{"id":243,"date":"2007-06-11T15:57:26","date_gmt":"2007-06-11T18:57:26","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/metro-e-o-fenomeno-dos-jornais-gratuitos"},"modified":"2007-06-11T15:57:26","modified_gmt":"2007-06-11T18:57:26","slug":"metro-e-o-fenomeno-dos-jornais-gratuitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/metro-e-o-fenomeno-dos-jornais-gratuitos\/","title":{"rendered":"Metro e o fen\u00f4meno dos jornais gratuitos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\" \/>Depois de &#8220;quantas linhas&#8221; e &#8220;a favor ou contra&#8221;, a pergunta que todo rep\u00f3rter faz em uma reda\u00e7\u00e3o de jornal \u00e9 &#8220;qual o futuro do jornal impresso&#8221;. \u00c9 um pensamento recorrente, embora a grande quest\u00e3o, a meu ver, \u00e9 como os grandes ve\u00edculos v\u00e3o sobreviver a enxurrada de fontes de informa\u00e7\u00e3o que surgem a todo momento.<\/p>\n<p>Mas enfim, ainda se discute coisas como o pre\u00e7o do papel (que \u00e9 importado), o envelhecimento do p\u00fablico que normalmente l\u00ea jornal e a migra\u00e7\u00e3o dos consumidores para a pr\u00f3pria Internet ou qualquer outro suporte eletr\u00f4nico, que traz hoje tudo que o peri\u00f3dico s\u00f3 vai contar amanh\u00e3. A verdade \u00e9 que o modelo est\u00e1 em crise, e ningu\u00e9m faz id\u00e9ia de como ser\u00e1.<\/p>\n<p>Pessoalmente, apesar das redu\u00e7\u00f5es publicit\u00e1rias, de tiragens e de material humano nas reda\u00e7\u00f5es (tanto em quantidade quanto em qualidade), a sobrevida do impresso \u00e9 muito grande. Mesmo a in\u00e9rcia que normalmente segura os \u00edmpetos dos magnatas, algumas tend\u00eancias se repetem em escala global. No fim dos anos 90, o formato standard (Folha, Estad\u00e3o) teve sua largura reduzida, para economizar papel. Ali\u00e1s, muitos jornais em todo o mundo j\u00e1 trocaram h\u00e1 tempos o formato standard pelo tabl\u00f3ide, como o Zero Hora (o Jornal do Brasil mudou recentemente).<\/p>\n<p>Mas essa n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica tend\u00eancia envolvendo tabl\u00f3ides. O formato popular comum na Inglaterra ressurgiu com for\u00e7a no Rio Grande do Sul (<a href=\"http:\/\/www.diariogaucho.com.br\" target=\"_blank\" title=\"O termo MUNDOID\u00c3O veio dele!\"><b>Di\u00e1rio Ga\u00facho<\/b><\/a>), Rio de Janeiro (Expresso), em Bras\u00edlia e BH (<a href=\"http:\/\/www.jornalaqui.com.br\" target=\"_blank\"><b>Aqui<\/b><\/a>). O di\u00e1rio esportivo <a href=\"http:\/\/www.lancenet.com.br\/activo\" target=\"_blank\"><b>Lance<\/b><\/a> (que voc\u00ea deve conhecer) e o espanhol <a href=\"http:\/\/www.quediario.com\" target=\"_blank\"><b>Qu\u00e9<\/b><\/a> (esse pouca gente conhece) apostam alto na participa\u00e7\u00e3o dos seus leitores &#8211; talvez o jornal madrileno seja o que mais se aproxime, no futuro, de uma publica\u00e7\u00e3o 100% participativa.<\/p>\n<p>Entre todas as possibilidades para &#8220;salvar&#8221; o impresso, demorou para surgir um exemplo de peso marcando outra dessas tend\u00eancias globais: o tabl\u00f3ide gratuito.<\/p>\n<p><b>Um m\u00eas de Metro<\/b> &#8211; N\u00e3o vamos ser injustos: quem nunca viu um tabl\u00f3ide gratuito, especialmente em S\u00e3o Paulo? Exemplos cl\u00e1ssicos como a <a href=\"http:\/\/www.grupo1.com.br\" target=\"_blank\" title=\"O mais antigo jornal de bairro existente\"><b>Gazeta de Pinheiros<\/b><\/a> ou o <a href=\"http:\/\/www.metronews.com.br\" target=\"_blank\"><b>Metr\u00f4 News<\/b><\/a> j\u00e1 viram pelo menos duas gera\u00e7\u00f5es. Outras publica\u00e7\u00f5es facilmente encontradas no balc\u00e3o da padaria ou da farm\u00e1cia, no entanto, eram verdadeiros &#8220;prostitutos da not\u00edcia&#8221;: an\u00fancios de p\u00e1gina inteira dividiam espa\u00e7o com discut\u00edveis textos pagos.<\/p>\n<p>Independ\u00eancia editorial? Design atraente? Publicidade forte? \u00c9 poss\u00edvel exigir isso em um jornal gratuito? Em 2006, os paulistanos viram a primeira resposta positiva ao conhecerem o <a href=\"http:\/\/www.destakjornal.com.br\" target=\"_blank\"><b>Destak<\/b><\/a>, iniciativa do grupo portugu\u00eas Cofina. Ali\u00e1s, houve uma pol\u00eamica envolvendo o nome do empres\u00e1rio Andr\u00e9 Jordan, que det\u00e9m 70% da edi\u00e7\u00e3o brasileira, e \u00e9 naturalizado brasileiro &#8211; a lei pro\u00edbe estrangeiros no comando de qualquer ve\u00edculo jornal\u00edstico ou participa\u00e7\u00e3o maior que 30% do capital. Enfim, s\u00e3o 200 mil exemplares de segunda \u00e0 sexta, com quase 1 milh\u00e3o de leitores di\u00e1rios.<\/p>\n<p>O Destak n\u00e3o est\u00e1 mais sozinho. Apresentado como &#8220;o maior jornal e de crescimento mais r\u00e1pido em todo o mundo&#8221;, o <a href=\"http:\/\/www.metro.lu\" target=\"_blank\"><b>Metro<\/b><\/a> (l\u00ea-se &#8220;m\u00e9trou&#8221;) foi fundado na Su\u00e9cia em 1995, e tem edi\u00e7\u00f5es di\u00e1rias em mais de 80 cidades em 20 pa\u00edses da Europa, Am\u00e9ricas e \u00c1sia. No dia 7 de maio (exatamente h\u00e1 um m\u00eas atr\u00e1s), gra\u00e7as a uma parceria do <a href=\"http:\/\/www.publimetro.com.br\" target=\"_blank\" title=\"Site da vers\u00e3o paulistana do Metro\"><b>Grupo Bandeirantes, o Metro<\/b><\/a> passou a circular tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo. De segunda \u00e0 sexta, dezesseis her\u00f3icos profissionais multifuncionais produzem as 150 c\u00f3pias gratuitas de alto padr\u00e3o internacional, bem diagramado, cheio de cores vivas e mesclando informa\u00e7\u00f5es de consumo r\u00e1pido com algumas (poucas) reportagens exclusivas e variadas.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/publimetro110607.jpg\" alt=\"Primeira capa e p\u00e1gina que apresenta o Publimetro\" \/><\/p>\n<p><b>Respostas ou mais perguntas?<\/b> &#8211; N\u00e3o h\u00e1 como ignorar essa nova for\u00e7a: na Europa, os di\u00e1rios gratuitos j\u00e1 s\u00e3o mais lidos que os tradicionais. J\u00e1 no primeiro editorial da edi\u00e7\u00e3o paulistana, o Publimetro (nome latino do Metro) traz duas quest\u00f5es onde a resposta \u00e9, em tese, o pr\u00f3prio jornal: no cotidiano cada vez mais acelerado das grandes cidades, quem tem tempo de ler um jornal\u00e3o tradicional? E para n\u00f3s, que vivemos conectados em rede, qual o sentido de pagar para receber informa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Claro que existem outras, que v\u00e3o al\u00e9m da tradicional &#8220;e agora?&#8221;. At\u00e9 que ponto um ve\u00edculo pode equilibrar baixo custo de produ\u00e7\u00e3o (o que implica em menos profissionais contratados), distribui\u00e7\u00e3o ao estilo &#8220;pastelaria&#8221;, financiamento 100% publicit\u00e1rio e qualidade? \u00c9 poss\u00edvel garantir leitores fi\u00e9is e criar o h\u00e1bito de leitura, especialmente o p\u00fablico jovem com alto poder de consumo? E as ferramentas web, cada vez mais populares, e que podem ser usadas tanto para o bem (alimentando conte\u00fado colaborativo) quanto para o mal (replicando material muitas vezes sem o devido cr\u00e9dito)?<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que n\u00e3o d\u00e1 para afirmar que &#8220;este \u00e9 o modelo do futuro&#8221;. Tudo que podemos dizer em rela\u00e7\u00e3o aos gratuitos como um todo diz respeito a sua identidade e caracter\u00edsticas pr\u00f3prios, coisa que o impresso tradicional e muitos portais web ainda procuram. Com a palavra <a href=\"http:\/\/anderaos.wordpress.com\/2007\/05\/02\/um-longo-e-trabalhoso-verao\" target=\"_blank\" title=\"Pin\u00e7ado de seu blog\"><b>Ricardo Ander\u00e1os<\/b><\/a>, que depois de integrar as reda\u00e7\u00f5es no Estad\u00e3o, virou editor do Metro paulistano: &#8220;Hoje compreendo melhor as raz\u00f5es do sucesso da empresa em todo o mundo. E tamb\u00e9m entendo que ver todos os gratuitos como um fen\u00f4meno \u00fanico \u00e9 um grande engano. O termo diz apenas sobre o modelo de neg\u00f3cio de v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es, bastante heterog\u00eaneas entre si. Pensar nos gratuitos esclarece pouco, e na verdade mascara, as raz\u00f5es do sucesso de alguns e do fracasso de outros&#8221;.<\/p>\n<p><b>S\u00f3 falta um esportivo&#8230;<\/b> &#8211; O crescimento do fen\u00f4meno gratuito deve passar por dois passos. O primeiro: reproduzir a experi\u00eancia paulistana em outras capitais brasileiras. O segundo, como sugeriu o <a href=\"http:\/\/www.sampaist.com\/archives\/2007\/05\/09\/o_novo_metro_de_sao_paulo_jornal.php\" target=\"_blank\"><b>Leandro, do Sampaist<\/b><\/a>: trazer ao Brasil parcerias semelhantes a do Boston Red Sox, nos EUA, e criar um gratuito esportivo.<\/p>\n<p>&#8220;Est\u00e1 a\u00ed uma \u00f3tima id\u00e9ia para o nosso Metro e nossos dirigentes de futebol. Imagina como seria legal receber um jornalzinho desses para passar o tempo com uma boa leitura antes do jogo&#8221;, diz ele. Mas ser\u00e1 que funcionaria? Os portugueses da Cofina tentaram, sem sucesso, viabilizar o jornal <a href=\"http:\/\/www.elpenalty.net\" target=\"_blank\" title=\"Atualizado em dezembro de 2006...\"><b>El Penalty<\/b><\/a>, na Espanha. Durou apenas oito meses.<\/p>\n<p>No Brasil, uma turma de jornalistas empreendedores do Paran\u00e1 criou, em 2003, o jornal Arquibancada. Era um jornalzinho simples, mas que tinha uma boa proposta: como era focado nos clubes e distribu\u00eddo no est\u00e1dio antes dos jogos, o informativo basicamente apresentava a partida e dava um panorama do campeonato. Come\u00e7ou em Curitiba, nos jogos do Coritiba e do Atl\u00e9tico-PR, e logo se espalhou em outras pra\u00e7as (Arquibancada Santista, Arquibancada Colorada&#8230;). Deram um passo maior que a perna e, depois de tentar capitalizar com assinaturas, morreu e n\u00e3o deixou qualquer not\u00edcia.<\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o, o tabl\u00f3ide gratuito esportivo mais bacana que existe \u00e9 o <a href=\"http:\/\/www.redbulletin.com\" target=\"_blank\" title=\"G\u00eanios!!!\"><b>Red Bulletin<\/b><\/a>, distribu\u00eddo nos paddocks da F\u00f3rmula 1. Baseado nele, vou reformular a frase do Leandro: imagina como seria legal receber uma mescla do Metro com o Red Bulletin, trazendo informa\u00e7\u00f5es relevantes,  historinhas divertidas, bem diagramado e com impress\u00e3o de qualidade, antes dos jogos do Brasileir\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de &#8220;quantas linhas&#8221; e &#8220;a favor ou contra&#8221;, a pergunta que todo rep\u00f3rter faz em uma reda\u00e7\u00e3o de jornal \u00e9 &#8220;qual o futuro do jornal impresso&#8221;. \u00c9 um pensamento recorrente, embora a grande quest\u00e3o, a meu ver, \u00e9 como os grandes ve\u00edculos v\u00e3o sobreviver a enxurrada de fontes de informa\u00e7\u00e3o que surgem a todo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-243","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-plantao-marmota"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=243"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/243\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}