{"id":182,"date":"2008-04-11T23:59:22","date_gmt":"2008-04-12T02:59:22","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/marmota-indica-restaurante-do-senac"},"modified":"2008-04-11T23:59:22","modified_gmt":"2008-04-12T02:59:22","slug":"marmota-indica-restaurante-do-senac","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/marmota-indica-restaurante-do-senac\/","title":{"rendered":"Marmota indica: Restaurante do Senac"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/indica.gif\" align=\"right\" \/><b>Salvador (BA)<\/b> &#8211; Minha primeira experi\u00eancia com a comida baiana n\u00e3o foi l\u00e1 essas coisas&#8230; <s>(todos os detalhes ainda neste final de semana).<\/s> Quando estive aqui pela primeira vez, em maio do ano passado, ca\u00ed na besteira de experimentar um acaraj\u00e9 de rua um dia antes de voltar &#8211; isso depois de ter besuntado os intestinos com dend\u00ea em refei\u00e7\u00f5es anteriores. Aquele bolinho frito e recheado ao ar livre com vatap\u00e1, caruru, saladinha vinagrete e camar\u00f5es semi-vivos transformaram a minha viagem de volta num mart\u00edrio.<\/p>\n<p>Mesmo nessa semana venho comendo com modera\u00e7\u00e3o. A grande inova\u00e7\u00e3o que pedi em restaurantes a la carte foi uma &#8220;casquinha de siri gratinada \u00e0 moda baiana&#8221;. Qual a diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tradicional? Alguns recheios extras, quatro reais e meia hora de diferen\u00e7a &#8211; como qualquer coisa &#8220;\u00e0 moda baiana&#8221;, n\u00e3o d\u00e1 pra exigir pressa.<\/p>\n<p>Enfim, at\u00e9 esses dias, tudo que j\u00e1 conhecia em termos gastron\u00f4micos em Salvador era a rede Ki-Mukeca, os restaurantes t\u00edpicos mais caros como Gib\u00e3o de Couro e Mistura Fina, al\u00e9m dos arredores movimentados da pra\u00e7a Brigadeiro Faria Rocha, no Rio Vermelho, bem perto dos hot\u00e9is mais frequentados (como o Ibis). Ali\u00e1s, se o seu sistema digestivo pedir algo mais comum, ali tem uma <a href=\"http:\/\/www.companhiadapizza.com.br\" target=\"_blank\"><b>pizzaria bacana<\/b><\/a> (apesar do pre\u00e7o), oferecendo entre outros sabores um bem ex\u00f3tico: carne de bode com queijo de cabra.<\/p>\n<p>De qualquer forma, acredito que voc\u00ea deve conhecer ao menos um bom restaurante em Salvador, capaz de oferecer alguma del\u00edcia exclusiva. Mas para quem tem j\u00e1 identificou alguma sensibilidade estomacal, conheci uma op\u00e7\u00e3o interessante: o buffet t\u00edpico do <a href=\"https:\/\/www.ba.senac.br\/html\/chamadas\/museu.asp\" target=\"_blank\"><b>Restaurante-escola do Senac<\/b><\/a>. Foi Narazaki, o japon\u00eas mais baiano do terreiro, que me conduziu ao local &#8211; indica\u00e7\u00e3o que, diga-se, tamb\u00e9m veio a partir de um colega de trabalho.<\/p>\n<p><b>Localiza\u00e7\u00e3o: <font color=\"#CC0000\">**REGULAR<\/font><\/b>. Sejamos sinceros: voc\u00ea pode at\u00e9 achar o centro hist\u00f3rico de Salvador um p\u00f3lo cultural e hist\u00f3rico dos mais importantes e ricos do pa\u00eds. Mas \u00e9 preciso ter coragem e desprendimento para caminhar com alguma tranquilidade no Pelourinho. O pr\u00e9dio, que tamb\u00e9m sedia o Museu da Gastronomia Baiana, fica exatamente na ladeira que d\u00e1 nome \u00e0 regi\u00e3o &#8211; para quem est\u00e1 de costas para a <a href=\"http:\/\/www.fundacaojorgeamado.com.br\" target=\"_blank\"><b>Funda\u00e7\u00e3o Casa de Jorge Amado<\/b><\/a>, \u00e9 o casar\u00e3o verde-escuro, \u00e0 direita. S\u00f3 tome cuidado para n\u00e3o errar a ladeira e dar de cara com o Boca ou o Z\u00e9 Pequeno.<\/p>\n<p><b>Ambiente: <font color=\"#CC0000\">****MUITO BOM<\/font><\/b>. Se voc\u00ea conseguiu chegar ao local sem qualquer percal\u00e7o, ficar\u00e1 encantado com a fachada colonial preservada, aos moldes de boa parte da arquitetura da regi\u00e3o. Com algum tempo extra, \u00e9 poss\u00edvel visitar o museu e o teatro. Mas se a fome for maior, suba logo os dois lances de escada e v\u00e1 direto ao sal\u00e3o do buffet t\u00edpico. Tudo contribui para manter o clima hist\u00f3rico: p\u00e9 direito alto, lustres grandes e pomposos, piso de madeira e mesas com toalhas de cores vivas. N\u00e3o \u00e9 o bar Ves\u00favio, em Ilh\u00e9us, mas fiz de conta que estava no bar do Nacib, num cap\u00edtulo da novela Gabriela.<\/p>\n<p><b>Atendimento: <font color=\"#CC0000\">****MUITO BOM<\/font><\/b>. Como \u00e9 um restaurante-escola, todos os gar\u00e7ons est\u00e3o ali em treinamento. O que, na pr\u00e1tica, \u00e9 sensacional: tanto os rapazes (devidamente fardados com casaco branco e cal\u00e7a preta) quanto as mo\u00e7as (fantasiadas de baiana do acaraj\u00e9) est\u00e3o ali porque querem aprender a servir bem seus clientes e carregar desempenho e experi\u00eancia pr\u00e1tica para conquistar espa\u00e7o no mercado de trabalho. Ao contr\u00e1rio dos modorrentos que normalmente s\u00f3 pensam no sal\u00e1rio ao fim do m\u00eas, isso \u00e9 garantia de aten\u00e7\u00e3o e simpatia, al\u00e9m de motivo de orgulho: &#8220;eu vou me formar neste m\u00eas&#8221;, comemorou o gar\u00e7om que nos atendeu.<\/p>\n<p><b>Acepipes: <font color=\"#CC0000\">*****EXAGERADAMENTE BOM<\/font><\/b>. As primeiras vinte variedades de pratos t\u00edpicos salgados s\u00e3o temperadas com azeite de dend\u00ea: vatap\u00e1, caruru, acaraj\u00e9 (mas s\u00f3 o bolinho de feij\u00e3o fradinho em tamanho pequeno) e moquecas diversas: peixe, camar\u00e3o, siri catado, arraia, sururu, ostra&#8230; Os outros vinte n\u00e3o levam dend\u00ea, mas nem por isso s\u00e3o dispens\u00e1veis: cozido, pir\u00e3o, arroz com marisco&#8230; Coisas que certamente ningu\u00e9m pediria isoladamente num restaurante comum &#8211; ou voc\u00ea pediria um prato de xinxim de galinha? Enfim, depois da gula salgada, caia na mesa de doces. Cocada, bananada, goiabada, cocada, baba de mo\u00e7a, manjar branco (ah, sim: a calda de ameixa \u00e9 separada&#8230; Como descobri depois tive que comer duas vezes).<\/p>\n<p><b>Pre\u00e7o: <font color=\"#CC0000\">****MUITO BOM<\/font><\/b>. Para os padr\u00f5es gerais, R$ 28 pelo buffet livre pode parecer exagero. Mas tente circular nos restaurantes mais tradicionais do Pelourinho e surpreenda-se com moquecas de cem reais, entre outras aberra\u00e7\u00f5es nos card\u00e1pios. E dependendo da sua fome, esse valor fica at\u00e9 barato.<\/p>\n<p><b>Avalia\u00e7\u00e3o geral: <font color=\"#CC0000\">****BEM BACANA<\/font><\/b>. Nem mesmo o fato das bebidas n\u00e3o entrarem no clima t\u00edpico (nada que uma passada no Suco 24 horas, no Largo da Mariquita, n\u00e3o resolva) tirou o brilho do lugar. E n\u00e3o estou falando apenas no &#8220;didatismo&#8221; ou na &#8220;alquimia&#8221; dos pratos: ao chegar tarde da noite, o seguran\u00e7a informou que o jantar era servido apenas at\u00e9 as dez&#8230; Mas numa conversa mole, baseado em uma pretensa viagem de volta no dia seguinte, abriu nossas portas com direito a cumprimeito. &#8220;O pessoal s\u00f3 vai embora as onze. Ent\u00e3o n\u00e3o vou fazer voc\u00ea perder a viagem&#8221;. N\u00e3o \u00e9 sensacional?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salvador (BA) &#8211; Minha primeira experi\u00eancia com a comida baiana n\u00e3o foi l\u00e1 essas coisas&#8230; (todos os detalhes ainda neste final de semana). 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