{"id":2218,"date":"2014-03-31T13:36:05","date_gmt":"2014-03-31T16:36:05","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/?p=2218"},"modified":"2014-03-31T13:36:05","modified_gmt":"2014-03-31T16:36:05","slug":"roteiro-lirico-e-saudoso-por-santiago","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/roteiro-lirico-e-saudoso-por-santiago\/","title":{"rendered":"Roteiro l\u00edrico e saudoso por Santiago"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/alo.gif\" align=\"right\" \/>Olha, fazia muito tempo que n\u00e3o acionava esta se\u00e7\u00e3o, comentando participa\u00e7\u00f5es dos cinco ou seis perdidos que ainda comentam ou mandam e-mails para c\u00e1. Nada melhor do que navegar pela mem\u00f3ria a partir de um pedido do <a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/cassiopoliti\" target=\"_blank\"><b>Cassio Politi<\/b><\/a>.<\/p>\n<p><tt>Cara, n\u00e3o sei se vai ser bom para voc\u00ea lembrar dessa viagem... Mas vou correr a Maratona de Santiago, em seis de abril. Como eu sei que voc\u00ea j\u00e1 conhece, adoraria receber algumas dicas sobre a capital chilena.<\/tt><\/p>\n<p>Por que seria ruim lembrar de uma das coisas mais legais que fiz na vida? Al\u00e9m do mais, minha cabe\u00e7a decidiu viajar sozinha neste fim de semana&#8230; N\u00e3o vai ser dif\u00edcil fazer uma breve escala no <a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/chichichi-lelele\/\"><b>Carnaval de 2008<\/b><\/a>. Ali\u00e1s, esta \u00e9 uma observa\u00e7\u00e3o importante: esse passeio j\u00e1 tem seis anos. Desde j\u00e1, fa\u00e7o um convite: registre aqui outras hist\u00f3rias e sugest\u00f5es de passeios sobre Santiago. Provavelmente muita coisa mudou nesse per\u00edodo. Inclusive eu. <\/p>\n<p align=\"center\">***<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140330_santiago_metro.jpg\" title=\"Esta\u00e7\u00e3o de Metro. Provavelmente Plaza de Armas, mas posso estar errado.\" \/><\/div>\n<blockquote>\n<p align=\"right\"><i>Sabr\u00e1s que no te amo y que te amo<br \/>puesto que de dos modos es la vida,<br \/>la palabra es un ala del silencio,<br \/>el fuego tiene una mitad de fr\u00edo.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>J\u00e1 decidiu qual hotel vai ficar? Tor\u00e7o para que seja pr\u00f3ximo a uma esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4! A cidade \u00e9 perfeita para ser conhecida pelor suas esta\u00e7\u00f5es (<a href=\"http:\/\/www.metrosantiago.cl\/\"><b>www.metrosantiago.cl<\/b><\/a>). Especialmente os arredores da esta\u00e7\u00e3o Plaza de Armas, onde ficam os cal\u00e7ad\u00f5es &#8211; o Paseo Ahumada \u00e9 o que concentra as lojas mais bacanas. Eu come\u00e7aria com uma caminhada por ali, nos arredores da catedral e do mercado central.<\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es normais, procuraria pelo Ibis: \u00e9 o tipo de lugar que n\u00e3o revela surpresas, e tem um ao lado da esta\u00e7\u00e3o Manuel Montt, em Providencia. Naquele fevereiro, o escolhido foi o Plaza Londres (<a href=\"http:\/\/www.hotelplazalondres.cl\/\" target=\"_blank\"><b>www.hotelplazalondres.cl<\/b><\/a>). Fica bem no centro, numa \u00e1rea sossegada. Fachada antiga, ambiente aconchegante, quartos grandes &#8211; mas, na \u00e9poca, um pouco velhinhos. Tinha uma h\u00f3spede que deixava a porta de seu quarto aberta! Al\u00e9m disso, a pr\u00f3pria estrutura do pr\u00e9dio n\u00e3o permitia ar-condicionado: em seu lugar, uma verdadeira r\u00e9plica do R2-D2!<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140330_santiago_parislondre.jpg\" title=\"Arredores do Hotel Plaza Londres. \u00c9 um bequinho bem tranquilo.\" \/><\/div>\n<p>Enfim, voltando ao centro de Santiago. Em 2008, um rapaz chamado Hanz apareceu. Perguntou pela Escrava Isaura, pelo futebol brasileiro, fez um elogio aos nossos vizinhos (assim como voc\u00eas, tamb\u00e9m adorammos argentinos: grelhados e mal passados!), falou da quantidade de restaurantes em S\u00e3o Paulo&#8230; Ent\u00e3o fez a abordagem que queria: um convite para um almo\u00e7o no Donde Augusto, dentro do mercado central (<a href=\"http:\/\/www.dondeaugusto.cl\" target=\"_blank\"><b>www.dondeaugusto.cl<\/b><\/a>). De fato, o lugar \u00e9 sensacional. A sugest\u00e3o do Hanz: <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/40665450@N00\/2243539798\/\" target=\"_blank\">centolla<\/b><\/a>. \u00c9 um tipo de caranguejo gigante, mas simplesmente delicioso. &#8220;A centolla \u00e9 que nem a mulher brasileira: n\u00e3o tem compara\u00e7\u00e3o!&#8221;, explicou o anfitri\u00e3o. Deve ser um prato pouco pedido: para comer, \u00e9 preciso usar os babadores da casa!<\/p>\n<p>S\u00f3 quando veio a conta fui perceber porque o neg\u00f3cio era t\u00e3o bom: certamente foi o almo\u00e7o mais caro que j\u00e1 paguei na vida. Valeu cada centavo &#8211; mas \u00e9 bom ficar atento ao pre\u00e7o da Centolla. Fiquei t\u00e3o perdido com os n\u00fameros a ponto de entregar apenas uns cento e poucos pesos ao simp\u00e1tico trio cantante que embalou a refei\u00e7\u00e3o com um cl\u00e1ssico &#8220;aaaaaaaaaaaa-maaaaaaaa-damante&#8221;, do Rei Roberto, no mais puro espanhol local. Devia ter dado uns mil pesos pra trupe. Caramba, nem quero pesquisar quanto custaria uma Centolla&#8230;<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140330_santiago_dondeaugust.jpg\" title=\"Donde Augusto, no Mercado Central.\" \/><\/div>\n<blockquote>\n<p align=\"right\"><i>No quiero que vacilen tu risa ni tus pasos,<br \/>no quiero que se muera mi herencia de alegr\u00eda,<br \/>no llames a mi pecho, estoy ausente.<br \/>Vive en mi ausencia como en una casa.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Mas enfim. A melhor forma de se orientar pela cidade \u00e9 por sua avenida principal. La Alameda, como \u00e9 chamada a Avenida Bernardo O&#8217;Higgins, o pai da p\u00e1tria chilena. Ali fica o Palacio de La Moneda, antiga casa da moeda e sede do governo. O pr\u00e9dio \u00e9 conhecido por ter sido o palco do golpe de estado em 11 de setembro de 1973, comandado por Augusto Pinochet. Salvador Allende, ent\u00e3o presidente, suicidou-se ali por n\u00e3o aceitar a rendi\u00e7\u00e3o. Atr\u00e1s do pr\u00e9dio fica um centro cultural, com exposi\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias (<a href=\"http:\/\/www.ccplm.cl\/\" target=\"_blank\"><b>www.ccplm.cl<\/b><\/a>).<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140330_santiago_palaciomone.jpg\" title=\"Fachada do Palacio de la Moneda.\" \/><\/div>\n<p>Na mesma avenida fica outro lugar bacana para se ver: o Cerro Santa Luc\u00eda, com muito verde e constru\u00e7\u00f5es his\u00f3ricas como a fonte de Netuno e o Castelo Hidalgo (<a href=\"http:\/\/www.castillohidalgo.cl\/\"><b>www.castillohidalgo.cl<\/b><\/a>). S\u00f3 tome cuidado ao caminhar por ali \u00e0 noite: voc\u00ea pode dar de cara com uma briga de garrafa&#8230;<\/p>\n<p>Est\u00e1 com pique para caminhar bastante? V\u00e1 de metr\u00f4 at\u00e9 a esta\u00e7\u00e3o Nuble no outro lado da cidade, percorra um dos bairros mais sossegados (ou in\u00f3spitos) de Santiago por uns 15 minutos (parecem uns 280 se for debaixo de sol a pino) at\u00e9 chegar ao Est\u00e1dio Nacional do Chile. Com alguma sorte, vai ser poss\u00edvel fugir do nada simp\u00e1tico porteiro do local: provavelmente ele vai dar a triste not\u00edcia de que o est\u00e1dio est\u00e1 fechado para visitas e &#8220;tamb\u00e9m \u00e9 proibido  fotografar&#8221; Da mesma forma, provavelmente ele vai continuar sentado na guarita dele: d\u00e1 pra fazer a volta ao redor dos por\u00f5es da ditadura e at\u00e9 registrar, de longe, o campo de jogo.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140330_santiago_estadio.jpg\" title=\"Registro do Est\u00e1dio Nacional de Santiago sem o guarda perceber.\" \/><\/div>\n<p><b>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/manifesto-a-favor-das-visitas-a-estadios-pelo-mundo\/\" target=\"_blank\">manifesto a favor das visitas aos est\u00e1dios<\/a><\/b><\/p>\n<p>Al\u00e9m de caminhar, quer correr ou praticar algum esporte? Experimente o Parque O&#8217;Higgins &#8211; sim, o general que conduziu o Chile \u00e0 sua independ\u00eancia d\u00e1 nome a um lindo parque na regi\u00e3o central. Tem pista de corrida, quadras esportivas, uma ab\u00f3bada el\u00edptica com um palco para espet\u00e1culos, pista de patina\u00e7\u00e3o, vel\u00f3dromo, muitos ciclistas e atletas, churrasqueiras para as fam\u00edlias desfrutarem aos domingos, aulas de nata\u00e7\u00e3o&#8230; Ali tamb\u00e9m tem um parque de divers\u00f5es aos moldes do antigo Playcenter paulistano: o Fantasilandia (<a href=\"http:\/\/www.fantasilandia.cl\/\" target=\"_blank\"><b>www.fantasilandia.cl<\/b><\/a>). Vale a visita numa pr\u00f3xima viagem, com as crian\u00e7as.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140330_santiago_pedalinhos.jpg\" title=\"Pedalinhos do Parque O\u00b4Higgins.\" \/><\/div>\n<p>Tem ainda um bosque delicioso para sentar e pensar na vida. Quem sabe encontrar cenas como a de uma vov\u00f3 brincando de bola com a garotada no fim da tarde. A abuela e a buela. Sacou? Enfim. O lago do bosque ainda oferece rom\u00e2nticos pedalinhos! Ou &#8220;autobotes&#8221;, como explicaram os dois simp\u00e1ticos velhinhos respons\u00e1veis pelo aluguel. Um deles, ao notar o sotaque brazuca, tratou de explicar: os pedalinhos vieram de Paquet\u00e1, Rio de Janeiro. Lembro que o senhor ficou apavorado ao saber que S\u00e3o Paulo tinha mais habitantes que o Chile inteiro. Camarada, ele deixou meia hora de pedalada pelo pre\u00e7o de 20 minutos &#8211; talvez soubesse que levaria esse tempo para voltar \u00e0 margem, exausto.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140330_santiago_abuela.jpg\" title=\"A abuela e a buela!\" \/><\/div>\n<blockquote>\n<p align=\"right\"><i>T\u00fa eras tambi\u00e9n una peque\u00f1a hoja<br \/>que temblaba en mi pecho.<br \/>El viento de la vida all\u00ed te puso.<br \/>En un principio no te vi: no supe<br \/>que ibas andando conmigo,<br \/>hasta que tus ra\u00edces<br \/>horadaron mi pecho,<br \/>se unieron a los hilos de mi sangre,<br \/>hablaron por mi boca,<br \/>florecieron conmigo.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A bandeira do Chile tem o azul do Oceano Pac\u00edfico, o branco da neve nas cordilheiras e o vermelho, que representa o sangue dos \u00edndios Mapochos, que defenderam seu territ\u00f3rio contra os espanh\u00f3is. Mapocho tamb\u00e9m \u00e9 o nome do rio que corta a cidade: uma caminhada a partir do centro para a outra margem nos transporta para as cal\u00e7adas do bairro bo\u00eamio Bellavista. Ali tem um lugar bacana para compras perdul\u00e1rias: o Patio Bellavista (<a href=\"http:\/\/www.patiobellavista.cl\/\" target=\"_blank\">www.patiobellavista.cl<\/a>). Tem uma lojinha especializada em joias elaboradas com lapis l\u00e1zuli, a pedra nacional do pa\u00eds (chama-se Inti Rey, rebatizada carinhosamente de Inter Ney!). Pode ser que ainda exista um sim\u00e1tico quiosque de souvenirs, capitaneada por uma senhora com a camisa do Colo-Colo &#8211; se bem que seus produtos ca\u00edam com frequ\u00eancia com a for\u00e7a do vento, talvez a banquinha j\u00e1 tenha voado.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140330_santiago_cerro.jpg\" title=\"Fim da tarde no alto do Cerro San Cristobal.\" \/><\/div>\n<p>Perto dali, outra atra\u00e7\u00e3o que rende uma tarde inteira: o Cerro San Cristobal, sede do Parque Municipal da cidade (<a href=\"http:\/\/www.parquemet.cl\/\" target=\"_blank\"><b>www.parquemet.cl<\/b><\/a>). \u00c9 o &#8220;P\u00e3o de A\u00e7\u00facar&#8221; de Santiago, com direito a bondinho (funicular) e uma vista deliciosa da cidade do alto, al\u00e9m da est\u00e1tua da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o e o zool\u00f3gico. D\u00e1 para descer pelo mesmo bondinho ou optar pelo telef\u00e9rico, que vai parar numa esta\u00e7\u00e3o chamada Oasis, do outro lado do parque. O passeio de telef\u00e9rico pode n\u00e3o ser dos mais animados para quem tem medo de altura, mas garante uma vista lind\u00edssima da cidade. Algumas crian\u00e7as-ninja, que saltavam lindamente pelas muretas no alto do cerro, ou mesmo alguma menininhas-emo pr\u00e9-adolescentes de gravata, saia xadrez, olhos carregados de maquiagem negra e cabelos vermelhos (eram do Rebelde?) pareciam ter mais coragem.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140330_santiago_losleones.jpg\" title=\"Arredores da esta\u00e7\u00e3o Los Leones.\" \/><\/div>\n<p>Tem um lugar que curti fazer comprinhas perdul\u00e1rias: os arredores da esta\u00e7\u00e3o Los Leones, em Providencia, com dezenas de lojinhas de games, videos, brinquedos&#8230; A Falabella do bairro, bem como o Mall Panor\u00e2mico (onde li pela primeira vez o termo &#8220;frozen yogurt&#8221;), tamb\u00e9m valem alguns pesos gastos por ali. Est\u00e1 com sede? Procure um carrinho com mote com huesillos, bebida \u00e0 base de p\u00eassego com gr\u00e3os saborosos, e refresque-se.<\/p>\n<p><b>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/rico-mote-con-huesillos\/\" target=\"_blank\">&#8220;rico mote com huesillos&#8221;<\/a><\/b><\/p>\n<p>Ficou com fome? Dizem que \u00e9 caro, mas deve valer a pena subir e experimentar alguma coisa no Restaurante Girat\u00f3rio (<a href=\"http:\/\/www.giratorio.cl\/\"><b>www.giratorio.cl<\/b><\/a>): fica no \u00faltimo andar de um pr\u00e9dio de dezoito andares no bairro da Providencia. Mas n\u00e3o precisa comer coisa cara como Centolla e alta gastronomia todo dia: tem uma rede de lanchonetes bem batuta, o Schopdog (<a href=\"http:\/\/www.schopdog.cl\" target=\"_blank\"><b>www.schopdog.cl<\/b><\/a>). Lanches e por\u00e7\u00f5es bacanas. Conheci a que fica perto da Plaza de Armas. Outro lugar com lembran\u00e7as doces, excelente para jantar: El Meson Nerudiano (<a href=\"http:\/\/www.elmesonnerudiano.cl\/\"><b>www.elmesonnerudiano.cl<\/b><\/a>).<\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"right\"><i>Nosotros, los perecederos, tocamos los metales,<br \/>el viento, las orillas del oc\u00e9ano, las piedras,<br \/>sabiendo que seguir\u00e1n, inm\u00f3viles o ardientes,<br \/>y yo fui descubriendo, nombrando todas las cosas:<br \/>fue mi destino amar y despedirme.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Deixei o melhor para o final. Antes do Meson, do Patio Bellavista ou do Cerro San Cristobal, n\u00e3o deixe de visitar La Chascona, uma das tr\u00eas casas do Pablo Neruda (<a href=\"http:\/\/www.fundacionneruda.org\/\" target=\"_blank\"><b>www.fundacionneruda.org<\/b><\/a>). A casa \u00e9 linda. A hist\u00f3ria do poeta, mais ainda. E se sobrou grana das compras perdul\u00e1rias, \u00e9 inevit\u00e1vel comprar chaveiro, postais, l\u00e1pis, calend\u00e1rio, caneca, porta-l\u00e1pis, marcadores de livro, camisetas&#8230; Ou ainda um quepe (?) ou bolsa de vinho (???). Sa\u00ed de l\u00e1 morrendo de vontade de ir a Valparaiso e Isla Negra. Tamb\u00e9m n\u00e3o tive a chance de ir a uma das vin\u00edcolas. Outro lugar que pretendo conhecer: o Museu da Mem\u00f3ria e dos Direitos Humanos, inaugurado em 2010 (<a href=\"http:\/\/www.museodelamemoria.cl\/\" target=\"_blank\"><b>www.museodelamemoria.cl<\/b><\/a>). \u00c9 um museu interativo sobre o duro per\u00edodo da ditadura chilena, outra verdadeira aula de hist\u00f3ria. Fica perto da esta\u00e7\u00e3o Quinta Normal do metr\u00f4.<\/p>\n<p><b>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/eu-quero-uma-casa-igual-a-do-pablo-neruda\/\" target=\"_blank\">Neruda e talvez o melhor texto da hist\u00f3ria do MMM<\/a><\/b><\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140330_santiago_andes.jpg\" title=\"Seu voo ir\u00e1 passar pelas Cordilheiras dos Andes!\" \/><\/div>\n<p>Quer esquentar os motores antes de viajar? Procure pelo filme &#8220;Gloria&#8221;. A premiada atriz Paulina Garcia contracena com sua vida e com Santiago em todas as cenas, segurando o filme lindamente. \u00c9 uma bela representa\u00e7\u00e3o dos tais altos e baixos do destino &#8211; e mesmo depois de tudo, Gloria continua firme e cativante. Para quem est\u00e1 no clima de Copa do Mundo, tem ainda o document\u00e1rio que conta a classifica\u00e7\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o chilena para o Mundial da \u00c1frica em 2010: &#8220;Ojos Rojos&#8221;. Outra dica cinematogr\u00e1fica importante: nem pense em assistir a  &#8220;Sobreviventes dos Andes&#8221;, de 1976, ou &#8220;Vivos!&#8221;, de 1993: ambos falam de um avi\u00e3o que cai nas cordilheiras e, at\u00e9 o resgate chegar, os poucos vivos se resguardam com o \u00fanico tipo de carne congelada dispon\u00edvel&#8230;<\/p>\n<p><b>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/ojos-rojos\/\" target=\"_blank\">olhos vermelhos na pr\u00e9via de Brasil x Chile<\/a><\/b><\/p>\n<p align=\"center\">***<\/p>\n<p>A essa altura, voc\u00ea se pergunta &#8220;por que o Cassio desconfiou se isso seria bom ou n\u00e3o&#8221;. A n\u00e3o ser que voc\u00ea seja um dos cinco ou seis perdidos que ainda frequentam este blog e sabem que planejei e executei este passeio com a fot\u00f3grafa que ilustrou este relato &#8211; que tamb\u00e9m me apresentou ao Neruda, o autor dos versos que as acompanham. Pelo seu prisma, descobri que \u00e9 poss\u00edvel viver movido pela saudade, mas de uma forma melanc\u00f3lica, pautada por vari\u00e1veis capazes de criar um momento perfeito (com centolla e coca-cola) e que jamais voltar\u00e3o a se encontrar. Como em outro Carnaval, com a mesma companhia, em Buenos Aires: muito legal, mas com uma sequ\u00eancia de roubadas (ali\u00e1s, elas merecem outro text\u00e3o). &#8220;Mas \u00e9 sempre assim: o pr\u00f3ximo fim de semana de algu\u00e9m no Chile nunca ser\u00e1 igual ao seu&#8221;.<\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o. Mas viver \u00e9 como viajar. D\u00e1 para desembarcar, desfazer a mala e, depois de organizar a mem\u00f3ria, ir atr\u00e1s da saudade e alimentar as aus\u00eancias que ela traz, ouvindo algo como &#8220;tudo o que me acostumei a sentir ontem e continuarei a viver amanh\u00e3 ser\u00e1 a sua falta&#8221;. Tamb\u00e9m podemos nos dar conta que o imponder\u00e1vel \u00e9 inevit\u00e1vel. Cada desembarque ser\u00e1 diferente do outro, e ao contr\u00e1rio daquele prisma, s\u00e3o saudades oxigenando constantes lembran\u00e7as novas, transformando-se num convite \u00e0 presen\u00e7a: &#8220;seja qual for seu pr\u00f3ximo roteiro, desejo que voc\u00ea me coloque nos seus planos&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de replanejar Buenos Aires, Santiago, o que vier. Mudar as vari\u00e1veis e experimentar novas e lindas hist\u00f3rias.<\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"right\"><i>Y antes de despedirme, quiero estar<br \/>preparado y llegar con tus trabajos<br \/>como si fueran m\u00edos, a la muerte.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"center\">***<\/p>\n<p>Ah, sim: se um dia te der vontade de procurar por um presente, procure pelo livro &#8220;Roteiro l\u00edrico e sentimental da cidade de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro&#8221;, do Vin\u00edcius de Moraes, cujo t\u00edtulo (tamb\u00e9m) inspirou este relato.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m podem ser <a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/o-enlouquecido-cacador-de-cartoes-postais\/\" target=\"_blank\"><b>alguns cart\u00f5es postais<\/b><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olha, fazia muito tempo que n\u00e3o acionava esta se\u00e7\u00e3o, comentando participa\u00e7\u00f5es dos cinco ou seis perdidos que ainda comentam ou mandam e-mails para c\u00e1. 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