{"id":1755,"date":"2007-09-06T23:26:34","date_gmt":"2007-09-07T02:26:34","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/o-bagulho-da-festa-do-tales"},"modified":"2007-09-06T23:26:34","modified_gmt":"2007-09-07T02:26:34","slug":"o-bagulho-da-festa-do-tales","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/o-bagulho-da-festa-do-tales\/","title":{"rendered":"O bagulho da festa do Tales"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/ferias.gif\" align=\"right\" \/><font size=\"3\">Por <b>Mar\u00edlia<\/b>, do blog <a href=\"http:\/\/alvarengasempre.blogspot.com\" target=\"_blank\"><b>Alvarenga Sempre<\/b><\/a><\/font><\/p>\n<p>Eram tempos dif\u00edceis. Plena ditadura militar. Acho que foi em 1968. N\u00e3o me recordo com precis\u00e3o algumas datas. Lembro do lugar, das pessoas, dos cheiros, mas j\u00e1 come\u00e7o a fazer uma pequena confus\u00e3o com as datas!<\/p>\n<p>Vamos ao caso: Estud\u00e1vamos no col\u00e9gio universit\u00e1rio da UFMG. Era no campus novo, aquela \u00e9poca com poucos pr\u00e9dios, um matagal imenso, para\u00edso da mo\u00e7ada! Al\u00e9m de ser territ\u00f3rio quase que impenetr\u00e1vel pelos militares, ningu\u00e9m do DOPS tinha saco, ou perdia tempo em procurar aluno por l\u00e1. Na cabe\u00e7a deles, s\u00f3 \u201cfilhinhos de papai estudavam na federal da Pampulha\u201d , o alvo deles era e sempre foi a FAFICH-BH.<\/p>\n<p>Pois bem, havia um aluno novo, o Tales. Filho de coronel da aeron\u00e1utica, rec\u00e9m chegado do Rio de Janeiro, precisava mostrar servi\u00e7o pra se integrar com a mo\u00e7ada. Primeiros dias, ningu\u00e9m falava com ele, por que antes de ele chegar, j\u00e1 havia corrido o boato de quem ele era filho.<\/p>\n<p>De repente, o cara fala na cantina:<\/p>\n<p>&#8211; Pois \u00e9 bicho, cheguei de Amsterd\u00e3&#8230;<\/p>\n<p>Foi a senha&#8230; Em menos de uma semana ele era o mais popular do col\u00e9gio. Curiosas, T\u00e2nia e eu fomos chegando perto.<\/p>\n<p>Beleza, o menino tinha de sobra (e tem at\u00e9 hoje), e o resto, haver\u00edamos de descobrir. E descobrimos: &#8211; Haxixe, bicho, do bom, sem grilo&#8230;<\/p>\n<p>Num era bagulho n\u00e3o, era haxixe bicho, e ningu\u00e9m jamais havia visto por essas bandas&#8230;<\/p>\n<p>Eu, particularmente sempre sofri um grande preconceito por parte da minha turma da UFMG&#8230; Naqueles tempos, droga num era coisa pesada&#8230; Droga era fumar bagulho (= maconha)&#8230; Droga era falar que provou mescalina e tomou LSD&#8230; Nunca gostei de fumar, me dava enj\u00f4o, vomitava at\u00e9 as tripas! Qualquer uma delas&#8230; Nada me dava barato&#8230; S\u00f3 vomitava.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, tanto que quando veio a \u201cera do Santo Daime\u201d, de cara eu falei:<\/p>\n<p>&#8211; Essa merda d\u00e1 v\u00f4mito&#8230; E num deu outra!!!<\/p>\n<p>Mas o Tales marcou festinha. Iria distribuir, s\u00f3 para os escolhidos a dedo.<\/p>\n<p>O pai ia viajar com a m\u00e3e pro Rio, ent\u00e3o estava combinado, na casa dele, s\u00e1bado, duas da tarde.<\/p>\n<p>(Porra \u00e9 claro que eu tava no meio dos especiais!)<\/p>\n<p>\u00d4 xente, l\u00e1 fui eu&#8230;. Rua Oliveira, perto l\u00e1 de casa.<\/p>\n<p>&#8211; Oi bicho, e a\u00ed? Tudo em cima? Legal?<\/p>\n<p>Aqueles longos abra\u00e7os que sempre me deram claustrofobia. S\u00e9rio, voc\u00ea que tem mais de 50, se lembra como eram os abra\u00e7os? Longos&#8230;<\/p>\n<p>E a gente ficava falando assim: &#8211; Oiiiiiiiiii bicho&#8230;e a\u00ed???<\/p>\n<p>Incenso, cacha\u00e7a (Eca&#8230; nunca suportei), cigarro de palha, (outro problema), almofadas, as cortinas fechadas, o ambiente na penumbra.<\/p>\n<p>E a\u00ed, que veio o pior&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o era o bendito do haxixe n\u00e3o! Foi a m\u00fasica que colocaram&#8230; \u201cIn na gadda da vida\u201d, Iron butterfly!  Caramba, a m\u00fasica era terr\u00edvel, repetia a mesma frase, e todos, como fan\u00e1ticos, de olhos fechados se balan\u00e7ando no ritmo lento da maldita m\u00fasica, e fumando&#8230;<\/p>\n<p>O cachimbinho ia passando de m\u00e3o em m\u00e3o, e chegou a minha vez&#8230;<\/p>\n<p>Dei pra tr\u00e1s! Amarelei geral!<\/p>\n<p>Embirrei e falei: &#8211; Gente, sem sacanagem, n\u00e3o fumo esse trem de jeito nenhum&#8230; Ou tira a m\u00fasica e abre a janela, ou vou pisar no cachimbinho e acabar com a essa experi\u00eancia transcendental!<\/p>\n<p>PQP era muita metamorfose pro meu est\u00f4mago!<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; P\u00f4, bicho&#8230; Sem sujeira&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; O som \u00e9 massa&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Calma Idy&#8230; T\u00e1 pirando sem viajar?<\/p>\n<p>&#8211; To \u2013 respondi \u2013 t\u00f4 pirando&#8230; E vou acabar com a festa, por que sujeira \u00e9 convidar algu\u00e9m para uma festa, sem vodka, sem Beatles, com janela fechada e uma m\u00fasica destas!<\/p>\n<p>Claro que \u201ccortei o barato\u201d de todo mundo, Tales ficou dias sem falar comigo, o Regis quase morreu de tanto rir, e eu fui embora&#8230;<\/p>\n<p>Gente, conselho de mulher experiente: s\u00f3 deixem seus filhos experimentarem qualquer tipo de barato, se for escutando Iron Butterfly&#8230;<\/p>\n<p>\u00c8 tratamento de choque&#8230; Eles nunca mais v\u00e3o repetir a dose!<\/p>\n<p>By Idy, 1988, Arraial d\u2019Ajuda<\/p>\n<p><i>Enquanto Marmota est\u00e1 impregnado com a marola de Amsterd\u00e3, a s\u00e9rie <b>Col\u00f4nia de F\u00e9rias<\/b> apresenta textos gentilmente preparados por seus amigos&#8230; Hmmmm&#8230; Meu, m\u00f3 viagem, esqueci do barato que tava escrevendo&#8230;<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Mar\u00edlia, do blog Alvarenga Sempre Eram tempos dif\u00edceis. 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