{"id":1777,"date":"2008-02-21T23:57:16","date_gmt":"2008-02-22T02:57:16","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/dez-anos-de-interney-blogs"},"modified":"2008-02-21T23:57:16","modified_gmt":"2008-02-22T02:57:16","slug":"dez-anos-de-interney-blogs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/dez-anos-de-interney-blogs\/","title":{"rendered":"Dez anos de Interney Blogs"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/bloguiado.gif\" align=\"right\" \/>Manh\u00e3 do dia 22 de fevereiro de 2017. Estou sentado em minha poltrona favorita, lendo algum dos livros acumulados na biblioteca, n\u00e3o mais inertes desde o feliz dia em que tive a brilhante id\u00e9ia de trabalhar apenas cinco horas por dia. Olho para a janela da sala, com vista para o quintal. Posso ver minha mulher entretida com nossos dois filhos mais novos &#8211; o mais velho est\u00e1 passando f\u00e9rias na praia. N\u00e3o demoro para interromper meu descanso assim que a campainha toca. Creuza, nossa empregada, vai at\u00e9 o port\u00e3o. Um carro sedan de cor preta est\u00e1 encostado, e um simp\u00e1tico rapaz diz a ela:<\/p>\n<p>&#8211; Bom dia. Eu vim buscar o Andr\u00e9 Marmota e sua esposa para a festa do Interney.<\/p>\n<p>A m\u00e3e dos meus filhos arregala os olhos. Respondo indignado: como uma mulher \u00e9 capaz de esquecer datas? Pego minha insepar\u00e1vel bolsa carteiro enquanto ou\u00e7o um &#8220;fique de olho nas crian\u00e7as, Creuza, n\u00e3o deixe eles bagun\u00e7arem a biblioteca!&#8221;. Dou um abra\u00e7o nos moleques, digo at\u00e9 logo para a empregada, cumprimento o sorridente motorista e entramos no banco de tr\u00e1s do carro.<\/p>\n<p>Horas depois, j\u00e1 est\u00e1vamos descendo a Imigrantes. N\u00e3o faz\u00edamos id\u00e9ia de onde est\u00e1vamos indo. Ligo meu smartphone na rede WGSM e tento descobrir algo em blogs, comunicadores ou streamings ao vivo: tudo que vejo s\u00e3o conhecidos apontando suas webcams para os bancos de couro ou para os t\u00faneis da estrada: a surpresa era igual para todos os convidados.<\/p>\n<p>Desembarcamos em frente a uma \u00e1rea nobre do terminal de passageiros no porto de Santos. Lindas mo\u00e7as vestindo camisetas brancas com a logomarca &#8220;Interney Group&#8221; sorriam e desejavam boas vindas. Na sala de recep\u00e7\u00e3o, pude rever uma por\u00e7\u00e3o de amigos queridos e conhecidos das centenas de encontros blogueiros anteriores. Uma linda confraterniza\u00e7\u00e3o. Pude ouvir algu\u00e9m gritar, quando chegou. &#8220;Isso \u00e9 a prova de que todo o empreendedorismo dessa gente e debates sobre monetiza\u00e7\u00e3o valeram a pena! Um viva ao precursor das grandes redes de blogs no Brasil!&#8221;. Minha esposa fez cara de t\u00e9dio: h\u00e1 dez anos \u00e9 obrigada a ouvir o mesmo discurso da monetiza\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Finalmente, o burburinho da sala \u00e9 interrompido por um longo e estridente apito mar\u00edtimo. A parede da recep\u00e7\u00e3o se abre, revelando um navio gigantesco. Na entrada, usando farda branca e quepe, Edney Souza abre os bra\u00e7os e grita, com um sorriso de orelha a orelha: &#8220;todos \u00e0 bordo, pessoal!&#8221;. Ouvi aplausos intermin\u00e1veis at\u00e9 conseguir chegar ao anfitri\u00e3o, dar-lhe um forte abra\u00e7o, dizer &#8220;parab\u00e9ns&#8221; e finalmente colocar meus p\u00e9s na luxuosa embarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conclu\u00ed um r\u00e1pido giro pelo cruzeiro ap\u00f3s conhecer minha cabine particular, onde passaria as pr\u00f3ximas duas noites, e quando me dou conta, j\u00e1 estava em alto mar. No conv\u00e9s, cada instante, paro para cumprimentar algum conhecido, dizer &#8220;quanto tempo&#8221; e &#8220;quanta saudade&#8221;, perguntar como v\u00e3o as coisas&#8230; No meio da tarde, todas as rodas de bate-papo sumiram com o barulho de um helic\u00f3ptero, que chega cada vez mais perto. Pousa com seguran\u00e7a no heliponto do navio. As h\u00e9lices param e Alexandre Inagaki, ao lado de Ian Black, descem do ve\u00edculo. Palmas ecoavam de todo o barco. &#8220;Desculpas pelo atraso, pessoal, est\u00e1vamos fechando neg\u00f3cios importantes&#8221;, justificaram. Mais aplausos.<\/p>\n<p>A festa continua \u00e0 noite, com o baile de gala. Muitos convidados caminhavam pelo sal\u00e3o com seus gadgets: era poss\u00edvel acompanhar ao vivo cada detalhe por centenas de streamings particulares ou exclusivos canais de IPTV, retransmitidos por pelo menos duas redes de TV aberta. Ao contr\u00e1rio do que fazia antigamente, tirei meu traseiro gordo da cadeira para circular por todas as mesas, invadindo as rodinhas de prosa.<\/p>\n<p>Elegante e sempre ao lado da Cl\u00e1udia, Edney fazia seu discurso. &#8220;Foram noites em claro em pleno Carnaval para que estre\u00e1ssemos naquela noite de dois mil e sete&#8230; Agrade\u00e7o aos meus colegas e a todos que colaboraram para que este encontro se tornasse realidade&#8230;&#8221;. Num relance, uma cena que valeu por toda a viagem: dois velhos conhecidos, que andavam de relac\u00f5es cortadas, se aproximaram amistosamente.<\/p>\n<p>&#8211; Sinceramente, nem sei mais por que brigamos&#8230; Definitivamente, foi uma tremenda bobagem.<br \/>\n&#8211; Na verdade, foi voc\u00ea quem brigou. Eu estava o tempo todo aqui, pronto para te ajudar no que fosse preciso!<\/p>\n<p>Os dois riram e se abra\u00e7aram, felizes. Era a deixa para mais uma cutucada da patroa: &#8220;voc\u00ea devia fazer o mesmo e ir falar com aquela sua ex um dia&#8230;&#8221;. N\u00e3o deixei ela completar: ao menos em algum aspecto eu devia continuar teimoso.<\/p>\n<p>J\u00e1 era dia 23 quando atracamos em B\u00fazios. L\u00f3gico que, antes de caminhar pelas ruas estreitas em busca de um crepe, tratei de escrever meu relato e publicar no blog. At\u00e9 fiquei tentado a ler as outras centenas de hist\u00f3rias similares que piscavam em minha tela&#8230; Ah, marquei todas como lidas e segui festejando na praia. Afinal, nossa vida \u00e9 muito curta para ignorarmos paisagens t\u00e3o enriquecedoras e pessoas ainda mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manh\u00e3 do dia 22 de fevereiro de 2017. Estou sentado em minha poltrona favorita, lendo algum dos livros acumulados na biblioteca, n\u00e3o mais inertes desde o feliz dia em que tive a brilhante id\u00e9ia de trabalhar apenas cinco horas por dia. 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