{"id":210,"date":"2008-05-18T23:59:54","date_gmt":"2008-05-19T02:59:54","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/fragmentos-de-uma-infancia-interiorana"},"modified":"2008-05-18T23:59:54","modified_gmt":"2008-05-19T02:59:54","slug":"fragmentos-de-uma-infancia-interiorana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/fragmentos-de-uma-infancia-interiorana\/","title":{"rendered":"Fragmentos de uma inf\u00e2ncia interiorana"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/backfut.gif\" align=\"right\" \/><b>S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (SP)<\/b> &#8211; Tive a oportunidade de visitar o interior paulista por algumas vezes recentemente. No final de agosto, Narazaki e eu curtimos o casamento do nosso amigo Fini em Igara\u00e7u do Tiet\u00ea, perto de Ja\u00fa e a poucos passos de Barra Bonita. Nos \u00faltimos dias, foram outras duas viagens. Em Presidente Prudente, encontrei um professor na \u00e1rea de publicidade e propaganda que trabalhou doze anos na capital. Cansado da rotina estressante de S\u00e3o Paulo, mudou-se para o Pontal do Paranapanema e ganhou em qualidade de vida. Em Rio Preto, uma turma que estuda jornalismo n\u00e3o v\u00ea a hora de ir trabalhar na fascinante metr\u00f3pole. Mas s\u00f3 por algum tempo. Bem diferente dos mais velhos, que fizeram carreira em suas pacatas cidades e est\u00e3o felizes da vida.<\/p>\n<p>Essas declara\u00e7\u00f5es todas s\u00f3 amplificam a vontade que o tr\u00e2nsito e o estresse de todo dia provocam em mim: fugir dos 15 milh\u00f5es de habitantes amontoados na regi\u00e3o metropolitana e seguir uma vidinha tranquila em algum cantinho sossegado, como algum dos seiscentos e poucos munic\u00edpios do estado de S\u00e3o Paulo. Uma poss\u00edvel freada chocante de ritmo em rela\u00e7\u00e3o a uma vida toda constru\u00edda nessa loucura n\u00e3o seria in\u00e9dita, j\u00e1 que passei os meus primeiros tr\u00eas anos acompanhando a vida n\u00f4made dos meus pais pelo interior.<\/p>\n<p>Pouco tempo ap\u00f3s o casamento deles na zona rural de Pelotas, em 1975, o jovem casal acompanhou a expans\u00e3o do sistema Telebr\u00e1s e a instala\u00e7\u00e3o das centrais telef\u00f4nicas AXE da Ericsson &#8211; \u00e1rdua tarefa que ocupou alguns anos de trabalho do meu pai. Quando minha m\u00e3e engravidou, os dois moravam em Santa Cruz do Rio Pardo, na casa do Jo\u00e3o Gois e da Dona Dita. Aquela fam\u00edlia era alvo de um preconceito bobo, gra\u00e7as ao menino que sofria de paralisia. Foi l\u00e1, em 12 de dezembro de 1976, que meu pai <a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/correm-os-anos-surge-o-amanha-radioso-de-luz\/\" target=\"_blank\">b<inventou de comemorar o t\u00edtulo brasileiro do Inter<\/b><\/a> carregando uma bandeira enquanto guiava a Bras\u00edlia com minha m\u00e3e no banco do passageiro. Levou pedradas, cadeiradas e alguns pontos da corintianada.<\/p>\n<p>A moradia seguinte foi <a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/presente-de-dia-das-maes\/\" target=\"_blank\"><b>minha cidade natal<\/b><\/a>, que n\u00e3o conhe\u00e7o exatamente por ter feito parte desse &#8220;tour paterno&#8221;. O maior personagem da minha hist\u00f3ria em Bauru foi o obstetra. Minha m\u00e3e lembra com muito carinho do Doutor Tadashi, m\u00e9dico que  tratou de apresent\u00e1-la ao seu primeiro (e gordo) filho. Ela conta que, naquele maio de 1977, j\u00e1 moravam longe dali: em Ja\u00fa, numa casinha amarela com quintal de barro e uma floreira pincelada por p\u00e9talas amarelas. L\u00f3gico que ela fez quest\u00e3o de viajar s\u00f3 para permanecer aos cuidados do inesquec\u00edvel Doutor Tadashi.<\/p>\n<p>Nos anos seguintes, passei por S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (infelizmente n\u00e3o fa\u00e7o id\u00e9ia de onde morava para dar uma voltinha), em Barretos (numa \u00e9poca em que n\u00e3o existia o Parque do Pe\u00e3o para o tradicional rodeio) e, finalmente a movimentada casa da vov\u00f3 Floriza, na distante Vila Costa e Silva, bairro \u00e0 beira da Estrada Velha de Campinas. Ali\u00e1s, diga-se: enquanto rodamos o estado de S\u00e3o Paulo, nossas moradias eram bem humildes: normalmente eram pequenos im\u00f3veis ou c\u00f4modos aos fundos de outra casa maior. Mais: sempre alternando <a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/todos-os-meus-27-30-finais-de-ano\/\" target=\"_blank\"><b>idas e vindas<\/b><\/a> ao Rio Grande do Sul, todas elas de carro&#8230;<\/p>\n<p>Meu anivers\u00e1rio de tr\u00eas anos foi comemorado na praia. Nossa \u00faltima escala antes de <a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/jubileu-de-prata-do-buraco-do-marmota\/\" target=\"_blank\"><b>encararmos a capital<\/b><\/a> foi em Caraguatatuba, a poucas quadras do mar, numa casinha da Avenida Minas Gerais (hoje tem um pr\u00e9dio no lugar dela). Isso foi at\u00e9 1979, quando trocamos a areia do mar pela apraz\u00edvel Rua Aurora&#8230; Um baita press\u00e1gio: se era para escolhermos um lugar para demarcar territ\u00f3rio e seguir em frente, por que S\u00e3o Paulo?<\/p>\n<p>Ainda respirando os ares do interior, em cidades com poucos pr\u00e9dios, coreto e sorveteiro na pra\u00e7a, esbo\u00e7o um sorriso ao procurar por lembran\u00e7as fragmentadas que praticamente nunca tive, j\u00e1 que a maioria ouvi dos meus pais. Quem sabe elas n\u00e3o sejam recuperadas com poss\u00edveis recorda\u00e7\u00f5es futuras, num lugarzinho bacana&#8230; At\u00e9 Mogi das Cruzes serviria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (SP) &#8211; Tive a oportunidade de visitar o interior paulista por algumas vezes recentemente. No final de agosto, Narazaki e eu curtimos o casamento do nosso amigo Fini em Igara\u00e7u do Tiet\u00ea, perto de Ja\u00fa e a poucos passos de Barra Bonita. 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