{"id":2021,"date":"2014-01-06T10:29:50","date_gmt":"2014-01-06T13:29:50","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/?p=2021"},"modified":"2014-01-06T10:29:50","modified_gmt":"2014-01-06T13:29:50","slug":"e-preciso-voltar-a-acreditar-em-papai-noel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/e-preciso-voltar-a-acreditar-em-papai-noel\/","title":{"rendered":"\u00c9 preciso voltar a acreditar em Papai Noel"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/backfut.gif\" align=\"right\" \/>Em um desses filmes comerciais que ocuparam cada instante dos intervalos da TV nas \u00faltimas semanas, o &#8220;Papai Noel da Coca-Cola&#8221; (esta express\u00e3o \u00e9 um tipo de pleonasmo) questiona se algu\u00e9m ainda acredita nele e, antes de se despedir, anuncia: &#8220;desta vez, eu vou escrever uma carta para voc\u00eas&#8221;.<\/p>\n<p>Inevitavelmente, lembrei de um costume antigo: antes de usar o artif\u00edcio como quem cria um <a href=\"http:\/\/digitaldrops.com.br\/drops\/2013\/12\/momentos-unicos-que-valem-por-toda-uma-vida.html\" target=\"_blank\" title=\"Propaganda disfar\u00e7ada de conte\u00fado n\u00e3o cai bem, n\u00e3o acham?\"><b>publieditorial safado<\/b><\/a>, o velho pan\u00e7udo escrevia para mim ap\u00f3s as festividades natalinas. A primeira foi h\u00e1 dez anos. Tempos divertidos e saudosos.<\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/minha-primeira-carta-do-papai-noel\/\">Minha primeira carta do Papai Noel<\/a> (2003)<\/b>. N\u00e3o existe vida sem problemas, sabemos disso. Mas aquele ano foi duro: a crise econ\u00f4mica fez com que o desemprego rondasse nossa casa por alguns meses. Ao mesmo tempo, vivenciava mais um fim de relacionamento. &#8220;Foram altos e baixos que lhe transformaram em algu\u00e9m muito mais decidido e corajoso&#8221;, dizia ele. Tamb\u00e9m dizia para &#8221; mudar seus h\u00e1bitos alimentares e fazer exerc\u00edcios&#8221;. De fato, tanto no corpo quanto na alma, algumas coisas n\u00e3o mudaram.<\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/nova-carta-oriental-do-papai-noel\/\">Nova carta (oriental) do Papai Noel<\/a> (2004)<\/b>. Neste epis\u00f3dio, o gordo de saco vermelho viajou ao outro lado do mundo, trazendo uma f\u00e1bula japonesa para explicar o significado do amor. Mais do que isso, tratou de estimular o destinat\u00e1rio usando uma palavra fundamental para quem espera por um ano novo cheio de novas possibilidades: coragem. &#8220;Coragem para viver, meu amigo. \u00c9 tudo que voc\u00ea precisa. Se ainda teimar em n\u00e3o acreditar em mim, ao menos acredite em voc\u00ea mesmo&#8221;.<\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/nova-carta-romantica-do-papai-noel\/\">Nova carta (rom\u00e2ntica) do Papai Noel<\/a> (2005)<\/b>. Novamente, o nosso Karl Marx do Mundo Bizarro atreve-se a discutir quest\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o &#8211; provavelmente a partir do meu pedido constante: &#8220;o de sempre, uma namorada&#8221;. Aquele foi o ano em que desdenhava o presente mais louco e imprevis\u00edvel que poderia receber. A mensagem, carregada de clich\u00eas, termina assim: &#8220;Nunca subestime o poder do destino: sua companhia perfeita pode viver do outro lado do mundo, mas tamb\u00e9m pode ser aquela que est\u00e1 h\u00e1 anos na frente do seu nariz&#8221;.<\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/nova-carta-ferroviaria-do-papai-noel\/\">Nova carta (ferrovi\u00e1ria) do Papai Noel<\/a> (2006)<\/b>. A essa altura, voc\u00ea j\u00e1 se deu conta: no meu prisma, Papai Noel \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o daquela tia conselheira que te puxa no canto da festa para falar da sua experi\u00eancia ao constatar sua solitude. Desta vez, al\u00e9m das mensagens de auto-ajuda, o meu amigo capitalistinha entregou, por meio de uma bela portadora, um trenzinho el\u00e9trico. Al\u00e9m de uma pedra, um poema e muita vontade de sonhar. &#8220;O cora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma esta\u00e7\u00e3o pra embarcar no trem azul dos sonhos que vai passar&#8221;. E eu, um geodo.<\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/finalmente-a-nova-carta-vermelha-do-papai-noel\/\">Nova carta (vermelha) do Papai Noel<\/a> (2007)<\/b>. Como num Campeonato Brasileiro dos anos 70, a final s\u00f3 foi realizada no ano seguinte, no Dia de Reis. Coincidiu com o atraso de outro presente especial, uma montagem em papel camur\u00e7a vermelho que remete a um mapa, com pontos cardeais que adorava estar. &#8220;N\u00e3o tenha medo de lutar por aquilo que acredita, pelo seu pr\u00f3prio espa\u00e7o. N\u00e3o se entregue logo nos primeiros dias, s\u00f3 porque vivemos um ano par. Siga em frente com toda a energia: voc\u00ea vai arrumar a casa e abrir novos caminhos agora para desfrutar de tudo isso l\u00e1 na frente&#8221;.<\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/2008-o-ano-em-que-papai-noel-plagiou-quintana\/\">Nova carta (Quintanizada) do Papai Noel<\/a> (2008)<\/b>. Vamos brincar de encontrar cita\u00e7\u00f5es? Nesse mashup pregui\u00e7oso, o chamado &#8220;bom velhinho&#8221; estava imerso em poesia, insistindo que s\u00f3 vale a pena se for maravilhoso e deliciando-se com um dos autores que se tornou um dos meus favoritos nos \u00faltimos anos: M\u00e1rio Quintana. &#8220;T\u00e3o bom viver dia a dia&#8230; A vida assim jamais cansa. Viver t\u00e3o s\u00f3 de momentos como estas nuvens no c\u00e9u. E s\u00f3 ganhar, toda a vida, inexperi\u00eancia&#8230; Esperan\u00e7a&#8230; E a rosa louca dos ventos presa \u00e0 copa do chap\u00e9u&#8221;.<\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/nova-carta-ecologica-do-papai-noel\/\">Nova carta (ecol\u00f3gica) do Papai Noel<\/a> (2009)<\/b>. Na \u00faltima vez em que recebi uma mensagem do velho batuta, o texto j\u00e1 n\u00e3o estava t\u00e3o apaixonado. Mas n\u00e3o menos preocupado com as pessoas: a falta de amor e respeito estaria destruindo aquilo que nos cerca. &#8220;\u00c9 uma insanidade fazer sempre a mesma coisa, in\u00fameras vezes, esperando resultados diferentes. O problema est\u00e1 na in\u00e9rcia. \u00c9 lamentar os efeitos que j\u00e1 sentimos e, ao mesmo tempo, continuar enxergando o pr\u00f3ximo como algu\u00e9m longe da fam\u00edlia&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 faz algum tempo que Papai Noel n\u00e3o me escreve. Nos \u00faltimos anos, realmente pedi pouca coisa: basicamente, agradecia por imaginar estar tudo bem. Engano est\u00fapido: jamais devemos deixar de pedir, desejar. \u00c9 a certeza, e n\u00e3o a morte, o inverso da vida.<\/p>\n<p>Nesse \u00faltimo Natal, o presente que esperava ganhar n\u00e3o apareceu na minha porta. Pode ser que eu tenha feito um pedido equivocado. Provavelmente n\u00e3o tenho sido um bom menino. De repente, o presente estava na minha janela e n\u00e3o vi. Vai ver n\u00e3o \u00e9 a hora ainda. Ou simplesmente o bom velhinho decidiu que nosso tempo j\u00e1 passou. <\/p>\n<p>Em uma das minhas mensagens de boas festas disparadas ao p\u00e9 de maracuj\u00e1, dizia a um dos motivos que me fazem sorrir neste 2013 que andava meio sem inspira\u00e7\u00e3o. &#8220;Tomara que voc\u00ea se inspire logo, porque inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre bom pra tudo, principalmente pra escrever coisas bonitas. Meu desejo \u00e9 que voc\u00ea se reinvente, se<br \/>\nredescubra e se inspire para criar perspectivas boas para um ano novo repleto de utopias &#8211; mas com expectativas moderadas&#8230;&#8221;, respondeu.<\/p>\n<p>Talvez comece este ano com novas utopias dando um voto de confian\u00e7a ao Papai Noel: enquanto questiono meus planos para futuro e cres\u00e7o ao ritmo de intermin\u00e1veis debates internos, gostaria de (re)aprender a desejar. Quem sabe, com esse pedido, o velhote reapare\u00e7a daqui uns 360 dias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um desses filmes comerciais que ocuparam cada instante dos intervalos da TV nas \u00faltimas semanas, o &#8220;Papai Noel da Coca-Cola&#8221; (esta express\u00e3o \u00e9 um tipo de pleonasmo) questiona se algu\u00e9m ainda acredita nele e, antes de se despedir, anuncia: &#8220;desta vez, eu vou escrever uma carta para voc\u00eas&#8221;. Inevitavelmente, lembrei de um costume antigo: [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-2021","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-back-to-the-future"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2021","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2021"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2021\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2021"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2021"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2021"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}