{"id":349,"date":"2008-07-01T23:58:20","date_gmt":"2008-07-02T02:58:20","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/as-olimpiadas-da-rede-globo"},"modified":"2008-07-01T23:58:20","modified_gmt":"2008-07-02T02:58:20","slug":"as-olimpiadas-da-rede-globo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/as-olimpiadas-da-rede-globo\/","title":{"rendered":"As Olimp\u00edadas da Rede Globo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-olimpico2008.gif\" align=\"right\" \/>Voc\u00ea pensava que essa se\u00e7\u00e3o havia morrido para todo sempre? Pois gra\u00e7as a um evento realizado h\u00e1 dez dias pela faculdade, consegui material extra para ressucitar esta se\u00e7\u00e3o antes de 2004 acabar. Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente uma das imagens mais brilhantes da TV Globo: a jornalista Glenda Kozlowski!<\/p>\n<p>Funcion\u00e1ria da Rede Globo desde 1996, Glenda cobriu duas Olimp\u00edadas diante das c\u00e2meras da V\u00eanus Platinada. O que n\u00e3o quer dizer que ela s\u00f3 se esforce a cada quatro anos: dividindo sua agenda com a apresenta\u00e7\u00e3o do Globo Esporte e do Esporte Espetacular, al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de reportagens, ela tem apenas uma folga a cada seis semanas &#8211; sem deixar de ser a Glenda de sempre (e eu ainda reclamo da minha vida). &#8220;Sem paix\u00e3o, n\u00e3o se trabalha&#8221;, resume.<\/p>\n<p>Sobre Atenas, ela conta como foi a log\u00edstica da empresa. Antes de mais nada, grandes eventos s\u00e3o pensados dois anos antes &#8211; ou seja, a essa altura, j\u00e1 est\u00e3o trabalhando para a Copa de 2006. Para os Jogos de Atenas, a coisa foi complicada. &#8220;Foi muito dif\u00edcil. Dois meses antes das Olimp\u00edadas, nada estava pronto. Ningu\u00e9m sabia o que iria acontecer&#8221;. E n\u00e3o estava falando apenas nos est\u00e1dios: a produ\u00e7\u00e3o da emissora precisou pagar adiantado as di\u00e1rias em um hotel que ainda n\u00e3o existia!<\/p>\n<p>Enfim, hora de viajar com as traquitanas. Antes dos 104 profissionais &#8211; de todos os setores, incluindo os seres supremos da programa\u00e7\u00e3o (talvez o setor mais respeitado da casa) e onze equipes de reportagem (o sujeito que aparece diante das c\u00e2meras e seus auxiliares), a Globo descarregou 10 toneladas de equipamentos. Incluindo um equipamento digital, que seria usado pela primeira vez em Atenas. Mas depois dos testes, o esquema falhou justamente na v\u00e9spera. &#8220;Os engenheiros tiveram que montar ilhas de edi\u00e7\u00e3o, c\u00e2meras, tudo um dia antes da abertura&#8221;, lembrou Glenda.<\/p>\n<p>Finalmente, m\u00e3o na massa. O trabalho do dia-a-dia era intenso. Mesmo como apresentadora, Glenda produzia reportagens, encarando um trabalho \u00e0s vezes ingl\u00f3rio &#8211; j\u00e1 que a seguran\u00e7a de alguns gin\u00e1sios era rigorosa, \u00e0s vezes at\u00e9 est\u00fapida. &#8220;Teve um dia que fomos barrados num dos treinos da Daiane&#8221;. Quando consegue o material, hora de preparar cinco mat\u00e9rias diferentes. Uma para cada telejornal.<\/p>\n<p>Glenda contou dois exemplos pr\u00e1ticos de como o bicho pode pegar. Ap\u00f3s a cerim\u00f4nia de abertura, que acabou \u00e0 meia-noite de Atenas (seis da tarde no Brasil), o rep\u00f3rter Marcos Uch\u00f4a precisava transformar quatro horas de festa em uma mat\u00e9ria de no m\u00e1ximo cinco minutos para o Jornal Nacional, que come\u00e7ava duas horas depois. Isso tendo participado ainda da transmiss\u00e3o, ao lado do Galv\u00e3o. \u00c9 claro que ele conseguiu.<\/p>\n<p>Outro exemplo vem da nata\u00e7\u00e3o, onde seu colega Renato Ribeiro enfrentava o pior ambiente dos jogos &#8211; arquibancadinha para o setor da imprensa, distante alguns metros e degraus das piscinas e da concorrida (e estreita) \u00e1rea de entrevistas. Na despedida de Gustavo Borges, ap\u00f3s a eliminat\u00f3ria do revezamento 4 x 100m, o rep\u00f3rter ele saiu correndo nas arquibancadas, e antes que o atleta deixasse o local, gritou um &#8220;Gustaaaaavooo!!!&#8221;, para que ele pudesse esper\u00e1-lo. &#8220;Nessa hora, \u00e9 preciso conhecer o atleta&#8221;.<\/p>\n<p>Glenda tamb\u00e9m tem a sua hist\u00f3ria inusitada: pronta para uma entrada ao vivo no Globo Esporte, no caminho da tocha ol\u00edmpica por Atenas, \u00e9 abordada por uma baixinha. Depois de algumas palavras, descobre que \u00e9 a melhor ginasta local, e que est\u00e1 prestes a participar do revezamento. Minutos antes de entrar no ar, Glenda pede a pequena atleta para &#8220;segurar a tocha um pouquinho&#8221;. E come\u00e7a sua apresenta\u00e7\u00e3o aos telespectadores portando o grande s\u00edmbolo ol\u00edmpico! Absurdo&#8230;<\/p>\n<p>Com experi\u00eancia de dois Jogos Ol\u00edmpicos, Glenda n\u00e3o pensou duas vezes na hora de compar\u00e1-los: Sydney planejou tudo por doze anos, at\u00e9 chegar ao dia da abertura. &#8220;Atenas foi emocionante, deu tudo certo, mas sem d\u00favida Sydney realizou os melhores jogos da hist\u00f3ria&#8221;. D\u00e1 at\u00e9 para sonhar com Olimp\u00edadas no Brasil, por que n\u00e3o? &#8220;Se at\u00e9 Atenas recebeu uma Olimp\u00edada, a gente tamb\u00e9m recebe&#8221;. Sem falar que, em mat\u00e9ria de desorganiza\u00e7\u00e3o, nada pode ser pior que o Pan-americano de Santo Domingo&#8230;<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, ela acredita que a cobertura jornal\u00edstica da Globo melhorou. At\u00e9 porque, em 2000, a emissora convocou o Pato Fu e toda a na\u00e7\u00e3o para &#8220;ver o Brasil brilhar&#8221; e, no final, amargou com seis pratas e seis bronzes. &#8220;Naquele ano n\u00e3o deu certo porque focamos apenas nos brasileiros. Dessa vez contamos mais hist\u00f3rias, apresentamos os her\u00f3is, mostramos o que \u00e9 uma Olimp\u00edada&#8221;. No enfoque pessoal, ela tamb\u00e9m melhorou &#8211; ao menos garantiu que se emocionou menos. &#8220;Quando o Brasil conquistou a primeira medalha em Sydney, o bronze no revezamento masculino, eu me emocionei muito! E estava chorando ao vivo, ao lado dos atletas&#8221;, confessou.<\/p>\n<p>O longo bate-papo com os poucos e privilegiados alunos terminou com uma pequena li\u00e7\u00e3o de humildade: &#8220;jornalismo se faz por equipe&#8221;. E uma constata\u00e7\u00e3o: se j\u00e1 era f\u00e3 de Glenda Kozlowski antes, imagine agora &#8211; ainda mais depois de ter ganho um beijo no rosto e um abra\u00e7o apertado dela!!!<\/p>\n<p><i>(Postado em 23\/11\/2004. E esse texto vem a calhar para apresentar um evento bacana: na pr\u00f3xima segunda-feira, alguns dos respons\u00e1veis pela cobertura dos Jogos de Pequim estar\u00e3o num <a href=\"http:\/\/www.escoladecomunicacao.com.br\/eventos\/pequim2008\" target=\"_blank\"><b>evento gratuito<\/b><\/a> na pr\u00f3xima segunda-feira, em S\u00e3o Paulo, contando tudo sobre o planejamento para a cobertura das Olimp\u00edadas 2008. Com o apoio do canal <a href=\"http:\/\/sportv.globo.com\" target=\"_blank\"><b>SporTV<\/b><\/a> e organiza\u00e7\u00e3o do <a href=\"http:\/\/www.comunique-se.com.br\" target=\"_blank\"><b>Comunique-se<\/b><\/a>. Vamos l\u00e1?)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea pensava que essa se\u00e7\u00e3o havia morrido para todo sempre? Pois gra\u00e7as a um evento realizado h\u00e1 dez dias pela faculdade, consegui material extra para ressucitar esta se\u00e7\u00e3o antes de 2004 acabar. Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente uma das imagens mais brilhantes da TV Globo: a jornalista Glenda Kozlowski! 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