{"id":275,"date":"2007-07-13T23:18:44","date_gmt":"2007-07-14T02:18:44","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/so-treinos-formam-um-campeao-toliiinho"},"modified":"2007-07-13T23:18:44","modified_gmt":"2007-07-14T02:18:44","slug":"so-treinos-formam-um-campeao-toliiinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/so-treinos-formam-um-campeao-toliiinho\/","title":{"rendered":"S\u00f3 treinos formam um campe\u00e3o? Toliiinho&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/ee.gif\" align=\"right\" \/>A primeira vez que lembro ter acompanhado uma edi\u00e7\u00e3o das Olimp\u00edadas foi em 1988. Ano em que duas grandes figuras do atletismo brilharam em Seul: Ben Johnson e Florence Griffith Joyner. O primeiro derrotou Carl Lewis na final dos 100m rasos, marcando o recorde mundial de 9s79. A segunda faturou tr\u00eas medalhas de ouro com uma facilidade assustadora.<\/p>\n<p>Pos \u00e9. Com Ben Johnson ouvi falar, pela primeira vez, em ester\u00f3ides anabolizantes. E Florence, que faleceu dez anos depois v\u00edtima de complica\u00e7\u00f5es card\u00edacas, provocou uma constata\u00e7\u00e3o imediata, ainda que jamais provada, no imagin\u00e1rio popular: &#8220;a mulher tava dopada&#8221;.<\/p>\n<p>Foram os dois primeiros casos que conheci, mas longe de ser os pioneiros do assunto: mesmo na Gr\u00e9cia antiga, os atletas usavam todo tipo de estimulante poss\u00edvel para se dar bem. E acreditem: a coisa n\u00e3o tinha o menor controle na maioria das modalidades at\u00e9 a d\u00e9cada de 70, quando come\u00e7aram os primeiros testes antidoping.<\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00ed, a ind\u00fastria das drogas j\u00e1 estava quil\u00f4metros a frente. Tanto que s\u00f3 anos mais tarde, durante a Volta da Fran\u00e7a de 1998, \u00e9 que o doping atingiu o status de esc\u00e2ndalo. Naquele ano, a tradicional prova cicl\u00edstica foi rebatizada de &#8220;volta da vergonha&#8221;, por conta das subst\u00e2ncias encontradas entre os participantes.<\/p>\n<p>No ano seguinte, a guerra contra o doping estava oficialmente declarada, com a cria\u00e7\u00e3o da <a href=\"http:\/\/www.wada-ama.org\" target=\"_blank\"><b>Ag\u00eancia Mundial Antidoping, a WADA<\/b><\/a>, \u00f3rg\u00e3o independente que regulamenta a utiliza\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias e co\u00edbe meios il\u00edcitos para burlar o fisco. Coisas como estimulantes, anabolizantes, horm\u00f4nios, diur\u00e9ticos, narc\u00f3ticos, entre outras paradas.<\/p>\n<p>Ocorre que a ind\u00fastria do mal continua bem a frente&#8230; Ta\u00ed o laborat\u00f3rio Balco que n\u00e3o nos deixa mentir. Os californianos prometiam transformar um atleta meia-boca num fora de s\u00e9rie. Entre outros Tim Montgomery e sua esposa Marion Jones teriam feito, supostamente, o tal tratamento para se transformarem em fen\u00f4menos do atletismo norte-americano.<\/p>\n<p>At\u00e9 que, num belo dia de junho em 2003, um pesquisador recebeu um pacote sem remetente. Quando abriu, descobriu uma seringa com tetrahidrogestrinona, ou simplesmente THG. Era um tipo de ester\u00f3ide desconhecido, n\u00e3o detect\u00e1vel em testes. Novo esc\u00e2ndalo mundial, que coincide &#8220;misteriosamente&#8221; com o <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/esporte\/ult92u77818.shtml\" target=\"_blank\"><b>fracasso retumbante do casal<\/b><\/a> na seletiva para Atenas.<\/p>\n<p>S\u00e3o casos assim que transformam a <a href=\"http:\/\/www.gazetaesportiva.net\/almanaque\/outros\/retrospectiva\/2003\/esportes\/rep010.htm\" target=\"_blank\"><b>luta contra o doping<\/b><\/a> no esporte numa esp\u00e9cie de &#8220;cruzada ing\u00eanua&#8221;: parece imposs\u00edvel atingir limites usando apenas m\u00e9todos normais, como alimenta\u00e7\u00e3o adequada e treinos constantes. O m\u00e9dico J\u00falio C\u00e9sar Alves declarou certa vez, em entrevista \u00e0 ESPN Brasil: todo campe\u00e3o \u00e9 dopado, e o Brasil s\u00f3 vai se dar bem quando souber lidar com todas as qu\u00edmicas. Isso sem falar no futuro, quando a engenharia gen\u00e9tica ser\u00e1 capaz de &#8220;fabricar&#8221; super-homens.<\/p>\n<p>E algu\u00e9m ainda acha que o importante \u00e9 competir? Talvez o importante mesmo seja encontrar uma forma de varrer a sujeira para, quem sabe, enxergarmos gra\u00e7a no esporte&#8230;<\/p>\n<p><i>(Postado em 16\/07\/2004)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira vez que lembro ter acompanhado uma edi\u00e7\u00e3o das Olimp\u00edadas foi em 1988. Ano em que duas grandes figuras do atletismo brilharam em Seul: Ben Johnson e Florence Griffith Joyner. O primeiro derrotou Carl Lewis na final dos 100m rasos, marcando o recorde mundial de 9s79. 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