{"id":1769,"date":"2007-10-27T23:30:17","date_gmt":"2007-10-28T02:30:17","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/violencia-domestica-mocambique-e-aqui"},"modified":"2007-10-27T23:30:17","modified_gmt":"2007-10-28T02:30:17","slug":"violencia-domestica-mocambique-e-aqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/violencia-domestica-mocambique-e-aqui\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia dom\u00e9stica: Mo\u00e7ambique \u00e9 aqui"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\" \/>Mulheres, podem me bater diante da confiss\u00e3o a seguir. Mais uma vez, me vi atropelado pelo caminh\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o absorvidas, ao me dar conta de um crime essa semana: como eu nunca tinha ouvido falar em Maria da Penha?<\/p>\n<p>Maria da Penha Maia Fernandes se viu sem for\u00e7as por longos seis anos. Seja por ter levado um tiro do marido (o que a deixou parapl\u00e9gica), alem de choques el\u00e9tricos e tentativa de afogamento&#8230; Seja por ver esse ac\u00e9falo (que era professor universit\u00e1rio!!!) punido apenas ap\u00f3s 18 anos de julgamento, e ap\u00f3s muitas idas e vindas&#8230; Ficou dois anos de cadeia! Dois anos!!! Mas os senhores s\u00e3o uns fanfarr\u00f5es!!!<\/p>\n<p>Agora, o que mais me deixa perplexo \u00e9 ter que celebrar a san\u00e7\u00e3o de uma <a href=\"\" target=\"_blank\" title=\"Est\u00e1 toda aqui\"><b>Lei Federal<\/b><\/a> que aumenta o rigor em cima do bandido em casos de agress\u00e3o em \u00e2mbito familiar (que, merecidamente, leva o nome de Maria da Penha). Afinal, por que diabos s\u00f3 em 2006, quando as estat\u00edsticas revelavam dois milh\u00f5es de casos do g\u00eanero por ano, desde sopet\u00f5es at\u00e9 agress\u00f5es verbais (sem contar os que n\u00e3o aparecem ali) para algu\u00e9m agir?<\/p>\n<p>Mais do que isso: precisava mesmo uma lei nova para ratificar algo que me parece t\u00e3o \u00f3bvio? Espero que a <a href=\"http:\/\/www.sindromedeestocolmo.com\" target=\"_blank\"><b>Denise<\/b><\/a> e suas amigas n\u00e3o me entendam mal, mas eu realmente ficaria feliz ao descobrir, num futuro, o dia que as mulheres n\u00e3o precisassem mais dos gritos de ordem feministas. Dia em que homens e mulheres finalmente descobrir\u00e3o o significado da palavra &#8220;respeito&#8221;.<\/p>\n<p>(Ali\u00e1s, um adendo: minha perplexidade chega a ser ing\u00eanua, afinal de contas a pergunta &#8220;precisava dessa lei&#8221; vale pra tanta coisa&#8230;).<\/p>\n<p>Partindo por esse racioc\u00ednio, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil chegar a uma nobre (por\u00e9m perigos\u00edssima) conclus\u00e3o: se homens e mulheres s\u00e3o iguais perante a Constitui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haveria raz\u00e3o alguma para favorecer qualquer lado. Reafirmo aqui: seria realmente fabuloso conviver dessa forma. \u00c9 uma pena que o ser humano n\u00e3o esteja preparado para isso, justificando com facilidade uma lei dessas.<\/p>\n<p>O que dizer, por exemplo, das <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/cotidiano\/ult95u339568.shtml\" target=\"_blank\"><b>frases infelizes<\/b><\/a> de um juiz em Sete Lagoas, desqualificando a lei Maria da Penha j\u00e1 que &#8220;p mundo \u00e9 masculino; a id\u00e9ia que temos de Deus \u00e9 masculina; Jesus foi homem!&#8221;. Ah, francamente.<\/p>\n<p>Vou mais longe: eu me arrisco a dizer que, infelizmente, nossa esp\u00e9cie est\u00e1 cada vez mais despreparada e propensa a atos insanos e covardes, independente da legisla\u00e7\u00e3o. Li em algum lugar que, quando o marido bate na mulher, n\u00e3o est\u00e1 sendo violento apenas com ela, mas com a ifam\u00edlia. Institui\u00e7\u00e2o que, diga-se, simplesmente se perdeu &#8211; e nem \u00e9 o caso de entrar nesse m\u00e9rito, haja vista o volume de beb\u00eas rec\u00e9m-nascidos em bueiros, latas de lixo e afins&#8230;<\/p>\n<p>Comecei a divagar nesse tema n\u00e3o s\u00f3 pela hist\u00f3ria da Maria da Penha, mas tamb\u00e9m gra\u00e7as a este registro do meu amigo Arno Rochol.<\/p>\n<div align=\"center\"><\/div>\n<p>Ele esteve recentemente em Mo\u00e7ambique, por conta do projeto <a href=\"http:\/\/www.radiolocal.com.br\" target=\"_blank\"><b>R\u00e1dio e Desenvolvimento Local<\/b><\/a>. As participantes &#8211; todas mulheres &#8211; elaboraram uma mini-reportagem sobre viol\u00eancia dom\u00e9stica, problema t\u00e3o (ou mais) grave quanto aqui. Embaladas por uma musiquinha: &#8220;Quem cuida das crian\u00e7as&#8221;, canta uma, e o coro responde: &#8220;\u00c9 a mulher.&#8221; E assim vai, com outras perguntas, at\u00e9 o refr\u00e3o: &#8220;Pois \u00e9, pois \u00e9, pois \u00e9, pois \u00e9, tem homem sem-vergonha que ainda bate na mulher&#8221;.<\/p>\n<p>Enfim, a coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa \u00e9 apenas uma das semelhan\u00e7as entre Brasil e Mo\u00e7ambique.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres, podem me bater diante da confiss\u00e3o a seguir. Mais uma vez, me vi atropelado pelo caminh\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o absorvidas, ao me dar conta de um crime essa semana: como eu nunca tinha ouvido falar em Maria da Penha? Maria da Penha Maia Fernandes se viu sem for\u00e7as por longos seis anos. 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