{"id":258,"date":"2007-06-26T23:14:34","date_gmt":"2007-06-27T02:14:34","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/como-e-duro-trabalhar-na-selva"},"modified":"2007-06-26T23:14:34","modified_gmt":"2007-06-27T02:14:34","slug":"como-e-duro-trabalhar-na-selva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/como-e-duro-trabalhar-na-selva\/","title":{"rendered":"Como \u00e9 duro trabalhar na selva"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\" \/>&#8220;Cara, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 bem. E d\u00e1 pra ver pelo seu blog&#8221;, disse hoje um amigo, preocupado com o relaxo deste espa\u00e7o. &#8220;N\u00e3o tem como enganar: para cada texto simpl\u00f3rio in\u00e9dito, voc\u00ea republica quatro! E o que era aquela <a href=\"http:\/\/www.interney.net\/blogs\/marmota\/2007\/06\/25\/piada_de_loira_ao_vivo\" target=\"_blank\"><b>piadinha cretina e sem gra\u00e7a<\/b><\/a> de ontem? Ainda que fosse nova, mas era mais um dos seus calhaus!&#8221;, argumentou com veem\u00eancia, entrando para o cada vez mais popular TCCM (Todos Contra o Calhau do Marmota). Ele tem raz\u00e3o: como todo blog, ele reflete exatamente o pensamento e o estado de esp\u00edrito de seu autor. No meu caso, tanto o primeiro quanto o segundo exibem o r\u00f3tulo &#8220;exausto&#8221;.<\/p>\n<p>Tudo porque, gra\u00e7as a alguns motivos particulares (entre eles o carro na oficina por tempo indeterminado), eu me obriguei a uma experi\u00eancia s\u00f3cio-biol\u00f3gica, que j\u00e1 completou dez dias: depois de algumas dezenas de meses, optei por trabalhar cedo. Ao contr\u00e1rio do que eu imaginava, meu &#8220;c\u00e9lebro&#8221; seguiu o coro das &#8220;minhas junta&#8221;, reclamando sistematicamente e exigindo o retorno imediato das manh\u00e3s em ritmo lento e tardes e noites no auge criativo. Qualquer hora dessas eu desperto &#8211; se bem que, antes disso, vai ser preciso dormir muito.<\/p>\n<p>Digo que foi uma rea\u00e7\u00e3o org\u00e2nica inesperada porque j\u00e1 cumpri essa rotina diversas vezes na vida. A pior das fases foi durante os primeiros anos da Escola T\u00e9cnica Federal, onde a primeira aula come\u00e7ava as sete &#8211; foram tr\u00eas anos acordando as 4h30, somados a outros longos per\u00edodos cruzando as l\u00e9guas que separam minha casa da civiliza\u00e7\u00e3o no fim da madrugada. Desta vez, passo manh\u00e3s e tardes tentando me reanimar \u00e0 base de \u00e1gua no rosto e doses de caf\u00e9. Claro que, \u00e0 noite, n\u00e3o sobra muita coisa.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio <a href=\"http:\/\/www.fiapodejaca.com.br\" target=\"_blank\"><b>Tuca<\/b><\/a>, quando nos vimos ap\u00f3s a estr\u00e9ia do <a href=\"http:\/\/www.interney.net\/blogs\/filmesdochico\/2007\/06\/25\/quarteto_fantastico_e_o_surfista_pratead\" target=\"_blank\"><b>Quarteto Fant\u00e1stico e o Surfista Prateado<\/b><\/a> na \u00faltima quinta, estranhou ao me ver indo embora de fininho, sem sugerir qualquer encontrinho r\u00e1pido ao fim da noite. &#8220;Quem diria, hein? Dif\u00edcil imaginar aquele cara animado, que conversa por horas noite adentro, pudesse ficar nesse estado&#8221;. Ser\u00e1 a idade?<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o reclama, seu moleque&#8230; Voc\u00ea \u00e9 um guri novo, na flor da juventude. E tem mais, todo mundo trabalha nesse hor\u00e1rio&#8221;, bradou a minha m\u00e3e, enquanto engolia o caf\u00e9 dias atr\u00e1s. Pois a\u00ed \u00e9 que mora o grande problema: \u00e9 todo mundo ao mesmo tempo. Com raras exce\u00e7\u00f5es, o pobre coitado que n\u00e3o tem por onde escapar do tr\u00e2nsito atravessa densos oceanos de ve\u00edculos cuja mar\u00e9 \u00e9 determinada por motociclistas engra\u00e7adinhos, motoristas estressados ou caminhoneiros despreparados.<\/p>\n<p>J\u00e1 quem opta pelo transporte coletivo encontra grandes amontoados em \u00f4nibus, metr\u00f4 e trens pretensamente expressos &#8211; como suportar a agonia entre o Br\u00e1s e a Luz? S\u00e3o corredores, catracas, escadas rolantes e plataformas (que mais parecem bretes para conten\u00e7\u00e3o de gado) tomadas por uma quantidade intermin\u00e1vel de povo mal-educado &#8211; desde o boboca que ignora o aviso de &#8220;assento preferencial&#8221; at\u00e9 o apressado-empurrador-de-gente-indefesa, passando pelo estressadinho que n\u00e3o perde a chance de usar a frase &#8220;n\u00e3o reclama e pega um t\u00e1xi&#8221;.<\/p>\n<p>Eu at\u00e9 admito que eu estou ficando ranzinza cedo demais. Posso at\u00e9 comparar esse estado semi-let\u00e1rgico com aquela sensa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-estr\u00e9ia na academia de gin\u00e1stica: seu corpo acostuma depois de algumas semanas, mas na primeira oportunidade, dizemos &#8220;basta&#8221;. Mas n\u00e3o h\u00e1 como negar que o sistema de transportes est\u00e1 no limite, sempre na beira do caos. E por mais que seja totalmente necess\u00e1rio, ou que o dia-a-dia nos fa\u00e7a dizer &#8220;ah, n\u00e3o tem outro jeito&#8221;, isso n\u00e3o \u00e9 vida.<\/p>\n<p>\u00c9 como se milhares de pessoas fossem processadas diariamente em uma centr\u00edfuga, sendo despejadas em pontos diversos da cidade como se estiv\u00e9ssemos na selva. S\u00e3o todos her\u00f3is, mas que amanh\u00e3 podem ganhar um epit\u00e1fio do g\u00eanero &#8220;sempre levando a vida, at\u00e9 que um dia a levaram&#8221;. Credo, nem \u00e9 bom pensar nessas coisas. Vou parar de falar bobagem e pegar mais um caf\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Cara, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 bem. E d\u00e1 pra ver pelo seu blog&#8221;, disse hoje um amigo, preocupado com o relaxo deste espa\u00e7o. &#8220;N\u00e3o tem como enganar: para cada texto simpl\u00f3rio in\u00e9dito, voc\u00ea republica quatro! E o que era aquela piadinha cretina e sem gra\u00e7a de ontem? 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