{"id":257,"date":"2010-06-11T10:32:58","date_gmt":"2010-06-11T13:32:58","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/meus-cinco-jogos-de-abertura-da-copa"},"modified":"2010-06-11T10:32:58","modified_gmt":"2010-06-11T13:32:58","slug":"meus-cinco-jogos-de-abertura-da-copa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/meus-cinco-jogos-de-abertura-da-copa\/","title":{"rendered":"Meus cinco jogos de abertura da Copa"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-copa.gif\" align=\"right\" \/>Lembrar das finais das Copas, especialmente aquelas que marcaram nossas vidas, \u00e9 moleza. Tirar da mem\u00f3ria aquele lance espetacular que definiu a classifica\u00e7\u00e3o de uma equipe tamb\u00e9m \u00e9 uma baba. Mas ningu\u00e9m d\u00e1 a menor pelota pro primeiro jogo da Copa. Por uma raz\u00e3o simples: come\u00e7o de Mundial n\u00e3o quer dizer muita coisa. Fica aquele climinha de &#8220;come\u00e7ou&#8221;, mas n\u00e3o se sabe bem aonde a coisa vai parar. E independente de quem ven\u00e7a, tudo pode mudar nos jogos seguintes.<\/p>\n<p>Ainda assim, tenho comigo as minhas mem\u00f3rias dos cinco \u00faltimos primeiros jogos (\u00faltimos primeiros?). N\u00e3o posso falar sobre 78 (eu tinha um ano de idade), nem 82 e 86 (onde s\u00f3 lembro dos jogos da sele\u00e7\u00e3o brasileira). Tudo que sei \u00e9 que a partir da Copa de 1974, a primeira com a Ta\u00e7a Fifa, o campe\u00e3o do torneio anterior, classificado automaticamente, era o debutante. O Brasil inaugurou a regra diante da Iugosl\u00e1via. Depois tivemos Alemanha x Pol\u00f4nia, Argentina x B\u00e9lgica e It\u00e1lia x Bulg\u00e1ria. Em 2006, como o ent\u00e3o campe\u00e3o (n\u00f3is) n\u00e3o estava garantido, voltamos aos tempos de Jules Rimet, com o anfitri\u00e3o abrindo a festa.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, prepare-se: vai ser assim em 2014, com Brasil e algu\u00e9m. Seja no Morumbi ou onde a Fifa quiser.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/100611_abertura_copa.jpg\" \/><\/div>\n<p><b>1990: Como escreve Oman-Biyik?<\/b> \u2013 Naquela sexta-feira, 8 de junho, deixei a sala de aula da minha s\u00e9tima serie voando. Estava entusiasmado com aquela Copa como nunca. Tinha comprado a edi\u00e7\u00e3o especial do Pelezinho e um manual Disney com a palavra GOL em letras garrafais. Preparei at\u00e9 uma fita VAT de 90 minutos para gravar trechos da cerim\u00f4nia de abertura pela R\u00e1dio Globo (se duvidar, essa encrenca est\u00e1 perdida em algum canto da casa).<\/p>\n<p>A expectativa foi plenamente atingida. Achei muito lindo aquele monte de bandeiras, flores e bexigas coloridas dentro de um est\u00e1dio muito bacana, com aquela arma\u00e7\u00e3o vermelha sustentando a cobertura. Logo depois da fanfarra, a Argentina de Maradona, Burruchaga (adoro esse nome!), Pumpido (que se quebrou no jogo seguinte, consagrando Goycoechea) e Caniggia entrou em campo. O advers\u00e1rio no San Siro, em Mil\u00e3o, era a desconhecida (ao menos para um moleque de 13 anos) sele\u00e7\u00e3o de Camar\u00f5es.<\/p>\n<p>Eu realmente torci contra a Argentina, como sempre. Mas n\u00e3o imaginava que os camar\u00f5es pudessem fazer algum estrago. E fizeram!  Oman Biyik (ou Oman tem h\u00edfen?). N\u00e3o importa. O cara fez de cabe\u00e7a o gol que empacotou os hermanos, colocando os simp\u00e1ticos le\u00f5es indom\u00e1veis no mapa da bola. Pena que eles perderam pra Inglaterra nas quartas. A derrota tamb\u00e9m n\u00e3o serviu pra segurar a Argentina, que terminou vice-campe\u00e3 daquele torneio est\u00fapido.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/100611_abertura_copa.jpg\" \/><\/div>\n<p><b>1994: El Veloz Diablo<\/b> \u2013 Outra vez era sexta-feira (17 de junho), outra vez em casa. Desiludido com o Mundial anterior, desta vez me contentei com o guia mequetrefe da Veja, que veio com um adesivo hologr\u00e1fico da ta\u00e7a muito batuta. Lembro do editorial daquele numero: se todos os progn\u00f3sticos estiverem corretos, Brasil e Alemanha far\u00e3o a final. Creio que j\u00e1 disse antes, mas enfim, nunca acreditei muito em progn\u00f3sticos.<\/p>\n<p>De qualquer forma, a gera\u00e7\u00e3o campe\u00e3 do mundo em 90 estava de volta, e devo confessar que torcia por eles naquele ano (ok, at\u00e9 conhecer a Bulg\u00e1ria). Tudo bem, aquele uniforme branco com detalhes psicod\u00e9licos em preto, amarelo e vermelho, que ia do peito at\u00e9 a gola sob a forma de um len\u00e7o multicor, era muito feio. Mas preferia uma vit\u00f3ria deles em vez dos antip\u00e1ticos bolivianos.<\/p>\n<p>E dessa vez os campe\u00f5es venceram. Driblaram o calor da tarde em Chicago (mais uma raz\u00e3o pra desilus\u00e3o: desde quando Chicago \u00e9 lugar de se jogar bola?) e fizeram 1 a 0, gol do Klinsmann. E a Bol\u00edvia, do eterno goleiro Trucco (seis, ladr\u00e3o!) e do impag\u00e1vel meia Sandy, viu seu grande astro, Marco &#8220;El Diablo&#8221; Etcheverry, ser expulso cinco minutos depois de entrar em campo, no segundo tempo. Hahahahahahaha!<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/100611_abertura_copa.jpg\" \/><\/div>\n<p><b>1998: Gol do C\u00e9sar Sampaio?<\/b> \u2013 N\u00e3o, n\u00e3o era uma sexta-feira! Mas sim uma quarta, dia 10 de junho! E o primeiro jogo da Copa era do Brasil, contra a Esc\u00f3cia, ao meio-dia e meia, em pleno expediente do IPT! Naquela \u00e9poca eu j\u00e1 dividia o posto de t\u00e9cnico do laborat\u00f3rio de metrologia el\u00e9trica com o est\u00e1gio de jornalismo na Paulista 900. Naquele dia, ficaria mais tempo sem  trabalhar cedo, e chegaria atrasado \u00e0 tarde&#8230;<\/p>\n<p>Um dos engenheiros conseguiu uma televis\u00e3o meia-boca e colocou numa das bancadas de uma das salas do pr\u00e9dio, que serviu como audit\u00f3rio para todos os funcion\u00e1rios da divis\u00e3o de eletricidade. Muita gente perdeu o primeiro gol daquela Copa no Saint Denis: foi logo aos cinco minutos, com C\u00e9sar Sampaio.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m perdeu muita coisa. Aquele time do Zagallo n\u00e3o estava convencendo, especialmente depois do corte do Rom\u00e1rio semanas antes (se bem que o mist\u00e9rio mesmo de 98 atende pelo nome de &#8220;convuls\u00e3o&#8221;). Mesmo aos trope\u00e7os, e apesar do empate escoc\u00eas ainda no primeiro tempo, a sele\u00e7\u00e3o conseguiu a vit\u00f3ria num gol contra \u2013 que eternizou a cambalhota de Cafu. Mas sem muitas emo\u00e7\u00f5es: a desconfian\u00e7a era maior.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/100611_abertura_copa.jpg\" \/><\/div>\n<p><b>2002: Sen\u00e9, sen\u00e9, sen\u00e9&#8230;<\/b> \u2013 Novamente uma sexta-feira, e essa tinha come\u00e7ado na quinta \u00e0 noite, 30 de maio.  Estava na turma da madrugada da Gazeta, que entrava dez da noite e sa\u00eda depois do amanhecer. Foi assim durante praticamente todo o Mundial \u2013 para a nossa alegria, os jogos das semifinais j\u00e1 aconteceram num hor\u00e1rio mais humano, pela manh\u00e3. Tempos t\u00e3o bacanas que at\u00e9 o Guga jogava (e bem) em Roland Garros &#8211; e nem faz tanto tempo assim.<\/p>\n<p>Mas enfim. Eu era respons\u00e1vel pelo tempo real (descri\u00e7\u00e3o lance a lance), enquanto outro redator fazia a mat\u00e9ria do primeiro jogo da Copa. Que come\u00e7ou assim. &#8220;Favoritismo, tradi\u00e7\u00e3o e peso da camisa. A sele\u00e7\u00e3o de Senegal n\u00e3o levou em conta nada isso e bateu a Fran\u00e7a, campe\u00e3 do mundo, por 1 a 0. A equipe africana mostrou um futebol solid\u00e1rio, voluntarioso e, em alguns momentos, altamente t\u00e9cnico. A equipe conseguiu impor sua velocidade diante de uma Fran\u00e7a desfigurada, sentindo a aus\u00eancia de seu maior craque, o meia Zinedine Zidane&#8221;. Com um estiramento, o meia s\u00f3 acompanhou sua equipe no est\u00e1dio de Seul.<\/p>\n<p>Segue o texto. &#8220;Para armar o seu time, o t\u00e9cnico Roger Lemerre escalou tr\u00eas atacantes e apenas um meia, Djorkaeff. J\u00e1 os africanos armaram uma retranca e deixavam apenas um atacante, o r\u00e1pido El Hadji Diouf. E foi numa jogada dele pela esquerda que saiu o \u00fanico gol da partida, aos 30 minutos do primeiro tempo. Ele arrancou e invadiu a \u00e1rea sem marca\u00e7\u00e3o. Cruzou para tr\u00e1s e o volante Petit tentou salvar, mas jogou contra o patrim\u00f4nio. A bola bateu no goleiro Barthez e sobrou para Pape Bouba Diop, sozinho e ca\u00eddo no ch\u00e3o, empurrar para as redes, marcando o primeiro gol do Mundial.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, a Fran\u00e7a melhorou, mas ficou longe da grande exibi\u00e7\u00f5es da Copa de 98 e da Eurocopa 2000. Tentou, meio que desordenada, chegar ao empate. Mandou bola na trave e exigiu do goleiro Tony Sylva. Mas parecia que n\u00e3o era seu dia. Senegal fez o que muitos diziam ser imposs\u00edvel e j\u00e1 iniciou na frente dentro do grupo A, que tem ainda Dinamarca e Uruguai. E j\u00e1 deu uma amostra que, nesta Copa, s\u00f3 se ganha dentro de campo. Com futebol e ra\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Fui para casa ouvindo as r\u00e1dios AM, que resgataram o &#8220;deve ser legal ser neg\u00e3o no Senegal&#8221; de Chico C\u00e9sar e &#8220;Sen\u00e9, sen\u00e9, sen\u00e9, sen\u00e9 sen\u00e9gaaaal&#8221; da banda Reflexus.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/100611_abertura_copa.jpg\" \/><\/div>\n<p><b>2006: Wanchope e dois pastel<\/b> \u2013 Eu realmente imaginava que a Copa da Alemanha seria muito boa. Mas era suspeito: um ano antes, tive a oportunidade de conhecer boa parte do pa\u00eds-sede, uma viagem que tratou de misturar com uma porcentagem de genes alem\u00e3es que trago da minha av\u00f3 materna. Isso fez com que eu, inconscientemente, criasse uma empatia pelo nationalfussballmannschaft, comandado pelo ex-artilheiro J\u00fcrgen Klinsmann. Mais do que aquela simpatia que tive em 94. <\/p>\n<p>E o simples fato de j\u00e1 ter visitado o sensacional Allianz Arena me aproximava ainda mais daquela partida em 9 de junho, adivinhem, sexta-feira. O hor\u00e1rio era o menos movimentado na reda\u00e7\u00e3o: uma da tarde. Era quando a turma do plant\u00e3o matutino deixava as atividades, enquanto a galera da tarde come\u00e7ava a chegar. Ao contr\u00e1rio do que pede os manuais de boa conduta em peri\u00f3dicos esportivos, tratei de aparecer com minha camisa vermelha, uniforme dois dos donos da casa &#8211; Klinsmann havia abolido o verde por acreditar na garra embutida naquela cor.<\/p>\n<p>Os caribenhos da Costa Rica seriam os primeiros advers\u00e1rios, e alguns bol\u00f5es at\u00e9 admitiam a classifica\u00e7\u00e3o deles diante dos claudicantes poloneses e equatorianos &#8211; que viriam a surpreender naquele mesmo dia, ao vencer os poloneses. Mas enfim. O brasileiro Alexandre Guimar\u00e3es contava com a base do Deportivo Saprissa, como era o caso do atacante G\u00f3mez Bei\u00e7udo e o goleiro que todo locutor adorava lembrar diante de qualquer defesa: Porras. Tamb\u00e9m esperava-se muito de Wanchope, o craque daquela gera\u00e7\u00e3o. Que, inclusive, fez os dois gols de seu time, entre eles o de empate por 1 a 1, ainda no primeiro tempo &#8211; Philip Lahm abriu a contagem do Mundial, num belo chute.<\/p>\n<p>No fim das contas, a simp\u00e1tica equipe da Am\u00e9rica Central perdeu todas as partidas. Inclusive aquela, por 4 a 2. Miroslav Klose, em sua segunda Copa, tratou de correr atr\u00e1s da artilharia ao marcar por duas vezes. Frings, outra das armas alem\u00e3s, fechou o placar e abriu caminho para a classifica\u00e7\u00e3o. Minha camisa vermelha deu sorte &#8211; \u00e9 uma pena que n\u00e3o tenha usado-a contra a It\u00e1lia, semanas depois.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/100611_abertura_copa.jpg\" \/><\/div>\n<p>Agora, com licen\u00e7a: vou registrar minhas boas lembran\u00e7as de \u00c1frica do Sul x M\u00e9xico e j\u00e1 venho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lembrar das finais das Copas, especialmente aquelas que marcaram nossas vidas, \u00e9 moleza. Tirar da mem\u00f3ria aquele lance espetacular que definiu a classifica\u00e7\u00e3o de uma equipe tamb\u00e9m \u00e9 uma baba. Mas ningu\u00e9m d\u00e1 a menor pelota pro primeiro jogo da Copa. Por uma raz\u00e3o simples: come\u00e7o de Mundial n\u00e3o quer dizer muita coisa. 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