{"id":340,"date":"2008-06-01T23:59:02","date_gmt":"2008-06-02T02:59:02","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/a-historia-resumida-das-festas-juninas"},"modified":"2008-06-01T23:59:02","modified_gmt":"2008-06-02T02:59:02","slug":"a-historia-resumida-das-festas-juninas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/a-historia-resumida-das-festas-juninas\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria (resumida) das festas juninas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/fiquepordentro.gif\" align=\"right\" \/>Est\u00e1 chegando a hora de gritar &#8220;viva S\u00e3o Jo\u00e3o&#8221;, al\u00e9m de se arrepender por ter esquecido de Santo Ant\u00f4nio &#8211; ali\u00e1s, diziam na minha inf\u00e2ncia que s\u00f3 chove dia 24 porque algu\u00e9m n\u00e3o fez fogueira no dia 13. Apesar de S\u00e3o Jo\u00e3o ser o mais aclamado (tanto que muitos dizem &#8220;festa joanina&#8221;), sempre achei que essa historinha do mau tempo fizesse sentido, j\u00e1 que o terceiro festejado \u00e9 S\u00e3o Pedro, s\u00f3 no dia 29&#8230;<\/p>\n<p>Mas enfim. Quem n\u00e3o estiver em Caruaru, Aracaju ou qualquer cidade do Nordeste especializada nessa festa durante o m\u00eas inteiro, vale a pena comemorar o dia de S\u00e3o Jo\u00e3o em uma quermesse, daquelas do tempo da <a href=\"http:\/\/www.garotasquedizemni.com\/archives\/001481.php\" target=\"_blank\"><b>Vivi<\/b><\/a>. Com bolo de fub\u00e1 e p\u00e9-de-moleque, barraca da argola e da pescaria, quent\u00e3o e vinho quente, fogueira e roj\u00e3o, quadrilha e chap\u00e9u de palha, cadeia e correio elegante&#8230; Mesmo que a sua idade n\u00e3o seja a mesma daquela \u00e9poca em que voc\u00ea vestia camisa de fazenda xadrez e cal\u00e7a de brim com retalho costurado &#8211; ali\u00e1s, uma das provid\u00eancias deste final de semana vai ser justamente visitar uma festinha dessas.<\/p>\n<p>Mas voc\u00ea sabe de onde partiu essa id\u00e9ia de festa junina?<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/junina2406a.gif\" \/><\/div>\n<p>Curiosamente, a origem dos festejos n\u00e3o tem nada de cat\u00f3lico: as mais antigas comemora\u00e7\u00f5es ao redor da fogueira eram consideradas pag\u00e3s pela Igreja! Estas festas b\u00e1rbaras (e aqui &#8220;b\u00e1rbara&#8221; n\u00e3o quer dizer &#8220;chiqu\u00e9rrima&#8221; ou &#8220;poderooosa&#8221;) datam por volta do S\u00e9culo VII, e celebravam o in\u00edcio do ver\u00e3o na Europa. O fogo e a dan\u00e7a eram usados para afugentar esp\u00edritos malignos e pedir sucesso na colheita.<\/p>\n<p>Pois o que era diab\u00f3lico na Idade M\u00e9dia chegou ao Brasil com a coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, sempre com a tal conota\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Como tudo nesse pa\u00eds, a festa sofreu todo tipo de influ\u00eancia dos povos que aqui viviam. A come\u00e7ar pelos crist\u00e3os, que trocaram o motivo da comemora\u00e7\u00e3o: ao inv\u00e9s do solst\u00edcio, os santos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/junina2406c.gif\" align=\"right\" \/>Ant\u00f4nio viveu no S\u00e9culo XII e fez sucesso no Brasil justamente por ter nascido em Lisboa. Ganhou fama de casamenteiro, apesar de sua biografia n\u00e3o revelar nenhuma hist\u00f3ria que garanta isso. T\u00e3o inexplic\u00e1vel quanto a tradi\u00e7\u00e3o de deixar sua imagem de cabe\u00e7a para baixo at\u00e9 encontrar o par desejado&#8230; Ficou ainda mais forte assim que inventaram o dia dos namorados, na v\u00e9spera do dia 13.<\/p>\n<p>Os outros dois figuram como grandes personagens do catolicismo: Jo\u00e3o Batista era primo de Jesus &#8211; sua m\u00e3e Isabel, prima de Maria, acendeu uma fogueira assim que o filho nascera (mais um sentido pro s\u00edmbolo da festa). Pedro, o pescador, \u00e9 um dos fundadores da religi\u00e3o &#8211; e considerado o primeiro papa.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, costumes negros e ind\u00edgenas foram adicionados \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias e crist\u00e3s, transformando a nossa festa junina em algo tipicamente nacional. S\u00f3 no Brasil voc\u00ea encontra um povo t\u00e3o religioso e animado &#8211; especialmente no nordeste, onde  Campina Grande (Para\u00edba), Caruaru (Pernambuco) e Aracaju (Sergipe) passam o m\u00eas inteiro \u00e0 base de forr\u00f3, boi bumb\u00e1, milho e leite de coco.<\/p>\n<table width=\"195\" align=\"right\" bgcolor=\"#FFEEDD\">\n<tr>\n<td><font size=\"1\"><b>Cantigas juninas<\/b><br \/>Esse post fica melhor<br \/>com a trilha sonora:<\/p>\n<p>&#8220;Pula a fogueira Iai\u00e1<br \/>Pula a fogueira Ioi\u00f4<br \/>Cuidado para n\u00e3o se queimar<br \/>Olha que a fogueira<br \/>J\u00e1 queimou o meu amor&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O bal\u00e3o vai subindo<br \/>Vem caindo a garoa<br \/>O c\u00e9u \u00e9 t\u00e3o lindo<br \/>E a noite \u00e9 t\u00e3o boa<br \/>S\u00e3o Jo\u00e3o, S\u00e3o Jo\u00e3o<br \/>Acende a fogueira<br \/>No meu cora\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Com a filha de Jo\u00e3o<br \/>Ant\u00f4nio ia se casar<br \/>Mas Pedro fugiu com a noiva<br \/>Na hora de ir pro altar&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Eu pedi numa ora\u00e7\u00e3o<br \/>Ao querido S\u00e3o Jo\u00e3o<br \/>Que me desse um matrimonio<br \/>S\u00e3o Jo\u00e3o disse que n\u00e3o<br \/>S\u00e3o Jo\u00e3o disse que n\u00e3o<br \/>Isto \u00e9 l\u00e1 com Santo Ant\u00f4nio&#8221;&#8230;<\/font><\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p><b>E a quadrilha?<\/b> &#8211; Trata-se do momento alto da festa: o casamento caipira, com o noivo e a noiva abrindo a fila de casais. Sua origem \u00e9 inglesa, por volta dos s\u00e9culos XIII e XIV. Durante a Guerra dos Cem Anos, Fran\u00e7a e Inglaterra trocaram, al\u00e9m de balas de canh\u00e3o, experi\u00eancias culturais. Em pouco tempo, tornou-se uma dan\u00e7a palaciana nobre.<\/p>\n<p>Chegou aqui junto com as festas juninas e, claro, n\u00e3o demorou muito para sair da corte portuguesa e cair no gosto do povo, alterando o ritmo da dan\u00e7a e incluindo o som da sanfona, do tri\u00e2ngulo e da zabumba. Ganhou in\u00fameras variantes pa\u00eds afora, mas basicamente os &#8220;comandos&#8221; da dan\u00e7a s\u00e3o os mesmos. Vamos lembrar alguns?<\/p>\n<p><u>Cavalheiros cumprimentam as damas<\/u> &#8211; Depois de todos os casais entrarem com os bra\u00e7os dados, formam uma fila. Cada casal separa os bra\u00e7os, vira e fica um de frente para o outro &#8211; como resultado, temos duas filas. Ao sinal, os rapazes caminham juntos, tiram o chap\u00e9u e d\u00e3o uma abaixadinha. Na sequ\u00eancia \u00e9 a vez delas, que se abaixam enquanto seguram a barra da saia.<\/p>\n<p><u>Balanc\u00ea<\/u> &#8211; O casal dan\u00e7a juntinho, ao ritmo da m\u00fasica e com o bra\u00e7o estendido. Tamb\u00e9m funciona bem caso o marcador, respons\u00e1vel pelos comandos, n\u00e3o souber o que vem a seguir: diz balanc\u00ea e pronto.<\/p>\n<p><u>A grande roda<\/u> &#8211; Os casais se encontram novamente e se d\u00e3o as m\u00e3os. Depois que a roda se armou, vem outros passinhos: a coroa\u00e7\u00e3o (quando as damas ficam na frente e os cavalheiros botam o bra\u00e7o na frente) e o caracol (que leva alguns minutos at\u00e9 acabar).<\/p>\n<p><u>O caminho da ro\u00e7a<\/u> &#8211; \u00c9 a parte mais conhecida: as damas ficam na frente dos cavalheiros e caminham num sentido. Todos pulam e trocam de lado de acordo com o comando do maestro: olha a chuva\/j\u00e1 passou, a ponte quebrou\/j\u00e1 consertou, olha a cobra\/\u00e9 mentira&#8230;<\/p>\n<p><u>Parte final<\/u> &#8211; Aqui cada um faz de um jeito: tem o galope, onde as os casais ficam de frente e se encontram, um por vez, passando pelo meio do povo; tem o t\u00fanel, onde o casal da frente ergue os bra\u00e7os para o que vem atr\u00e1s passar; e tem a despedida, quando os casais cumprimentam os espectadores.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/junina2406b.gif\" \/><\/div>\n<p>Minha recorda\u00e7\u00e3o com a t\u00edpica dan\u00e7a junina n\u00e3o \u00e9 das melhores. Eram dias de ensaios constantes no p\u00e1tio, junto da minha parceirazinha, sempre ao som de um velho disco com musiquinhas tradicionais. Estava animado no dia da festa da escola, mas meu par n\u00e3o veio. Tive que dan\u00e7ar com uma professora chata&#8230; Foi traum\u00e1tico.<\/p>\n<p>(Em tempo: as belas imagens de mais esse dispens\u00e1vel rascunho de id\u00e9ias foram retiradas <a href=\"http:\/\/www.irenescorner.com\" target=\"_blank\"><b>do site da Irene<\/b><\/a> &#8211; dica da <a href=\"http:\/\/www.almaempunho.com\" target=\"_blank\"><b>Roberta<\/b><\/a>).<\/p>\n<p><i>(Postado em 24\/06\/2005)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 chegando a hora de gritar &#8220;viva S\u00e3o Jo\u00e3o&#8221;, al\u00e9m de se arrepender por ter esquecido de Santo Ant\u00f4nio &#8211; ali\u00e1s, diziam na minha inf\u00e2ncia que s\u00f3 chove dia 24 porque algu\u00e9m n\u00e3o fez fogueira no dia 13. 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