{"id":356,"date":"2008-07-29T23:43:09","date_gmt":"2008-07-30T02:43:09","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/cinco-filmes-nacionais-que-desceram-algum-morro-carioca"},"modified":"2008-07-29T23:43:09","modified_gmt":"2008-07-30T02:43:09","slug":"cinco-filmes-nacionais-que-desceram-algum-morro-carioca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/cinco-filmes-nacionais-que-desceram-algum-morro-carioca\/","title":{"rendered":"Cinco filmes nacionais que desceram algum morro carioca"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/top5.gif\" align=\"right\" \/>Ano passado, quando o filme &#8220;Tropa de Elite&#8221; fez seu barulho dentro e fora dos cinemas &#8211; tanto em fun\u00e7\u00e3o dos DVDs piratas que circulavam antes mesmo da estr\u00e9ia quanto por conta dos bord\u00f5es que se espalharam feito rastilho de p\u00f3lvora -, a imprensa acordou. Rep\u00f3rteres se infiltraram no BOPE para mostrar ao p\u00fablico a &#8220;realidade por tr\u00e1s da fic\u00e7\u00e3o&#8221;. Troca de tiros entre policiais e traficantes em morros cariocas repercutiram nos programas a la Datena.<\/p>\n<p>Lembro que o diretor Jos\u00e9 Padilha falou, em in\u00fameras oportunidades, a respeito do impacto de seu filme na agenda de conversas da popula\u00e7\u00e3o nacional. Em linhas gerais, \u00e9 mais f\u00e1cil para as pessoas conversarem sobre objetos descolados da realidade, transformados por profissionais da s\u00e9tima arte, do que discutir os problemas a seco e engoli-los idem. E ele tinha raz\u00e3o: lembro bem de algumas reportagens envolvendo troca de tiros na Vila Cruzeiro&#8230; Aquilo ganhou voz nas ruas especialmente por conta da repercuss\u00e3o de &#8220;Tropa&#8221;.<\/p>\n<p>Desde sexta-feira passada, outro que mostra os rec\u00f4nditos da Cidade Maravilhosa entrou em cartaz: &#8220;Era Uma Vez&#8221;. Entre os ecos que pude ouvir por a\u00ed, um dos mais repetitivos era: &#8220;cacetada, mais uma vez esse tema&#8230;&#8221;. N\u00e3o sei se a reclama\u00e7\u00e3o vem da satura\u00e7\u00e3o ou de uma pretensa falta de criatividade&#8230; Ou ainda uma tentativa de reproduzir a f\u00f3rmula que tornou &#8220;Cidade de Deus&#8221; uma refer\u00eancia cinematogr\u00e1fica. N\u00e3o importa: eu penso que, quanto mais filmes trouxerem \u00e0 pauta discuss\u00f5es relevantes, melhor.<\/p>\n<p>Que venham, pois, mais filmes descendo algum morro do Rio. Como foi o caso de&#8230;<\/p>\n<div align=\"center\"><\/div>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#5<\/font> <b>&#8220;Orfeu&#8221;<\/b> &#8211; Preciso confessar algo que me envergonha: ao pensar neste Top 5, pensei um bocado no filme que ocuparia este posto. O primeiro que veio \u00e0 mente foi &#8220;Falc\u00e3o: Meninos do Tr\u00e1fico&#8221;. Tanto este document\u00e1rio quanto &#8220;Not\u00edcias de uma Guerra Particular&#8221; mereceriam uma cita\u00e7\u00e3o honrosa, mas seria melhor escalar uma fic\u00e7\u00e3o. Ainda bem que a <a href=\"http:\/\/interney.net\/blogs\/cintaliga\"><b>Luciana<\/b><\/a> assistiu ao filme, baseado na pe\u00e7a do poeta Vin\u00edcius de Moraes.<\/p>\n<p>&#8220;O Orfeu, que \u00e9 o cara do Cidade Negra, vive no morro, e o amigo de infancia dele, vivido pelo Murilo Ben\u00edcio, vira traficante. Eles estao voltados pro desfile da escola de samba, e todo mundo \u00e9 apaixonado pelo Orfeu. S\u00f3 que ele se apaixona por uma sem gra\u00e7a l\u00e1, a Eur\u00eddice. Ela morre e ele vai at\u00e9 o inferno busc\u00e1-la, mas ele n\u00e3o pode olhar pra tr\u00e1s sen\u00e3o a perde.  \u00c9 tragedia total, tudo no Carnaval&#8221;.<\/p>\n<p>Trag\u00e9dia total \u00e9 o que permeia esses filmes, inclusive&#8230;<\/p>\n<div align=\"center\"><\/div>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#4<\/font> <b>&#8220;Meu Nome n\u00e3o \u00e9 Johhny&#8221;<\/b> &#8211; O of\u00edcio de jornalista-escritor pode render excelentes dividendos, especialmente aos mais talentosos como Guilherme Fi\u00faza. Ele \u00e9 primo de Jo\u00e3o Guilherme Estrella, personagem de uma hist\u00f3ria que retrata o  mundo do tr\u00e1fico mesmo longe dos morros: em uma casa de classe m\u00e9dia, nasceu um dos maiores traficantes cariocas da d\u00e9cada de 1980. Depois de ser preso e internado, hoje est\u00e1 plenamente recuperado &#8211; e d\u00e1 palestras, ao lado do autor do livro.<\/p>\n<p>Tudo gra\u00e7as ao sucesso estrondoso da pel\u00edcula, que levou mais de 1 milh\u00e3o de espectadores aos cinemas. O exemplo do &#8220;Johhny&#8221; \u00e9 mais um sintoma de que a s\u00e9tima arte precisa mesmo embutir alguma semente nos c\u00e9rebros dos brasileiros: antes do filme estrear, em 2008, o livro j\u00e1 tinha sido publicado quatro anos antes. E durante os dias que antecederam o lan\u00e7amento, tudo que perguntavam a Guilherme Fi\u00faza era a respeito da repercuss\u00e3o nas telonas. Sua resposta? \u201cTudo bem, vai virar filme, mas j\u00e1 \u00e9 um livro! Que tal l\u00ea-lo?\u201d.<\/p>\n<p>Curiosamente, entre os cinco filmes, o \u00fanico que foi pensado exclusivamente para o cinema foi&#8230;<\/p>\n<div align=\"center\"><\/div>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#3<\/font> <b>&#8220;Era Uma Vez&#8221;<\/b> &#8211; H\u00e1 uma incoer\u00eancia no t\u00edtulo do segundo longa metragem de Breno Silveira, diretor do estrondoso &#8220;Dois Filhos de Francisco&#8221;. Deveria se chamar &#8220;Vai Dar Merda&#8221;. Porque \u00e9 exatamente esta a sensa\u00e7\u00e3o permanente desde o primeiro encontro do \u00f3timo Thiago Martins (que \u00e9 aprfesentado ainda crian\u00e7a num tr\u00e1gico flashback) com a lindinha Vit\u00f3ria Frate, quando o vendedor de hot-dog do quiosque da Vieira Souto se apresenta como surfista. Como esperado, os dois se apaixonam&#8230; A tend\u00eancia a dar merda s\u00f3 aumenta, especialmente com o retorno do irm\u00e3o mais velho ao Morro do Cantagalo.<\/p>\n<p>Antes de ir ao cinema, esteja devidamente preparado para o final, certamente a grande ressalva do filme. J\u00e1 d\u00e1 para imaginar o que acontece apenas com a sinopse: &#8220;inspirado livremente na hist\u00f3ria de Romeu e Julieta&#8221;. Resumidamente, todos sabem desde o in\u00edcio que vai dar merda. A quest\u00e3o \u00e9: precisava ser daquele jeito?<\/p>\n<p>Se bem que&#8230; N\u00e3o \u00e9 justo limitar a sensa\u00e7\u00e3o de &#8220;vai dar merda&#8221; apenas aqui. O mesmo percebe-se claramente em&#8230;<\/p>\n<div align=\"center\"><\/div>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#2<\/font> <b>&#8220;Tropa de Elite&#8221;<\/b> &#8211; Capit\u00e3o Nascimento est\u00e1 doido para curtir sua paternidade, mas precisa treinar seu substituto antes de pendurar o fuzil. Descobre dois novatos numa a\u00e7\u00e3o sangrenta, provocada pela fr\u00e1gil PM no Morro da Babil\u00f4nia. At\u00e9 que finalmente passa o bast\u00e3o para o novato sobrevivente, no instante em que este vinga a morte do amigo. Mas a hist\u00f3ria \u00e9 o que menos interessa na trama dirigida brilhantemente por Jos\u00e9 Padilha (o mesmo do \u00d4nibus 174).<\/p>\n<p>&#8220;Tropa de Elite&#8221; conquistou as massas por v\u00e1rias raz\u00f5es. Primeiro por circular entre os espectadores antes mesmo da estr\u00e9ia: um vazamento fez com que milh\u00f5es de c\u00f3pias do filme circulassem em DVDs piratas, redes P2P e pen drives do pa\u00eds. O impacto foi percebido com clareza em qualquer di\u00e1logo durante semanas: &#8220;pede pra sair&#8221;, &#8220;nunca ser\u00e3o&#8221;, &#8220;traz a sementinha do mal&#8221;, &#8220;o conceito de estrat\u00e9gia&#8221;, &#8220;bota na conta do Papa&#8221;, &#8220;cad\u00ea o Baiano&#8221;&#8230; Entre outras express\u00f5es que j\u00e1 se tornaram clich\u00eas.<\/p>\n<p>Apesar do Urso de Ouro em Berlim, &#8220;Tropa&#8221; ainda ficou atr\u00e1s do mentor de todos os &#8220;filmes de morro&#8221;&#8230;<\/p>\n<div align=\"center\"><\/div>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#1<\/font> <b>&#8220;Cidade de Deus&#8221;<\/b> &#8211; N\u00e3o confundir com &#8220;Cidade dos Homens&#8221;, apesar dos artistas, do enredo, da produtora, enfim, de uma por\u00e7\u00e3o de coisas bem parecidas. Cidade de Deus foi o primeiro a chocar a na\u00e7\u00e3o. O primeiro a fazer com que os cariocas dissessem &#8220;\u00e9, tem alguns estere\u00f3tipos, mas nem tanto assim&#8221;. O primeiro a concorrer ao Oscar fora da categoria &#8220;melhor filme estrangeiro&#8221;. O primeiro a catapultar a carreira do diretor Fernando Meirelles e da atriz Alice Braga a outros trabalhos em Hollywood.<\/p>\n<p>Enfim, o filme que nos trouxe Dadinhoeocar\u00e1leomeunomeagora\u00e9z\u00e9pequenoporra.<\/p>\n<p>Ah, sim: antes que venham questionar, eu sei que Cidade de Deus n\u00e3o \u00e9 exatamente um morro, mas sim um bairro constru\u00eddo para alojar ex-moradores de favelas, desabrigados de enchentes. Mas sejamos francos: h\u00e1 possibilidade de outro filme ocupar o topo dessa lista?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ano passado, quando o filme &#8220;Tropa de Elite&#8221; fez seu barulho dentro e fora dos cinemas &#8211; tanto em fun\u00e7\u00e3o dos DVDs piratas que circulavam antes mesmo da estr\u00e9ia quanto por conta dos bord\u00f5es que se espalharam feito rastilho de p\u00f3lvora -, a imprensa acordou. 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