{"id":285,"date":"2007-07-23T23:38:18","date_gmt":"2007-07-24T02:38:18","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/lanca-cuba-lanca-quero-ver-cuba-lancar"},"modified":"2007-07-23T23:38:18","modified_gmt":"2007-07-24T02:38:18","slug":"lanca-cuba-lanca-quero-ver-cuba-lancar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/lanca-cuba-lanca-quero-ver-cuba-lancar\/","title":{"rendered":"Lan\u00e7a, Cuba, Lan\u00e7a! Quero ver Cuba lan\u00e7ar!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pan.jpg\" align=\"right\" \/>Em busca da ilus\u00f3ria segunda posi\u00e7\u00e3o no quadro de medalhas dos Jogos Pan-americanos (nem \u00e9 preciso dizer que os colegiais que vieram dos EUA ser\u00e3o os primeiros), o Brasil adotou Cuba como sendo a pedra no sapato. Para come\u00e7o de conversa: n\u00e3o fosse a amarelada da sele\u00e7\u00e3o de v\u00f4lei feminina, o Brasil teria nesta segunda-feira 30 medalhas de ouro, contra 29 de Cuba. O n\u00famero \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio, e \u00e0 medida em que os cubanos avan\u00e7arem no boxe, nas lutas e no atletismo, o Brasil jamais conseguir\u00e1 alcan\u00e7\u00e1-los.<\/p>\n<p>Outras decis\u00f5es entre Brasil e Cuba no Pan foram capazes de elevar os caribenhos ao patamar de &#8220;argentinos dos esportes ol\u00edmpicos&#8221;. A maior entre as palha\u00e7adas foi vista <a href=\"http:\/\/pan2007.globo.com\/PAN\/Noticias\/0,,MUL75199-3855,00.html\" target=\"_blank\"><b>no \u00faltimo dia do jud\u00f4<\/b><\/a>: inconformada com a vit\u00f3ria da cubana Sheila Espinosa sobre a brasileira Erika Miranda, a torcida reativou a rixa atirando copos e pap\u00e9is em dire\u00e7\u00e3o ao tatame, revoltando alguns ilustres cubanos. O bate-boca culminou com uma briga nas arquibancadas envolvendo personalidades como a ex-jogadora de v\u00f4lei (e barraqueira) Regla Torres e o tricampe\u00e3o ol\u00edmpico de boxe Te\u00f3filo Stevenson &#8211; s\u00f3 mesmo o Aur\u00e9lio Miguel para juntar coragem de apartar uma confus\u00e3o envolvendo um pugilista. No fim da hist\u00f3ria, os judocas brasileiros (que nada tinham a ver com isso) pediram calma, viram Jo\u00e3o Derly faturar o ouro e entraram de m\u00e3os dadas com os cubanos, pondo fim \u00e0 lenga-lenga.<\/p>\n<p>Tirando uma ou outra atleta cubana do v\u00f4lei, que n\u00e3o consegue jogar tanto quanto sabe provocar, essa rivalidade \u00e9 uma grande bobagem. At\u00e9 porque, os brasileiros deviam era aprender com Cuba a ser uma pot\u00eancia esportiva.<\/p>\n<p><font color=\"#F26A00\"><b>Hasta La Victoria, Siempre<\/b><\/font> &#8211; Uma ressalva \u00e9 necess\u00e1ria antes que algum engra\u00e7adinho venha dizer que estou defendendo o socialismo. \u00c9 \u00f3bvio que o esporte em Cuba, que viu sua ascens\u00e3o cerca de dez anos ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o, em 1959, tem um lado que n\u00e3o pode ser ignorado: sua import\u00e2ncia como instrumento pol\u00edtico &#8211; n\u00e3o foi \u00e0 toa que Fidel Castro garantiu educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e esporte de qualidade aos cidad\u00e3os. O modelo cubano funcionou, digamos, sem ressalvas at\u00e9 o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, grande respons\u00e1vel pelo financiamento do regime comunista. O fasc\u00ednio exercido pelo capitalismo faz com que muitos atletas cubanos larguem a equipe em busca de profissionalismo e melhores condi\u00e7\u00f5es &#8211; s\u00f3  no Rio 2007, dois pugilistas, um jogador de handebol e um treinador de gin\u00e1stica desertaram, pedindo abrigo no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A &#8220;propaganda comunista&#8221; n\u00e3o deixa de estar errada. Na ilha, a elite esportiva \u00e9 reconhecida pela popula\u00e7\u00e3o recebe sal\u00e1rios mais altos (isso faz uma diferen\u00e7a enorme em Cuba). Mas a vis\u00e3o de que o esporte provoca efeito imediato na moral cubana, refor\u00e7ando sua postura nacionalista, poderia ser aplicada, guardadas \u00e0s devidas propor\u00e7\u00f5es, em nossa realidade: antes de formar campe\u00f5es ol\u00edmpicos em centros de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica especiais, a prioridade \u00e9 garantir o direito de qualquer cidad\u00e3o praticar esportes.<\/p>\n<p>O fato da garotada brincar na rua de futebol, basquete ou, na grande maioria, beisebol j\u00e1 faz parte da cultura local cubana. Todos est\u00e3o envolvidos com esporte, seja por simples recrea\u00e7\u00e3o, seja por pura competitividade, para serem cidad\u00e3os melhores. E aqui, quais s\u00e3o os exemplos das nossas crian\u00e7as? Jogadores de futebol, \u00e9 claro, assediados por empres\u00e1rios antes mesmo de sa\u00edrem das fraldas. O problema n\u00e3o est\u00e1 em ganhar dinheiro como atleta profissional (\u00f3bvio que isso \u00e9 bom), mas sim em contar com os ovos antes da galinha trabalhar. Como se uma cultura poliesportiva forte, baseada em um envolvimento coletivo desde a base, n\u00e3o contribu\u00edsse em nada para um potencial contrato de patroc\u00ednio e em benesses particulares&#8230;<\/p>\n<p>Enfim. N\u00e3o sei o que \u00e9 mais dif\u00edcil: um modelo de desenvolvimento do esporte aliado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade no Brasil ou um modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico aliado ao atual regime pol\u00edtico em Cuba.<\/p>\n<p><font color=\"#F26A00\"><b>Radical, Rebelde, Revolucion\u00e1rio<\/b><\/font> &#8211; O livro Sport in Cuba &#8211; The Diamond in the Rough, da norte-americana Paula Pettavino (<a href=\"http:\/\/www.pbs.org\/stealinghome\/sport\/diamond.html\" target=\"_blank\"><b>alguns trechos aqui<\/b><\/a>, qualquer hora devo encomendar na Amazon) deve trazer uma ou outra explica\u00e7\u00e3o pertinente. Ela viveu cinco anos no pa\u00eds em fun\u00e7\u00e3o de sua tese de doutorado, que confronta o desempenho cubano em competi\u00e7\u00f5es esportivas com o sistema pol\u00edtico da ilha. Mas \u00e9 poss\u00edvel dispensar a literatura acad\u00eamica para entender o que se passa por l\u00e1 &#8211; <a href=\"http:\/\/liberallibertariolibertino.blogspot.com\" target=\"_blank\"><b>Alex Castro<\/b><\/a> que o diga.<\/p>\n<p>Eu sempre digo, em tom de brincadeira, que &#8220;preciso visitar Cuba antes que acabe&#8221;. Minha vontade s\u00f3 aumentou quando vi, por alto, algumas das cr\u00f4nicas (recheadas de imagens) escritas pelo Alex em seu <a href=\"http:\/\/radicalrebelderevolucionario.blogspot.com\" target=\"_blank\"><b>Radical Rebelde Revolucion\u00e1rio<\/b><\/a>. N\u00e3o \u00e9 um tratado pol\u00edtico\/social, muito menos um guia tur\u00edstico: s\u00e3o hist\u00f3rias deliciosas de pessoas pobres, por\u00e9m cultas, que n\u00e3o enxergam a vida com uma postura de esquerda ou de direita. \u00c9 a vida deles, ponto final.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o consegui ler como gostaria, mas logo nas primeiras linhas, uma ressalva sensacional: s\u00e3o textos baseados em sensa\u00e7\u00f5es absorvidas em uma imers\u00e3o de um m\u00eas em Cuba. Portanto, tudo que est\u00e1 escrito \u00e9 fic\u00e7\u00e3o &#8211; como parece ser a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da \u00faltima na\u00e7\u00e3o socialista do globo. Afinal, &#8220;se tivessem o m\u00ednimo de bom senso, saberiam que a hist\u00f3ria de Cuba \u00e9 imposs\u00edvel demais para ser verdade&#8221;.<\/p>\n<p>Quer outro motivo para descobrir Cuba sob o olhar inteligente e ir\u00f4nico do Alex? Em 155 p\u00e1ginas, n\u00e3o existe uma \u00fanica refer\u00eancia a esportes. \u00c9 tudo o que voc\u00ea precisa para fugir da overdose pan-americana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em busca da ilus\u00f3ria segunda posi\u00e7\u00e3o no quadro de medalhas dos Jogos Pan-americanos (nem \u00e9 preciso dizer que os colegiais que vieram dos EUA ser\u00e3o os primeiros), o Brasil adotou Cuba como sendo a pedra no sapato. 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