{"id":2169,"date":"2014-02-01T22:56:33","date_gmt":"2014-02-02T01:56:33","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/?p=2169"},"modified":"2014-02-01T22:56:33","modified_gmt":"2014-02-02T01:56:33","slug":"o-enlouquecido-cacador-de-cartoes-postais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/o-enlouquecido-cacador-de-cartoes-postais\/","title":{"rendered":"O enlouquecido ca\u00e7ador de cart\u00f5es-postais"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/ilustrado.gif\" align=\"right\">Vai viajar? Conhecer ou rever algum lugar especial? Se durante o seu caminho voc\u00ea lembrar e n\u00e3o for pedir muito, arrume alguns cart\u00f5es-postais e envie (ou traga) para mim.<\/p>\n<p>Eu mesmo fa\u00e7o esse ritual desde que gastei meus primeiros cruzados novos da mesada em postais durante os meses em que passei em Bras\u00edlia em 1989. Mesmo em uma conex\u00e3o naquele aeroporto muito louco, ainda compro um ou dois no quiosque para lembrar de onde comecei a guard\u00e1-los. Nos \u00faltimos anos, viagens pelo pa\u00eds e fora dele encorparam a cole\u00e7\u00e3o: Aparecida, Itaja\u00ed, Pelotas, Guarapari, Boa Vista, Jo\u00e3o Pessoa, Inhotim, Hopi Hari, Manaus, Rio Branco&#8230; Nas tr\u00eas viagens que fiz a Buenos Aires, trouxe postais. E Montevid\u00e9u, Santiago, Amsterd\u00e3, Bonn, Porto, Barcelona, Atenas, Praga, Copenhague&#8230;<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140120_botucatulageado.jpg\" title=\"Fazenda Lageado, onde fica o Museu do Caf\u00e9: Campus da Unesp em Botucatu\" \/><\/div>\n<p>Mas o legal mesmo \u00e9 receber cart\u00f5es de gente querida &#8211; seja porque eu pedi ou, melhor ainda, porque lembrou espontaneamente. Nunca pisei nos EUA ou na \u00c1sia, mas tenho postcards sensacionais da Nasa, de Sydney, do Jap\u00e3o&#8230; Ano passado recebi mais de 60 em meio a um trajeto entre Portugal e Jerusal\u00e9m. Soube que os &#8220;cart\u00f5es para o Andr\u00e9&#8221; ficaram famosos nessa viagem. Os \u00faltimos vieram de Cleveland (entregue pessoalmente) e Ushuaia (via correio, com uma explica\u00e7\u00e3o linda).<\/p>\n<p>Lembro quando ganhei de presente meus primeiros postais de Bel\u00e9m do Par\u00e1: veio em uma caixinha de sapatos vermelha, que serviria &#8220;para guardar os outros juntos&#8221;&#8230; A inten\u00e7\u00e3o era linda, mas s\u00f3. J\u00e1 naquele dia n\u00e3o sabia ao certo quantos postais eu tinha. S\u00e3o centenas. Guardo-os numa grande caixa de pl\u00e1stico com motivos de viagem, aos moldes daquelas antigas maletas de caixeiro-viajante.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m sou apaixonado por viagens de carro. Partir para algum destino qualquer e curtir o passeio falando bobagem e ouvindo m\u00fasica. O que eu n\u00e3o sabia, e s\u00f3 percebi ao revisitar a minha cidade natal depois de uns 35 anos, \u00e9 que gostava de postais tanto quanto dirigir estrada afora.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140120_marmotaguiando.jpg\" title=\"Isso n\u00e3o \u00e9 um postal: \u00e9 um motorista POSER.\" \/><\/div>\n<p>(Para ler mais tarde: <a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/fragmentos-de-uma-infancia-interiorana\/\" target=\"_blank\"><b>Fragmentos de uma inf\u00e2ncia interiorana<\/b><\/a>)<\/p>\n<p>Fui o motorista de uma divertida caravana ao lado de <a href=\"http:\/\/eapalavra.blogspot.com.br\" target=\"_blank\"><b>Caio<\/b><\/a>, Grazi e Nary rumo ao <a href=\"http:\/\/www.portalintercom.org.br\/index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=3937:programacao-2013&#038;catid=49:congresso-regional-sudeste\" target=\"_blank\"><b>Intercom Sudeste<\/b><\/a>, na Unesp de Bauru. Claro que os compromissos acad\u00eamicos eram importantes, mas esses acabaram virando pretextos para outras situa\u00e7\u00f5es, como uma caminhada pelo centro da cidade, uma passadinha diante da Benefic\u00eancia (exatamente onde eu nasci!) ou ainda a surpreendente visita ao <a href=\"http:\/\/www.vitruvius.com.br\/revistas\/read\/minhacidade\/08.090\/1906\" target=\"_blank\"><b>Museu Ferrovi\u00e1rio<\/b><\/a> &#8211; e hist\u00f3rias deliciosas contadas pelo &#8220;seu&#8221; Paulo.<\/p>\n<p>Outra excelente decis\u00e3o: ficamos sediados em Botucatu, a 100km de dist\u00e2ncia, na morada acolhedora do &#8220;tio&#8221; Luiz e sua fam\u00edlia &#8211; a Nary nem se importou do &#8220;tio&#8221; ter sido adotado por todos. Isso pode ter custado alguns litros de combust\u00edvel e uma pequena fortuna com ped\u00e1gios em idas e vindas pela <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rodovia_Marechal_Rondon\" target=\"_blank\">Via Rondon<\/b><\/a>&#8230; Prefiro pensar que foi um investimento em boa m\u00fasica, altos papos e terreno preparado para uma despedida na <a href=\"http:\/\/www.fca.unesp.br\" target=\"_blank\"><b>fazenda Lageado<\/b><\/a>, onde fica o Museu do Caf\u00e9.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140120_bauruestacao.jpg\" title=\"Caio e a fachada da antiga esta\u00e7\u00e3o de trem\" \/><\/div>\n<p>Entre passeios, caminhadas e refei\u00e7\u00f5es, seguia meu sistem\u00e1tico procedimento: procurava por bancas de revista, livrarias ou papelarias. Folheava jornais locais, admirava (ou n\u00e3o) algumas capas e perguntava por cart\u00f5es-postais. Dificilmente encontraria algo em Botucatu &#8211; mesmo no s\u00edtio modelo da Unesp, nenhum souvenir \u00e0 venda. O que n\u00e3o imaginava era encontrar a mesma dificuldade na cidade que deu origem ao lanche de rosbife com queijo e picles mais popular do Ponto Chic. Nada no cal\u00e7ad\u00e3o Rua Batista de Carvalho, no shopping \u00e0s margens da Rondon ou mesmo no <a href=\"http:\/\/www.boulevardshoppingnacoes.com.br\" target=\"_blank\"><b>Boulevard das Na\u00e7\u00f5es<\/b><\/a>, ainda cheirando a novo &#8211; tudo o que encontramos l\u00e1 foi uma figura que era igualzinho ao Michael Jackson em fase final.<\/p>\n<p>J\u00e1 tinha desistido dos postais enquanto arrumava a bagagem para voltarmos. Foi quando me dei conta:<\/p>\n<p>&#8211; Algu\u00e9m viu o meu modem?<\/p>\n<p>Sempre que vou a um curso, encontro, congresso ou afins, costumo levar meu <a href=\"http:\/\/www.nvtl.com\/products\/mobile-broadband-solutions\/mifi-intelligent-mobile-hotspots\/mifi-2372-3g-intelligent-mobile-hotspot\/\" target=\"_blank\"><b>brinquedinho sem fio<\/b><\/a>, munido de chip pr\u00e9-pago habilitado para dados. N\u00e3o \u00e9 exatamente a banda mais bonita e veloz da cidade, mas aguenta o tranco para apresenta\u00e7\u00f5es online, e-mails e sites de relacionamento. Liguei a maquininha num canto da sala onde apresentei meu artigo. O mesmo lugar onde acabei puxando conversa com os alunos, os professores, a turma toda. Sa\u00edmos para um lanche na pracinha de alimenta\u00e7\u00e3o, compras perdul\u00e1rias na livraria m\u00f3vel da Unesp, \u00faltima circulada pela cidade antes de voltarmos a Botucatu&#8230;<\/p>\n<p>E l\u00e1 o modem ficou, plugado na tomada de uma sala qualquer do campus da Unesp de Bauru.<\/p>\n<p>A frustra\u00e7\u00e3o da constante estabana\u00e7\u00e3o taurina diminuiu em dois telefonemas. Os seguran\u00e7as de plant\u00e3o na portaria da universidade foram atr\u00e1s do modem ap\u00f3s as instru\u00e7\u00f5es da primeira liga\u00e7\u00e3o (&#8220;\u00e9 do tamanho de um ma\u00e7o de cigarros, tem um rabicho com plugue na tomada, e se voc\u00ea n\u00e3o encontrar dois iguais a essa altura, est\u00e1 no fundo da sala sete do bloco dois&#8221;). E realmente estava l\u00e1, informou a voz ap\u00f3s a segunda chamada. N\u00e3o dava, no entanto, garantir a perman\u00eancia dele por ali nos dias seguintes. Muito menos uma remessa expressa a cobrar. S\u00f3 havia uma alternativa.<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, voc\u00eas ficariam muito chateados se f\u00f4ssemos l\u00e1 s\u00f3 para peg\u00e1-lo na portaria?<\/p>\n<p>At\u00e9 entendo meus companheiros de viagem: como eu era o motorista, o &#8220;ficaria puto sim&#8221;, apesar de inevit\u00e1vel, n\u00e3o mudaria muita coisa. Talvez para minimizar os efeitos de 200km extras, o Caio plantou a sementinha da dem\u00eancia em minha mente.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o sei o que voc\u00eas pensam, mas sem d\u00favidas isto me parece um sinal: o Andr\u00e9 n\u00e3o vai voltar para casa sem os postais dele. E j\u00e1 que vamos passar de novo por Bauru, vamos encontrar estes postais custe o que custar!<\/p>\n<p>J\u00e1 assistiram ao terceiro filme da sequ\u00eancia SpiderMan, onde o Tobey Maguire entra em contato com um simbionte alien\u00edgena e, para \u00eaxtase ao contr\u00e1rio dos f\u00e3s de quadrinhos, tem sua personalidade modificada e se torna uma esp\u00e9cie de &#8220;Emo Aranha&#8221;? Pois bem. De alguma forma, tamb\u00e9m assumi uma personalidade irreconhec\u00edvel movida por uma voz sussurrante: &#8220;postaaaisss!!!&#8221;.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140120_baururondon.jpg\" title=\"Via \nRondon, entre Botucatu e Bauru, em alguma manh\u00e3 de julho\" \/><\/div>\n<p>E l\u00e1 fomos para Bauru, de novo outra vez. Primeiro o resgate do modem, evidentemente. Peguei o brinquedinho, embrulhado em um envelope branco grampeado com o meu nome. Levantei-o como um trof\u00e9u enquanto pulava e gritava em dire\u00e7\u00e3o ao carro, ainda funcionando. &#8220;Agora, postaaaisss!!!&#8221;, balbuciei, quase espumando.<\/p>\n<p>Pr\u00f3xima parada: esta\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria de Bauru. Postais se alinham perfeitamente ao fluxo de chegadas e partidas. E eu n\u00e3o sei porque havia ignorado essa possibilidade antes&#8230; Parei na \u00e1rea de desembarque com o pisca alerta ligado. &#8220;Se aparecer algum guarda, liguem pra mim!&#8221;. Dei azar: o quiosque de lembran\u00e7as estava fechado. Perguntei para algum funcion\u00e1rio em que lugar da cidade poderia encontrar cart\u00f5es.<\/p>\n<p>Sim, voc\u00ea \u00e9 uma pessoa inteligente. Claro que eu poderia ter feito essa pergunta logo nas minhas primeiras horas em Bauru. Pode balan\u00e7ar a cabe\u00e7a.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140120_baurumuseu.jpg\" title=\"Se a visita ao Museu Ferrovi\u00e1rio n\u00e3o for com o Seu Paulo, esque\u00e7a!\" \/><\/div>\n<p>&#8211; Pessoal, algu\u00e9m sugeriu a banca de um mercado chamado <a href=\"http:\/\/www.tauste.com.br\" target=\"_blank\"><b>Tauste<\/b><\/a>. Vamos l\u00e1?!<\/p>\n<p>Apontei meu GPS para descobrir o endere\u00e7o. \u00c9 na Rua Rio Branco&#8230; Mmmhhh, a poucas quadras da Benefic\u00eancia Portuguesa. Exatamente. Onde estive um ou dois dias antes. Pode balan\u00e7ar a cabe\u00e7a outra vez.<\/p>\n<p>&#8211; Amigos, chegamos. Se quiserem comprar alguma coisa para beliscarmos no caminho, \u00e9 a hora. Eu agrade\u00e7o a paci\u00eancia de voc\u00eas. E se n\u00e3o encontrarmos aqui, a gente pega a estrada.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m quis entrar no hiper: estavam mesmo querendo encontrar logo os cart\u00f5es e dar o fora. Procurei alguma coisa parecida com uma banca no corredor interno, nada. Voltei para a \u00e1rea externa, caminhei para uma das pontas&#8230; Em seguida, para a outra.<\/p>\n<p>E l\u00e1 estava ela.<\/p>\n<p>Fechada.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140120_baurutauste.jpg\" title=\"Acharam os postais? Eu  tamb\u00e9m.\" \/><\/div>\n<p>Parei por longos segundos, olhando atrav\u00e9s da vitrine para aquele suporte pl\u00e1stico pendurado ao lado das revistas. Fui resgatado pelos colegas: eles tinham raz\u00e3o, j\u00e1 passavam das oito da noite. Embarcamos novamente rumo \u00e0 Marechal Rondon, despedindo-se de Bauru. Valeu a visita. Ao menos tentamos.<\/p>\n<p>&#8211; Ei&#8230; E aquele lugar ali? N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, ali tem que ter postais!<\/p>\n<p>Apontei para o <a href=\"http:\/\/www.alamedaqualitycenter.com.br\" target=\"_blank\">Alameda Quality Center<\/b><\/a>, no quil\u00f4metro 335 da rodovia. Curiosamente, n\u00e3o tinha prestado aten\u00e7\u00e3o naquele exagero do entretenimento em nenhuma das outras tr\u00eas ou sete vezes que passamos pelo mesmo caminho nos \u00faltimos dias.<\/p>\n<p>N\u00e3o estava enganando ningu\u00e9m: falei que pegar\u00edamos a estrada. E est\u00e1vamos, tecnicamente, nela. Entrei e estacionei no lugar mais distante e esquisito do p\u00e1tio. Nem o Caio, que h\u00e1 poucas horas tinha dito um &#8220;custe o que custar&#8221;, devia estar feliz.<\/p>\n<p>O lugar \u00e9 bastante agrad\u00e1vel, repleto de toda sorte de divers\u00f5es, presentes, brinquedos, quinquilharias, comilan\u00e7as, beberagens, moda, cultura de consumo r\u00e1pido, entre outros \u00edcones&#8230; Nenhum cart\u00e3o-postal.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/140120_baurumarmota.jpg\" title=\"Selfie no hospital: a \u00faltima vez ali tinha sido em 1977\" \/><\/div>\n<p>O que mais posso dizer? Bom, trouxe comigo um belo pretexto para voltar logo a Bauru. E mesmo sem algumas fotografias impressas em papel retangular, a viagem foi memor\u00e1vel &#8211; e nisso meus colegas v\u00e3o concordar, ainda que passem algum tempo balan\u00e7ando a cabe\u00e7a para mim. Al\u00e9m de tudo, n\u00e3o houve nenhum contratempo em centenas de quil\u00f4metros rodados. Quer dizer, por conta do hor\u00e1rio adiantado, praticamente fechamos as portas no Castelinho da Pamonha, j\u00e1 na entrada da Grande S\u00e3o Paulo. Irritada, uma das funcion\u00e1rias desabafou.<\/p>\n<p>&#8211; J\u00e1 era para fechar isso aqui! Mas continua vindo gente a essa hora! Cruzes!<\/p>\n<p>&#8211; Perd\u00e3o, senhora. N\u00e3o fosse um doidivanas peregrinando por uma cidade em busca de cart\u00f5es-postais, chegar\u00edamos mais cedo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vai viajar? Conhecer ou rever algum lugar especial? 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