{"id":246,"date":"2007-06-14T15:47:48","date_gmt":"2007-06-14T18:47:48","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/sera-o-second-life-a-nova-bolha"},"modified":"2007-06-14T15:47:48","modified_gmt":"2007-06-14T18:47:48","slug":"sera-o-second-life-a-nova-bolha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/sera-o-second-life-a-nova-bolha\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 o Second Life a nova bolha?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\" \/>Escrevo estas linhas porcas correndo o risco de ser chamado por alguns de retr\u00f3grado ou lim\u00edtrofe. Em parte com raz\u00e3o, afinal o objeto dessa cr\u00edtica atende a cl\u00e1ssica condi\u00e7\u00e3o do &#8220;n\u00e3o vi e n\u00e3o gostei&#8221;. De qualquer forma, eu me arrisco a perguntar: sem contar alguma a\u00e7\u00e3o com enfoque totalmente comercial, voc\u00ea j\u00e1 viu algu\u00e9m que se entusiasmou fervorosamente com esse neg\u00f3cio de Second Life? Ou ser\u00e1 que s\u00f3 eu e o <a href=\"http:\/\/www.blogdeguerrilha.com.br\/archives\/2007\/04\/ninguem_fala_o_que_pensa_sobre.php\" target=\"_blank\"><b>Mr. Manson<\/b><\/a> n\u00e3o vimos essa realidade maravilhosa que nos querem fazer acreditar?<\/p>\n<p>Vamos traduzir para quem n\u00e3o deu a menor pelota ao que andam dizendo por a\u00ed. Um desocupado chamado Philip Rosedale fundou uma empresa chamada <a href=\"http:\/\/lindenlab.com\" target=\"_blank\" title=\"Deve ser homenagem a Carol Linden\"><b>Linden Lab<\/b><\/a>. A id\u00e9ia desse cururu era criar um ambiente tridimensional totalmente desabitado, mas com algum potencial de explora\u00e7\u00e3o e crescimento. Quando conseguiu desenvolver esse mundo novo, al\u00e9m de ferramentas capazes de construir qualquer coisa nele, convidou mais gente para brincar. Para que a experi\u00eancia ficasse ainda mais interessante, liberou toda forma de com\u00e9rcio entre os convidados &#8211; a essa altura batizados &#8220;residentes&#8221; ou &#8220;avatares&#8221;. Originalidade era o forte de Philip Rosedale: chamou a grana virtual de &#8220;Linden Dollar&#8221; e seu novo planeta de &#8220;Second Life&#8221;.<\/p>\n<p>Nem mesmo Philip Rosedale ou seus primeiros desbravadores sabiam exatamente que bomba de lugar era aquele. Parecia um jogo ao estilo The Sims. S\u00f3 que n\u00e3o existe uma historinha, um objetivo final, uma competitividade clara&#8230; Na verdade, quem entra se sente na &#8220;extreme casa da m\u00e3e joana&#8221;: \u00e9 poss\u00edvel fazer qualquer coisa. Conversar, passear, paquerar, fazer compras, cheirar, fumar, prostituir-se, voar, matar drag\u00f5es&#8230; Como no slogan do Ig, que mant\u00e9m a <a href=\"http:\/\/www.secondlifebrasil.com.br\" target=\"_blank\"><b>vers\u00e3o brasileira<\/b><\/a> do brinquedo, &#8220;o mundo \u00e9 de quem faz&#8221;.<\/p>\n<p>Mas se n\u00e3o \u00e9 jogo (ou \u00e9?), ent\u00e3o \u00e9 o qu\u00ea? Bom, como tem encontros, liga\u00e7\u00f5es entre membros, grupos, comunidades&#8230; Ent\u00e3o \u00e9 como o Orkut. Mas tamb\u00e9m envolve grana, podendo virar um grande bazar &#8211; como o Mercado Livre. Somado \u00e0 incr\u00edvel possibilidade de voar e matar drag\u00f5es. Para quem n\u00e3o d\u00e1 conta <a href=\"http:\/\/www.getafirstlife.com\" target=\"_blank\" title=\"Get a first life!\"><b>nem da pr\u00f3pria vida<\/b><\/a>, essa encrenca j\u00e1 n\u00e3o parece muito atraente. Como se n\u00e3o bastasse, ainda tem o software-cliente, respons\u00e1vel pela simula\u00e7\u00e3o, que exige banda larga, alguma placa de v\u00eddeo parruda e muitos recursos de seu pobre computador.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que a minha avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o distorcida a ponto de enxergar um ambiente pouco agrad\u00e1vel? Afinal de contas, desde sua cria\u00e7\u00e3o em 2003 at\u00e9 dezembro do ano passado, eram 2 milh\u00f5es de usu\u00e1rios cadastrados no Second Life. Fazendo uma compara\u00e7\u00e3o grosseira, existem uns 70 milh\u00f5es de blogs, por exemplo.<\/p>\n<p>De repente, algu\u00e9m descobriu a chinesa Anshe Chung. Ela passou tr\u00eas anos como &#8220;corretora virtual&#8221;, comprando terrenos, construindo infra-estrutura e revendendo aos residentes. Fatorou um milh\u00e3o de doletas.<\/p>\n<p>Foi quando o monstro despertou para a revolu\u00e7\u00e3o. Second Life foi parar na m\u00eddia, repleto de elogios impressionantes, estimativas de uso, incentivos para usu\u00e1rios e empresas, e o mais importante: o volume de neg\u00f3cios que passam diariamente pelo game-social-network-simulator. Em poucos meses, o n\u00famero de usu\u00e1rios no planeta saltou para quase 8 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A\u00ed, virou coqueluche. Empresas p\u00fablicas e privadas, dos mais variados segmentos, desde ag\u00eancias banc\u00e1rias at\u00e9 companhias a\u00e9reas (mas eu pensei que dava para voar sem avi\u00f5es) criaram suas filiais no Second Life. Ag\u00eancias de publicidade abriram seus escrit\u00f3rios e vendem propaganda no Second Life. Cidades e regi\u00f5es conhecidas de v\u00e1rios cantos do globo reproduziram pracinhas (as &#8220;ilhas&#8221;) no Second Life. Igrejas fazem preces no Second Life. A Playboy abriu sua mans\u00e3o no Second Life. Avatares fantasiados ou nus fazem festas e pulam (pressionando alguma tecla apenas) em micaretas no Second Life. Bandas gravam seus clipes no Second Life. Madeleine, a menina sequestrada que comove a Europa, est\u00e1 sendo procurada tamb\u00e9m no Second Life. <a href=\"http:\/\/www.interney.net\/blogs\/hedonismos\/2007\/06\/08\/bruce_willis_no_second_life\" target=\"_blank\" title=\"Leia o Doni!\"><b>Bruce Willis foi entrevistado<\/b><\/a> no Second Life semanas depois dos franceses acompanharem a elei\u00e7\u00e3o de Nicolas Sarkozy via Second Life. A Ag\u00eancia Reuters abriu sucursal no Second Life. O Sala de Reda\u00e7\u00e3o, tradicional programa da R\u00e1dio Ga\u00facha, ter\u00e1 programa transmitido do Second Life. E a \u00faltima (at\u00e9 hoje): O Estado de S. Paulo <a href=\"http:\/\/blog.estadao.com.br\/blog\/reporteralex\/?title=800_concorrentes_para_duas_vagas_no_seco&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1\" target=\"_blank\"><b>recebeu 800 curr\u00edculos<\/b><\/a>, candidatos a duas vagas para trabalhar como rep\u00f3rter. No Second Life.<\/p>\n<p>Ufa. Acho que ficou bem claro que tem muita gente montando seu neg\u00f3cio como se estivessem na Corrida do Ouro, beneficiados essencialmente pela exposi\u00e7\u00e3o que o mundo virtual vem ganhando na m\u00eddia. Onde isso vai parar? N\u00e3o consigo deixar de lembrar das tulipas holandesas do S\u00e9culo 17, o primeiro grande exemplo de surto econ\u00f4mico capaz de provocar, nessa ordem: euforia, p\u00e2nico e quebra. Um filme que j\u00e1 vimos diversas vezes.<\/p>\n<p>Encontrei <a href=\"http:\/\/www.brunogodoi.com\/blog\/2007\/05\/25\/second-life-uma-visao-apurada\" target=\"_blank\"><b>neste post do Bruno Godoy<\/b><\/a> um coment\u00e1rio do Gabriel Tonobohn, certamente um dos maiores defensores (at\u00e9 porque <a href=\"http:\/\/oitopassos.com\/2007\/03\/23\/second-life-novas-possibilidades-sim\" target=\"_blank\"><b>ele faz parte do time<\/b><\/a> de desenvolvedores da IBM no SL). Ele mesmo entrega o maior argumento para escancarar a falta de demanda. &#8220;O SL \u00e9 um lugar muito mais prop\u00edcio para neg\u00f3cios e n\u00e3o para usu\u00e1rios comuns. Por isso se v\u00eaem tantas empresas entrando no mundo virtual, mas voc\u00ea n\u00e3o ouve seu vizinho dizendo uau, esse SL \u00e9 animal!. Quem entra no SL? Clientes e empresas. Vejo essa segunda vida muito mais pra esse lado, e pode apostar que as empresas tamb\u00e9m&#8221;.<\/p>\n<p>Parafraseando o <a href=\"http:\/\/www.interney.net\/blogs\/pandorga\/2007\/06\/11\/sera_o_google_a_nova_bolha\" target=\"_blank\" title=\"V\u00e1 ler!!!\"><b>Ricardo Sabbag<\/b><\/a>, que questionou o crescimento do Google, eu pergunto: quem realmente precisa de uma segunda vida para conseguir um servi\u00e7o que, em muitos casos, j\u00e1 \u00e9 ruim na vida de sempre? Ainda pegando carona no Sabbag: deixo este problema para os especialistas e consultores da \u00e1rea. Aqui a gente s\u00f3 palpita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrevo estas linhas porcas correndo o risco de ser chamado por alguns de retr\u00f3grado ou lim\u00edtrofe. Em parte com raz\u00e3o, afinal o objeto dessa cr\u00edtica atende a cl\u00e1ssica condi\u00e7\u00e3o do &#8220;n\u00e3o vi e n\u00e3o gostei&#8221;. De qualquer forma, eu me arrisco a perguntar: sem contar alguma a\u00e7\u00e3o com enfoque totalmente comercial, voc\u00ea j\u00e1 viu algu\u00e9m [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-246","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-plantao-marmota"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=246"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=246"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=246"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=246"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}