{"id":353,"date":"2008-07-20T23:38:08","date_gmt":"2008-07-21T02:38:08","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/eiros-istas-existe-mesmo-alguma-diferenca"},"modified":"2008-07-20T23:38:08","modified_gmt":"2008-07-21T02:38:08","slug":"eiros-istas-existe-mesmo-alguma-diferenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/eiros-istas-existe-mesmo-alguma-diferenca\/","title":{"rendered":"Eiros, &#8220;istas&#8221;&#8230; Existe mesmo alguma diferen\u00e7a?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/bloguiado.gif\" align=\"right\" \/>Tem horas em que me sinto um idiota. T\u00e1, \u00e9 verdade, \u00e9 mais f\u00e1cil calcular o tempo em que n\u00e3o me sinto um. Mas enfim, dependendo do assunto, a impress\u00e3o \u00e9 que meu grau de tolice \u00e9 ainda maior. Vez ou outra, sou al\u00e7ado a um debate sobre temas que n\u00e3o chegam a nenhum resultado valioso, s\u00f3 fazem espuma. Por exemplo: h\u00e1 meses, ou\u00e7o falar em uma pol\u00eamica idiota entre duas atividades que desempenham o mesmo of\u00edcio. Imaginava que meu sil\u00eancio seria suficiente para n\u00e3o embarcar nessa ladainha, mas quando me dei conta l\u00e1 estava eu agitando uma discuss\u00e3o sem fim, sem prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>Ora, sejamos francos: pra qu\u00ea perder tempo elucubrando sobre o que faz um boleiro e um futebolista?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o um dia algu\u00e9m vindo de fora trouxe ao Brasil uma bola. Come\u00e7ou a chut\u00e1-la sozinho, tocou-a para um colega da rua&#8230; Outros come\u00e7aram a vir, acharam aquilo muito divertido e come\u00e7aram a jogar, ainda de um jeito despretensioso. Mais bolas chegavam, mais pessoas brincavam&#8230; At\u00e9 que um grupo de boleiros decidiu chamar outro para uma partidinha mais s\u00e9ria. Estabeleceram regras entre eles, convidaram uma plat\u00e9ia e&#8230; Voil\u00e1, deram um pontap\u00e9 certeiro em uma tal &#8220;profissionaliza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Muitos anos se passaram. Jogar futebol tornou-se um of\u00edcio \u00e0 medida em que uma estrutura se formou ao seu redor. Clubes, federa\u00e7\u00f5es, campeonatos, regulamentos&#8230; Modelos de neg\u00f3cio fizeram do futebolista um profissional valorizado: venda de ingressos para campeonatos regulares, cotas de transmiss\u00e3o para TV e r\u00e1dio&#8230;<\/p>\n<p>Mas a bola \u00e9 democr\u00e1tica. Qualquer um pode dar seus dribles a qualquer instante: em casa, sozinho, na parede suja do quintal; na rua, na praia, no s\u00edtio; pode armar dois ou tr\u00eas times, sendo que um fica &#8220;de pr\u00f3ximo&#8221;; pode ser &#8220;gol a gol&#8221;, &#8220;tr\u00eas dentro tr\u00eas fora&#8221;, &#8220;bobinho&#8221;&#8230; Voc\u00ea mesmo pode aproveitar noventa minutos de sua vida e, com alguma disposi\u00e7\u00e3o, fazer a mesma coisa que um jogador de futebol profissional faz: correr atr\u00e1s da bola e ajudar seu time a fazer gols.<\/p>\n<p>Quer dizer, &#8220;mesma coisa&#8221; \u00e9 jeito de falar. Futebolistas profissionais cumprem rigorosas jornadas de treinos e concentra\u00e7\u00f5es. Passam os finais de semana a servi\u00e7o de seus clubes ou sele\u00e7\u00f5es. S\u00e3o funcion\u00e1rios como em qualquer profiss\u00e3o. Mas um boleiro amador pode fazer uma vaquinha com os amigos e alugar uma quadra. Ou, se tiver habilidades suficientes com a pelota nos p\u00e9s, pode pedir alguma colabora\u00e7\u00e3o aos seus espectadores ou mesmo descolar patroc\u00ednios. Da mesma forma, jogadores que se dedicam no dia-a-dia podem perfeitamente bater uma bolinha descompromissada num momento de relax.<\/p>\n<p>Boleiros e futebolistas desempenham atividade semelhante, trabalham com o mesmo instrumento e sentem prazer diante dele. Boleiros amadores podem se tornar futebolistas profissionais, desde que se dediquem ao m\u00e1ximo e n\u00e3o desistam nunca. Mas n\u00e3o \u00e9 preciso virar futebolista para ser feliz: at\u00e9 quem bate bola aos finais de semana podem ganhar reputa\u00e7\u00e3o entre os conhecidos, ganhar medalhas, trof\u00e9us ou mesmo uns trocados. Alguns bons jogadores, ao se aproximarem dos boleiros, podem servir de refer\u00eancia a estes, tornando-os mais h\u00e1beis e relevantes.<\/p>\n<p>E como em qualquer \u00e1rea de conhecimento humano, \u00e9 poss\u00edvel encontrar boleiros excepcionais com talento e capacidade muito superior a muito futebolista picareta. E vice-versa: quantos futebolistas gente boa e boleiros mascarados e egoc\u00eantricos voc\u00ea conhece?<\/p>\n<p>Eu realmente me sinto um idiota, alimentando discuss\u00f5es est\u00e9reis sobre &#8220;boleiros que querem ocupar o lugar dos futebolistas&#8221;, ou &#8220;boleiros que precisam seguir as mesmas regras do futebolista&#8221;, ou pior: &#8220;boleiros podem juntar suas for\u00e7as e derrubar qualquer futebolista metido a besta&#8221;. \u00c9 t\u00e3o f\u00e1cil perceber o quanto somos livres para fazer o que quisermos com uma bola&#8230; Quer brincar em casa com o irm\u00e3o? Quer fundar um clube ou uma associa\u00e7\u00e3o? Quer ganhar dinheiro inflando suas habilidades parcas &#8220;ca\u00e7ando p\u00fablico&#8221; no meio da multid\u00e3o? Quer ser apenas espectador diante de bons jogos? Odeia futebol e n\u00e3o quer nada disso? \u00c9 um direito seu, e voc\u00ea \u00e9 livre para se feliz com algo que gosta &#8211; at\u00e9 o instante em que voc\u00ea \u00e9 contratado para jogar, e assim seguir determinadas regras. Simples assim.<\/p>\n<p>Enfim, como ainda \u00e9 poss\u00edvel compartilharmos momentos de pura limita\u00e7\u00e3o intelectual, ao participar de um embate enfadonho e repetitivo entre g\u00eaneros t\u00e3o semelhantes? Chega de conversa fiada e vamos convidar mais gente pra bater bola.<\/p>\n<div align=\"center\">***<\/div>\n<p>Em tempo: a Ceila conseguiu convidar muita gente boa para o <a href=\"http:\/\/newscamp.wordpress.com\" target=\"_blank\"><b>Newscamp<\/b><\/a>, que felizmente, n\u00e3o se limitaram a debates infrut\u00edferos sobre boleiros e futebolistas, diplomados ou n\u00e3o. A avalia\u00e7\u00e3o final \u00e9 realmente complexa: \u00e9 poss\u00edvel aproveitar coisas boas e ruins em uma mistura de id\u00e9ias, egos, filosofias e clich\u00eas variados. No fim das contas, o que fica das conversas muitas vezes rasas ou perdidas, s\u00e3o as boas rela\u00e7\u00f5es com gente bacana.<\/p>\n<div align=\"center\">***<\/div>\n<p>Uma \u00faltima coisa: sou s\u00f3 eu ou mais algu\u00e9m acha desnecess\u00e1rio quando um texto de blog recebe toneladas de coment\u00e1rios do tipo &#8220;excelente, genial, brilhante, perfeito, clap clap, parab\u00e9ns&#8230;&#8221;? De t\u00e3o in\u00f3cuo, acaba tendo efeito semelhante a um &#8220;que lixo&#8221;, n\u00e3o?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem horas em que me sinto um idiota. T\u00e1, \u00e9 verdade, \u00e9 mais f\u00e1cil calcular o tempo em que n\u00e3o me sinto um. Mas enfim, dependendo do assunto, a impress\u00e3o \u00e9 que meu grau de tolice \u00e9 ainda maior. 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