{"id":207,"date":"2010-06-17T10:15:52","date_gmt":"2010-06-17T13:15:52","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/manifesto-a-favor-das-visitas-a-estadios-pelo-mundo"},"modified":"2010-06-17T10:15:52","modified_gmt":"2010-06-17T13:15:52","slug":"manifesto-a-favor-das-visitas-a-estadios-pelo-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/manifesto-a-favor-das-visitas-a-estadios-pelo-mundo\/","title":{"rendered":"Manifesto a favor das visitas a est\u00e1dios pelo mundo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-copa.gif\" align=\"right\" \/>O museu La Chascona, casa que Pablo Neruda construiu para viver com sua amante e futura esposa Matilde em Santiago, era o segundo lugar mais bacana que tinha vontade de conhecer em Santiago. O primeiro, disparado, era o Est\u00e1dio Nacional do Chile, palco da decis\u00e3o entre Brasil e Tchecoslov\u00e1quia, em 17 de junho de 1962. A sele\u00e7\u00e3o de Garrincha, Amarildo e companhia venceu por 3 a 1, dando a chance do zagueiro Mauro levantar a Ta\u00e7a Jules Rimet. Era o segundo t\u00edtulo brasileiro.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/100617_estadio_nacional.jpg\" \/><\/p>\n<p>Seria mais uma visita aos palcos das finais de copas em minha lista. Dos que consegui entrar, guardo boas recorda\u00e7\u00f5es do Monumental de Nu\u00f1es, em Buenos Aires;  do Santiago Bernab\u00e9u; do Stade de France; e do Est\u00e1dio Ol\u00edmpico de Berlim. Em Estocolmo, uma del\u00edcia: entrei no m\u00edtico Rasunda ap\u00f3s um golpe de sorte; no mesmo dia, passeamos pelo est\u00e1dio dos Jogos Ol\u00edmpicos de 1912, uma rel\u00edquia aberta ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>Enfim, visitar um est\u00e1dio vazio, aberto para visita\u00e7\u00e3o &#8211; ainda que por uma pequena taxa, como em Madri, Saint-Denis ou mesmo o Allianz Arena de Munique ou Amsterdam Arena (que, diga-se, s\u00f3 consegui entrar depois de tr\u00eas vezes) \u00e9 bom. A experi\u00eancia fica melhor ainda nas arquibancadas, no meio da torcida.<\/p>\n<p>\u00c9 assim a cada ida ao Beira-Rio (que mant\u00e9m um port\u00e3o sempre aberto para o visitante conhecer o est\u00e1dio). Foi assim quando vi Atl\u00e9tico e Cruzeiro, comendo o tropeiro do Mineir\u00e3o. Ou ao lado dos barra-bravas, quando quase fui alvejado com uma bomba de g\u00e1s, ap\u00f3s uma vit\u00f3ria do Boca sobre o V\u00e9lez em La Bombonera. Ou na inesquec\u00edvel vit\u00f3ria da sele\u00e7\u00e3o portuguesa por 7 a 1 contra a R\u00fassia, pelas Eliminat\u00f3rias da \u00faltima Copa, no Jos\u00e9 Alvalade, em Lisboa.<\/p>\n<p>Mas quase sempre a visita \u00e9 frustrada. Ainda segundo minha lista &#8220;finais de Mundiais&#8221;, os port\u00f5es do Olympiastadion de Munique, palco da final de 74, estavam fechados. Tamb\u00e9m j\u00e1 estive em Montevid\u00e9u, diante do Est\u00e1dio Centen\u00e1rio, mas por um azar danado, perdi a chance de assistir a Nacional e Central, pela Copa Sul-americana. Foi  exatamente no dia que fui embora &#8211; e eu sequer conheci o Museu. Tive azar ao encontrar port\u00f5es fechados em outras arenas, como o Est\u00e1dio Ol\u00edmpico de Atenas ou o Strahov.<\/p>\n<p>Ah, o Strahov. O maior est\u00e1dio do mundo \u00e9 o Colosso de Praga, um verdadeiro elefante branco que representa exatamente a grandeza do leste europeu comunista. Cabem nove campos de futebol dentro dele. Para chegar de metr\u00f4, s\u00f3 caminhando muito ap\u00f3s subir o funicular de Petr\u00edn. Mas para qu\u00ea, se aquela arma\u00e7\u00e3o decadente vive fechada para visitantes? Ali\u00e1s, no mesmo dia, at\u00e9 o est\u00e1dio do Sparta estava fechado.<\/p>\n<p>Enfim, toda essa manifesta\u00e7\u00e3o esnobe para dizer que, assim como qualquer paulistano que sonha em melhores condi\u00e7\u00f5es para ir a um est\u00e1dio, estou acostumado a caminhar longas horas a partir de uma esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 (como a Nuble, em Santiago), caminhar por avenidas desertas (como as avenidas Carlos Dittborn, onde nitidamente fica a &#8220;Cohab&#8221; da cidade, Marathon e, finalmente, Gr\u00e9cia) e dar de cara com uma grande decep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo que encontrei foram port\u00f5es fechados, algumas fam\u00edlias passeando ou utilizando parte da estrutura do Parque Ol\u00edmpico, al\u00e9m de dois turistas fotografando justamente no \u00fanico port\u00e3o onde dava para ver um pedacinho do gramado. O \u00fanico funcion\u00e1rio na entrada alertara quando cheguei: &#8220;para fotografar, \u00e9 preciso autoriza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o consigo admitir que eu seja o \u00fanico potencial turista que visita qualquer grande cidade que tenha um bom est\u00e1dio ou arena, e esteja disposto a pagar para conhecer detalhes impercept\u00edveis a quem passa pelo lado de fora. Assim como Salvador, que viu a Fonte Nova acabar ap\u00f3s a morte de inocentes torcedores, Santiago tamb\u00e9m est\u00e1 perdendo a grande oportunidade de conquistar os turistas fan\u00e1ticos.<\/p>\n<div align=\"center\">***<\/div>\n<p>Escrevi este texto em 05\/02\/2008, ainda instalado no Hotel Paris Londres, em Santiago. Na \u00e9poca, eram duas as minhas maiores frustra\u00e7\u00f5es: al\u00e9m daquela visita malfeita, havia o fato de n\u00e3o conhecer o Maracan\u00e3 &#8211; gra\u00e7as a <a href=\"http:\/\/dialetica.org\/luninha\">Luninha<\/a>, resilvi esta falha de car\u00e1ter. Enfim, num momento em que o pa\u00eds discute a constru\u00e7\u00e3o ou reforma de suas arenas para o Mundial de 2014, conv\u00e9m lembrar que os palcos de grandes decis\u00f5es mundiais ainda aproveitam desta voca\u00e7\u00e3o tur\u00edstica para faturar uma graninha.<\/p>\n<p>Agora, antes que me perguntem, n\u00e3o sei o que \u00e9 mais absurdo: S\u00e3o Paulo construir um novo elefante branco ou a CBF limar o Morumbi por quest\u00f5es pol\u00edticas. Deviam transferir o Mundial de 2014 pra Col\u00f4mbia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O museu La Chascona, casa que Pablo Neruda construiu para viver com sua amante e futura esposa Matilde em Santiago, era o segundo lugar mais bacana que tinha vontade de conhecer em Santiago. O primeiro, disparado, era o Est\u00e1dio Nacional do Chile, palco da decis\u00e3o entre Brasil e Tchecoslov\u00e1quia, em 17 de junho de 1962. 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