{"id":1863,"date":"2013-11-16T16:00:23","date_gmt":"2013-11-16T19:00:23","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/e-se-fosse-a-ultima-chance-para-dizer-algo"},"modified":"2013-11-16T16:00:23","modified_gmt":"2013-11-16T19:00:23","slug":"e-se-fosse-a-ultima-chance-para-dizer-algo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/e-se-fosse-a-ultima-chance-para-dizer-algo\/","title":{"rendered":"E se fosse a \u00faltima chance para dizer algo?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\" \/>&#8211; Oi, estou enrolado agora&#8230; Sei que voc\u00ea \u00e9 importante, mas poderia ligar mais tarde?<\/p>\n<p>&#8211; Ei! Eu sou importante! Fale comigo! E se eu estivesse prestes a morrer e fosse a \u00faltima chance de conversar comigo?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o tipo de pergunta que se faz no meio do expediente. Se eu realmente me visse diante dessa, talvez perguntasse se o meu maior desejo, de encontrar algu\u00e9m que sentisse prazer em estar comigo e, enquanto persegue seus sonhos, quisesse juntar as bibliotecas e dividir o desafio da conviv\u00eancia, fez algum sentido em algum momento. Mmmhhh&#8230; Quest\u00e3o dif\u00edcil, nem eu sei mesmo se \u00e9 isso que eu quero. Bom, tamb\u00e9m n\u00e3o me atreveria a perguntar se, enfim, eu era mesmo &#8220;o homem da sua vida&#8221;. Ao menos dessa. Ningu\u00e9m tem essa certeza. Claro que n\u00e3o, \u00e9 o tipo de coisa que jamais exigiria ouvir. Se bem que&#8230; Vai que n\u00e3o sou e, em sua agonia, voc\u00ea grita o nome de outro? T\u00e1, tanto faz. Provavelmente, como sempre fiz, faria alguma brincadeira sem gra\u00e7a antes de come\u00e7ar uma ladainha com alguns clich\u00eas relacionados \u00e0 vida curta, lamentando por tudo aquilo que n\u00e3o fizemos. Da falta que voc\u00ea me fez ao ficar vivendo &#8220;de picadinho&#8221;, sensa\u00e7\u00e3o que carreguei comigo em boa parte desse tempo e que, nessa situa\u00e7\u00e3o, ficaria para sempre. Seria um neg\u00f3cio fantasmag\u00f3rico, voc\u00ea estar em todo lugar e eu tendo que dissipar a minha vontade de jogar tudo fora, agarrar voc\u00ea, deit\u00e1-la apertada na minha cama. Balan\u00e7aria a cabe\u00e7a pelo tempo que perdemos discutindo &#8220;aquilo que chamamos amor&#8221; sem nos darmos conta que nossos la\u00e7os se fortalecem quando n\u00e3o damos bola para isso. Ou melhor, quando sentimos &#8220;aquilo que chamamos saudade&#8221;. Lembraria, inevitavelmente, da nossa caminhada, aos trope\u00e7os&#8230; Primeiro voc\u00ea queria correr enquanto eu, parado, mascarava meus desejos e segurava o seu pux\u00e3o&#8230; Ent\u00e3o fui soltando aos poucos meus pensamentos \u00e0 medida em que sentia sua delicadeza ao me convidar&#8230; E quando eu j\u00e1 corria contigo, voc\u00ea se dava conta que havia algo de estranho nos nossos desejos e parou para sentar na beira da cal\u00e7ada. Talvez tenha sido o momento em que mais interroguei a ti, a mim&#8230; Quest\u00f5es sem sentido, tanto quanto qualquer resposta que poderia vir da sua boca. A sa\u00edda n\u00e3o estava em palavras, mas em a\u00e7\u00f5es. Nos nossos desejos, muitas vezes chacoalhados por uma saraivada de inexplic\u00e1veis &#8220;n\u00e3o posso&#8221; e &#8220;n\u00e3o devo&#8221;. Naquilo que nos mant\u00e9m equilibrados enquanto est\u00e1vamos de m\u00e3os dadas. N\u00e3o \u00e9 uma caminhada. Muito menos uma corrida. \u00c9 uma dan\u00e7a. Nessa hora, eu rio de mim&#8230; Do quanto me aborreci em minha vida pelo simples fato de n\u00e3o ter habilidade em conduzir meu lindo par por esse baile. Das muitas noites em que poderia ter dito o quanto voc\u00ea \u00e9 linda, de como fico enfeiti\u00e7ado por suas curvas &#8211; ainda que, muitas vezes, minhas m\u00e3os t\u00edmidas tenham feito esse papel, em sil\u00eancio. Mais uma vez, lamentaria o tempo que perdemos discutindo sem nos darmos conta. Talvez voc\u00ea n\u00e3o dissesse nada e, ao partir, ficaria dialogando com o passado duvidando dos poderes curativos do tempo e questionando esse fim desastroso: por que vou ter que, outra vez, voltar ao come\u00e7o? O que foi que eu errei ou repeti? Mmmhhh&#8230; N\u00e3o faz sentido seguir o mesmo roteiro desnecess\u00e1rio. Precisaria me segurar para n\u00e3o chorar inconformado, seguraria na sua m\u00e3o e, antes de tocar meus l\u00e1bios no seu pela \u00faltima vez, te diria baixinho: obrigado, meu amor, por compartilhar comigo alguns passos de dan\u00e7a nesses anos todos.<\/p>\n<p>&#8211; Ah, n\u00e3o diga isso&#8230; Temos tanta coisa para viver juntos. Eu te ligo daqui a pouquinho.<\/p>\n<p>&#8211; T\u00e1 bem, seu chato. Mas n\u00e3o morra.<\/p>\n<p>&#8211; Eu tamb\u00e9m te amo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; Oi, estou enrolado agora&#8230; Sei que voc\u00ea \u00e9 importante, mas poderia ligar mais tarde? &#8211; Ei! Eu sou importante! Fale comigo! E se eu estivesse prestes a morrer e fosse a \u00faltima chance de conversar comigo? N\u00e3o \u00e9 o tipo de pergunta que se faz no meio do expediente. 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