{"id":249,"date":"2007-06-17T23:32:29","date_gmt":"2007-06-18T02:32:29","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/desvendando-o-internauta-padrao-parte-2-o-plagiador"},"modified":"2007-06-17T23:32:29","modified_gmt":"2007-06-18T02:32:29","slug":"desvendando-o-internauta-padrao-parte-2-o-plagiador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/desvendando-o-internauta-padrao-parte-2-o-plagiador\/","title":{"rendered":"Desvendando o Internauta-padr\u00e3o, parte 2: o plagiador"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/fiquepordentro.gif\" align=\"right\" \/>Ainda existem pessoas boas na Internet. Elas sonham com um mundo virtual repleto de gente disposta a colaborar. Mesmo que seja pensando um tiquinho, mas trata-se de uma id\u00e9ia que pode perfeitamente crescer e se desenvolver nas m\u00e3os de outras mentes bem intencionadas.<\/p>\n<p>\u00c9 uma pena que o Internauta-padr\u00e3o n\u00e3o goste de pensar. Um dos tipos mais comuns dessa ra\u00e7a descende das salas de aula h\u00e1 muitos anos. Quem n\u00e3o conhece algum coleguinha estudantil que, ao inv\u00e9s de produzir seu trabalho como se deve, simplesmente copiou algum artigo na biblioteca?<\/p>\n<p><i><u>Quem \u00e9 o Internauta-padr\u00e3o plagiador?<\/u><\/i><\/p>\n<p>Conhe\u00e7a o <i>Plagiador 1<\/i>, estudante de primeiro grau de uma escola qualquer cujo perfil do Orkut \u00e9 um <a href=\"http:\/\/www.interney.net\/blogs\/inagaki\/2007\/02\/06\/minha_vida_secreta_de_redator_de_perfis_\" target=\"_blank\"><b>texto do Inagaki<\/b><\/a>. Sua professora pediu para entregar um trabalho qualquer, e ele prontamente foi ao Google encontrar algumas p\u00e1ginas para imprimir. Ele sequer teve o trabalho de copiar e colar o texto para um editor: entregou folhas grampeadas com a indica\u00e7\u00e3o de URL impressa embaixo&#8230;<\/p>\n<p>Teve mais uma chance de entregar um texto diferente, mas prefeiu acessar o &#8220;Z\u00e9 Moleza&#8221;, um site que disponibiliza trabalhos escolares prontos, e fazer algumas mudancinhas no Word. N\u00e3o deu certo. Foi reprovado.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o aprendeu. Descobriu que um amigo faturava uns trocados com um site na Internet. Decidiu abrir um blog. Copiou um template, entupi-lo de an\u00fancios e &#8220;ca\u00e7ar&#8221; algum conte\u00fado. N\u00e3o perdoou ningu\u00e9m: trazia para sua pagininha vagabunda todo tipo de not\u00edcia, poema, cr\u00f4nica&#8230; Incluia meta tags, links e imagens internas&#8230; Um amontoado de coisas que sequer eram lidas direito.<\/p>\n<p>&#8220;Ser\u00e1 que esse cidad\u00e3o n\u00e3o teve educa\u00e7\u00e3o em casa?&#8221;, perguntaria voc\u00ea. Na verdade, n\u00e3o. Seu pai, <i>Plagiador 2<\/i>, ganhou recentemente um concurso liter\u00e1rio. Concorreu com um texto que n\u00e3o era dele. Pergunte para o autor original se ele gostou de saber que ganhou, mas n\u00e3o levou. Seu irm\u00e3o, <i>Plagiador 3<\/i>,  doutor e professor universit\u00e1rio, deve ser aquele &#8220;amigo&#8221; do <a href=\"http:\/\/www.helderdarocha.com.br\/blog\/2007\/02\/ei-esse-texto-meu.html\" target=\"_blank\"><b>Helder da Rocha<\/b><\/a>.<\/p>\n<p><i><u>Caracter\u00edsticas do Internauta-padr\u00e3o plagiador<\/u><\/i><\/p>\n<p>&#8211; Acha f\u00e1cil fazer um site, mas nunca teve qualquer intimidade com conte\u00fado: jamais teve a pretens\u00e3o (ou vontade) de escrever ou tirar fotos.<\/p>\n<p>&#8211; E talvez jamais consiga.<\/p>\n<p>&#8211; Acredita realmente que, se est\u00e1 na Internet, \u00e9 de dom\u00ednio p\u00fablico &#8211; ou est\u00e1 ao deus-dar\u00e1.<\/p>\n<p>&#8211; Por isso, ignora solenemente que, para cada linha produzida, existe um AUTOR por tr\u00e1s dela.<\/p>\n<p>&#8211; Nesse cen\u00e1rio, propaga conte\u00fado alheio com ressalvas do g\u00eanero &#8220;n\u00e3o importa quem escreveu, j\u00e1 que essa p\u00e1gina n\u00e3o tem compromisso com nada, s\u00f3 re\u00fane o que acho legal&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; Quando s\u00e3o advertidos, costuma dizer que &#8220;n\u00e3o sabia&#8221;. Ou que &#8220;n\u00e3o fez nada errado&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; Ou fazem pior: ao inv\u00e9s de simplesmente colocar um link citando a fonte, dizem &#8220;eu gostei, por isso reproduzi, mas j\u00e1 que \u00e9 assim eu nunca mais olho na sua cara&#8221;.<\/p>\n<p><i><u>Eu sou um Internauta-padr\u00e3o plagiador!!! E agora???<\/u><\/i><\/p>\n<p>Em poucas palavras: voc\u00ea \u00e9 um idiota. Mas ainda tem salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Poderia simplesmente dizer: caso decida reproduzir conte\u00fado de outras fontes, verifique os termos de uso &#8211; no meu caso, tudo que exijo \u00e9 o link da origem, para que seus usu\u00e1rios saibam que o texto n\u00e3o \u00e9 seu. Mas isso n\u00e3o \u00e9 o suficiente.<\/p>\n<p>O ideal seria dizer: estude. N\u00e3o passe pelo n\u00edvel m\u00e9dio ou pela universidade como mais um semi-analfabeto. Nada contra voc\u00ea n\u00e3o conseguir escrever seus pr\u00f3prios textos, mas experimente pensar um pouquinho que seja. Com o tempo, voc\u00ea se acostuma.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem simplesmente defenda a proibi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria dessa gente a criar qualquer documento. Acho exagerado. O problema n\u00e3o \u00e9 a Internet, mas a falta de comprometimento e respeito entre as pessoas.  Enquanto um sujeito se vangloriar usando trabalho alheio, tudo que posso sentir \u00e9 pena, j\u00e1 que esse cururu n\u00e3o vai muito longe.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os pregui\u00e7osos, a vida vai seguir seu caminho, e eu tenho f\u00e9: os med\u00edocres que n\u00e3o forem pegos, v\u00e3o cair sozinhos. Logo, para o seu bem, mude enquanto \u00e9 tempo.<\/p>\n<p><i><u>Na parte 3: a estrela.<\/u><\/i><\/p>\n<p>Para n\u00e3o restar d\u00favida: \u00e9 \u00f3bvio que pl\u00e1gio \u00e9 feio, e que todo mundo tem direito de procurar seus direitos quando encontra um texto copiado. A <a href=\"http:\/\/sandrapontes.com\/?page_id=816\"><b>Sandra<\/b><\/a> e a <a href=\"http:\/\/net-dinheiro.blogspot.com\/2007\/05\/como-evitar-e-combater-o-plgio-na.html\" target=\"_blank\"><b>Nospheratt<\/b><\/a> talvez sejam as maiores combatentes dessa pr\u00e1tica. E eu seria um imbecil em critic\u00e1-las, ou qualquer um que procure acabar com esse problema.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o procuro por textos meus em outros blogs, e quando me avisam, s\u00f3 tomo provid\u00eancias em casos extremos &#8211; e \u00e9 simpes,  o Blogger o WordPress ou qualquer servi\u00e7o de AdSense bloqueiam rapidinho diante de uma den\u00fancia. No geral, pode ser que voc\u00ea n\u00e3o acredite, mas eu n\u00e3o tenho a menor pretens\u00e3o em fazer sucesso com isso aqui. Quero mais \u00e9 que voc\u00ea apare\u00e7a e se divirta!<\/p>\n<p>E vamos ser realistas, como fizeram o <a href=\"http:\/\/www.idelberavelar.com\/archives\/2007\/06\/plagio.php\"><b>Idelber<\/b><\/a> e o <a href=\"http:\/\/www.rafael.galvao.org\/2007\/06\/quando_a_brincadeira_fica_seri.php\" target=\"_blank\"><b>Rafael<\/b><\/a>. S\u00f3 existe um jeito de impedir conte\u00fado com qualquer propriedade intelectual n\u00e3o ser copiado: n\u00e3o public\u00e1-lo. N\u00e3o \u00e9 conformismo, mas uma constata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das <a href=\"http:\/\/www.contraditorium.com\/2007\/06\/17\/utopia-no-labo-dos-outros-e-refresco-ne\/\" target=\"_blank\"><b>maiores discuss\u00f5es em qualquer empresa de m\u00eddia<\/b><\/a> \u00e9 justamente defender interesses autorais em uma realidade que caminha para o c\u00f3digo aberto &#8211; aberto \u00e9 diferente de gr\u00e1tis, hein? -, porque um dos maiores erros \u00e9 achar que a Internet \u00e9 s\u00f3 mais um ve\u00edculo, como os outros.<\/p>\n<p>Tem mais. Eu sei, e voc\u00ea sabe, a blogosfera est\u00e1 cheia de gente boba e egoc\u00eantrica. N\u00e3o perceberam que o r\u00f3tulo de &#8220;blogueiro famoso&#8221; \u00e9 t\u00e3o grande quanto &#8220;miss Canga\u00edba&#8221;. Em cima desse Olimpo que s\u00f3 eles s\u00e3o capazes de ver, disponibilizam conte\u00fado em Creative Commons, por exemplo, mas ao encontrarem uma reprodu\u00e7\u00e3o seguido da fonte, gritam &#8220;copiaram meu texto!!!&#8221;.<\/p>\n<p>E quando reclamam quando algu\u00e9m usou, por exemplo, a mesma fonte de not\u00edcia para escrever um texto parecido. &#8220;Plagiaram minha fonte!!!&#8221;. Ou pior: &#8220;copiaram minha sequencia de links! \u00c9 pl\u00e1gio!!!&#8221;. Provavelmente, nem usam Windows original.<\/p>\n<p>O que dizer dele? Internauta-padr\u00e3o estrela, claro.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.interney.net\/blogs\/marmota\/2007\/06\/13\/internauta_padrao_o_crente\" target=\"_blank\"><b>N\u00e3o deixe de ver a Parte 1: o Internauta-padr\u00e3o crente<\/b><\/a><\/p>\n<p><b>Atualizado<\/b> &#8211; Fazia tempo que um texto n\u00e3o atingia um n\u00edvel t\u00e3o bacana de debates. Em um mundo ideal, o respeito e os valores humanos deveriam sobressair a qualquer outro aspecto, como vimos nos coment\u00e1rios. Como isso \u00e9 imposs\u00edvel, o neg\u00f3cio \u00e9 mergulhar na discuss\u00e3o e tra\u00e7ar objetivos para evitar que a coisa fique preta.<\/p>\n<p>Enfim, a briga s\u00f3 aumentou porque, de um lado, temos a legisla\u00e7\u00e3o capenga envolvendo direitos autorais. Do outro, a nov\u00edssima e incompreendida liberdade da rede. As duas possuem ineg\u00e1veis aspectos positivos e negativos, mas vivem um momento delicado de confronto direto, cada vez mais intenso.<\/p>\n<p>At\u00e9 esses dias, ainda existia gente capaz de engolir as frases feitas de sempre, fundamentadas na ingenuidade ou desconhecimento, e a boa vizinhan\u00e7a seguiria seu trajeto. Mas a incapacidade de pensar e refletir (premissa do Internauta-padr\u00e3o) est\u00e1 formando uma gera\u00e7\u00e3o que vai al\u00e9m dos ignorantes que ainda n\u00e3o perceberam o potencial colaborativo da rede, mas especialmente picaretas que faturam \u00e0s custas de escritores an\u00f4nimos &#8211; e ainda admitem sem medo de serem feliz.<\/p>\n<p>O mais legal \u00e9 saber que tem muita gente envolvida no debate, em busca de respostas. E s\u00f3 o tempo vai ser capaz de fazer a poeira baixar ap\u00f3s v\u00e1rias tentativas e erros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda existem pessoas boas na Internet. Elas sonham com um mundo virtual repleto de gente disposta a colaborar. Mesmo que seja pensando um tiquinho, mas trata-se de uma id\u00e9ia que pode perfeitamente crescer e se desenvolver nas m\u00e3os de outras mentes bem intencionadas. \u00c9 uma pena que o Internauta-padr\u00e3o n\u00e3o goste de pensar. 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