{"id":261,"date":"2007-06-29T23:00:29","date_gmt":"2007-06-30T02:00:29","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/os-eternos-bichinhos-do-seu-armando"},"modified":"2007-06-29T23:00:29","modified_gmt":"2007-06-30T02:00:29","slug":"os-eternos-bichinhos-do-seu-armando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/os-eternos-bichinhos-do-seu-armando\/","title":{"rendered":"Os eternos bichinhos do Seu Armando"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\" \/>Era um final de expediente como outro qualquer. Nossa turma de amigos est\u00fapidos (que hoje, infelizmente, se v\u00ea raramente) bebericava e beliscava acepipes em uma das mesas do complexo de bares da &#8220;Prainha Paulista&#8221; &#8211; aqueles que a gente acaba se acostumando, apesar dos apuros no atendimento.<\/p>\n<p>Entre tantos personagens corriqueiros, como pedintes e vendedores, um sempre aparecia por ali: Armando Rafael Colacioppo, o Seu Armando. Um simp\u00e1tico tiozinho de barba grisalha, roupas leves e uma pequena bolsa tipo carteiro, repleta de bonequinhos de feltro, feitos pela esposa, a Dona Vera. Era uma figura popular\u00edssima tanto ali quanto em outros bares da capital, especialmente na Vila Madalena.<\/p>\n<p>Mas naquele momento, n\u00e3o est\u00e1vamos muito dispostos a comprar um dos bonequinhos dele. Quando ele apareceu, tratou de come\u00e7ar seu ritual: tirar um bichinho por vez, apresent\u00e1-los e concluir o papo com seu bord\u00e3o &#8220;compra um?&#8221;. Os mais populares eram a Cobrinha Azul, o Z\u00e9 Celso, a Bruxinha, o P\u00e1ssaro do Novo Mil\u00eanio, a Dorot\u00e9ia, o Marciano Er\u00f3tico&#8230; Desta vez, ele tratou de apresentar o Elefante.<\/p>\n<p>&#8211; Elefante? J\u00e1 bastam os que est\u00e3o nessa mesa &#8211; disse um dos &#8220;pesados&#8221; amigos.<\/p>\n<p>Era para ser uma piadinha boba, mas aquilo enfureceu o Seu Armando &#8211; eu nunca o tinha visto t\u00e3o irritado. Emendou com um discurso pesad\u00edssimo, sobre pessoas que trabalham honestamente, e que n\u00e3o precisam ficar ouvindo coment\u00e1rios burgueses, de pessoas que n\u00e3o d\u00e3o a m\u00ednima para valores b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>Foram longos segundos cabisbaixos, s\u00e9rios, sem ter muito o que falar at\u00e9 Seu Armando ir embora. Naquela altura, imagin\u00e1vamos que ele sempre lembraria daquela noite horrorosa, e sempre nos interpelaria com alguma mensagem politizada, ridicularizando nossa insignific\u00e2ncia&#8230;<\/p>\n<p>Que nada. Semanas depois, l\u00e1 estava ele, inspirado e alegre e sorridente como sempre. Nem lembrava dos elefantes que estavam naquela mesa.<\/p>\n<p>Talvez por ter ficado com aquela imagem, tratei de comprar um Snoopy do Seu Armando. Nos \u00faltimos anos, ainda comprei um pinguim e um saci. Cinco reais cada um. Est\u00e3o todos em lugar privilegiado da casa &#8211; mais do que uma simples valoriza\u00e7\u00e3o de seu trabalho, era praticamente um pedido de desculpas velado pelo epis\u00f3dio do elefante.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/armando300607.jpg\" align=\"right\" \/>Nas \u00faltimas vezes que encontrei com Seu Armando na regi\u00e3o da Paulista, celebrava com ele a <a href=\"http:\/\/www.guiadavila.com\/materias2.asp?edicao=113&amp;materia=580\" target=\"_blank\"><b>entrevista concedida<\/b><\/a> ao Guia da Vila, ao lado de sua esposa. Tamb\u00e9m comemorava com alegria o crescimento da comunidade <a href=\"http:\/\/www.orkut.com\/Community.aspx?cmm=710473\"><b>Compra Um<\/b><\/a> do Orkut, onde ele mesmo <a href=\"http:\/\/www.orkut.com\/Profile.aspx?uid=18003019996436161759\"><b>mantinha seu perfil<\/b><\/a> e participava, de vez em nunca.<\/p>\n<p>Essa semana, <a href=\"http:\/\/sampaist.com\/2007\/06\/29\/compra_um.php\" target=\"_blank\"><b>recebi uma not\u00edcia triste<\/b><\/a>. Era o fim de mais uma noite vendendo seus bonequinhos, quando Seu Armando passou mal. Talvez tenha levado algum tempo at\u00e9 ser atendido, ou simplesmente o infarto veio num momento ingrato, mas determinado pelo destino.<\/p>\n<p>Agora, a Cobrinha Azul e seus companheiros se transformaram em uma hist\u00f3ria. Talvez num boteco, l\u00e1 na frente, a gente o encontre com seus bichinhos.<\/p>\n<p><b>Atualizado:<\/b> Tem mais homenagens <a href=\"http:\/\/symondays.blogspot.com\/2007\/06\/por-que-s-os-bons-por-que.html\" target=\"_blank\"><b>aqui<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/brigadeirotobias.blogspot.com\/2007\/06\/compra-um.html\" target=\"_blank\"><b>aqui<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/sodoiquandoeurio.blogspot.com\/2007\/06\/o-anjo-guerreiro-da-noite.html\" target=\"_blank\"><b>aqui<\/b><\/a> e <a href=\"http:\/\/bluenoir.blogspot.com\/2007\/06\/o-armando.html\" target=\"_blank\"><b>aqui<\/b><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era um final de expediente como outro qualquer. Nossa turma de amigos est\u00fapidos (que hoje, infelizmente, se v\u00ea raramente) bebericava e beliscava acepipes em uma das mesas do complexo de bares da &#8220;Prainha Paulista&#8221; &#8211; aqueles que a gente acaba se acostumando, apesar dos apuros no atendimento. 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