{"id":1785,"date":"2008-04-29T23:59:07","date_gmt":"2008-04-30T02:59:07","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/pantanal-como-e-voar-num-onibus-com-asas"},"modified":"2008-04-29T23:59:07","modified_gmt":"2008-04-30T02:59:07","slug":"pantanal-como-e-voar-num-onibus-com-asas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/pantanal-como-e-voar-num-onibus-com-asas\/","title":{"rendered":"Pantanal: como \u00e9 voar num \u00f4nibus com asas"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><a href=\"http:\/\/flickr.com\/photos\/marmota\/2441304667\/\" title=\"Pantanal\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/farm3.static.flickr.com\/2354\/2441304667_686fc2c915.jpg\" width=\"450\" height=\"338\" border=\"0\" alt=\"Pantanal\" \/><\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/ilustrado.gif\" align=\"right\" \/>Se voc\u00ea gosta de viagens a\u00e9reas e sente prazer ao conhecer algo diferente e inusitado, considere a possibilidade de voar para qualquer destino oferecido pela <a href=\"http:\/\/www.voepantanal.com.br\" target=\"_blank\" title=\"Isso n\u00e3o \u00e9 um post patrocinado!\"><b>Pantanal Linhas A\u00e9reas<\/b><\/a>. \u00c9 muito interessante e divertido.<\/p>\n<p>Mas v\u00e1 depressa. H\u00e1 poucas semanas, a empresa foi amea\u00e7ada pela Anac, j\u00e1 que n\u00e3o apresentou documentos que comprovem sua regularidade t\u00e9cnica e fiscal. A ag\u00eancia nacional chegou a marcar data do \u00faltimo v\u00f4o: 25 de mar\u00e7o. Mas uma liminar mant\u00e9m a empresa operando suas rotas normalmente: partido de Congonhas, \u00e9 poss\u00edvel chegar a Mar\u00edlia, Ara\u00e7atuba, Bauru e Presidente Prudente (SP); Juiz de Fora (\u00e9 quase RJ, mas \u00e9 MG) e Mucuri (BA, cidade cuja maior atra\u00e7\u00e3o \u00e9 a f\u00e1brica de papel ligada \u00e0 Cia. Suzano). O fim segue pr\u00f3ximo: a Trip Linhas A\u00e9reas, de Campinas, est\u00e1 de olho nesse mercado e em pouco tempo deve comprar a simp\u00e1tica companhia, operando as rotas com modernos jatos da Embraer.<\/p>\n<p>Enfim. Compre sua passagem e v\u00e1 ao aeroporto. Se puder, com pouca bagagem. Tudo que levei para ficar dois dias no interior foi uma mochila de roupas&#8230; Que precisou ser despachada: ao contr\u00e1rio de qualquer companhia, o limite m\u00e1ximo a bordo \u00e9 de apenas 5kg. Depois de etiquetar a bolsa, o atendente a colocou junto de outras, amontoadas bem ao seu lado. N\u00e3o, n\u00e3o tem esteirinha para lev\u00e1-las a lugar algum&#8230;<\/p>\n<p>Os poucos passageiros do meu v\u00f4o tiveram que aguardar mais de uma hora em rela\u00e7\u00e3o ao previsto. Mas assim que o v\u00f4o foi anunciado, foi r\u00e1pido: todos embarcaram rapidamente no \u00f4nibus que nos levaria at\u00e9 a aeronave, posicionada num cantinho ermo de Congonhas. Ali\u00e1s, todos couberam no mesmo \u00f4nibus! Eu nunca tinha visto um ATR42 t\u00e3o de perto. \u00c9 realmente pequenino e aconchegante. Para embarcar, foi s\u00f3 subir uns seis degraus da escadinha embutida na parte traseira. A primeira impress\u00e3o \u00e9 bem evidente: as 46 poltronas, duas de cada lado do corredor, definem o turboh\u00e9lice como um \u00f4nibus alado.<\/p>\n<p>Apenas duas comiss\u00e1rias nos acompanharam em todo o trajeto. Com as portas fechadas, os barulhentos motores iniciaram seu zumbido constante. Enquanto o avi\u00e3ozinho se posicionava, uma das aeromo\u00e7as recitou o procedimento de emerg\u00eancia, enquanto a outra ficou do lado oposto, como de praxe. &#8220;Essa aeronave tem janela de emerg\u00eancia na frente, al\u00e9m da porta. Aperte o cinto e leia o cart\u00e3o. Boa viagem, e simbora!&#8221;. U\u00e9, e a m\u00e1scara? E os assentos flutuantes? E a vers\u00e3o em ingl\u00eas?<\/p>\n<p>Assim que o comandante anunciou o &#8220;tripula\u00e7\u00e3o, decolagem autorizada&#8221; e a aeronave acelerou na pista, meu c\u00e9rebro disparou a melodia de Dan\u00fabio Azul. Isso porque a bichinha come\u00e7ou a dan\u00e7ar. Para a esquerda, para a direita&#8230; Como se quisesse pegar algum &#8220;embalo lateral&#8221; antes de subir. Vagarosamente, o turboh\u00e9lice da Pantanal subiu. Por longos minutos, os passageiros tiveram uma bela paisagem: uma fina camada de nuvens contrastando com as fortes luzes da capital paulista em noite de lua cheia.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso tempo de v\u00f4o at\u00e9 Bauru ser\u00e1 de 50 minutos&#8221;. Minha nossa, \u00e9 o tempo que leva at\u00e9 o Rio, que fica uns 150km mais longe! Antes do servi\u00e7o de bordo, ouvi as considera\u00e7\u00f5es do comandante. &#8220;Senhores passageiros, boa noite! Sejam bem vindos a bordo! J\u00e1 atingimos nossa altitude de cruzeiro, que \u00e9 de 18 mil p\u00e9s, cerca de seis mil metros&#8230;&#8221;. Puxa, a metade da altura de um avi\u00e3o de grande porte! Era realmente um v\u00f4o panor\u00e2mico!<\/p>\n<p>Finalmente, chegou a vez do servi\u00e7o de bordo. O lanche estava \u00f3timo, mas a minha mesinha tinha algum problema t\u00e9cnico: grossas camadas de fita crepe e algo parecido com massa epoxi simplesmente travaram a danada. Por sorte, n\u00e3o havia ningu\u00e9m ao meu lado: pude usar a mesinha alheia. &#8220;Tripula\u00e7\u00e3o, preparar para o pouso. Aos que desembarcam em Presidente Prudente, garantimos que nossa escala em Bauru ser\u00e1 muito breve&#8221;.<\/p>\n<p>Dito e feito. A aeronave encostou no aeroporto, aguardou o desembarque e minutos depois, como se fosse uma simples escala rodovi\u00e1ria, seguiu viagem para o destino final. Mas olha, n\u00e3o foi f\u00e1cil. Qualquer ventania externa faz com que o pequeno avi\u00e3o balance ao extremo, deslocando at\u00e9 sua pr\u00f3pria alma. A noite l\u00e1 fora dava tons ainda mais sombrios: o aeroporto de Bauru fica longe da cidade: tudo que se via era a pista iluminada, a torre de comando e, ao redor, um descampado a perder de vista.<\/p>\n<p>A maioria dos passageiros desceu mesmo em Bauru. Sobraram poucos para a reta final, que durou mais meia horinha. O deslocamento foi extremamente sossegado, a ponto das comiss\u00e1rias se entocarem atr\u00e1s para falar da vida. &#8220;N\u00e3o sei o qu\u00ea n\u00e3o sei o qu\u00ea meu cabelo que eu modifiquei, n\u00e3o sei o qu\u00ea n\u00e3o sei o qu\u00ea meu namorado vai me pegar&#8221;&#8230; Essas coisinhas.<\/p>\n<p>N\u00e3o menos sossegado foi o pouso e o desembarque no modesto aeroporto estadual de Prudente. S\u00f3 faltou pegar a mochila ali mesmo, sem esperar o carrinho despej\u00e1-las ao lado da porta&#8230; Mas tudo bem: deu tempo de me despedir das comiss\u00e1rias e de alguns passageiros: ainda que o v\u00f4o tivesse sido r\u00e1pido, eram t\u00e3o poucos que, no fim, parecia que todos se conheciam.<\/p>\n<p><b>Atualizado<\/b> &#8211; Antes de comentar, reflita sobre o que leu. Ou releia o texto antes de desabafar \u00e0 toa. Em l\u00edngua portuguesa, &#8220;avi\u00e3ozinho&#8221; \u00e9 o diminutivo de &#8220;avi\u00e3o&#8221; &#8211; e qualquer um que observasse o ATR o chamaria de &#8220;avi\u00e3ozinho&#8221;, por ser um avi\u00e3o pequeno. Al\u00e9m disso, nas primeiras linhas, digo: &#8220;considere a possibilidade de andar num desses&#8221;. Ou seja, eu quero andar sim, e recomendo sem temor. Em nenhum momento desmere\u00e7o o trabalho de ningu\u00e9m, apenas relatei o que senti nessa experi\u00eancia de forma descontra\u00edda &#8211; como qualquer passageiro leigo faria com um amigo. Se desejar seguir a linha de profissionais ligados \u00e0 avia\u00e7\u00e3o, indignados com a minha  arrog\u00e2ncia, ser\u00e1 mais um a fazer piada com seus clientes ignorantes. \u00c9 essa a imagem que voc\u00ea deseja transmitir?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea gosta de viagens a\u00e9reas e sente prazer ao conhecer algo diferente e inusitado, considere a possibilidade de voar para qualquer destino oferecido pela Pantanal Linhas A\u00e9reas. \u00c9 muito interessante e divertido. Mas v\u00e1 depressa. 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