{"id":1737,"date":"2007-01-27T23:07:14","date_gmt":"2007-01-28T02:07:14","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/minha-festinha-de-aniversario-de-sao-paulo"},"modified":"2007-01-27T23:07:14","modified_gmt":"2007-01-28T02:07:14","slug":"minha-festinha-de-aniversario-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/minha-festinha-de-aniversario-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Minha festinha de anivers\u00e1rio de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\">Estava em total sinergia com o som do Nenhum de N\u00f3s enquanto voltava de carro para casa nesta quinta. Aquilo ajudava a minimizar a sensa\u00e7\u00e3o de estar trabalhando enquanto muita gente descansava, bem longe dali. O feriado paulistano diminuiu a bagun\u00e7a da Marginal Tiet\u00ea, parcialmente interditada todas as noites por causa das obras de recapeamento. J\u00e1 estava bem perto da Trabalhadores (n\u00e3o consigo chamar a rodovia de Ayrton Senna) quando atropelei uma pedra.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o era um desses pedregulhos inofensivos que soltam do asfalto durante a obra. Era um senhor bloco de concreto. Parecia que estava ali de prop\u00f3sito, para alguns desatentos cantantes, como eu, passarem por cima e aprenderem uma boa li\u00e7\u00e3o. De fato, parei o carro no acostamento quase ao lado do antigo Paes Mendon\u00e7a da Penha. Bem a frente de outros tr\u00eas ve\u00edculos, tamb\u00e9m parados.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa, ser\u00e1 que todos passaram pela maldita pedra?&#8221;, pensei. Uma an\u00e1lise mais aprofundada para reconhecer, entre os ve\u00edculos, uma viatura policial, com as luzes giroflex desligadas. Havia outra parada, do outro lado da via local. Pelo menos tr\u00eas policiais militares caminhavam pelos canteiros da Marginal, como se estivessem ca\u00e7ando.<\/p>\n<p>Claramente, a pedra era c\u00famplice de um golpe sujo, e os guardas j\u00e1 estavam providenciando a pris\u00e3o dos malfeitores. A essa altura, j\u00e1 tinha decidido sair do carro e come\u00e7ar a deliciosa troca de pneus. No mesmo instante, mais um carro, cujo plec-plec da roda denunciava mais uma v\u00edtima. Parou alguns metros \u00e0 frente de mim. As duas pessoas olharam para a minha cara de &#8220;sim, foi aquela pedra&#8221; e riram.<\/p>\n<p>Um deles estava curioso com a movimenta\u00e7\u00e3o policial e decidiu especular, deixando o colega com o macaco e a chave de roda. Voltou em cinco minutos, com a express\u00e3o s\u00e9ria. &#8220;Meu, aqueles ali \u00f3 foram tudo roubado, a\u00ed os gamb\u00e9 cataram os cara no fragrante&#8221;. Ao mesmo tempo que imaginei a ang\u00fastia daqueles que foram abordados h\u00e1 poucos instantes, agradeci a Deus por mais uma dessas interven\u00e7\u00f5es sabe-se l\u00e1 de onde fez com que a dupla de amigos e eu tivessem apenas um pneu furado.<\/p>\n<p>Com o estepe mais vazio que cheio, entrei naquele posto ao lado do viaduto de Guarulhos, para calibr\u00e1-lo. Contei com a ajuda do simp\u00e1tico frentista, que j\u00e1 nem d\u00e1 mais bola para esse tipo de ocorr\u00eancia. &#8220;Todo dia \u00e9 isso a\u00ed. Teve uma vez que ficaram uns dez carros parados, e todos foram roubados. E a PM sabe que isso acontece toda noite, mas est\u00e3o nem a\u00ed&#8221;, comentou.<\/p>\n<p>Antes de confirmar as 28 libras regulamentares em cada pneu, outro carro encosta ao lado. Pai, m\u00e3e e filhos adolescentes no banco de tr\u00e1s. Um homem aparentando seus quarenta e poucos anos desceu assustado. &#8220;O senhor tamb\u00e9m passou por cima da pedra?&#8221;, perguntei. Ele disse que sim e, quando eu e o frentista contamos a hist\u00f3ria, ele virou os olhos para a fam\u00edlia. Mistura de preocupa\u00e7\u00e3o e al\u00edvio.<\/p>\n<p>J\u00e1 era madrugada de sexta quando encostei no primeiro borracheiro aberto, j\u00e1 na avenida S\u00e3o Miguel. Fui atendido por um velho aparentemente banguela e dopado, mas muito sol\u00edcito. &#8220;Foi buraco?&#8221;, perguntou o anci\u00e3o. Ao saber da tentativa de assalto, foi direto. &#8220;Se esses bandidos usassem a criatividade deles pra trabalhar&#8230; Tinha que ter pena de morte&#8230; Os caras iam pensar duas vezes antes de fazer besteira&#8221;, balbuciou, entre outras palavras incompreens\u00edveis.<\/p>\n<p>Bela maneira de dizer &#8220;feliz anivers\u00e1rio&#8221; a uma cidade que n\u00e3o para de surpreender.<\/p>\n<div align=\"center\">***<\/div>\n<p>&#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil andar por S\u00e3o Paulo. Mesmo quem se desloca pouco pela cidade sente os efeitos do caos no tr\u00e2nsito, al\u00e9m das limita\u00e7\u00f5es no sistema de transporte p\u00fablico. Qualquer paulistano concorda com os forasteiros que &#8220;n\u00e3o conhecem bem a cidade, apenas onde d\u00e1 para chegar de Metr\u00f4&#8221;. O que, convenhamos, tamb\u00e9m est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil, especialmente para quem vive na zona leste. Aproveitar as coisas boas que a cidade oferece sem pensar nisso? S\u00f3 depois das dez da noite, ou em feriados como o desse dia 25&#8243;.<\/p>\n<p>Esse foi o meu depoimento \u00e0 Renata Honorato, que foi uma das respons\u00e1veis por <a href=\"http:\/\/www.sampaist.com\/archives\/2007\/01\/25\/sao_paulo_opiniao_blogueiros.php\" target=\"_blank\"><b>esse post do Sampaist<\/b><\/a>, que reflete a diversidade dessa cidade detest\u00e1vel, mas necess\u00e1ria em nossas vidas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.sampaist.com\/archives\/aniversario_da\" target=\"_blank\"><b>Parab\u00e9ns, S\u00e3o Paulo<\/b><\/a>, apesar de tudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estava em total sinergia com o som do Nenhum de N\u00f3s enquanto voltava de carro para casa nesta quinta. Aquilo ajudava a minimizar a sensa\u00e7\u00e3o de estar trabalhando enquanto muita gente descansava, bem longe dali. O feriado paulistano diminuiu a bagun\u00e7a da Marginal Tiet\u00ea, parcialmente interditada todas as noites por causa das obras de recapeamento. 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