{"id":1768,"date":"2007-10-25T23:37:08","date_gmt":"2007-10-26T02:37:08","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/mais-uma-desses-motoristas-de-taxi"},"modified":"2007-10-25T23:37:08","modified_gmt":"2007-10-26T02:37:08","slug":"mais-uma-desses-motoristas-de-taxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/mais-uma-desses-motoristas-de-taxi\/","title":{"rendered":"Mais uma desses motoristas de t\u00e1xi"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\" \/>Minha primeira impress\u00e3o sobre o Rio de Janeiro, assim que botei os p\u00e9s na cidade pela primeira vez, foi bastante positiva: o c\u00e9u, o mar, o calor&#8230; At\u00e9 encontrar uma na \u00e1rea de desembarque do pequeno Santos Dumont. Dizia mais ou menos o seguinte: &#8220;para sua seguran\u00e7a, n\u00e3o utilize os t\u00e1xis comuns&#8221;.<\/p>\n<p>Acabei desobedecendo a regrinha e entrei no primeiro carro amarelo com uma faixa azul que encontrei. O motorista era um sujeito parrudo, cabelos compridos e sotaque t\u00edpico dos nativos da cidade. No trajeto aeroporto-Botafogo, ouv\u00edamos a R\u00e1dio Nacional de Bras\u00edlia (como se o Rio ainda fosse a capital federal) e trocamos id\u00e9ias sobre o tempo, pol\u00edtica, esportes e &#8220;afins&#8221;&#8230;<\/p>\n<p>Bom, o &#8220;afins&#8221; pode ser resumido em uma frase proferida por este cover do Mancuso &#8211; uma verdadeira patada verbal &#8211; ao avistar uma linda mo\u00e7a, j\u00e1 em Botafogo. Pessoalmente, nunca tinha ouvido um coment\u00e1rio t\u00e3o&#8230; Putz, sem defini\u00e7\u00f5es. Veja voc\u00ea mesmo e fa\u00e7a a sua an\u00e1lise:<\/p>\n<p>&#8211; Aih, hoje \u00e9 seixta&#8230; \u00c9 dia de perer\u00e9ca tom\u00e1 leite de canudinho&#8230;<\/p>\n<p>Baixarias \u00e0 parte, desconfio que o delicado motorista fez algumas voltas a mais no aterro do Flamengo, at\u00e9 chegar ao meu destino: desembolsei 15 reais pela viagem, o que considerei um absurdo. Horas depois, no Clube Marapendi, percebi que alguns amigos, que se hospedaram ali na Barra mesmo, pagaram mais de 50 reais pela viagem do aeroporto ao hotel.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o de que todo taxista do Rio \u00e9 ladr\u00e3o caiu por terra quando meu amigo  Narazaki e eu entramos no carro do senhor Jo\u00e3o Milanez no s\u00e1bado \u00e0 noite.<\/p>\n<p>&#8211; Amigo, quanto o senhor cobra do Botafogo at\u00e9 a Barra?<\/p>\n<p>&#8211; Bom, \u00e9 o que marcar no tax\u00edmetro. Mas dependendo do lugar, n\u00e3o sai por mais de 25 reais.<\/p>\n<p>Entusiasmado com o pre\u00e7o, Narazaki fechou este pre\u00e7o e combinou de telefonar mais tarde, quando sair\u00edamos para o Barra Shopping. Jo\u00e3o ficou ainda mais entusiasmado, obviamente interessado na corrida. Assim, \u00e0s dez e meia, convocamos o &#8220;seu&#8221; Jo\u00e3o, que prontamente retornou a liga\u00e7\u00e3o e foi atr\u00e1s dos dois paulistas.<\/p>\n<p>No caminho, descobrimos que &#8220;seu&#8221; Jo\u00e3o \u00e9, na verdade, paraibano, mas que j\u00e1 mora no Rio h\u00e1 39 anos. Explicou todos os detalhes do percurso: Humait\u00e1, Jardim Bot\u00e2nico, G\u00e1vea, S\u00e3o Conrado, favela da Rocinha e, finalmente, a distante Avenida das Am\u00e9ricas, na Barra da Tijuca. Parou o t\u00e1xi na porta do shopping, quando o tax\u00edmetro acusava 22 reais.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o disse que n\u00e3o dava menos de 25? Tamb\u00e9m, se desse mais, tudo bem, j\u00e1 tinha fechado o pre\u00e7o mesmo&#8221;, disse o simp\u00e1tico &#8211; e honest\u00edssimo motorista. &#8220;Tem muito taxista que se aproveita. Eu n\u00e3o gosto disso, n\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Isso fez com que o &#8220;seu&#8221; Jo\u00e3o se tornasse o taxista oficial da nossa estadia. Sua \u00faltima viagem conosco come\u00e7ou no legend\u00e1rio e muito bem decorado Hard Rock Caf\u00e9, onde eu, Narazaki e Fern\u00e3o Ketelhuth falamos, entre outros assuntos, sobre &#8220;misteriosos anf\u00edbios que sorviam bebida puramente l\u00e1ctea atrav\u00e9s de cilindros espe\u00edficos&#8221;. Fazia tempo que n\u00e3o ria tanto.<\/p>\n<p>E as gargalhadas continuaram no t\u00e1xi. &#8220;Puxa vida, s\u00f3 voc\u00eas tr\u00eas? Mas nem uma menina?&#8221;, lamentou, a caminho da rodovi\u00e1ria, destino final de Narazaki e Fern\u00e3o. &#8220;Se n\u00e3o tivesse t\u00e3o tarde, levava voc\u00eas l\u00e1 pra Vila Mimosa. \u00c9 baratinho&#8221;, brincou, referindo-se a popular zona de baixo meretr\u00edcio. &#8220;Tenho dezesseis sobrinhos. E eu matriculei todos eles l\u00e1!&#8221;. Que beleeeza!<\/p>\n<p><b>Olha s\u00f3, tem maix, aih!<\/b><\/p>\n<p>&#8211; Quando n\u00e3o estava num t\u00e1xi, tomava a linha 524, entre Botafogo e a Barra. A primeira vez foi na ensolarada manh\u00e3 de sexta: paguei R$ 1,20 por um belo city-tour.<\/p>\n<p>&#8211; Nessas idas e vindas, prestava aten\u00e7\u00e3o na propaganda eleitoral pela cidade. Al\u00e9m dos intermin\u00e1veis Brizola e Moreira Franco, tem o filho do prefeito C\u00e9sar M\u00e1ia, o filho do Francisco Cuoco, o filho do Chico Recarey, e ainda o Bernard (para levantar a bola do Rio). Mas o melhor slogan, sem sombra de d\u00favidas: &#8220;o Rio precisa de um grande El\u00f3i&#8221;. Sacaram? Her\u00f3i, Hel\u00f3i&#8230; Uaca, uaca, uaca!!!<\/p>\n<p>&#8211; Levy Fidelix, o &#8220;candidato do Aerotrem&#8221; devia dar um pulo no Barra Shopping e ver o estado em que se encontra o monotrilho, um trem com o mesmo jeit\u00e3o dessa proposta insana, desativado. Se n\u00e3o deu certo num shopping, por que daria certo em S\u00e3o Paulo?<\/p>\n<p>&#8211; Em tempo, conversei com meio mundo, e ningu\u00e9m vai votar na Rosinha. De onde ser\u00e1 que saiu tanto eleitor pra essa mulher? Para o bem do Rio, Rosinha N\u00e3o!<\/p>\n<p>&#8211; Alguns pre\u00e7os dos souvenirs do Hard Rock Caf\u00e9: chaveirinho, a partir de dez reais. Camiseta, 40 reais. Jaqueta de couro, 600 reais. Uma gelada! A prop\u00f3sito, gelado mesmo ser\u00e1 o assunto do pr\u00f3ximo epis\u00f3dio! Se liga, merm\u00e3o!<\/p>\n<p><i>(Postado em 25\/09\/2002)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minha primeira impress\u00e3o sobre o Rio de Janeiro, assim que botei os p\u00e9s na cidade pela primeira vez, foi bastante positiva: o c\u00e9u, o mar, o calor&#8230; At\u00e9 encontrar uma na \u00e1rea de desembarque do pequeno Santos Dumont. Dizia mais ou menos o seguinte: &#8220;para sua seguran\u00e7a, n\u00e3o utilize os t\u00e1xis comuns&#8221;. 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