{"id":321,"date":"2007-08-28T23:03:02","date_gmt":"2007-08-29T02:03:02","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/cinco-polemicas-recorrentes-no-jornalismo-esportivo"},"modified":"2007-08-28T23:03:02","modified_gmt":"2007-08-29T02:03:02","slug":"cinco-polemicas-recorrentes-no-jornalismo-esportivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/cinco-polemicas-recorrentes-no-jornalismo-esportivo\/","title":{"rendered":"Cinco pol\u00eamicas recorrentes no jornalismo esportivo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/top5.gif\" align=\"right\" \/>Sempre vai existir um idiota metido a esperto dizendo que &#8220;essa imprensa esportiva futebol\u00edstica vive da repeti\u00e7\u00e3o das mesmas pautas e enfoques, ao contr\u00e1rio das outras editorias, e por isso \u00e9 um saco&#8221;. Provavelmente essa turma n\u00e3o conhe\u00e7a nenhum torcedor apaixonado, daqueles que imprimem e preenchem tabelas inteiras dos mais variados campeonatos do planeta; assistem aos tradicionais (e \u00e0s vezes enfadonhos, admito) programas de domingo &#8211; daqueles que enchem o saco da emissora quando decidem <a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/esportes\/not_esp34124,0.htm\" target=\"_blank\"><b>tirar a mesa-redonda<\/b><\/a> do ar; mandam cartas e e-mails ao apresentador, rep\u00f3rter, narrador ou comentarista como se fossem amigos de inf\u00e2ncia, lembrando daqueles momentos \u00e1ureos em que tudo era melhor.<\/p>\n<p>Para o bem de quem trabalha no meio, o perfil da imprensa esportiva n\u00e3o \u00e9 o mesmo de dez, vinte anos. Aquele bo\u00eamio que frequentava est\u00e1dios, vesti\u00e1rios e bares na mesma propor\u00e7\u00e3o &#8211; o que culminava com a pecha de &#8220;jornalismo menor&#8221; ou simplesmente &#8220;a esc\u00f3ria&#8221; &#8211; praticamente sumiu das reda\u00e7\u00f5es. Hoje o bom profissional n\u00e3o \u00e9 apenas aquele sujeito que cresceu com a bandeira e a camisa do clube mas nunca teve jeito com a bola. Mas al\u00e9m de acompanhar desde a S\u00e9rie A do Campeonato Brasileiro at\u00e9 o Mundial S\u00eanior de canoagem slalom, tamb\u00e9m l\u00ea poesia, vai ao cinema, se interessa pelo julgamento do mensal\u00e3o ou a crise no mercado subprime norte-americano&#8230; Resumidamente, \u00e9 um sujeito antenado, que saiba contextualizar e interpretar informa\u00e7\u00f5es relevantes.<\/p>\n<p>Sob o olhar de quem consome not\u00edcia esportiva, essa diferen\u00e7a poderia refletir no dia-a-dia, ressaltando a real import\u00e2ncia social do esporte. Mesmo quando temos a chance de abrir os olhos e conhecer o mundo maravilhoso das <a href=\"http:\/\/cavaleirocomsolitaria.blogspot.com\/2007\/08\/viradas-de-mesa.html\" target=\"_blank\"><b>outras modalidades<\/b><\/a> (como foi no Pan h\u00e1 pouco e ser\u00e1 nas Olimp\u00edadas daqui a um ano), ou mesmo quando a imprensa revela o descaso com pol\u00edticas p\u00fablicas e mostra a dura realidade dos poucos (mas bons) exemplos de projetos sociais&#8230; Nada disso \u00e9 capaz de mudar aquilo que realmente vende jornal: o dia-a-dia do seu time, assunto pregui\u00e7osamente simples de se conversar e verdadeiro elo de contato entre qualquer classe social. Afinal, o que \u00e9 mais f\u00e1cil perguntar ao porteiro: &#8220;voc\u00ea viu o que as confedera\u00e7\u00f5es fizeram com a verba da Lei Agnelo-Piva?&#8221; ou &#8220;e o Peix\u00e3o, hein?&#8221;.<\/p>\n<p>Se no dia-a-dia o brasileiro adora dar palpite a respeito dos lances, placares, transfer\u00eancias de jogadores, essas coisas todas que est\u00e3o na pauta de quem est\u00e1 no est\u00e1dio, na rua ou no bar, os debates ficam mais acalorados quando envolve temas mais pol\u00eamicos &#8211; artif\u00edcio usado por muito cronista que n\u00e3o sabe nada, mas sempre d\u00e1 opini\u00e3o. Para alegria dos consumidores apaixonados, os cinco assuntos mais palpitantes (que dificilmente v\u00e3o deixar de aparecer) costumam ser:<\/p>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#5<\/font> <b>Mortes<\/b> &#8211; Infelizmente \u00e9 o tipo de epis\u00f3dio que est\u00e1 se tornando cada vez mais comum. Em 26 de junho de 2003, o camaron\u00eas Marc-Vivien Foe, daos 28 anos, apagou durante a semifinal com a Col\u00f4mbia, pela Copa das Confedera\u00e7\u00f5es daquele ano, na Fran\u00e7a (aquela que o time do Parreira foi eliminado na primeira fase). No dia 27 de outubro de 2004, S\u00e3o Caetano e S\u00e3o Paulo se enfrentavam no Morumbi. O zagueiro Serginho fez o povo brasileiro descobrir o significado da palavra &#8220;desfibrilador&#8221;. Ainda assustados, vimos o h\u00fangaro Miklos Feher, do Benfica, sofrer um problema card\u00edaco diante do Vit\u00f3ria de Guimar\u00e3es, em 25 de janeiro de 2005.<\/p>\n<p>As not\u00edcias envolvendo atletas que morrem em jogos ou treinos de qualquer modalidade, cirurgias como as dos atacantes Washington e Fabr\u00edcio Carvalho ou a do lateral Chiquinho (inclusive com longos afastamentos) costumam acompanhar depoimentos de especialistas sobre preven\u00e7\u00e3o de acidentes, avalia\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas criteriosas, den\u00fancias envolvendo neglig\u00eancia de clubes e est\u00e1dios, quest\u00f5es envolvendo os limites do homem&#8230; Tudo isso deve voltar esta semana, por raz\u00f5es que ningu\u00e9m gosta de saber: neste 28 de agosto de 2007, o futebol viu mais uma v\u00edtima, o espanhol <a href=\"http:\/\/www.marca.com\/edicion\/marca\/futbol\/1a_division\/sevilla\/es\/desarrollo\/1029655.html\" target=\"_blank\"><b>Antonio Puerta<\/b><\/a>, de apenas 22 anos (Tava &#8220;Adriano&#8221;, felizmente o <a href=\"http:\/\/semqueijo.com\" target=\"_blank\"><b>Zeh Oliveira<\/b><\/a> viu a minha mancada. Obrigado!). Salvo gra\u00e7as ao desfibrilador, n\u00e3o resistiu ap\u00f3s tres dias internado.<\/p>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#4<\/font> <b>Cartolagem<\/b> &#8211; Qualquer moleque de doze anos vestindo a camisa de seu time sabe: os clubes aproveitam mal suas marcas, descuidando da imagem em v\u00e1rios aspectos. Torcedor \u00e9 o \u00fanico tipo de consumidor que \u00e9 tratado como gado ao acompanhar seu produto, mas ainda assim continua consumindo. Talvez por conta da in\u00e9rcia (ah, est\u00e1 bom assim) os cartolas simplesmente ignoram qualquer iniciativa para fidelizar aficcionados e capitalizar um bocado.<\/p>\n<p>S\u00e3o poucos os cartolas que buscam se desvencilhar do r\u00f3tulo &#8220;amadores&#8221;. Mas mesmo estes, que tinham tudo para se considerar exemplo, vez ou outra reclamam do regulamento mal feito, mesmo depois de ter assinado. A outra esp\u00e9cie n\u00e3o pensa duas vezes na hora de cometer deslizes: demitem, contratam, apelam para o tapet\u00e3o, entram na justi\u00e7a comum, mudam estatuto, fazem pol\u00edtica&#8230; Ah, os problemas? Deixa pra l\u00e1, o dinheiro do povo que vir\u00e1 pela Timemania vai resolver todos os problemas. Ah, sim: a festa das decis\u00f5es com pouco (ou nenhum) interesse coletivo se repete com muito mais facilidade nos outros esportes.<\/p>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#3<\/font> <b>Viol\u00eancia<\/b> &#8211; Tudo j\u00e1 foi dito e discutido a respeito do assunto. As cores da camisa se transformam na &#8220;p\u00e1tria&#8221;, na &#8220;religi\u00e3o&#8221;, na &#8220;gangue&#8221;&#8230; Enfim, qualquer organiza\u00e7\u00e3o coletiva encontrada com facilidade pode servir de exemplo para a sua pequena, por\u00e9m estrondosa, representa\u00e7\u00e3o da sociedade similar ao de Bagd\u00e1, mas em um est\u00e1dio de futebol. Sejam quais forem os motivos, nenhum deles justifica uma guerra: ideal separatista, petr\u00f3leo, dinheiro&#8230; No caso dos man\u00e9s que saem de casa predispostos a arrumar confus\u00e3o, n\u00e3o existe raz\u00e3o alguma.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, o fim das torcidas organizadas diminuiu as brigas dentro das arquibancadas, mas n\u00e3o acabou com a animosidade dos torcedores. Mais do que isso: a alma das agremia\u00e7\u00f5es permanece viva em algumas escolas de samba oriundas das torcidas, transformando cada Carnaval em um temor. Cen\u00e1rio refor\u00e7ado pela palavra &#8220;impunidade&#8221;, que um dia j\u00e1 foi forte o suficiente para representar alguma atitude. Hoje n\u00e3o passa de demagogia. Talvez sejam necess\u00e1rias dezenas de gera\u00e7\u00f5es reeducadas para que o inimigo eterno torne-se simplesmente advers\u00e1rio durante 90 minutos.<\/p>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#2<\/font> <b>Doping<\/b> &#8211;  Mesmo antes dos atacantes Dod\u00f4, do Botafogo, e Alex Alves, do Juventude, serem enganados por uma empresinha vagabunda que colocava sibutramina em inofensivos rem\u00e9dios para emagrecer (ali\u00e1s, misteriosamente, apenas o primeiro foi absolvido), o esporte sofre com esta praga. Sempre que o tema vem \u00e0 baila, lembro de uma antiga entrevista do m\u00e9dico J\u00falio C\u00e9sar Alves (carinhosamente chamado por alguns de &#8220;Doutor Bem Louco&#8221;) na ESPN Brasil, em 2002.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, disse uma por\u00e7\u00e3o de coisas que deixam qualquer entusiasta do esporte com o cabelo em p\u00e9: quem sobe ao p\u00f3dio em grandes competi\u00e7\u00f5es internacionais est\u00e1 dopado, seja qual for sua nacionalidade. Al\u00e9m do futebol, o atletismo, a nata\u00e7\u00e3o e o ciclismo aparecem com frequi\u00eancia entre as modalidades contaminadas. Ma o doutor Alves vai al\u00e9m: enquanto os sistemas antidopagem evoluem, a &#8220;ind\u00fastria do mal&#8221; acompanha, preparando subst\u00e2ncias proibidas que saem do organismo em poucas horas. Sem falar no doping gen\u00e9tico &#8211; ali\u00e1s, <a href=\"http:\/\/www.interney.net\/blogs\/marmota\/2007\/07\/13\/so_treinos_formam_um_campeao_toliiinho\" target=\"_blank\"><b>j\u00e1 disse isso antes<\/b><\/a>. Ser\u00e1 que, para o Brasil virar pot\u00eancia ol\u00edmpica, s\u00f3 tomando uma?<\/p>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#1<\/font> <b>Arbitragem<\/b> &#8211; Fa\u00e7a uma busca simples usando as palavras <a href=\"http:\/\/www.google.com.br\/search?q=perde+reclama+arbitragem\"><b>perde, reclama e arbitragem<\/b><\/a>. Assustado com a quantidade de ocorr\u00eancias? \u00c9 porque a cada final de semana algu\u00e9m se sente prejudicado. Claro que, do outro lado, os favorecidos continuam quietos. Mas enfim. Not\u00edcias d\u00e3o conta de \u00e1rbitros afastados, prepara\u00e7\u00e3o malfeita, desconcentra\u00e7\u00e3o (com direito a celulares no vesti\u00e1rio do juiz durante o intervalo!), sem falar na bandeirinha que, depois de dois erros grotescos, praticamente foi banida (apesar que a pr\u00f3pria &#8220;se baniu&#8221; ao ajudar o Ian a criar um dos <a href=\"http:\/\/www.interney.net\/blogs\/enloucrescendo\/2007\/07\/10\/ana_paula_oliveira_a_bandeirinha_na_play\" target=\"_blank\"><b>posts de maior audi\u00eancia<\/b><\/a> da Internet brasileira).<\/p>\n<p>Salvo casos absurdos como o esquema envolvendo Ed\u00edlson Pereira de Carvalho (que tirou o leg\u00edtimo t\u00edtulo brasileiro de 2005 das m\u00e3os do Inter), eu tor\u00e7o para que jamais parem de reclamar da arbitragem. Afinal, errar \u00e9 humano, e os erros fazem parte do esporte. Daqui a pouco, a Fifa inventa e estraga a brincadeira, autorizando o uso de c\u00e2meras ou bolas com chip. Ou pior: tratam de ouvir aquele m\u00e9dico espanhol, que certa vez disse que \u00e9 humanamente imposs\u00edvel o ser humano marcar o impedimento corretamente.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, o <a href=\"http:\/\/www.idelberavelar.com\/archives\/2005\/06\/e_a_regra_do_im.php\" target=\"_blank\"><b>Idelber<\/b><\/a> j\u00e1 perguntou uma vez se valia a pena acabar com a lei do impedimento. Na \u00e9poca, lembrei a ele que, quando o v\u00f4lei mudou sua regra b\u00e1sica &#8211; a vantagem deixou de existir, qualquer bola \u00e9 ponto &#8211; os jogos ficaram mais curtos e interessantes para a TV, mas as equipes mudaram seu estilo de jogo: os atletas mais t\u00e9cnicos foram substitu\u00eddos por verdadeiras marretas. Se o impedimento acabar no futebol, os times v\u00e3o jogar com a banheira a seu favor. E vai ser banheira e chuveiro. E a Irlanda ser\u00e1 o pa\u00eds do futebol&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o quero pensar nesse futuro sombrio. Melhor convivermos pacificamente com os amantes das mesas-redondas dominicais, vai.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre vai existir um idiota metido a esperto dizendo que &#8220;essa imprensa esportiva futebol\u00edstica vive da repeti\u00e7\u00e3o das mesmas pautas e enfoques, ao contr\u00e1rio das outras editorias, e por isso \u00e9 um saco&#8221;. 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