href=\"http:\/\/desciclo.pedia.ws\/wiki\/Cilada\" target=\"_blank\"><b>cilada<\/b><\/a>, Bino! Fuja para as montanhas!&#8221;.<\/p>\n<p>Duas fagulhas relacionadas a essa hecatombe ca\u00edram na rede nas \u00faltimas semanas. Uma \u00e9 o <a href=\"http:\/\/www.wired.com\/entertainment\/theweb\/magazine\/16-11\/st_essay\" target=\"_blank\"><b>artigo da Wired<\/b><\/a>, assinado por Paul Boutin, que desanima qualquer blogueiro iniciante: suas opini\u00f5es n\u00e3o ser\u00e3o lidas por ningu\u00e9m, quando muito por um comentarista idiota e an\u00f4nimo. Al\u00e9m disso, \u00e9 poss\u00edvel fazer no <a href=\"http:\/\/search.twitter.com\/search?q=fim+blogosfera\"><b>Twitter<\/b><\/a> tudo que se conseguia com o blog em 2004.<\/p>\n<p>A outra gerou algumas fa\u00edscas a mais. <a href=\"http:\/\/www.economist.com\/business\/displaystory.cfm?story_id=12566826\" target=\"_blank\"><b>Artigo do The Economist<\/b><\/a> lembra que Jason Calacanis, fundador da rede Weblogs Inc, desistiu de blogar em fun\u00e7\u00e3o &#8220;da press\u00e3o e do trabalho que d\u00e1 em permanecer na lista dos top-top&#8221;. Conclus\u00e3o: o fato dos blogs atingirem certo destaque, especialmente em grandes corpora\u00e7\u00f5es, e entrarem no &#8220;mainstream&#8221;, vai mat\u00e1-los. Mais trombetas.<\/p>\n<p>As duas provoca\u00e7\u00f5es culminaram com alguns desdobramentos, como o de <a href=\"http:\/\/www.roughtype.com\/archives\/2008\/11\/who_killed_the.php\" target=\"_blank\"><b>Nicholas Carr<\/b><\/a>, no blog Rough Type. Para ele, os blogs chegaram \u00e0 &#8220;crise de meia-idade&#8221; em fun\u00e7\u00e3o da sua import\u00e2ncia exagerada. Al\u00e9m disso, nos \u00faltimos anos, o ato de blogar passou por transforma\u00e7\u00f5es que sufocaram a informalidade e descompromisso da \u00e9poca \u00e1urea do &#8220;blog moleque&#8221;.<\/p>\n<p>Mas voltando ao apocalipse: ent\u00e3o a blogosfera vai acabar. Mas o que \u00e9 &#8220;blogosfera&#8221; para voc\u00ea? Se a sua resposta for algo como &#8220;aquele grupo de p\u00e1ginas elaboradas por caras bacanas que sempre aparecem na crista da onda, onde ainda vou fazer parte&#8221;, d\u00e1 para entender as raz\u00f5es desse assassinato.<\/p>\n<p>Muito se especulou a respeito do impacto das inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas na comunica\u00e7\u00e3o. Ter\u00edamos condi\u00e7\u00f5es de promover intelig\u00eancia coletiva, construida a partir dos m\u00faltiplos n\u00f3s da rede e da presen\u00e7a de ferramentas colaborativas &#8211; como ocorre na conversa\u00e7\u00e3o entre blogs, por exemplo. O que se v\u00ea, no entanto, \u00e9 o oposto: propostas puramente individuais com objetivos relacionados a <a href=\"http:\/\/www.raquelrecuero.com\/arquivos\/reputacao_popularidade_e_autoridade_em_redes_sociais_na_internet.html\" target=\"_blank\"><b>influ\u00eancia, reputa\u00e7\u00e3o ou popularidade<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 l\u00f3gico que ningu\u00e9m escreve suas id\u00e9ias sem que pessoas ao redor comentem, reconhe\u00e7am, construam uma imagem positiva. Agora, de uma forma bem generalista: quem come\u00e7ar a brincadeira apenas pela busca ao t\u00edtulo de <a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/blogueiro-famoso-e-igual-a-miss-cangaiba\/\" target=\"_blank\"><b>Miss Canga\u00edba<\/b><\/a>, provavelmente n\u00e3o vai conseguir, vai se frustrar e, por fim, desistir.<\/p>\n<p>E isso n\u00e3o \u00e9 de hoje. <a href=\"http:\/\/www.matthewhindman.com\/index.php\/2003032812\/Research\/Googlearchy-How-a-Few-Heavily-Linked-Sites-Dominate-Politics-Online.html\" target=\"_blank\"><b>Nesta an\u00e1lise<\/b><\/a> da cobertura pol\u00edtica norte-americana, os autores observaram que, ao contr\u00e1rio da propagada &#8220;democratiza\u00e7\u00e3o da web&#8221;, a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 igualit\u00e1ria. S\u00e3o poucos os que conseguem aten\u00e7\u00e3o, refer\u00eancias e consequente tr\u00e1fego. Isso atingiu um fen\u00f4meno batizado &#8220;googlearchy&#8221;, e explica perfeitamente as raz\u00f5es pelas quais boa parte das a\u00e7\u00f5es envolvendo redes sociais costumam envolver sempre os mesmos.<\/p>\n<p>Ainda avaliando o &#8220;mainstream brazuca&#8221;, poder\u00edamos incluir outro termo, consequ\u00eancia desse: <b>ranquinite<\/b>. Doen\u00e7a contagiosa que denota o real sentido em criar um espa\u00e7o na rede: aparecer no topo da cadeia alimentar. Ali\u00e1s, &#8220;ranquinite&#8221; \u00e9 a melhor defini\u00e7\u00e3o para boa parte das rea\u00e7\u00f5es adversas \u00e0 <a href=\"http:\/\/www.ofimdavarzea.com\/top-50-piores-blogs-do-brasil-2008\" target=\"_blank\"><b>brincadeira do J. Noronha<\/b><\/a>. Porque ao inv\u00e9s de conversar, colaborar ou participar de maneira inteligente, deve ser mais f\u00e1cil conquistar autoridade no grito ou com arroubos de personalidade.<\/p>\n<p>De verdade? Tomara que a ranquinite se torne a gripe espanhola da rede, matando essa &#8220;blogosfera nociva&#8221; e varrendo para a insignific\u00e2ncia plena todas as cabe\u00e7as vazias que perambulam fazendo barulho e espuma. No fim, restar\u00e1 esse tal &#8220;mainstream&#8221; definido pela &#8220;googlearchy&#8221; &#8211; inteligente, profissional e relevante, por que n\u00e3o? &#8211; e, bem longe da\u00ed, infinitas comunidades interconectadas, formada por leitores e autores convivendo pacificamente com outras formas de informa\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o \u00e9, <a href=\"http:\/\/dialetica.org\/agridoce\" target=\"_blank\"><b>Lu<\/b><\/a>?<\/p>\n<p>Enfim, tomo emprestado as palavras do <a href=\"http:\/\/smeira.blog.terra.com.br\/2008\/11\/14\/quem-matou-a-blogosfera\" target=\"_blank\"><b>Silvio Meira<\/b><\/a>: &#8220;a escrita na rede ainda est\u00e1 nascendo. Ainda falta muito pra que se saiba o que estamos fazendo. Mas este n\u00e3o \u00e9 o problema. Vamos continuar fazendo e tentando descobrir&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p><b>A prop\u00f3sito<\/b>, essa invers\u00e3o de valores provocada pelas hierarquias dos rankings, em contraponto \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia coletiva, poderia se transformar em um pr\u00e9-projeto de mestrado muito interessante. O que acham, amigos acad\u00eamicos?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/blogepoca161108.jpg\" align=\"right\" \/><b>Atualizado<\/b>: n\u00e3o parece ir\u00f4nico que, depois de um artigo apontar para uma reflex\u00e3o a respeito do &#8220;mainstream blogueiro&#8221; e seu impacto, a revista \u00c9poca <a href=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/0,,EMI17282-15204,00.html\" target=\"_blank\"><b>elaborar uma sele\u00e7\u00e3o<\/b><\/a> de 80 blogs? \u00d3bvio que essa mat\u00e9ria representa alguns aspectos positivos &#8211; aquela velha id\u00e9ia de que o p\u00fablico-alvo de uma revista de circula\u00e7\u00e3o nacional, em tese, n\u00e3o conhece blogs. Para os heavy-users, fica aquele misto de orgulho dos amigos e sensa\u00e7\u00e3o de d\u00e9j\u00e0 vu. Enfim, d\u00ea uma navegada pelos <a href=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/0,,EDI0-15204-1-17282,00.html\" target=\"_blank\"><b>coment\u00e1rios<\/b><\/a> da revista e divirta-se com os ataques de ranquinite.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segure-se na cadeira, salve tudo no pen-drive e n\u00e3o esque\u00e7a de colocar o smartphone no bolso: j\u00e1 ecoam com for\u00e7a as trombetas do apocalipse. Tudo porque os profetas deixaram suas cavernas para proclamar. &#8220;A blogosfera vai acabar! \u00c9 uma cilada, Bino! Fuja para as montanhas!&#8221;. 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