{"id":1787,"date":"2008-05-26T23:59:58","date_gmt":"2008-05-27T02:59:58","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/vai-vai-quem-parte-6-cuide-bem-do-seu-idolo"},"modified":"2008-05-26T23:59:58","modified_gmt":"2008-05-27T02:59:58","slug":"vai-vai-quem-parte-6-cuide-bem-do-seu-idolo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/vai-vai-quem-parte-6-cuide-bem-do-seu-idolo\/","title":{"rendered":"Vai&#8230; Vai quem? Parte 6: cuide bem do seu \u00eddolo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/ee.gif\" align=\"right\" \/>Eu poderia discorrer longos par\u00e1grafos sobre o eletrizante final de semana automobil\u00edstico e as duas mais tradicionais provas do mundo. Come\u00e7ando com o charmoso GP de M\u00f4naco, onde a Ferrari fez Massa perder a chance de chegar ainda mais perto da lideran\u00e7a. Ainda viu Hamilton vencer e superar Raikkonen na classifica\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de aplaudir os dois primeiros pontos de Rubinho ap\u00f3s longos meses de jejum (mas tamb\u00e9m, com tanto acidente&#8230;). Depois, as 500 Milhas de Indian\u00e1polis &#8211; que s\u00f3 fica boa nas voltas finais, ainda que a maioria dos brasileiros tenham ficado para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m poderia atender ao pedido da Tina e escrever um pouco mais sobre futebol. Mas ainda \u00e9 cedo pra especular qualquer coisa. Tudo que podemos dizer \u00e9: no fim do ano, o Internacional poder\u00e1 depender de uns seis pontos para conquistar o t\u00edtulo, ent\u00e3o v\u00e3o lembrar das derrotas lament\u00e1veis para Palmeiras e Flamengo. Ah sim, tamb\u00e9m d\u00e1 pra garantir que o Corinthians vai subir com o p\u00e9 nas costas &#8211; e se vencer o Sport na final da Copa do Brasil (vai, Sport!), ter\u00e1 uma nova chance na Libertadores antes mesmo do previsto.<\/p>\n<p>Mas o domingo pertence a um outro personagem. Um jovem manezinho da ilha de Santa Catarina, que come\u00e7ou a jogar t\u00eanis gra\u00e7as ao incentivo de seu pai. Tinha oito anos de idade quando viu ele falecer. Levou mais seis para conhecer seu &#8220;segundo pai&#8221;: Larri Passos, que o levou ao profissionalismo no esporte em 1995.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dez anos, me arrisco a dizer que n\u00e3o houve atleta como Gustavo Kuerten. Quando conquistou o t\u00edtulo de Roland Garros em 1997 aos 20 anos, vindo do qualifying e de maneira inesperada, ningu\u00e9m jamais tinha ouvido seu nome antes. Ganhou capas de jornais, revistas semanais. Como qualquer candidato a \u00eddolo no Brasil, recebeu do pa\u00eds aquela estranha expectativa de &#8220;ir al\u00e9m do que n\u00f3s realmente podemos&#8221;, representado pela press\u00e3o por bons resultados.<\/p>\n<p>At\u00e9 o come\u00e7o deste s\u00e9culo, Guga conseguiu driblar o falat\u00f3rio dos corneteiros e algumas contus\u00f5es. Entre 2000 e 2001, quando conquistou o Grand Slam franc\u00eas outras duas vezes, conquistou o Masters de Lisboa e sagrou-se n\u00famero um do mundo, estava em seu auge. Fen\u00f4meno que transbordou para fora das quadras: nunca se vendeu tanta bolinha, raquete, camisa&#8230; Nunca se viu tanta crian\u00e7a em escolinhas de t\u00eanis como naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Pude ver como a &#8220;Gugamania&#8221; mexeu com o t\u00eanis no Brasil por duas vezes, durante a mais vibrante competi\u00e7\u00e3o do g\u00eanero: a Copa Davis. Em 2002, na repescagem entre Brasil x Canad\u00e1, a torcida carioca empurrou Guga e Meligeni nas duas primeiras partidas do Clube Marapendi; no s\u00e1bado, em duplas, o catarinense jogou ao lado de Andr\u00e9 S\u00e1 e fecharam o confronto em 3 a 0. Era um ano complicado: ap\u00f3s a primeira cirurgia, havia vencido apenas o Brasil Open, na Costa do Sau\u00edpe &#8211; ao contr\u00e1rio dos 11 nos dois anos anteriores.<\/p>\n<p>J\u00e1 nas quartas-de-final da Davis em 2001, Gustavo Kuerten estava em um momento bem melhor, e talvez por isso muito mais pressionado. O grandioso palco armado na avenida Beira-Mar, em Florian\u00f3polis, praticamente convidava o pa\u00eds a conferir a for\u00e7a de Guga e seus amigos a caminho da segunda semifinal consecutiva. E diante da Austr\u00e1lia, que havia massacrado o Brasil no ano anterior em Brisbane&#8230; N\u00e3o tinha como perder.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Guga enfrentou Patrick Rafter, que desistiu contundido. Veio o Fininho, que como de praxe, lutou muito mas caiu. Foi contra Hewitt, que formou dupla com Rafter no s\u00e1bado e n\u00e3o deu chances para Guga e Jaiminho (que, apesar de ser ex\u00edmio duplista, infelizmente sacava mal pra burro). Para vencer o confronto, os brasileiros precisavam da vit\u00f3ria dos dois jogos no domingo. Guga levou dois sets ao tie-break, mas viu Lleyton Hewitt inspirad\u00edssimo. O pr\u00f3prio australiano admitiu: &#8220;ainda bem que estava na casa do Guga: a press\u00e3o que ele sentiu me ajudou muito&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>Foi um dos momentos ruins na carreira de Guga &#8211; a ponto dos brasileiros falarem coisas como &#8220;ih, esse a\u00ed n\u00e3o \u00e9 de nada&#8221;. Calaram-se semanas depois, com o tri de Roland Garros. Mesmo na pior fase, conseguiu derrotar o imbat\u00edvel Roger Federer em 2004 por 3 a 0. Em fevereiro, convidou aqueles que sempre o apoiaram para avisar: &#8220;n\u00e3o \u00e9 que eu n\u00e3o queira jogar, eu at\u00e9 pe\u00e7o desculpas, mas \u00e9 que realmente eu n\u00e3o consigo mais&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>Enfim. Como qualquer um se diz jogador de futebol, \u00e9 f\u00e1cil revelar algum fen\u00f4meno ou mesmo escalar sele\u00e7\u00f5es de craques a qualquer \u00e9poca (d\u00e1 at\u00e9 para enganar com algum perna-de-pau infiltrado). O crescimento do v\u00f4lei e nossa escola vencedora vem mantendo a excel\u00eancia na quadra. Por outro lado, quando Senna morreu, ficamos \u00e1vidos por um novo fen\u00f4meno nas pistas &#8211; e ainda estamos at\u00e9 hoje. Nas piscinas, nos aparelhos de gin\u00e1stica e em alguns ringues, temos a impress\u00e3o que s\u00f3 um fen\u00f4meno pode nos salvar. Esperamos novos gugas surgirem espontaneamente para explor\u00e1-los at\u00e9 o limite. Ent\u00e3o voltamos a nossa mediocridade de sempre, at\u00e9 algu\u00e9m se d\u00e1 conta: &#8220;n\u00e3o soubemos aproveitar melhor os nossos \u00eddolos&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu poderia discorrer longos par\u00e1grafos sobre o eletrizante final de semana automobil\u00edstico e as duas mais tradicionais provas do mundo. Come\u00e7ando com o charmoso GP de M\u00f4naco, onde a Ferrari fez Massa perder a chance de chegar ainda mais perto da lideran\u00e7a. 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