{"id":230,"date":"2007-05-30T16:15:21","date_gmt":"2007-05-30T19:15:21","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/marmota-indica-a-nova-livraria-cultura"},"modified":"2007-05-30T16:15:21","modified_gmt":"2007-05-30T19:15:21","slug":"marmota-indica-a-nova-livraria-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/marmota-indica-a-nova-livraria-cultura\/","title":{"rendered":"Marmota indica: a nova Livraria Cultura"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/indica.gif\" align=\"right\" \/>Normalmente, a express&#227;o &#8220;Marmota indica&#8221; vem precedida de alguma sugest&#227;o gastron&#244;mica. Mas a visita que fiz essa semana &#224;s novas instala&#231;&#245;es da <a href=\"\/web\/20070830160331\/http:\/\/www.sampaist.com\/archives\/2007\/05\/21\/livraria_cultura_conjunto_nacional_inauguracao_fotos.php\" target=\"_blank\" title=\"&#211;bvio que o Sampaist tava l&#225;!\"><b>Livraria Cultura<\/b><\/a>, v&#227;o deturpar um tiquinho o objetivo desta s&#233;rie.<\/p>\n<p>Claro que a simples reinaugura&#231;&#227;o da loja no &#250;ltimo dia 21, comemorando os 60 anos de sua funda&#231;&#227;o, j&#225; seria um bom pretexto para dar um pulinho no Conjunto Nacional. Uma raz&#227;o extra veio em forma de presente de anivers&#225;rio: meu grande amigo Marcelo embrulhou para presente um livro que havia emprestado h&#225; tempos, provocando uma brilhante cena c&#244;mica. Uma folheada r&#225;pida trouxe um vale-presente da livraria &#8211; o kit revelou-se um excelente regalo: al&#233;m das risadas, ganhei um &#8220;passaporte&#8221; para conhecer a loja obrigatoriamente.<\/p>\n<p>J&#225; estava empolgado desde a semana passada, mas na minha primeira tentativa, encontrei as portas fechadas. <a href=\"\/web\/20070830160331\/http:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/SaoPaulo\/0,,MUL41690-5605,00.html\" target=\"_blank\" title=\"Not&#237;cia do G1\"><b>Logo descobri<\/b><\/a> que, dois dias ap&#243;s a abertura, a loja precisou atender algumas exig&#234;ncias do Contru, relacionadas &#224; sinaliza&#231;&#227;o de extintores e sa&#237;das de emerg&#234;ncia.<\/p>\n<p>Enfim, consegui entrar, com alguns dias de atraso. Sem mais delongas, vamos aos quesitos de sempre.<\/p>\n<p><b>Localiza&#231;&#227;o: <font color=\"#CC0000\">*****&#211;TIMO<\/font><\/b>. Mas tenho que admitir: pensei um pouco antes de conceder a nota m&#225;xima. T&#225;, eu sei que &#233; rid&#237;culo pensar que o Conjunto Nacional (Avenida Paulista 2073, encostado ao Metr&#244; Consola&#231;&#227;o) tem localiza&#231;&#227;o ruim. A verdade &#233; que estou mal acostumado com a Fnac Paulista, onde eu s&#243; preciso atravessar a rua para chegar &#8211; o que me garante alguns minutos de &#243;cio antes de bater o cart&#227;o.<\/p>\n<p>Ah, mas n&#227;o tem desculpa. Uma caminhada de vinte minutos &#233; o suficiente para separar os 1200m que separam uma loja da outra. E o que s&#227;o vinte minutos dentro de uma livraria como a Cultura? Praticamente nada.<\/p>\n<p><b>Ambiente: <font color=\"#CC0000\">*****&#211;TIMO!<\/font><\/b>. Quando soube que a loja seria instalada no mesmo espa&#231;o onde funcionava o Cine Astor, logo me veio &#224; mente o pr&#233;dio do El Ateneo Grand Splendid, em Buenos Aires. Antes de se tornar uma das maiores livrarias da Am&#233;rica Latina, o lugar tamb&#233;m abrigara cinema e teatro. E a solu&#231;&#227;o de preservar a arquitetura original, instalando estantes de livros no piso inclinado onde existiam poltronas, ficou perfeita.<\/p>\n<p>A nova Livraria Cultura tamb&#233;m tem as &#8220;estantes inclinadas&#8221;, e ao lado delas, v&#225;rios pufes coloridos ou s&#243;brias poltronas e sof&#225;s de couro preto para qualquer um se refestelar e folhear alguma novidade. Mas para chegar ali, o visitante acostumado ao Conjunto Nacional &#233; guiado por placas, instaladas nas fachadas dos antigos cafofos da Livraria, trazendo fotos de funcion&#225;rios com livros abertos na cabe&#231;a (simbolizando a &#8220;casa nova&#8221;).<\/p>\n<p>Ent&#227;o damos de cara com uma rampa sustentada por impactantes treli&#231;as met&#225;licas. N&#227;o tem como n&#227;o subir nela. E antes de esbarrar no tradicional quiosque dos &#8220;mais vendidos&#8221;, outra surpresa: carpete com quadr&#237;culas em tons vermelhos e amarelos, refor&#231;ando a ilumina&#231;&#227;o perfeita. E o que dizer do dragooz&#227;o de madeira, instalado na se&#231;&#227;o infantil?<\/p>\n<p>O mais legal &#233; que agora toda a Cultura est&#225; num espa&#231;o s&#243;, em amplos 4300 metros quadrados. Eu adorava passar longos minutos na estante de guias de viagens, que ficava num distante segundo piso da mais estreita das quatro casinhas de outrora. Agora os guias est&#227;o no primeiro piso, &#224; esquerda dos caixas &#8211; que ficam bem no meio da loja. <\/p>\n<p><b>Atendimento: <font color=\"#CC0000\">*****O DE SEMPRE<\/font><\/b> Tente ficar parado, inerte, em frente a qualquer estante. Pode ser que n&#227;o seja o seu dia de sorte, mas em condi&#231;&#245;es normais, pode ter certeza: vai aparecer algu&#233;m e perguntar: &#8220;posso ajud&#225;-lo?&#8221;.<\/p>\n<p>Para complementar esse item, uma frase pin&#231;ada da <a href=\"\/web\/20070830160331\/http:\/\/vejasaopaulo.abril.com.br\/revista\/vejasp\/edicoes\/2009\/m0129481.html\" target=\"_blank\"><b>reportagem da Vejinha<\/b><\/a> sobre a nova livraria: &#8220;Seus balconistas s&#227;o famosos por procurar t&#237;tulos do alem&#227;o Nietzsche ou do russo Dostoievski sem precisar pedir ao cliente para soletrar o nome dos autores&#8221;. &#201; isso. <\/p>\n<p><b>Card&#225;pio: <font color=\"#CC0000\">*****&#211;TIMO<\/font><\/b>. &#201;, a rasga&#231;&#227;o de seda t&#225; forte, daqui a pouco o Bear aparece aqui e diz &#8220;com todo respeito, t&#225; parecendo propaganda isso aqui&#8221;. Mas o que eu posso fazer se, qualquer livro que eu pensar em comprar, seja ele em portugu&#234;s, ingl&#234;s, espanhol ou franc&#234;s, est&#225; l&#225;? &#201; preciso invocar novamente a lembran&#231;a da Fnac, a maior concorrente da Cultura: enquanto a multinacional francesa re&#250;ne 150 mil t&#237;tulos em seu cat&#225;logo, a Cultura tem dois milh&#245;es.<\/p>\n<p>Para incrementar o menu, algumas op&#231;&#245;es que n&#227;o existiam antes. Revistaria, CDs e DVDs, um caf&#233; (da rede Viena) e um teatro com 166 lugares, que ter&#225; como diretor art&#237;stico um dos &#8220;professores&#8221; do Ricardo Oshiro em seus tempos &#225;ureos de ESPN, o ator Dan Stulback.<\/p>\n<p><b>Pre&#231;o: <font color=\"#CC0000\">***BOM<\/font><\/b>. At&#233; porque, infelizmente, livro ainda est&#225; longe de ter pre&#231;os populares no Brasil.<\/p>\n<p><b>Avalia&#231;&#227;o geral: <font color=\"#CC0000\">*****&#211;TIMO<\/font><\/b>. Eu tenho uma teoria: de que vale abrir um bar muito lindo e com bebidas de todas as partes do mundo se, desde &#224;s dez da manh&#227;, tem sempre uma por&#231;&#227;o de cachaceiros jogando domin&#243; e arrumando encrenca? Claro que est&#233;tica e conte&#250;do contam muito em qualquer estabelecimento, mas o que faz a diferen&#231;a s&#227;o as pessoas.<\/p>\n<p>D&#225; pra reconhecer aquela dondoca, que ouviu falar da novidade e foi l&#225; ver como a loja &#233; fashion (s&#243; n&#227;o comprou a Caras para n&#227;o dar bandeira). Mas tirando um ou outro corpo estranho, &#233; poss&#237;vel se surpreender. Eu mesmo passei por tr&#234;s situa&#231;&#245;es inusitadas &#8211; come&#231;ando num encontro casual com Pedro Herz, o dono da livraria, que atendia pacientemente uma equipe de fot&#243;grafos. Reconheci seu rosto e sorri, gesto que foi gentilmente devolvido.<\/p>\n<p>A segunda foi no caixa &#8211; &#243;bvio que o vale-presente do Marcelo s&#243; serviu pra &#8220;inteirar&#8221; a mega-compra que fiz. Subitamente, um simp&#225;tico senhor me abordou. &#8220;Olha, eu vi essa semana no site da revista X uma apresenta&#231;&#227;o muito interessante a respeito do assunto tratado nesse livro aqui. Acho que voc&#234; deveria ler tamb&#233;m, vai valer a pena&#8221;. Fiquei t&#227;o embasbacado e feliz com aquele di&#225;logo, a ponto de esquecer que estava em uma cidade fria e impessoal como S&#227;o Paulo.<\/p>\n<p>J&#225; estava de sa&#237;da, quando a Livraria Cultura imp&#244;s a terceira e &#250;ltima li&#231;&#227;o sobre pessoas. T&#237;pica cena de filme: uma linda jovem, cabelos castanhos ondulados, entusiasmada com aquelas publica&#231;&#245;es todas, derruba o livro do mostru&#225;rio, que cai exatamente no instante que eu passo. Decido me abaixar e ajud&#225;-la. Enquanto ou&#231;o um &#8220;obrigado&#8221;, a mocinha esbarra novamente, deixando cair outro exemplar.<\/p>\n<p>Qualquer cidad&#227;o preparado e gabaritado saberia o que fazer nesse exato instante, capitalizando essa oportunidade &#250;nica de estabelecer contato com algu&#233;m potencialmente interessante, e que pode se transformar ao menos em uma agrad&#225;vel fonte de troca de id&#233;ias. Bom, a minha atitude n&#227;o pode ser considerada, digamos assim, aquele primor de gentileza.<\/p>\n<p>&#8220;Minha nossa, hoje &#233; um dia em que nada d&#225; certo, hein, &#244;?&#8221;, resmunguei. E sa&#237;, apressadamente. Talvez eu tenha que passar mais vezes na Livraria Cultura e procurar alguma coisa sobre &#8220;o be-a-b&#225; dos relacionamentos interpessoais&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Normalmente, a express&#227;o &#8220;Marmota indica&#8221; vem precedida de alguma sugest&#227;o gastron&#244;mica. 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