{"id":252,"date":"2007-06-20T23:01:22","date_gmt":"2007-06-21T02:01:22","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/boca-mi-buen-amigo"},"modified":"2007-06-20T23:01:22","modified_gmt":"2007-06-21T02:01:22","slug":"boca-mi-buen-amigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/boca-mi-buen-amigo\/","title":{"rendered":"Boca, mi buen amigo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/ee.gif\" align=\"right\" \/>Hoje fiz as pazes com o sono. Consegui dormir at\u00e9 as quatro da tarde. Culpa da final da Libertadores, que me manteve ligado at\u00e9 o in\u00edcio da manh\u00e3 desta quinta. O Santos perdeu o t\u00edtulo para os argentinos do Boca Juniors. Tirando a imp\u00e1fia e a antipatia inerente, uma coisa n\u00e3o se pode negar: dev\u00edamos aprender a torcer com eles.<\/p>\n<p>Como o sono ainda impera, esse post \u00e9 uma mistura de algumas mat\u00e9rias que <a href=\"http:\/\/www.gazetaesportiva.net\" target=\"_blank\"><b>fiz aqui<\/b><\/a> sobre o assunto. Assistir ao jogo observando outra &#8220;cultura de torcedor&#8221; deu nisso.<\/p>\n<p align=\"center\">***<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds do futebol, mas certamente n\u00e3o possui os torcedores mais apaixonados do planeta. Um dos fortes candidatos a esse t\u00edtulo \u00e9 o argentino. Cerca de quatro mil &#8220;xeneizes&#8221;, fan\u00e1ticos torcedores do Boca Juniors, deram uma li\u00e7\u00e3o aos 70 mil santistas que lotaram o Morumbi na final da Copa Libertadores nesta quarta-feira.<\/p>\n<p>Uma das torcidas organizadas do clube distribuiu cinco mil bandeiras de pl\u00e1stico nas cores azul e amarela, com a inscri\u00e7\u00e3o &#8220;SuperBoca&#8221;. Faltando pouco mais de uma hora para o in\u00edcio do jogo, eles agitavam as fl\u00e2mulas e cantavam como se a bola j\u00e1 estivesse rolando.<\/p>\n<p>Entre os fan\u00e1ticos pelo Boca Juniors, foi poss\u00edvel encontrar brasileiros leg\u00edtimos, desmentindo a m\u00e1xima de que o Santos \u00e9 o Brasil na final da Libertadores.<\/p>\n<p>Rodrigo, 26 anos, est\u00e1 acostumado a acompanhar o S\u00e3o Paulo nas arquibancadas do est\u00e1dio. Na noite desta quarta-feira, fez quest\u00e3o de ficar na torcida visitante. Mais: avisou o amigo santista pelo celular. &#8220;Estou no meio da torcida do Boca&#8221;, gritou.<\/p>\n<p>Ao seu lado, o colega Ronaldo, de 26 anos. Com a camisa e o cachecol do Boca, poderia ser confundido facilmente com um xeneize. &#8220;Sou da Gavi\u00f5es, minha vida \u00e9 o est\u00e1dio&#8221;, diz o corintiano, que conseguiu a echarpe numa troca. &#8220;Uma argentina viu meu gorro da Gavi\u00f5es e gostou. Perguntei se ela trocava e ela topou&#8221;.<\/p>\n<p>Animado com a exaltada torcida argentina, Ronaldo admitiu: &#8220;estou na Gavi\u00f5es h\u00e1 dez anos e posso garantir: n\u00e3o existe torcida igual a do Boca no Brasil&#8221;. Ronaldo, tamb\u00e9m impressionado com a paix\u00e3o dos argentinos pelo seu clube, concluiu: &#8220;eles s\u00e3o loucos&#8221;.<\/p>\n<p>A partida come\u00e7ou e os torcedores vibravam sem parar um minuto. Alguns mais fan\u00e1ticos sequer estavam virados para o campo: preferiram gesticular e incentivar os demais, pedindo para todos cantarem ainda mais alto.<\/p>\n<p>Enquanto os brasileiros soltavam um &#8220;uhhhh!&#8221; a cada lance perigoso, os argentinos simplesmente intensificavam o coro de &#8220;dale dale Bo&#8221;, sempre acompanhados pelo estilo inconfund\u00edvel dos percussionistas. Aos 20 minutos do primeiro tempo, a can\u00e7\u00e3o finalmente foi interrompida: era a comemora\u00e7\u00e3o do gol de Tevez.<\/p>\n<p>&#8220;Vamos Boca vamos, usted pongan huevos que ganamos&#8230; Vamos a traer la copa a la Argentina, la copa que perdieron las gallinas&#8221;. Esse era o c\u00e2ntico preferido dos argentinos, repetido vez ou outra, intercalado com outras can\u00e7\u00f5es dos torcedores. Um deles, ao lado do filho, foi al\u00e9m do simples ato de cantar: ambos pulavam nas arquibancadas, vestidos de galinhas.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi a \u00fanica bobagem cometida por um turista no Morumbi. No intervalo do jogo, um portenho comprou dois copos d&#8217;\u00e1gua e deu ao vendedor uma nota de dez pesos, equivalente a dez reais. Mas n\u00e3o importava: o Boca vencia por 1 a 0 e, naquela altura, aquelas eram as \u00fanicas vozes ouvidas em todas as arquibancadas do est\u00e1dio.<\/p>\n<p>Os xeneizes interromperam um pouco a cantoria, aos 29 minutos do segundo tempo, com o gol de Alex. Foram poucos segundos: logo os bra\u00e7os mais fan\u00e1ticos levantaram novamente, acenando a paix\u00e3o pela equipe e o apoio incondicional. Fazendo jus ao apelido: &#8220;el jugador n\u00famero 12&#8221;.<\/p>\n<p>Aos 38 minutos, Delgado chutou de longe. F\u00e1bio Costa estava fora do lance. A bola veio aos poucos na dire\u00e7\u00e3o do gol, para incendiar de uma vez os fan\u00e1ticos argentinos e seus simpatizantes. O &#8220;dale Bo&#8221; virou &#8220;dale campe\u00f3n&#8221; e n\u00e3o parou mais, mesmo durante o p\u00eanalti cobrado por Schiavi, j\u00e1 nos acr\u00e9scimos.<\/p>\n<p>Estava terminado. Os argentinos conseguiram transportar para o Morumbi um peda\u00e7o de La Bombonera, est\u00e1dio do Boca Juniors em Buenos Aires. Lugar onde \u00e9 a torcida que empurra o seu time, e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p><i>(Postado em 03\/07\/2003. E nem \u00e9 preciso esperar pra saber que o Boca faturou mais um.)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje fiz as pazes com o sono. Consegui dormir at\u00e9 as quatro da tarde. Culpa da final da Libertadores, que me manteve ligado at\u00e9 o in\u00edcio da manh\u00e3 desta quinta. O Santos perdeu o t\u00edtulo para os argentinos do Boca Juniors. 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