{"id":2011,"date":"2006-04-29T23:55:15","date_gmt":"2006-04-30T02:55:15","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/opinioes-sobre-blogs-jornalisticos"},"modified":"2006-04-29T23:55:15","modified_gmt":"2006-04-30T02:55:15","slug":"opinioes-sobre-blogs-jornalisticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/opinioes-sobre-blogs-jornalisticos\/","title":{"rendered":"Opini\u00f5es sobre blogs jornal\u00edsticos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"\/blog\/secoes\/alo.gif\" align=\"right\" \/>Esses dias recebi um pedido especial do meu amigo Hugo, a respeito de blogs e jornalismo. Come\u00e7ava mais ou menos assim.<\/p>\n<p><tt>Andr\u00e9, precisava conversar com um jornalista que mant\u00e9m um blog jornal\u00edstico. Sei que seu blog n\u00e3o \u00e9 essencialmente noticioso, pois tamb\u00e9m tem curiosidades e outras coisas, mas repercute not\u00edcias e isto muito me interessa. Se puder me ajudar respondendo a este mini-question\u00e1rio, ficarei imensamente grato.<\/tt><\/p>\n<p>Com alguns dias de atraso, mandei as respostas &#8211; muitas delas &#8220;pin\u00e7adas&#8221; de coisas que j\u00e1 tinha escrito aqui. Fique a vontade para complementar ou detonar as minhas respostas.<\/p>\n<p><b>1) O que o motiva a escrever um blog jornal\u00edstico e a comentar not\u00edcias? Quando come\u00e7ou?<\/b><\/p>\n<p>Comecei com o blog em setembro de 2002. E foi de repente, nada planejado. J\u00e1 tinha lido v\u00e1rias mat\u00e9rias sobre a onda blog, mas n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o alguma do que se tratava. Visitei um ou dois blogs e pensei: &#8220;ah, isso eu tamb\u00e9m posso fazer&#8221;! N\u00e3o tenho a pretens\u00e3o de fazer um site de conte\u00fado espec\u00edfico e pertinente. Fa\u00e7o o que a maioria faz: al\u00e9m de comentar not\u00edcias, falo da vida, conto hist\u00f3rias, invento outras&#8230;  Minha motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma desde ent\u00e3o: uso o blog como uma v\u00e1lvula de escape. Uma esp\u00e9cie de &#8220;quebra de ritmo&#8221;. Vez ou outra estou envolvido em algum assunto que consome muito tempo e paci\u00eancia. Pra relaxar, abro o blog, leio alguns coment\u00e1rios, clico em algum link aleat\u00f3rio&#8230; O blog tamb\u00e9m acabou se transformando em uma fun\u00e7\u00e3o &#8220;social&#8221;: com ele, acabei encontrando pessoas que se identificam com o que escrevo, discutem as id\u00e9ias, concordam, discordam&#8230; Isso se amplia constantemente, formando uma verdadeira micro-comunidade.<\/p>\n<p><b>2) Qual a import\u00e2ncia dos blogs para a difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e de opini\u00f5es?<\/b><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos grandes ve\u00edculos de imprensa, um blog normalmente \u00e9 feito por uma \u00fanica pessoa. Ou seja: n\u00e3o funciona apenas como um filtro, ou um novo canal de not\u00edcias e opini\u00e3o. Ele \u00e9, acima de tudo, uma p\u00e1gina pessoal, tem identidade. E a grande sacada \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o do leitor com o autor, sem intermedi\u00e1rios. Al\u00e9m disso, os blogs &#8220;conversam&#8221; entre si a partir dos links e de uma ferramenta chamada trackback, onde \u00e9 poss\u00edvel identificar quem tamb\u00e9m est\u00e1 falando do mesmo assunto. Quanto mais gente participar desse debate, mais chances n\u00f3s temos de democratizar a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas isso ainda est\u00e1 muito longe de acontecer. A maioria das pessoas ainda se relacionam com a informa\u00e7\u00e3o da mesma maneira que fazem em dezenas de anos: a partir das empresas de comunica\u00e7\u00e3o de sempre. Talvez no futuro, qualquer um pode abrir seu celular (ou gen\u00e9rico) e participar de uma incr\u00edvel via de m\u00e3o dupla das comunica\u00e7\u00f5es a partir de uma rede p\u00fablica sem fio, sendo capaz de distribuir informa\u00e7\u00e3o como qualquer um e ter sua voz garantida, podendo ganhar for\u00e7a e dar a t\u00e3o sonhada independ\u00eancia \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Mas sinceramente, n\u00e3o saberia dizer qual o papel das empresas que ainda monopolizam o poder da imprensa nesse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p><b>3) Voc\u00ea acha que um blog pode contribuir negativamente para a difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es? Por exemplo, quando d\u00e1 muita import\u00e2ncia a rumores que, posteriormente, se revelam falsos?<\/b><\/p>\n<p>Acho. Gra\u00e7as a qualquer um que recebe por e-mail aquele apelo ou promo\u00e7\u00e3o fake, aquele texto que n\u00e3o \u00e9 do Ver\u00edssimo&#8230; Enfim, todas as bobagens que v\u00e3o parar na Internet e que, no meio do mais puro entretenimento, se transforma em verdade absoluta. Ao mesmo tempo, ferramentas de busca como o Google n\u00e3o separam o joio do trigo: qualquer resultado de busca, seja not\u00edcia ou texto de blog, aparece na mesma sequ\u00eancia, como se fosse uma coisa s\u00f3. Atualmente, s\u00f3 existe uma forma de controlar isso: a partir do discernimento do pr\u00f3prio internauta, isoladamente. Isso infelizmente s\u00f3 vai se intensificar quando o conceito de &#8220;inclus\u00e3o digital&#8221; for al\u00e9m de um simples &#8220;entregue um computador barato e uma conex\u00e3o pro nosso amigo a\u00ed&#8221;.<\/p>\n<p><b>4) Poderia estabelecer alguma diferen\u00e7a entre um blog jornal\u00edstico escrito por um jornalista e um blog jornal\u00edstico escrito por um profissional de outro ramo?<\/b><\/p>\n<p>Blog jornal\u00edstico, independente de quem o fa\u00e7a, obedece alguns pr\u00e9-requisitos da profiss\u00e3o: toda informa\u00e7\u00e3o que vai ao ar deve ser apurada, checada, com dados devidamente levantados e organizados. Dito isso, qualquer um que tiver acesso a ferramenta e que obede\u00e7a esses crit\u00e9rios, pode relatar fatos em alguns cliques e se transformar em rep\u00f3rter, redator, editor&#8230; Salam Pax, blogueiro da guerra do Iraque, talvez tenha sido o exemplo mais emblem\u00e1tico de &#8220;blogueiro-jornalista&#8221;.<\/p>\n<p><b>5) Acha v\u00e1lido para o p\u00fablico que os jornalistas n\u00e3o tenham mais o &#8220;monop\u00f3lio&#8221; da informa\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>Perfeitamente v\u00e1lido. Mas como disse, isso ainda parece um objetivo distante. Talvez outras duas raz\u00f5es expliquem a aus\u00eancia de pessoas que queiram &#8220;fazer a imprensa com as pr\u00f3prias m\u00e3os&#8221;, como definiu certa vez o jornalista Pedro D\u00f3ria. Primeiro: nem todo mundo sabe o que \u00e9 um blog, ou para que ele serve. Pessoalmente, acho que s\u00f3 quem mant\u00e9m um sabe a resposta. H\u00e1 quem ainda ache que blog funciona como &#8220;querido di\u00e1rio adolescente&#8221;. Outros grandes portais, que j\u00e1 descobriram a ferramenta, simplesmente puseram seus colunistas para competir com o Ricardo Noblat. E ainda n\u00e3o entenderam como eles funcionam.<\/p>\n<p>A segunda: quantos bons blogueiros est\u00e3o realmente interessados em adotar essa postura informativa? Concordo com a afirma\u00e7\u00e3o de que as redes formadas pelos blogs brazucas s\u00e3o mesmo como &#8220;uma grande conversa de bar&#8221;, tal qual fora da web. Vou mais longe: se no dia-a-dia o povo prefere jogar conversa fora no boteco e deixar o barco correr, quem \u00e9 que vai querer perder tempo bancando o jornalista?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esses dias recebi um pedido especial do meu amigo Hugo, a respeito de blogs e jornalismo. Come\u00e7ava mais ou menos assim. Andr\u00e9, precisava conversar com um jornalista que mant\u00e9m um blog jornal\u00edstico. Sei que seu blog n\u00e3o \u00e9 essencialmente noticioso, pois tamb\u00e9m tem curiosidades e outras coisas, mas repercute not\u00edcias e isto muito me interessa. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-2011","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-alo-marmota"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2011","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2011"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2011\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2011"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2011"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2011"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}