{"id":316,"date":"2007-08-23T15:40:25","date_gmt":"2007-08-23T18:40:25","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/um-casorio-muito-louco-parece-nome-de-filme"},"modified":"2007-08-23T15:40:25","modified_gmt":"2007-08-23T18:40:25","slug":"um-casorio-muito-louco-parece-nome-de-filme","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/um-casorio-muito-louco-parece-nome-de-filme\/","title":{"rendered":"Um cas\u00f3rio muito louco (parece nome de filme)"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\" \/>&#8220;Parentes, amigos, todo mundo na Igreja. Os padrinhos entram, bem arrumados. O noivo entra, de bra\u00e7o dado com a m\u00e3e, \u00e0 sua direita. Ele fica \u00e0 frente do altar, ouvimos os primeiros acordes e a noiva entra, com o pai \u00e0 esquerda. Ela usa branco. Os dois trocam votos e alian\u00e7as. Ao final, o noivo lhe d\u00e1 o bra\u00e7o esquerdo. Saem todos da igreja. Os convidados jogam arroz e, no fim da festa, a noiva joga o buqu\u00ea. Parece tudo igual, mas nenhum casamento \u00e9 igual ao outro&#8221;. Foi mais ou menos isso que ouvi esses dias, em uma das cerim\u00f4nias de casamento mais marcantes da minha vida.<\/p>\n<p>Todo mundo deve resgatar facilmente alguma lembran\u00e7a do g\u00eanero. As minhas come\u00e7am aos cinco anos de idade, quando eu banquei o &#8220;daminho de honra&#8221; (daminho \u00e9 bem mais legal que pajem, n\u00e3o?). Teve outra em Curitiba, onde eu cheguei muitas horas antes na cidade e mesmo assim atrasei lamentavelmente, o bastante para perder a cerim\u00f4nia. A mais curiosa e engra\u00e7adinha at\u00e9 ent\u00e3o havia sido uma celebra\u00e7\u00e3o alternativa, onde o ministro (ou gen\u00e9rico) n\u00e3o dizia coisa com coisa &#8211; meus amigos se entreolharam e seguraram o riso quando o sujeito disse &#8220;o amor \u00e9 como um cadinho, que ferve e borbulha&#8230;&#8221;. Cadinho?<\/p>\n<p>Neste epis\u00f3dio, protagonizado pelo casal de amigos Fernando e Cristina, eu fiz minha estr\u00e9ia como padrinho &#8211; por si s\u00f3, raz\u00e3o suficiente para guardar a noite na mem\u00f3ria. Responsabilidade que me fez armar um verdadeiro esquema para n\u00e3o me atrasar: tratava-se do \u00faltimo s\u00e1bado de julho, e eu estava enrolado com a cobertura do pen\u00faltimo dia dos Jogos Pan-americanos (sabidamente um dos mais intensos, definitivamente a dupla escolheu a dedo o dia perfeito). Tive que &#8220;fugir sorrateiramente&#8221; no meio da tarde, \u00e0 paisana, para me padronizar naquele luxuoso (e alugado) estilo de primeira grandeza.<\/p>\n<p>Milagrosamente, apesar de um ou dois percal\u00e7os (ah, o maldito n\u00f3 da gravata), o esquema funcionou como um rel\u00f3gio su\u00ed\u00e7o: cumprimentei o noivo pontualmente no hor\u00e1rio que combinamos. Rapidamente, conheci a mo\u00e7a que entraria comigo na Igreja: uma grande (e linda) amiga da noiva. Provavelmente eu s\u00f3 v\u00e1 compartilhar a companhia de algu\u00e9m assim no dia do meu casamento &#8211; em tempo, certamente n\u00e3o vai ser com ela.<\/p>\n<p>Minutos depois, enquanto os instrumentistas da Catedral Anglicana ensaiavam\/acalmavam os convidados ao som de Allegria, do Cirque du Soleil, ou at\u00e9 mesmo Who Wants to Live Forever, do Queen (!!!), o mestre de cerim\u00f4nias posicionava os casais de padrinhos para o primeiro (e \u00fanico) ensaio geral. &#8220;Os homens seguram as mulheres pelo bra\u00e7o direito, e permanecem assim at\u00e9 o fim. Os casais da noiva se posicionam, do fim para o come\u00e7o do altar, \u00e0 esquerda. Os do noivo ficam \u00e0 direita. D\u00favidas?&#8221;. Ah, moleza.<\/p>\n<p>&#8220;Mas&#8230; Esperem, n\u00e3o est\u00e1 faltando gente?&#8221;. Sim, duas madrinhas a menos. \u00c9 absolutamente normal algu\u00e9m chegar tarde, e os \u00fanicos atrasos dignos de manchete s\u00e3o o dos noivos ou o do padre. Enfim, bom para a orquestra mostrar todo o seu repert\u00f3rio. &#8220;Daqui a pouco eles v\u00e3o emendar com Faroeste Caboclo e Light My Fire, que \u00e9 pra dar bastante tempo&#8221;, sugeri. Naquela altura, os organizadores do evento j\u00e1 deviam estar irritad\u00edssimos: a celebra\u00e7\u00e3o dos meus amigos era apenas a segunda da noite, e aquilo fatalmente influenciaria as outras cerim\u00f4nias.<\/p>\n<p>Pouco mais de meia hora at\u00e9 que, finalmente, surgiram as duas mo\u00e7as, al\u00e9m da m\u00e3e do noivo. Ufa. Aquela correria b\u00e1sica at\u00e9 o mestre de cerim\u00f4nias dar o sinal verde. Antes da noiva entrar, mais uma inova\u00e7\u00e3o protagonizada pelos m\u00fasicos: a cl\u00e1ssica marcha foi precedida pelos famosos acordes de Assim falou Zarathustra, de Richard Strauss, eternizados no filme 2001: Uma Odiss\u00e9ia no Espa\u00e7o. Meu amigo Ricardo aproveitou a deixa para interpretar a descoberta do fogo, ali mesmo. Como aquela noite estava muito fria, aquilo foi perfeito para quebrar o gelo.<\/p>\n<p>Com o casal devidamente posicionado, noivos, padrinhos e convidados foram apresentados ao reverendo Aldo Pereira Quint\u00e3o, uma das figuras mais carism\u00e1ticas e alegres que j\u00e1 conheci. Sentimos o tom da cerim\u00f4nia logo nas suas primeiras frases. &#8220;\u00c9 com alegria que estamos reunidos aqui, nesta noite, para celebrar a uni\u00e3o deste casal. Como todos n\u00f3s admiramos e respeitamos estes dois filhos de Deus, \u00e9 bom que todos os celulares estejam desligados!&#8221;. Pelos barulhinhos eletr\u00f4nicos vindos da plat\u00e9ia, o aviso surtiu efeito.<\/p>\n<p>Mesmo enquanto explicava a simbologia envolvendo padrinhos, noivos, vestido branco, alian\u00e7as, arroz, buqu\u00ea e outras informa\u00e7\u00f5es relevantes ao matrim\u00f4nio, o simp\u00e1tico vig\u00e1rio alternava tiradas espirituosas com estocadas ao <a href=\"http:\/\/www.beautystudiok.com.br\" target=\"_blank\"><b>Studio K<\/b><\/a>, sal\u00e3o de cabeleireiro respons\u00e1vel pelos atrasos. Vieram ent\u00e3o os &#8220;daminhos&#8221; &#8211; um deles, no alto de seus quatro anos, estava mais bem vestido que eu. Roubou a cena ao n\u00e3o sair do altar: teimou em ficar ao lado da m\u00e3e e, diante das negativas, decidiu &#8220;reinar&#8221; atr\u00e1s do reverendo, como se nada estivesse acontecendo. Adorei ele.<\/p>\n<p>Toda a praxe religiosa relacionada ao j\u00e1 esperado &#8220;sim&#8221; j\u00e1 havia terminado, quando o p\u00e1roco lembra n\u00e3o apenas ao casal, mas tamb\u00e9m aos presentes, que o mais importante na vida \u00e9 o amor. Sentimento que n\u00e3o pode apagar jamais, seja nos bons ou maus momentos. &#8220;Imaginem os dois, dentro de alguns anos, em sua cama. Ele assistindo TV, ignorando a presen\u00e7a dela. A mulher resolve se virar e dormir, at\u00e9 que sente a m\u00e3o de seu marido passeando por seu corpo. Ela se entusiasma, e at\u00e9 imagina que a noite ser\u00e1 diferente. Nesse momento rom\u00e2ntico, ele diz: querida, pode me dar licen\u00e7a um minutinho, estou procurando o controle remoto&#8230;&#8221;, exemplificou.<\/p>\n<p>Obviamente, o encerramento n\u00e3o poderia ser diferente. &#8220;Antes de irmos em paz, alguns avisos. Este casal que tanto prezo dever\u00e1 receber todos voc\u00eas em uma recep\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o fui convidado, mas tudo bem. Pe\u00e7o por gentileza para que os cumprimentos aos noivos sejam feitos l\u00e1. Mais do que isso, sejam \u00e1geis ao deixar o estacionamento da Catedral, para que os convidados da pr\u00f3xima cerim\u00f4nia possam chegar tranquilamente. E lembrem-se: nunca mais Studio K. E que o Senhor vos acompanhe&#8221;.<\/p>\n<p>E que os noivos sejam muito felizes. Am\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Parentes, amigos, todo mundo na Igreja. Os padrinhos entram, bem arrumados. O noivo entra, de bra\u00e7o dado com a m\u00e3e, \u00e0 sua direita. Ele fica \u00e0 frente do altar, ouvimos os primeiros acordes e a noiva entra, com o pai \u00e0 esquerda. Ela usa branco. Os dois trocam votos e alian\u00e7as. Ao final, o noivo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-316","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-e-eu-uma-pedra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=316"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=316"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=316"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=316"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}