{"id":338,"date":"2007-09-14T23:56:26","date_gmt":"2007-09-15T02:56:26","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/viajando-nos-livros"},"modified":"2007-09-14T23:56:26","modified_gmt":"2007-09-15T02:56:26","slug":"viajando-nos-livros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/viajando-nos-livros\/","title":{"rendered":"Viajando nos livros"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/ferias.gif\" align=\"right\" \/><font size=\"3\">Por <b>Laura Storch<\/b>, do blog <a href=\"http:\/\/laurastorch.wordpress.com\" target=\"_blank\"><b>Risquinhos de Giz<\/b><\/a><\/font><\/p>\n<p>Dizem, os grandes pensadores do agora (da nossa \u00e9poca), que vivemos um momento de completa modifica\u00e7\u00e3o da nossa no\u00e7\u00e3o de tempo-espa\u00e7o. Economistas, soci\u00f3logos, fil\u00f3sofos, todas as \u00e1reas tentam interpretar as modifica\u00e7\u00f5es que a tecnologia em telecomunica\u00e7\u00e3o oferece: n\u00e3o existe mais dist\u00e2ncia ou tempo &#8211; ou voc\u00ea est\u00e1 na mesma sala que eu, enquanto l\u00ea esse post? Talvez esteja conversando com um amigo que mudou pro Brasil&#8230; Viu!? Nem sabe de onde eu escrevo&#8230;<\/p>\n<p>Alguns historiadores sociais dizem que, na verdade, esse processo de modifica\u00e7\u00e3o na nossa percep\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o-tempo vem se modificando a mais tempo&#8230; Quer um exemplo? Os livros de viagem. A populariza\u00e7\u00e3o desse tipo de publica\u00e7\u00e3o, na Europa do s\u00e9culo XVII, estava relacionada a curiosidade das pessoas sobre lugares ex\u00f3ticos, como as Am\u00e9ricas e a \u00c1sia, aos quais muito provavelmente elas nunca chegariam a conhecer realmente. Esses livros relatavam as aventuras de viajantes e desbravadores, que repassam com bastante fidelidade as caracter\u00edsticas e os costumes de povos t\u00e3o distantes.<\/p>\n<p>Mas fora a literatura tur\u00edstica, se \u00e9 que podemos chamar assim, os romances tamb\u00e9m nos forneceram muitas personagens viajantes&#8230; Se \u00e9 que a m\u00e1xima &#8220;os livros nos fazem viajar&#8221; faz sentido, talvez os viajantes dos livros sejam um \u00f3timo exemplo sobre o como nosso tempo-espa\u00e7o se modifica ao viajar pelos livros&#8230;<\/p>\n<p><b>ASTECAS<\/b> &#8211; uma das hist\u00f3rias que mais me fascinam, nesse sentido, \u00e9 a cole\u00e7\u00e3o de 5 volumes de Gary Jennings, chamada <b>Astecas<\/b> (Record). O personagem principal dos livros vai se modificando, acompanhando a evolu\u00e7\u00e3o temporal em que os fatos ocorrem &#8211; assim, o autor pode contar com detalhes aspectos culturais, religiosos, pol\u00edticos, tanto dos astecas como de outros povos pr\u00e9-colombianos, a coloniza\u00e7\u00e3o pelos espanh\u00f3is e o reflexo da miscigena\u00e7\u00e3o com os europeus. O interessante \u00e9 que os personagens que narram os eventos s\u00e3o sempre viajantes, o que lhes d\u00e1 a oportunidade de nos oferecer um panorama especial de diferentes regi\u00f5es da Am\u00e9rica Central. Jennings era um apaixonado pela cultura asteca, \u00e0 qual estudou por mais de 12 anos a fim de construir os livros.<\/p>\n<p><b>CLE\u00d3PATRA<\/b> &#8211; outra personagem especial, que ronda nosso imagin\u00e1rio at\u00e9 hoje. As andan\u00e7as de Cle\u00f3patra s\u00e3o narradas de forma singular por Margaret George, nos 3 volumes de <b>Mem\u00f3rias de Cle\u00f3patra<\/b> (Gera\u00e7\u00e3o). Conta as viagens majestosas da grande lenda do Egito, seja pelo pr\u00f3prio pa\u00eds ou mesmo para Roma, quando foi se encontrar com seu grande amor, C\u00e9sar. O romance biogr\u00e1fico mistura realidades hist\u00f3ricas com a imagina\u00e7\u00e3o da autora, uma escritora norte-americana especialista em pesquisas deste tipo. O resultado de tanta pesquisa a transformou na maior escritora de biografias hist\u00f3ricas da atualidade, incluindo tamb\u00e9m as vidas de Henrique VIII, Mary, a rainha da Esc\u00f3cia, e Maria Madalena. O livro sobre Cle\u00f3patra virou best-seller nos Estados Unidos, miniss\u00e9rie de TV pela ABC e j\u00e1 vendeu mais de 100 mil exemplares s\u00f3 no Brasil.<\/p>\n<p><b>CASA DE PAPEL<\/b> &#8211; o pequenino, mas n\u00e3o menos interessante livro do argentino Carlos Maria Dominguez, <b>A Casa de Papel<\/b> (Francis, 104 pg.), nos leva a uma misteriosa aventura liter\u00e1ria pelo interior da Am\u00e9rica do Sul, mais especificamente o Uruguai. Um professor de literatura hisp\u00e2nica de Cambridge se v\u00ea a frente de um mist\u00e9rio: ap\u00f3s a tr\u00e1gica morte de uma colega de universidade &#8211; atropelada enquanto lia um poema de Emily Dickinson &#8211; uma estranha correspond\u00eancia, endere\u00e7ada \u00e0 finada professora, coloca em suas m\u00e3os uma vers\u00e3o de &#8220;A linha da Sombra&#8221;, de Joseph Conrad, incrustada de cimento. O estranho livro leva o professor a viajar em busca de respostas para t\u00e3o curiosa cena. A viagem do professor revela min\u00facias do cotidiano uruguaio e nos leva, tamb\u00e9m, a uma viagem especial pelo mundo da literatura.<\/p>\n<p><b>CL\u00c1SSICO DO ANEL<\/b> &#8211; claro que n\u00e3o poderia ficar de fora o cl\u00e1ssico mundo de Tolkien, em <b>O Senhor dos An\u00e9is<\/b> (Matin Fontes). O mundo m\u00e1gico de magos e elfos e homens e hobbits, e as aventuras de cada grupo de personagens pela Terra-M\u00e9dia nos d\u00e1 um gostoso roteiro para a viagem de f\u00e9rias. Os 3 volumes da trilogia do anel, al\u00e9m do incompar\u00e1vel <b>O Hobbit<\/b> (Martin Fontes), nos fazem passear pela nossa pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o, seja visitando Valfenda (a terra dos elfos), seja enfrentando drag\u00f5es ou uma das batalhas com orcs, seja ainda conhecendo os mist\u00e9rios das florestas e seus inigual\u00e1veis protetores, os Ents. Viajar pela fantasia de Tolkien \u00e9 uma das mais fant\u00e1sticas formas de romper o tempo-espa\u00e7o e conhecer o mundo de nosso pr\u00f3prio imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p><b>LEMBRAN\u00c7AS DE LOANA<\/b> &#8211; e quando nossa viagem precisa ser em nossa pr\u00f3pria mem\u00f3ria? Quando precisamos encontrar em n\u00f3s mesmo as lembran\u00e7as que se perderam? Umberto Eco nos leva pelas trilhas de <b>A Misteriosa Chama da Rainha Loana<\/b> (Record, 456 pg.) e nos ensina a navegar em nosso pr\u00f3prio pensamento. Yambo, personagem central da trama, sofreu um acidente em que perdeu parte da mem\u00f3ria, s\u00f3 mant\u00e9m ativa a chamada mem\u00f3ria sem\u00e2ntica e autom\u00e1tica &#8211; ele sabe tudo que leu sobre Napole\u00e3o ou Julio C\u00e9sar e consegue citar trechos inteiros da Divina Com\u00e9dia &#8211; mas perdeu a mem\u00f3ria afetiva, o que constitui seu ser e sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Assim, a busca de Yambo \u00e9 por suas pr\u00f3prias lembran\u00e7as, de sua esposa e filhas, de sua inf\u00e2ncia, seu primeiro amor, seus pais&#8230; Por recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, ele viaja para a casa que foi de seu av\u00f4, no interior da It\u00e1lia, e onde morou durante a inf\u00e2ncia. L\u00e1, uma nova viagem come\u00e7a a se organizar: por entre os livros e revistas, discos e quinquilharias que o av\u00f4 colecionava, Yambo come\u00e7a uma viagem em busca das lembran\u00e7as de sua vida&#8230;<\/p>\n<p>Ok, sei que tem muito mais. Esses s\u00e3o apenas alguns dos viajantes que a literatura nos oferece. Mas \u00e9 interessante pensar que os viajantes continuam a nos levar consigo em suas viajens, atrav\u00e9s das narrativas dos livros. Seja pela fantasia, pela nossa realidade esquecida, seja ainda pela hist\u00f3ria e pelos lugares, ou mesmo pela literatura. Vijar \u00e9 um previl\u00e1gio&#8230; Aqui, nos livros, ou aqui, na vida.<\/p>\n<p>Pra onde eu vou agora!? \ud83d\ude1b<\/p>\n<p><i>Enquanto Marmota n\u00e3o consegue ler nada em sueco, a s\u00e9rie <b>Col\u00f4nia de F\u00e9rias<\/b> apresenta textos gentilmente preparados por seus amigos, pedindo desde j\u00e1 novas sugest\u00f5es de leitura para enriquecer ainda mais esta lista.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Laura Storch, do blog Risquinhos de Giz Dizem, os grandes pensadores do agora (da nossa \u00e9poca), que vivemos um momento de completa modifica\u00e7\u00e3o da nossa no\u00e7\u00e3o de tempo-espa\u00e7o. 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