{"id":206,"date":"2008-05-08T23:57:52","date_gmt":"2008-05-09T02:57:52","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/paaa-rabens"},"modified":"2008-05-08T23:57:52","modified_gmt":"2008-05-09T02:57:52","slug":"paaa-rabens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/paaa-rabens\/","title":{"rendered":"P\u00e1\u00e1\u00e1-rab\u00e9ns!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\" \/>Dizem que os trinta dias que antecedem o nosso anivers\u00e1rio s\u00e3o marcados por um per\u00edodo astrol\u00f3gico batizado de &#8220;inferno astral&#8221;. Os entendidos do ramo acreditam que nossa sensibilidade aumenta a ponto de ficarmos extremamente incomodados com todo tipo de problema. Por essa raz\u00e3o, \u00e9 comum nesse per\u00edodo redobrarmos o esfor\u00e7o para resolv\u00ea-los ou mesmo repensarmos nossas atitudes.<\/p>\n<p>Esse papo pode ser fruto da imagina\u00e7\u00e3o ou do inconsciente coletivo, mas prefiro sustentar essa teoria para explicar a vontade inexplic\u00e1vel de chutar bundas e mandar qualquer be\u00f3cio tomar naquele lugar bem pr\u00f3ximo delas. Nem mesmo uma desestressante viagem no \u00faltimo feriado ao lado da <a href=\"http:\/\/www.interney.net\/blogs\/cintaliga\" target=\"_blank\"><b>Luciana<\/b><\/a> conseguiu aplacar minha revolta com o dito <s>&#8220;serumano&#8221;<\/s> &#8220;CERUMANO&#8221; (obrigado pela pertinente corre\u00e7\u00e3o, <a href=\"http:\/\/andreum.blog.br\/pt\" target=\"_blank\"><b>Andr\u00e9<\/b><\/a>!).<\/p>\n<p>O primeiro bate-boca desnecess\u00e1rio come\u00e7ou no check-in, em Congonhas. Estranhamente, nosso v\u00f4o n\u00e3o aparecia entre os pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p>&#8211; Senhor, como hoje \u00e9 feriado, esse v\u00f4o n\u00e3o est\u00e1 programado.<\/p>\n<p>Mas se n\u00e3o existia, como \u00e9 que eu consegui comprar a passagem?<\/p>\n<p>&#8211; Senhor, aqui sua reserva est\u00e1 marcada para outro v\u00f4o.<\/p>\n<p>Eu sei, vou embarcar sem traumas e chegar duas horas depois&#8230; Mas se o car\u00e1leo do v\u00f4o n\u00e3o existia, como \u00e9 que eu consegui comprar passagens?!?<\/p>\n<p>&#8211; Senhor, aqui est\u00e1 seu cart\u00e3o de embarque e controle de bagagens.<\/p>\n<p>E aqui est\u00e1 o meu celular, com o e-mail de voc\u00eas, indicando que eu comprei o car\u00e1leo de passagem para um v\u00f4o que n\u00e3o existe!!!<\/p>\n<p>&#8211; Senhor, se o senhor quiser entrar em contato com o nosso atendimento, \u00e9 s\u00f3 ligar para o nosso site&#8230;<\/p>\n<p>Ok, ligar para o site era a deixa para eu desistir da conversa fiada.<\/p>\n<p>Esse prof\u00edcuo debate foi suficiente para entrar definitivamente no modo intransigente. Sabendo disso, decidimos embarcar por \u00faltimo e evitar qualquer contato desnecess\u00e1rio com pessoas.<\/p>\n<p>N\u00e3o funcionou: logo atr\u00e1s, embarcou uma senhora t\u00e3o impaciente quanto eu. Enquanto ajudava a Luciana com a bagagem de m\u00e3o, a dita cuja deu dois tapinhas nas minhas costas.<\/p>\n<p>&#8211; Escuta, voc\u00ea pode me dar licen\u00e7a para eu sentar aqui no 11F?<\/p>\n<p>Eu seria mal educado de qualquer forma: na melhor das hip\u00f3teses, simplesmente ignoraria. Ou diria algo como &#8220;calma, o avi\u00e3o n\u00e3o vai subir enquanto a senhora n\u00e3o estiver sentadinha&#8221;. Enfim, tentando ao m\u00e1ximo controlar minha estupidez, virei na dire\u00e7\u00e3o da velhota:<\/p>\n<p>&#8211; Imposs\u00edvel, minha senhora, por uma raz\u00e3o bem simples: a poltrona 11F \u00c9 A MINHA!<\/p>\n<p>&#8220;Ops, tem algo errado aqui&#8221;, sussurrou a velha, enquanto procurava seu bilhete. L\u00f3gico que fiz a mesma coisa: exibimos nossos cart\u00f5es simultaneamente, como quem aperta o gatilho em qualquer bom duelo. Constatamos que o &#8220;algo errado&#8221; era a dita cuja.<\/p>\n<p>&#8211; Ih! Que coisa, vi errado&#8230; A minha \u00e9 a 17F&#8230;<\/p>\n<p>Em fra\u00e7\u00f5es de segundo, olhei bem nos olhos daquela velha e, balan\u00e7ando a cabe\u00e7a, disse a primeira coisa que me veio em mente.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 mesmo? Puxa, p\u00e1\u00e1\u00e1-rab\u00e9ns!<\/p>\n<p>Claro que a velha n\u00e3o gostou nada.<\/p>\n<p>&#8211; Nossa, mo\u00e7o, como voc\u00ea \u00e9 estressado, hein? Tsc tsc tsc&#8230;<\/p>\n<p>Ainda tentei melhorar um pouco a minha imagem, sem sucesso. &#8220;Ei Lu, por acaso voc\u00ea me acha estressado? Responda, agora!!!&#8221;.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o precisou falar nada. Problema dela. Nas horas seguintes, qualquer coisa era pretexto para evocar o bord\u00e3o concebido gra\u00e7as a velhota impaciente, a ponto de se tornar minha mais nova piada interna.<\/p>\n<p>&#8211; Est\u00e1 com frio? N\u00e3o trouxe blusa? P\u00e1\u00e1\u00e1-rab\u00e9ns!<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o tem dinheiro trocado? P\u00e1\u00e1\u00e1-rab\u00e9ns!<\/p>\n<p>&#8211; Vai passar alguns dias em S\u00e3o Paulo, \u00e9? P\u00e1\u00e1\u00e1-rab\u00e9ns!<\/p>\n<p>Ainda quero que o &#8220;inferno astral&#8221;, ou o que seja, v\u00e1 de uma vez. Mas creio que o &#8220;p\u00e1\u00e1\u00e1-rab\u00e9ns!&#8221; vai permanecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem que os trinta dias que antecedem o nosso anivers\u00e1rio s\u00e3o marcados por um per\u00edodo astrol\u00f3gico batizado de &#8220;inferno astral&#8221;. Os entendidos do ramo acreditam que nossa sensibilidade aumenta a ponto de ficarmos extremamente incomodados com todo tipo de problema. 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