{"id":323,"date":"2007-08-30T23:18:02","date_gmt":"2007-08-31T02:18:02","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/meu-futuro-e-ser-um-proto-escritor"},"modified":"2007-08-30T23:18:02","modified_gmt":"2007-08-31T02:18:02","slug":"meu-futuro-e-ser-um-proto-escritor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/meu-futuro-e-ser-um-proto-escritor\/","title":{"rendered":"Meu futuro \u00e9 ser um proto-escritor"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\" \/>Talvez perca alguns pontos com voc\u00ea diante do que pretendo confessar aqui: h\u00e1 uns tr\u00eas anos, comecei a escrever uma s\u00e9rie de hist\u00f3rias. Juntas, poderiam ganhar a forma de um livro. Sem qualquer pretens\u00e3o: cada cap\u00edtulo descreveria, de maneira tragic\u00f4mica, um dos meus relacionamentos amorosos frustrados. Tenho material para uns quinze. J\u00e1 me arrisquei a rascunhar uns seis, e algo me diz que, se a id\u00e9ia fosse mesmo levada a s\u00e9rio, teria que viver mais para escrever uns cem.<\/p>\n<p>Pois esse desejo adolescente passou por um duro golpe assim que eu terminei de ler <b>O Cabotino<\/b>, do <a href=\"http:\/\/www.polzonoff.com.br\" target=\"_blank\"><b>Paulo Polzonoff Jr<\/b><\/a>. Mesmo com a advert\u00eancia inicial sobre o tom das palavras usadas neste manual de &#8220;anti-ajuda&#8221; para escritores, confesso que passei mal. A id\u00e9ia da minha hist\u00f3ria, segundo ele, \u00e9 a mesma de uma centena de indiv\u00edduos med\u00edocres, que est\u00e3o degradando a nossa literatura com suas hist\u00f3rias de vida sem import\u00e2ncia, poesias concretas ou quaisquer textos herm\u00e9ticos absolutamente descart\u00e1veis. Por mais que eu n\u00e3o vislumbre uma noite de aut\u00f3grafos para reunir os amigos e lan\u00e7ar meu modesto livrinho, fui realmente convencido de que meu esfor\u00e7o seria uma tremenda perda de tempo.<\/p>\n<p>Mas eu sou um sujeito persistente. N\u00e3o queria desistir. Corri para a livraria e tratei de pegar um ant\u00eddoto aos conceitos de Polzonoff. Achei um que tem a cara do meu pretenso &#8220;worst seller&#8221;: chama-se <b>Ria da Minha Vida Antes que Eu Ria da Sua<\/b>, de <a href=\"http:\/\/www.riadaminhavida.com.br\" target=\"_blank\"><b>Evandro Daolio<\/b><\/a>. Aten\u00e7\u00e3o para o detalhe que faz toda a diferen\u00e7a: trata-se do volume tr\u00eas, &#8220;A busca de um grande amor&#8221;. Significa dizer que o autor j\u00e1 lan\u00e7ou dois livros que, juntos, re\u00fanem seus trope\u00e7os do dia-a-dia &#8211; o \u00faltimo deles, com mulheres. Uma esp\u00e9cie de &#8220;blog impresso&#8221;, de linguagem direta e coloquial, com o nobre intuito de se tornar uma li\u00e7\u00e3o de vida para n\u00f3s, pobres mortais.<\/p>\n<p>Fico imaginando a rea\u00e7\u00e3o de um lendo o livro do outro. Provavelmente, os dois chorem &#8211; cada qual com suas raz\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>Enfim. Logo nos primeiros cap\u00edtulos, Daolio conta que precisou dar carona para algu\u00e9m que mora &#8220;num lugar horr\u00edvel, onde era preciso cruzar a Radial Leste para chegar&#8221;&#8230; Ou seja, aqui perto da minha casa. Independente dessa falta de respeito aos moradores da periferia, o neg\u00f3cio \u00e9 um sucesso! O cara arrebatou f\u00e3s no pa\u00eds inteiro, vendeu milhares de livros e re\u00fane centenas de admiradores em seus encontros e palestras. Tudo sem usar um pingo de fic\u00e7\u00e3o, apenas contando a verdade.<\/p>\n<p>Mas o que \u00e9, afinal, a verdade? Certa vez, Moacyr Scliar contou outra de suas hist\u00f3rias extraordin\u00e1rias e concluiu, sempre escolhendo as palavras como um bom artista, que a verdade \u00e9 relativa para quem trabalha com a arte de escrever, pois ela surge invariavelmente da imagina\u00e7\u00e3o. Como se um bom escritor fosse, em linhas gerais, um mentiroso com papel e caneta nas m\u00e3os. Mais uma vez, \u00e9 tudo uma quest\u00e3o de palavras&#8230; Sempre elas, as ferramentas de trabalho para a literatura.<\/p>\n<p>Basicamente, isso quer dizer que Polzonoff tem raz\u00e3o. Pessoalmente, estou mais perto do estilo Daolio de escrever, a alguns anos-luz de Moacyr Scliar, onde dificilmente vou cheguar. Talvez me contente em ser apenas um proto-escritor e exportar meu livrinho para um arquivo PDF e espalhar pela Internet, tornando-se ef\u00eamero como a rede para a maioria. Ou com alguma import\u00e2ncia para um incauto qualquer. O esfor\u00e7o j\u00e1 ter\u00e1 sua validade.<\/p>\n<p><i>(Postado em 05\/03\/2004. E quando o PDF sair, esta ser\u00e1 a apresenta\u00e7\u00e3o.)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez perca alguns pontos com voc\u00ea diante do que pretendo confessar aqui: h\u00e1 uns tr\u00eas anos, comecei a escrever uma s\u00e9rie de hist\u00f3rias. Juntas, poderiam ganhar a forma de um livro. Sem qualquer pretens\u00e3o: cada cap\u00edtulo descreveria, de maneira tragic\u00f4mica, um dos meus relacionamentos amorosos frustrados. Tenho material para uns quinze. 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