{"id":205,"date":"2008-05-07T23:59:29","date_gmt":"2008-05-08T02:59:29","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/e-big-nao-e-pique-ou-breve-origem-do-parabens-pra-voce"},"modified":"2008-05-07T23:59:29","modified_gmt":"2008-05-08T02:59:29","slug":"e-big-nao-e-pique-ou-breve-origem-do-parabens-pra-voce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/e-big-nao-e-pique-ou-breve-origem-do-parabens-pra-voce\/","title":{"rendered":"\u00c9 big? N\u00e3o! \u00c9 pique!!! (ou: breve origem do &#8220;Parab\u00e9ns pra Voc\u00ea&#8221;)"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/fiquepordentro.gif\" align=\"right\" \/>Dia desses, a <a href=\"http:\/\/www.interney.net\/blogs\/cintaliga\" target=\"_blank\"><b>Luciana<\/b><\/a> tentou emendar um papinho furado sobre uma verdadeira institui\u00e7\u00e3o nacional: o nosso bom e velho &#8220;parab\u00e9ns pra voc\u00ea&#8221;. Ela garante que, ap\u00f3s a <a href=\"http:\/\/goo.gl\/nqWYwm\" target=\"_blank\" title=\"Naaaaaa!!! Essa \u00e9 outra!!!\"><b>tradicional melodia<\/b><\/a> e o famigerado &#8220;e pro fulano nada, ent\u00e3o como \u00e9 que \u00e9&#8221;, as pessoas em Bel\u00e9m do Par\u00e1 cantam:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 big! \u00c9 big! \u00c9 big, \u00e9 big, \u00e9 big!<\/p>\n<p>Como eu nunca ouvi ningu\u00e9m da regi\u00e3o norte cantar parab\u00e9ns pra mim, tratei de inform\u00e1-la forma conhecida em S\u00e3o Paulo:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 pique! \u00c9 pique! \u00c9 pique, \u00e9 pique, \u00e9 pique!<\/p>\n<p>Continuei a provoc\u00e1-la, garantindo que provavelmente apenas uns dois ou tr\u00eas guetos paraenses decidiram trocar o &#8220;pique&#8221; por &#8220;big&#8221;. Fiquei preocupado no \u00faltimo final de semana, quando a Luciana ressuscitou a pauta diante da blogueira-sem-blog <a href=\"http:\/\/www.verbeat.com.br\/blogs\/atmosfera\" target=\"_blank\" title=\"Vez ou outra ela escreve no Verbeat\"><b>Viva<\/b><\/a>. Para minha surpresa, ela explicou que j\u00e1 ouviu alguns &#8220;\u00e9 pique!&#8221; mas os cariocas cantam mesmo &#8220;\u00e9 big!&#8221;.<\/p>\n<p>Diante da celeuma, tratei de buscar por ind\u00edcios que colocassem \u00e0 pique qualquer men\u00e7\u00e3o ao big. Comecei descobrindo que a can\u00e7\u00e3o &#8220;Parab\u00e9ns pra Voc\u00ea&#8221; nasceu gra\u00e7as a duas professoras norte-americanas de nome Patty e Mildred, como &#8220;Good Morning to All&#8221; (&#8220;Bom Dia pra Voc\u00ea&#8221;, como cantava aquele ratinho chato em um desenho do &#8220;Tom e Jerry&#8221;). Tanto a melodia quanto as quatro linhas repetidas em ingl\u00eas foram compostas em 1893, mas registradas apenas em 1935 pela empresa Summy Company &#8211; que, pasmem, cobra royalties pela execu\u00e7\u00e3o da melodia! Eu nunca paguei, mas eles chegam a receber alguns milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano!!!<\/p>\n<p>A vers\u00e3o brasileira do &#8220;Happy Birthday to You&#8221; veio em 1942, gra\u00e7as a um concurso da R\u00e1dio Tupi do Rio de Janeiro. Bertha Celeste Homem de Mello, uma simp\u00e1tica paulista, criou o popular\u00edssimo &#8220;Parab\u00e9ns a voc\u00ea \/ Nesta data querida \/ Muita felicidade \/ Muitos anos de vida&#8221;. Repare na flex\u00e3o do terceiro verso, no singular: enquanto permaneceu viva, Bertha Celeste pedia encarecidamente que as pessoas cantassem a letra exatamente dessa forma&#8230;<\/p>\n<p>Claro que num pa\u00eds continental como o Brasil, as diferen\u00e7as seriam inevit\u00e1veis &#8211; e v\u00e3o muito al\u00e9m de um simples plural. No Rio Grande do Sul, o Parab\u00e9ns Crioulo (ou Gaud\u00e9rio, como queiram), criado por Dimas Costa (radialista do hist\u00f3rico &#8220;Grande Rodeio Coringa&#8221;) popularizou outra forma de celebrar um anivers\u00e1rio: &#8220;Parab\u00e9ns, parab\u00e9ns \/ Sa\u00fade e felicidade \/ Que tu colhas sempre todo dia \/ Paz e alegria na lavoura da amizade&#8221;.<\/p>\n<p>As in\u00fameras varia\u00e7\u00f5es regionais explicam a evolu\u00e7\u00e3o do &#8220;pique&#8221; para o &#8220;big&#8221; &#8211; e n\u00e3o o contr\u00e1rio, como gostariam os partid\u00e1rios da Luciana. Mat\u00e9ria assinada por Fabr\u00edcio Marques na revista &#8220;Pesquisa Fapesp&#8221;, em agosto de 2004, traz uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es geradas ao redor da Faculdade de Direito do largo de S\u00e3o Francisco. Em dois par\u00e1grafos, tamb\u00e9m revela a origem dos versos n\u00e3o-identificados do nosso bom e velho &#8220;parab\u00e9ns&#8221;. <a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/index.php?art=2552&amp;bd=1&amp;pg=2\" target=\"_blank\"><b>De acordo com o texto:<\/b><\/a><\/p>\n<blockquote><p><i>O bord\u00e3o &#8220;\u00e9 pique \u00e9 pique, \u00e9 hora \u00e9 hora, r\u00e1-tim-bum&#8221;, incorporado no Brasil ao Parab\u00e9ns a voc\u00ea, \u00e9 uma colagem de bord\u00f5es dos p\u00e2ndegos estudantes das Arcadas (como a faculdade tamb\u00e9m era chamada) da d\u00e9cada de 1930. &#8220;\u00c9 pique&#8221;  era uma sauda\u00e7\u00e3o ao estudante Ubirajara Martins, conhecido como &#8220;pic-pic&#8221; porque vivia com uma tesourinha aparando a barba e o bigode pontiagudo. &#8220;\u00c9 hora&#8221; era um grito de guerra de botequim: nos bares, os estudantes eram obrigados a aguardar meia hora por uma nova rodada de cerveja &#8211; era o tempo necess\u00e1rio para a bebida refrigerar em barras de gelo. Quando dava o tempo, eles gritavam: &#8220;\u00c9 meia hora, \u00e9 hora, \u00e9 hora, \u00e9 hora&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;R\u00e1-tim-bum&#8221; , por incr\u00edvel que pare\u00e7a, refere-se a um raj\u00e1 indiano chamado Timbum, ou coisa parecida, que visitou a faculdade &#8211; e cativou os estudantes com a sonoridade de seu nome. O amontoado de bord\u00f5es ecoava nas mesas do restaurante Ponto Chic (que criou o sandu\u00edche Bauru gra\u00e7as a outro estudante de Direito, Casemiro Pinto Neto), com um formato um pouco diferente do que se conhece hoje: &#8220;Pic-pic, pic-pic; meia hora, \u00e9 hora, \u00e9 hora, \u00e9 hora; r\u00e1, j\u00e1, tim, bum&#8221;.<\/i><\/p><\/blockquote>\n<p>Isso significa que algum gaiato ouviu &#8220;pic-pic&#8221; uma vez e passou a cantar &#8220;pique&#8221;, at\u00e9 que outro cururu prosseguiu com o telefone-sem-fio, emendando &#8220;big&#8221;. Provavelmente, ao serem questionados, s\u00e3o capazes de justificar suas escolhas: &#8220;pique \u00e9 o grau mais alto, o auge, \u00e9 a disposi\u00e7\u00e3o e energia m\u00e1xima&#8221;. &#8220;Mas big significa grande, e \u00e9 tudo que um anivers\u00e1rio representa&#8221;. Nem \u00e9 preciso discorrer sobre a motiva\u00e7\u00e3o de quem deturpou o pol\u00eamico trecho:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 pica! \u00c9 pica! \u00c9 rola, \u00e9 rola, \u00e9 rola&#8230;<\/p>\n<p>Enfim, ainda falta descobrir de onde veio outro complemento infame: &#8220;com quem ser\u00e1, com quem ser\u00e1&#8230; Que o Fulano  vai se casar? Vai depender, vai depender&#8230; Se a Fulana tamb\u00e9m vai querer&#8230;&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia desses, a Luciana tentou emendar um papinho furado sobre uma verdadeira institui\u00e7\u00e3o nacional: o nosso bom e velho &#8220;parab\u00e9ns pra voc\u00ea&#8221;. 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